{"id":1324,"date":"2010-10-21T08:00:36","date_gmt":"2010-10-21T08:00:36","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1324"},"modified":"2010-10-21T08:00:36","modified_gmt":"2010-10-21T08:00:36","slug":"as-pesquisas-como-geradoras-de-fatos-politicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1324","title":{"rendered":"As pesquisas como geradoras de fatos pol\u00edticos"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pesquisa22.jpg\" title=\"As pesquisas eleitorais seriam infer\u00eancias de opini\u00f5es transit\u00f3rias em reduzido universo sem capacidade de universaliza\u00e7\u00e3o da mostra. Na verdade, estes produtos simb\u00f3licos tornam-se poderosos fatos pol\u00edticos ap\u00f3s retumbarem nas ind\u00fastrias de m\u00eddia do Brasil.  - Foto:clikpb.com.br \" alt=\"As pesquisas eleitorais seriam infer\u00eancias de opini\u00f5es transit\u00f3rias em reduzido universo sem capacidade de universaliza\u00e7\u00e3o da mostra. Na verdade, estes produtos simb\u00f3licos tornam-se poderosos fatos pol\u00edticos ap\u00f3s retumbarem nas ind\u00fastrias de m\u00eddia do Brasil.  - Foto:clikpb.com.br \" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">As pesquisas eleitorais seriam infer\u00eancias de opini\u00f5es transit\u00f3rias em reduzido universo sem capacidade de universaliza\u00e7\u00e3o da mostra. Na verdade, estes produtos simb\u00f3licos tornam-se poderosos fatos pol\u00edticos ap\u00f3s retumbarem nas ind\u00fastrias de m\u00eddia do Brasil. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:clikpb.com.br <\/small><\/figure>\n<p>21 de outubro de 2010, Vila Setembrina dos Farrapos e Lanceiros Negros tra&iacute;dos por letifundi&aacute;rios em Porongos e condenados ao segundo desaparecimento por mentirosos midi&aacute;ticos que omitem a epop&eacute;ia missioneira, <em>Bruno Lima Rocha <br \/>\n<\/em><br \/>\nSe h&aacute; algo pol&ecirc;mico e ainda n&atilde;o comprovado &eacute; a credibilidade das chamadas pesquisas de opini&atilde;o e inten&ccedil;&atilde;o de voto. Particularmente me somo aos cr&iacute;ticos e com este artigo, tenho certeza de que irritarei a maioria dos marketeiros, propriet&aacute;rios de institutos de pesquisas e coordenadores de campanha. N&atilde;o questiono aqui a intencionalidade original de quem as organiza e nem fa&ccedil;o ila&ccedil;&atilde;o de que as mesmas s&atilde;o fraudadas. O problema &eacute; de outra ordem e trata da raz&atilde;o de ser das mesmas e suas vari&aacute;veis anal&iacute;ticas. Uma vez que as aferi&ccedil;&otilde;es s&atilde;o sempre contestadas, e ainda assim tem repercuss&atilde;o midi&aacute;tica, a atividade fim, a de demonstrar as inten&ccedil;&otilde;es de voto, torna-se secund&aacute;ria. Hoje no Brasil, a pesquisa de opini&atilde;o opera como fato pol&iacute;tico. Seus resultados s&atilde;o oportunistamente elogiados por quem sobe e refutados pelos que descem.<\/p>\n<p>Na invers&atilde;o das fun&ccedil;&otilde;es, as pesquisas passam a incidir sobre as inten&ccedil;&otilde;es de voto, a partir do momento em que estas s&atilde;o midiatizadas e constituem-se como enunciados das campanhas e candidaturas. Vive-se assim um paradoxo. Cada vez mais, menos operadores pol&iacute;ticos e analistas manifestam cren&ccedil;a real nos resultados das pesquisas. Simultaneamente, estas aferi&ccedil;&otilde;es s&atilde;o utilizadas como pe&ccedil;as de propaganda. Ao fazerem parte do arsenal do bombardeio midi&aacute;tico, mesmo sendo muito questionadas, tornam-se parte fundamental da corrida rumo ao Planalto e aos executivos estaduais. <\/p>\n<p>Ao final do primeiro turno, houve erros crassos em escala nacional e nos estados. O detalhe &eacute; que estes erros s&atilde;o recorrentes, trazendo &agrave; tona um questionamento quanto &agrave; efic&aacute;cia dos instrumentos das pesquisas. Elencando tr&ecirc;s argumentos &oacute;bvios, o primeiro destes &eacute; a amostragem. Se j&aacute; &eacute; dif&iacute;cil a totaliza&ccedil;&atilde;o de um censo com question&aacute;rio fechado, que dir&aacute; uma aferi&ccedil;&atilde;o instant&acirc;nea da opini&atilde;o transit&oacute;ria? O segundo ponto fraco &eacute; a materializa&ccedil;&atilde;o do objeto de estudo. Ou seja. Como &eacute; poss&iacute;vel aferir algo instant&acirc;neo, pass&iacute;vel de mudan&ccedil;as e que goza de poucos elementos de convic&ccedil;&atilde;o? Sim, porque o que est&aacute; em disputa se d&aacute; sobre a maioria silenciosa, na busca do senso comum atrav&eacute;s de um l&eacute;xico pass&iacute;vel de compreens&atilde;o em um pa&iacute;s de semi-analfabetos e analfabetos funcionais como o nosso. <\/p>\n<p>O terceiro argumento &eacute; a pr&oacute;pria identifica&ccedil;&atilde;o entre o eleitor e sua prefer&ecirc;ncia de voto. Qualquer analista com forma&ccedil;&atilde;o s&oacute;lida julgar&aacute; que a opini&atilde;o condensada como op&ccedil;&atilde;o pelo voto, apoiando uma ou outra candidatura, &eacute; a resultante de um processo com distintas vari&aacute;veis incidentes. Assim, o pertencimento seria um fator mais influente para a defini&ccedil;&atilde;o do voto do que as estripulias de marketeiros. Entra fatores como o interesse direto, implicando em escolha de servidores de carreira optando por uma candidatura vinculada &agrave; expans&atilde;o da capacidade de investimento do Estado; a identifica&ccedil;&atilde;o por lealdade partid&aacute;ria ou religiosa; a faixa et&aacute;ria marcada por elementos culturais; as identidades geradas atrav&eacute;s do fator territ&oacute;rio de moradia, dentre outros cortes de identidade. Convenhamos, &eacute; imposs&iacute;vel incluir todas estas vari&aacute;veis em uma amostra de entrevistados, o que torna as pesquisas pass&iacute;veis de muitas falhas. <\/p>\n<p>Concluo reafirmando o &oacute;bvio. A difus&atilde;o de pesquisas opera mais como gerador de fact&oacute;ides eleitorais, criando fatos pol&iacute;ticos atrav&eacute;s de sua exposi&ccedil;&atilde;o midi&aacute;tica, do que como uma medi&ccedil;&atilde;o das op&ccedil;&otilde;es de voto do eleitorado. Eis o absurdo. <\/p>\n<p>Obs: antes que algum desavisado associe este texto com a subida ou descida de um dos dois candidatos &agrave; Presid&ecirc;ncia, pe&ccedil;o que desista de semelhante desvario. A posi&ccedil;&atilde;o da p&aacute;gina e deste analista &eacute; sabida e fica a gal&aacute;xias de dist&acirc;ncia da democracia limitada e indireta hegem&ocirc;nica hoje. <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/pais\/noblat\/posts\/2010\/10\/20\/as-pesquisas-como-geradoras-de-fatos-politicos-333896.asp\">Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat <br \/>\n<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As pesquisas eleitorais seriam infer\u00eancias de opini\u00f5es transit\u00f3rias em reduzido universo sem capacidade de universaliza\u00e7\u00e3o da mostra. Na verdade, estes produtos simb\u00f3licos tornam-se poderosos fatos pol\u00edticos ap\u00f3s retumbarem nas ind\u00fastrias de m\u00eddia do Brasil. Foto:clikpb.com.br 21 de outubro de 2010, Vila Setembrina dos Farrapos e Lanceiros Negros tra&iacute;dos por letifundi&aacute;rios em Porongos e condenados ao [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1324","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1324","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1324"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1324\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1324"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1324"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1324"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}