{"id":1321,"date":"2010-10-17T02:14:11","date_gmt":"2010-10-17T02:14:11","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1321"},"modified":"2010-10-17T02:14:11","modified_gmt":"2010-10-17T02:14:11","slug":"16-de-outubro-de-2010-coluna-semanal-de-amy-goodman","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1321","title":{"rendered":"16 de outubro de 2010 \u2013 Coluna semanal de Amy Goodman"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/johnlecarre.jpg\" title=\"John le Carr\u00e9 magistral escritor que conhecera o mundo das sombras na atividade de espionagem, compreende, interpreta e julga o jogo sujo de pol\u00edticos profissionais como Tony Blair e, simultaneamente, identifica na globaliza\u00e7\u00e3o corporativa e seus enlaces com os servi\u00e7os de intelig\u00eancia estatais, o elo de for\u00e7a da domina\u00e7\u00e3o globalizada - Foto:daily mail \" alt=\"John le Carr\u00e9 magistral escritor que conhecera o mundo das sombras na atividade de espionagem, compreende, interpreta e julga o jogo sujo de pol\u00edticos profissionais como Tony Blair e, simultaneamente, identifica na globaliza\u00e7\u00e3o corporativa e seus enlaces com os servi\u00e7os de intelig\u00eancia estatais, o elo de for\u00e7a da domina\u00e7\u00e3o globalizada - Foto:daily mail \" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">John le Carr\u00e9 magistral escritor que conhecera o mundo das sombras na atividade de espionagem, compreende, interpreta e julga o jogo sujo de pol\u00edticos profissionais como Tony Blair e, simultaneamente, identifica na globaliza\u00e7\u00e3o corporativa e seus enlaces com os servi\u00e7os de intelig\u00eancia estatais, o elo de for\u00e7a da domina\u00e7\u00e3o globalizada<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:daily mail <\/small><\/figure>\n<p><strong>John le Carr&eacute;: Desmascarando os traidores <\/p>\n<p><\/strong>John le Carr&eacute;, o ex-espi&atilde;o brit&acirc;nico que se converteu em autor de novelas de espionagem, dedicou duras palavras a Tony Blair, ex-Primeiro Ministro ingl&ecirc;s, membro do Partido Trabalhista. Passados mais de sete anos da invas&atilde;o do Iraque, o ex-premi&ecirc; brit&acirc;nico, que agora n&atilde;o ocupa nenhum cargo e fica excursionando pelo mundo promovendo suas mem&oacute;rias pol&iacute;ticas, vem enfrentando graves protestos durante as sess&otilde;es de aut&oacute;grafo de seu livro.<\/p>\n<p>Quando estive em Londres recentemente, John le Carr&eacute; me disse: &ldquo;N&atilde;o posso entender que Blair tenha uma vida p&uacute;blica e talvez um futuro pol&iacute;tico ainda. Parece-me que um pol&iacute;tico qualquer que tenha levado seu pa&iacute;s &agrave; guerra utilizando pretextos falsos cometeu o maior dos pecados. Acho que uma guerra, na que nos negamos a aceitar o n&uacute;mero de pessoas que temos matado, &eacute; uma guerra da que dever&iacute;amos estar envergonhados. Sempre h&aacute; que ter cuidado com isso. N&atilde;o falo como um profeta, eu suponho que simplesmente falo como um cidad&atilde;o enraivecido. Penso que &eacute; verdade que temos causado danos irrepar&aacute;veis no Oriente M&eacute;dio e acho que vamos ter que pagar por isso por longo tempo.&rdquo; <\/p>\n<p>Est&aacute;vamos sentados em um est&uacute;dio de televis&atilde;o localizado em uma das orlas do Rio Tamisa, com vista para dois dos antigos locais de trabalho de le Carr&eacute;: o MI5, (Security Service, o Servi&ccedil;o de Seguran&ccedil;a Interior do Reino Unido), voltado para opera&ccedil;&otilde;es dentro do territ&oacute;rio, e o MI6 (Secret Intelligence Service, SIS, o Servi&ccedil;o Secreto de Intelig&ecirc;ncia brit&acirc;nico), que opera em n&iacute;vel internacional. Para termos um grau de compara&ccedil;&atilde;o, seriam equivalentes ao FBI e a CIA dos Estados Unidos. John le Carr&eacute; &eacute; o pseud&ocirc;nimo do ingl&ecirc;s David Cornwell, que trabalhou como espi&atilde;o no per&iacute;odo do final da d&eacute;cada de 1950 at&eacute; princ&iacute;pios da de 1960. Ele come&ccedil;ou a escrever novelas e teve que eleger um apelido, um pseud&ocirc;nimo devido a seu trabalho em espionagem. Tinha sua base na Alemanha quando, em 1961, viu como foi erguido o Muro de Berlim, o que o motivou a escrever sua terceira novela: &ldquo;O espi&atilde;o que saiu do frio&rdquo; (The Spy Who came in from the cold,) cuja primeira edi&ccedil;&atilde;o foi em 1963, convertendo-se num best-seller em todo mundo. <\/p>\n<p>O romance foi publicado no mesmo per&iacute;odo em que outro autor brit&acirc;nico de novelas de espionagem, Ian Fleming, desfrutava do sucesso da reconhecida s&eacute;rie de fic&ccedil;&atilde;o cujo protagonista &eacute; o espi&atilde;o brit&acirc;nico James Bond. Diferente dos extravagantes personagens e a a&ccedil;&atilde;o sem limites dos livros e filmes de Bond, os personagens das novelas de le Carr&eacute; s&atilde;o sujeitos desolados, envolvidos em atos de enganos, desonestidades e viol&ecirc;ncia deliberada. Com a aten&ccedil;&atilde;o do mundo posta no Muro de Berlim e na crise dos m&iacute;sseis em Cuba, le Carr&eacute; cativou ao p&uacute;blico do mundo inteiro ao mostrar a crua realidade do espi&atilde;o na frente de batalha da Guerra Fria. <\/p>\n<p>Quando a Guerra Fria chegou ao fim, le Carr&eacute; continuou sua produtiva carreira de escritor, e foi mudando o foco de seus textos. Veio se aproximando cada vez mais a temas como as desigualdades da globaliza&ccedil;&atilde;o, o poder corporativo multinacional sem restri&ccedil;&otilde;es e a freq&uuml;ente conflu&ecirc;ncia dos interesses das transnacionais com as atividades dos servi&ccedil;os estatais de espionagem. <\/p>\n<p>Talvez uma das mais conhecidas de suas &uacute;ltimas novelas seja &ldquo;O jardineiro fiel&rdquo;, que trata de uma companhia farmac&ecirc;utica que utiliza, sem seu consentimento, a cidad&atilde;os do Qu&ecirc;nia para realizar perigosas provas de uma droga experimental, cujos testes em pessoas podem ser mortais. John le Carr&eacute; explica: &ldquo;As coisas que s&atilde;o feitas em nome dos acionistas s&atilde;o, desde meu ponto de vista, me d&atilde;o tanto calafrio como as coisas que se fazem, me permitam dizer, em nome de Deus.&rdquo; Como v&aacute;rios outros de seus livros, &ldquo;O jardineiro fiel&rdquo; teve sua vers&atilde;o para o cinema, tornando-se um filme muito popular, protagonizada por Ralph Fiennes e Rachel Weisz, dire&ccedil;&atilde;o do brasileiro Fernando Meirelles e fotografia do uruguaio Cesar Charlone. <\/p>\n<p>John le Carr&eacute; tem escrito com freq&uuml;&ecirc;ncia a respeito da &Aacute;frica: &ldquo;&Eacute; onde tenho visto a globaliza&ccedil;&atilde;o em funcionamento. &Eacute; um panorama bastante feio. A imagem da globaliza&ccedil;&atilde;o que nos &eacute; transmitida &eacute; uma fantasia de reuni&atilde;o de diretoria de empresa. Seu verdadeiro significado &eacute; a explora&ccedil;&atilde;o de m&atilde;o de obra muito barata, e com freq&uuml;&ecirc;ncia tamb&eacute;m implica em desastre ecol&oacute;gico, a cria&ccedil;&atilde;o de mega cidades e o fim da cultura agr&aacute;ria e tribal.&rdquo; <\/p>\n<p>Seu &uacute;ltimo livro (o vig&eacute;simo segundo), publicado h&aacute; pouco mais de uma semana, tem como t&iacute;tulo &ldquo;Um traidor como os nossos.&rdquo; Trata-se de uma fic&ccedil;&atilde;o sobre um conjunto de banqueiros londrinos e seus protetores no parlamento que conspiram em conjunto com a m&aacute;fia russa para apunhalar a enfraquecida economia mundial atrav&eacute;s da lavagem de bilh&otilde;es de d&oacute;lares provenientes de atividades criminosas. <\/p>\n<p>Em 2003, antes da invas&atilde;o a Iraque, le Carr&eacute; participou das manifesta&ccedil;&otilde;es contra a guerra junto a mais de um milh&atilde;o de pessoas, segundo a estimativa de p&uacute;blico: &ldquo;A marcha se deteve. Est&aacute;vamos todos muito juntos e com a mirada posta em Downing Street, endere&ccedil;o onde se localiza a resid&ecirc;ncia do Premi&ecirc;. Parecia que ningu&eacute;m ia dizer nada, mas a vontade do povo se fez ouvir em uma esp&eacute;cie de grito selvagem. Tratei de imaginar o que deve ter sido para Blair estar sentado dentro desse edif&iacute;cio e ouvir aquele som. Era como um grito imenso, como esses que surgem de uma partida de futebol ou algo assim, onde em realidade n&atilde;o se verbaliza nada, como se fosse um som animal. Acho que sempre se recordar&aacute; dele, Blair, como aquele que nos levou &agrave; guerra a base de mentiras, que &eacute; como muita gente o percebe.&rdquo; <\/p>\n<p>John le Carr&eacute; me disse que n&atilde;o comprar&aacute; o livro de Tony Blair, mas que tem algumas perguntas para lhe fazer: &ldquo;Voc&ecirc; viu alguma vez o que ocorre quando uma granada cai em uma escola? Realmente sabe o que faz quando ordena empregar a estrat&eacute;gia de impacto e intimida&ccedil;&atilde;o&rsquo;? Est&aacute; preparado para se ajoelhar ao lado de um soldado que est&aacute; morrendo e lhe explicar por que ele foi &agrave; guerra do Iraque?&rdquo; <\/p>\n<p>O autor ingl&ecirc;s resumiu o que considera o problema central dos poderes mundiais, especialmente do poder brit&acirc;nico e estadunidense: &ldquo;As v&iacute;timas nunca esquecem. Os vencedores sim. Esquecem muito r&aacute;pido.&rdquo; Por isso, aos 80 anos, John Le Carr&eacute; continua escrevendo, captando o interesse dos leitores em sua busca do que ele chama &ldquo;a grande verdade.&rdquo; <br \/>\n&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&ndash; <br \/>\nDenis Moynihan colaborou na produ&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica desta coluna. <br \/>\n&copy; 2010 Amy Goodman <br \/>\nTexto em ingl&ecirc;s traduzido por Fernanda Gerpe e Democracy Now! em espanhol, spanish@democracynow.org <\/p>\n<p>Texto traduzido da vers&atilde;o em castelhano e revisado do original em ingl&ecirc;s por <a href=\"mailto:bruno.estrategiaeanalise@gmail.com\">Bruno Lima Rocha<\/a>; originalmente publicado em portugu&ecirc;s em <a href=\"http:\/\/www.estrategiaeanalise.com.br\">Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise<\/a>. &Eacute; livre a reprodu&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do desde que citando a fonte. <\/p>\n<p>Amy Goodman &eacute; a &acirc;ncora de Democracy Now!, um notici&aacute;rio internacional transmitido diariamente em mais de 550 emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o em ingl&ecirc;s e em mais de 250 em espanhol. &Eacute; co-autora do livro &quot;Os que lutam contra o sistema: Her&oacute;is ordin&aacute;rios em tempos extraordin&aacute;rios nos Estados Unidos&quot;, editado por Le Monde Diplomatique Cono Sur.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>John le Carr\u00e9 magistral escritor que conhecera o mundo das sombras na atividade de espionagem, compreende, interpreta e julga o jogo sujo de pol\u00edticos profissionais como Tony Blair e, simultaneamente, identifica na globaliza\u00e7\u00e3o corporativa e seus enlaces com os servi\u00e7os de intelig\u00eancia estatais, o elo de for\u00e7a da domina\u00e7\u00e3o globalizada Foto:daily mail John le Carr&eacute;: [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1321","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1321","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1321"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1321\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1321"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1321"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1321"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}