{"id":1322,"date":"2010-10-20T00:24:46","date_gmt":"2010-10-20T00:24:46","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1322"},"modified":"2010-10-20T00:24:46","modified_gmt":"2010-10-20T00:24:46","slug":"como-as-instituicoes-financeiras-se-provocaram-e-se-beneficiaram-da-bolha-imobiliaria-nos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1322","title":{"rendered":"Como as institui\u00e7\u00f5es financeiras se provocaram e se beneficiaram da bolha imobili\u00e1ria nos EUA"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/goldman.jpg\" title=\"Campe\u00e3o das mutretas nos quatro cantos do planeta, o banco de investimentos Goldman Sachs representa um \u201cmodelo de comportamento\u201d para os agentes do capitalismo que operam fazendo dos recursos do planeta as fichas de um cassino com roleta viciada.   - Foto:moneywatch.bnet.com\" alt=\"Campe\u00e3o das mutretas nos quatro cantos do planeta, o banco de investimentos Goldman Sachs representa um \u201cmodelo de comportamento\u201d para os agentes do capitalismo que operam fazendo dos recursos do planeta as fichas de um cassino com roleta viciada.   - Foto:moneywatch.bnet.com\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Campe\u00e3o das mutretas nos quatro cantos do planeta, o banco de investimentos Goldman Sachs representa um \u201cmodelo de comportamento\u201d para os agentes do capitalismo que operam fazendo dos recursos do planeta as fichas de um cassino com roleta viciada.  <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:moneywatch.bnet.com<\/small><\/figure>\n<p>20 de outubro de 2010, Rio de Janeiro, <em>F&aacute;bio L&oacute;pez L&oacute;pez <br \/>\n<\/em><br \/>\nNo ultimo document&aacute;rio de Michael Moore &ldquo;Capitalismo: uma hist&oacute;ria de amor&rdquo;, o talentoso diretor e roteirista denuncia que o sistema financeiro estadunidense n&atilde;o apenas provocou, mas lucrou bilh&otilde;es de d&oacute;lares com a crise das subprimes nos EUA. O document&aacute;rio, no entanto, por ter outro foco, faz a denuncia, mas n&atilde;o deixa claro como isso ocorreu. Saber como as institui&ccedil;&otilde;es financeiras provocaram o colapso no mercado imobili&aacute;rio n&atilde;o chega a ser dif&iacute;cil, bastava para isso um pouco de informa&ccedil;&atilde;o e conhecimento de mercado financeiro. Mas, nunca ficou esclarecido como estas institui&ccedil;&otilde;es se beneficiaram com a crise. No dia 16 de abril, no entanto, recebemos a not&iacute;cia de que o &ldquo;SEC&rdquo; (Securities and Exchange Commission, equivalente a CVM da terra de Obama) est&aacute; denunciando a Goldman Sachs por fraude civil. Ent&atilde;o, a &uacute;ltima pe&ccedil;a do quebra-cabe&ccedil;a foi encontrada.<\/p>\n<p>Como entender o que ocorreu exige certo conhecimento de mercado financeiro, o que nem sempre &eacute; f&aacute;cil de ser compreendido, resolvi tentar mostrar de forma simples a jogada dos &ldquo;players&rdquo; deste mercado que trouxeram grandes preju&iacute;zos para a economia global. Infelizmente, n&atilde;o d&aacute; para navegar neste assunto sem dar um exemplo num&eacute;rico &ndash; ent&atilde;o pe&ccedil;o desculpas antecipadas aos que detestam os n&uacute;meros. <\/p>\n<p>Comecemos pelo come&ccedil;o. Qual era o grande neg&oacute;cio que at&eacute; o renomado Allan Greenspan (ex-presidente do FED), e outros not&aacute;veis, faziam? Hipotecavam seus im&oacute;veis, recebiam o dinheiro para fazerem o que bem entendessem (sendo isso necess&aacute;rio ou n&atilde;o) e voltavam a pagar presta&ccedil;&otilde;es imobili&aacute;rias, modalidade de financiamento relativamente barato, uma vez que conta com a garantia do im&oacute;vel. Mas a vantagem n&atilde;o era apenas essa. Nos EUA o gasto com juros para compra de im&oacute;vel pode ser abatido do imposto de renda. Como as tabelas de financiamento banc&aacute;rio privilegiam nos primeiros anos de financiamento o pagamento dos juros em cada parcela em detrimento da amortiza&ccedil;&atilde;o do principal, no in&iacute;cio do financiamento &ndash; se olhamos a renda anual do devedor &ndash; o pagamento destas presta&ccedil;&otilde;es acabava saindo bastante barata. Do ponto de vista financeiro um grande neg&oacute;cio. Como todos queriam se beneficiar desta facilidade existia outra possibilidade, o cidad&atilde;o interessado n&atilde;o precisava sequer ter um im&oacute;vel quitado, ele podia, simplesmente, refinanciar seu saldo devedor. O que pode ser um belo neg&oacute;cio se os im&oacute;veis estiverem se valorizando. <\/p>\n<p>Entendida a motiva&ccedil;&atilde;o que levou a cria&ccedil;&atilde;o da bolha, agora vamos descrever como ela se desenvolveu. Espera-se que uma institui&ccedil;&atilde;o financeira seja administrada com responsabilidade, logo, se a mesma concede um empr&eacute;stimo, a expectativa &eacute; que tenha se certificado das condi&ccedil;&otilde;es de pagamento do devedor. Afinal, mesmo que o financiamento imobili&aacute;rio tenha um ativo real como garantia, o neg&oacute;cio da institui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; a compra e venda de im&oacute;veis, mas o juro que auferir&aacute; da opera&ccedil;&atilde;o financeira. A coisa funcionava assim antigamente, o banco financiava o cidad&atilde;o e via seu retorno no longo prazo &ndash; &eacute; para isso que existe agente financeiro no capitalismo, ou n&atilde;o? Pois &eacute;, isso era no tempo da vovozinha. Atualmente as institui&ccedil;&otilde;es financeiras t&ecirc;m a possibilidade de realizar seus lucros imediatamente. Basta vender estes t&iacute;tulos de d&iacute;vida no mercado. <\/p>\n<p>Ent&atilde;o vamos &agrave;s contas. Imagine que um estadunidense tenha uma casa de US$ 100 mil e a hipoteque por este valor. Para simplificar nossos c&aacute;lculos &ndash; pois sei que nem todo mundo entende de matem&aacute;tica financeira &ndash; vamos fingir que a coisa ocorra nos seguintes termos: financiamento de 10 anos pagando 10% de juro ao ano sobre o valor do principal (100 mil). Desta forma, o devedor pagaria US$ 10 mil d&oacute;lares ao ano. Ao final de 10 anos espera-se que o devedor tenha pagado os 100 mil relativos ao empr&eacute;stimo mais 100 mil (10 mil X 10 anos) relativo aos servi&ccedil;os da d&iacute;vida. Logo o devedor assina uma &ldquo;promiss&oacute;ria&rdquo; de US$ 200 mil. L&oacute;gico que o lucro efetivo do banco n&atilde;o seria US$ 100 mil, pois temos que considerar a infla&ccedil;&atilde;o, as despesas administrativas&#8230;, mas convenhamos, para a realidade do mercado financeiro dos EUA de juros baixos, isso daria um belo ganho para o banco ao final do per&iacute;odo. <\/p>\n<p>Mas por estrat&eacute;gia financeira, esta institui&ccedil;&atilde;o preferiu realizar imediatamente seu lucro e recuperar seu &ldquo;caixa&rdquo;. Como ele pode fazer isso? Simples, emitindo t&iacute;tulos lastreados nas promiss&oacute;rias dos devedores. Imaginemos que nosso banco tenha feito esse mesmo empr&eacute;stimo para 100 pessoas. Ent&atilde;o US$ 200 mil para 100 devedores, temos US$ 20 milh&otilde;es em promiss&oacute;rias. O banco Goldman Sachs foi ao mercado e ofereceu US$ 20 milh&otilde;es em t&iacute;tulos lastreados pelas promiss&oacute;rias, que por sua vez estavam garantidos pelos im&oacute;veis dos devedores. Neg&oacute;cio garantido certo? Mas para haver neg&oacute;cio, quem adquire o t&iacute;tulo, quer ganhar algo. Afinal, qual a gra&ccedil;a de pagar hoje 20 milh&otilde;es para um banco, se eu s&oacute; vou ver estes 20 milh&otilde;es daqui a 10 anos. Para que o neg&oacute;cio se concretize o banco oferece uma taxa de desconto, a princ&iacute;pio 20%, mas o mercado fica desconfiado, barganha e s&oacute; absorve estes t&iacute;tulos com 30% de desconto do valor de face. Ou seja, o mercado pagou US$ 14 milh&otilde;es por t&iacute;tulos que t&ecirc;m valor de face de US$ 20 milh&otilde;es. O que corresponde dizer que se quem comprou os t&iacute;tulos hoje, ao final de 10 anos ter&aacute; um ganho de US$ 6 milh&otilde;es. &Eacute; amigo, mercado financeiro &eacute; isso, o mais bobinho acende cigarro no raio! Achou esta jogada boa? Ent&atilde;o veja o banco: ele desembolsou R$ 10 milh&otilde;es (US$ 100 mil emprestados para 100 pessoas) e ao vender os t&iacute;tulos levou US$ 14 milh&otilde;es para casa! Sendo assim, quase que instantaneamente o Goldman Sachs embolsou R$ 4 milh&otilde;es. <\/p>\n<p>Bom, como o banco j&aacute; conseguiu recuperar seu investimento e realizar o lucro, ele pode partir para novos neg&oacute;cios. Mas agora n&atilde;o tem mais gente t&atilde;o segura para emprestar&#8230; Ent&atilde;o o banco come&ccedil;a a emprestar para cidad&atilde;os cuja capacidade de pagamento talvez n&atilde;o seja t&atilde;o boa. Mas como o banco consegue recuperar imediatamente seu investimento atrav&eacute;s da emiss&atilde;o de t&iacute;tulos de d&iacute;vidas lastreados pelos papagaios assinados pelos devedores, ele n&atilde;o corre riscos. Na verdade, ele transfere este risco para aqueles que compram os t&iacute;tulos de d&iacute;vida. Vejam bem, mesmo que a d&iacute;vida seja lastreada pelos im&oacute;veis, o que realmente garante o valor da d&iacute;vida &eacute; o pagamento integral dos empr&eacute;stimos. Ou seja, as promiss&oacute;rias s&oacute; valem R$ 20 milh&otilde;es se todos os devedores pagarem integralmente suas d&iacute;vidas. Caso, isso n&atilde;o ocorra, a execu&ccedil;&atilde;o de todos os im&oacute;veis arrecadaria no m&aacute;ximo US$ 10 milh&otilde;es (100 casas X US$ 100 mil) &ndash; lembrando que se pagou 14 milh&otilde;es pelos t&iacute;tulos. <\/p>\n<p>Como o banco passou a fazer empr&eacute;stimos para devedores cujo risco de inadimpl&ecirc;ncia &eacute; maior, o mesmo ir&aacute; cobrar uma taxa de juros maior para estes empr&eacute;stimos (&eacute; isso a&iacute;, menos capacidade de pagar, mais juros&#8230; &eacute; para f&#8230; o cara mesmo), o que poder&aacute; significar taxas de descontos mais atraentes para os mercados absorverem os novos t&iacute;tulos que ser&atilde;o emitidos. Digamos que o acr&eacute;scimo dos juros das d&iacute;vidas tenha sido integralmente absorvido pela taxa de desconto dos t&iacute;tulos oferecidos pelo agente financeiro. Neste caso, o pobrezinho ter&aacute; ganhado apenas mais US$ 4 milh&otilde;ezinhos &ndash; com isso chegamos a 8 milh&otilde;es, molinho. Este ciclo pode se repetir muitas vezes at&eacute; que boa parte da na&ccedil;&atilde;o fique pendurada nesta modalidade de empr&eacute;stimo. <\/p>\n<p>At&eacute; a&iacute; nenhuma novidade, isso &eacute; coisa de menino. Mas se o que falamos at&eacute; o momento lhe foi muito esclarecedor, vou lhe dar, de gra&ccedil;a, a orienta&ccedil;&atilde;o financeira de sua vida! Continua na poupan&ccedil;a, porque voc&ecirc; n&atilde;o entende nada do mercado financeiro. A parte boa vem agora, &ldquo;gente grande&rdquo; atua &eacute; no mercado futuro com derivativos fazendo hedge. Entendeu espert&atilde;o? J&aacute; sabemos como os bancos lucraram milh&otilde;es fazendo a bolha imobili&aacute;ria, mas ainda n&atilde;o deu para descobrir como eles lucram com o estouro da bolha. Para entendemos isso, vai ser indispens&aacute;vel falarmos do mercado de derivativos. O que &eacute; um derivativo? &Eacute; um neg&oacute;cio que deriva de um ativo real (a&ccedil;&atilde;o, im&oacute;vel, moeda, t&iacute;tulos&#8230;). Ent&atilde;o vamos falar da opera&ccedil;&atilde;o mais comum no mercado de derivativos com um exemplo. Digamos que uma grande empresa brasileira encomende um navio no exterior. Este navio demorar&aacute; 2 anos para ficar pronto. Para o pr&oacute;ximo ano, esta empresa ter&aacute; que pagar duas parcelas de US$ 50 milh&otilde;es de d&oacute;lares, a primeira em 30 de maio e a outra 30 de novembro. Esta empresa fecha seu or&ccedil;amento no ano anterior, prevendo desta despesa. Quando fez este or&ccedil;amento o d&oacute;lar estava a R$ 1,80, mas o or&ccedil;amento foi feito com um d&oacute;lar a R$ 1,90. O que esta empresa pode fazer? Primeiro, pegar o dinheiro e ir ao mercado e comprar os d&oacute;lares que precisa, fazendo o desembolso imediatamente e entesourando o recurso (pode mant&ecirc;-lo aplicado no exterior). Mas digamos que o setor financeiro da empresa n&atilde;o ache interessante esta estrat&eacute;gia, recomenda a empresa comprar os d&oacute;lares apenas perto do vencimento das parcelas. Mas com isso temos um problema adicional, o d&oacute;lar tem o risco de estar com uma cota&ccedil;&atilde;o superior a R$ 1,90 no dia em que a empresa for ao mercado para comprar o ativo. Neste caso a empresa pode fazer um hedge. Ou seja, vai ao mercado futuro e faz uma op&ccedil;&atilde;o de compra de d&oacute;lar para o per&iacute;odo que precisa, cotando a moeda a R$1,90. L&oacute;gico, o neg&oacute;cio s&oacute; se concretiza se a empresa encontrar no mercado algu&eacute;m fa&ccedil;a a op&ccedil;&atilde;o de venda da moeda com o mesmo volume e valor proposto. Caso o neg&oacute;cio se concretize, o que temos configurado: a empresa entra no mercado, se protegendo de uma alta da cota&ccedil;&atilde;o do d&oacute;lar (na verdade sua aposta &eacute; que o d&oacute;lar estar&aacute; a mais de R$ 1,90, na ultima semana de maio), se isso acontecer, a empresa ter&aacute; um ganho, pois deixar&aacute; de desembolsar o valor correspondente da diferen&ccedil;a. Por outro lado, temos um especulador apostando que o d&oacute;lar estar&aacute; com cota&ccedil;&atilde;o inferior ao valor contratado no dia do vencimento da op&ccedil;&atilde;o. Assim, ele poderia comprar os d&oacute;lares, digamos a R$ 1,80 e vender no mesmo dia a R$ 1,90 para a empresa. <\/p>\n<p>Agora come&ccedil;amos a entender: o especulador, que &ldquo;vendeu&rdquo; a op&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o tem o ativo. Muito menos a empresa que &ldquo;comprou&rdquo; a op&ccedil;&atilde;o o quer daquele com quem fechou o neg&oacute;cio. O que ocorre apenas &eacute; a transfer&ecirc;ncia de renda entre os apostadores das diferen&ccedil;as apuradas. Digamos que a empresa tivesse feito a aposta correta e que o valor do d&oacute;lar no dia da liquida&ccedil;&atilde;o estivesse a R$ 2,00. Ent&atilde;o o especulador ter&aacute; que dar &agrave; empresa a diferen&ccedil;a apurada, neste caso R$ 5 milh&otilde;es (R$ 2,00 &ndash; R$ 1,90 = R$ 0,10*50.000.000=R$ 5.000.000). Inteligente&#8230; Ent&atilde;o a empresa pega o valor que j&aacute; tinha or&ccedil;ado para a compra dos d&oacute;lares, soma o que recebeu da opera&ccedil;&atilde;o no mercado de futuro e compra os d&oacute;lares que precisava sem furar seu or&ccedil;amento. At&eacute; a&iacute; nenhum pecado&#8230; <\/p>\n<p>Mas o que isso tem a ver com nosso estouro da bolha? Agora podemos chegar l&aacute;. A Goldman Sachs, assim como outras, emitiu os t&iacute;tulos de d&iacute;vida que foram absorvidos pelo mercado. Quando vendeu os t&iacute;tulos ao mercado, disse que os ativos eram seguros, que n&atilde;o havia motivo para ter medo, que eles estavam recebendo uma bela taxa de desconto, que provavelmente estes ativos se valorizariam e poderiam ser revendidos com lucros no mercado secund&aacute;rio etc&#8230; Papo de vendedor. Muito bem, este mesmo banco que fez a venda dos ativos, criou um fundo para atuar no mercado futuro. L&aacute; fizeram a seguinte a&ccedil;&atilde;o, venderam uma op&ccedil;&atilde;o dos t&iacute;tulos que eles mesmos colocaram no mercado. Voltemos ao exemplo num&eacute;rico. Lembre-se que o banco conseguiu vender em t&iacute;tulos US$ 14 milh&otilde;es na primeira rodada. Vamos dizer que estes t&iacute;tulos estivessem divididos em 100 mil cotas, desta forma, cada cota custava US$ 140,00. A Goldman Sachs, por exemplo, fez a op&ccedil;&atilde;o de venda destes t&iacute;tulos para o ano seguinte a US$ 130,00, mas ela n&atilde;o tinha mais estes t&iacute;tulos. Ent&atilde;o o que o banco estava apostando? Que no ano seguinte, estes t&iacute;tulos estariam com o valor inferior a US$ 130,00. E foi o que aconteceu, com o estouro da bolha, estes t&iacute;tulos ficaram bastante depreciados, vamos dizer que o valor do t&iacute;tulo tenha ca&iacute;do em 70%. Por cada t&iacute;tulo, o banco levaria US$ 98,00. Se estamos falando de 100 mil t&iacute;tulos&#8230; Ent&atilde;o o banco levou s&oacute; nessa mais US$ 9,8 milh&otilde;es. Se somarmos aos 8 milh&otilde;es anteriores, ent&atilde;o o banco faturou R$ US$ 17,8 milhas!!!! <\/p>\n<p>Bom mas como estourou a bolha? Mais uma informa&ccedil;&atilde;o &eacute; relevante, os juros dos financiamentos, ao contr&aacute;rio do que os fiz acreditar no exemplo acima, s&atilde;o flutuantes. Os EUA tiveram um per&iacute;odo de juros bastante baixos, depois, por conta dos ind&iacute;cios inflacion&aacute;rios, as autoridades monet&aacute;rias come&ccedil;aram a majorar as taxas. Isso, somado a baixa capacidade de pagamento dos devedores, recrudesceu a situa&ccedil;&atilde;o, at&eacute; o momento que muitos estavam com dificuldade de honrar seus compromissos. Assim, os t&iacute;tulos passam a se desvalorizar, pois, na verdade estavam lastreados no pagamento dos devedores. Mesmo que os im&oacute;veis, em &uacute;ltima an&aacute;lise, possam ser retomados, se este fen&ocirc;meno ocorre muitas vezes num espa&ccedil;o curto de tempo, teremos muitas casas para serem vendidas para poucos compradores, at&eacute; porque nenhum banco financia nada em momentos de crise. Resultado, os pre&ccedil;os dos im&oacute;veis tamb&eacute;m caem! <\/p>\n<p>Esse &eacute; o resultado da desregulamenta&ccedil;&atilde;o do setor financeiro e &eacute; a isso que leva a livre iniciativa das for&ccedil;as do mercado! Uns poucos lucram no curt&iacute;ssimo prazo e o mundo inteiro perde durante anos. O melhor paralelo que at&eacute; hoje ouvi sobre a regulamenta&ccedil;&atilde;o e a a&ccedil;&atilde;o do Estado como regulador do sistema capitalista traz o exemplo do homem, a jaula e o le&atilde;o. Nesta o homem est&aacute; dentro da jaula e o le&atilde;o do lado de fora. Apesar de ser ruim estar dentro da jaula &eacute; ela que protege o homem do le&atilde;o faminto. Pois bem, neste paralelo a jaula &eacute; a regulamenta&ccedil;&atilde;o do Estado e o le&atilde;o &eacute; o capital. Sem regulamenta&ccedil;&atilde;o Estatal, o homem fica sem a jaula para lhe proteger, ent&atilde;o, ser devorado pelo le&atilde;o ser&aacute; inevit&aacute;vel. <\/p>\n<p>Conhecendo como foram auferidos os ganhos no mercado de derivativos, fica muito dif&iacute;cil de acreditar que tudo que ocorreu n&atilde;o tenha sido arquitetado, inclusive o momento do estouro da bolha. Ent&atilde;o podemos dizer: o momento? N&atilde;o seria melhor estourar depois do governo Bush? Prejudicou-se o McCain! &Eacute;, mas o governo Bush tinha v&aacute;rios representantes da Goldman Sachs, o que facilitou toda a ajuda que os pobres bancos precisaram depois do estouro da bolha. J&aacute; com outro presidente, estes representantes poderiam n&atilde;o estar dentro da m&aacute;quina do governo. <\/p>\n<p><u>F&aacute;bio L&oacute;pez Lopes &eacute; economista e autor do livro &ldquo;Poder e Dom&iacute;nio&rdquo;. <\/p>\n<p><\/u><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Campe\u00e3o das mutretas nos quatro cantos do planeta, o banco de investimentos Goldman Sachs representa um \u201cmodelo de comportamento\u201d para os agentes do capitalismo que operam fazendo dos recursos do planeta as fichas de um cassino com roleta viciada. 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