{"id":1327,"date":"2010-10-28T09:40:33","date_gmt":"2010-10-28T09:40:33","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1327"},"modified":"2010-10-28T09:40:33","modified_gmt":"2010-10-28T09:40:33","slug":"uma-campanha-radicalizada-pela-metade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1327","title":{"rendered":"Uma campanha radicalizada pela metade"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/serra_x_dilma2.jpg\" title=\"Os dois economistas concorrem acirrando seus discursos, opondo uma plataforma de direita (base de Serra), com uma linha \u201cmelhorista\u201d (Dilma) j\u00e1 considerada cl\u00e1ssica da pol\u00edtica contempor\u00e2nea latino-americana, marcando uma centro-esquerda n\u00e3o-classista. A radicalidade discursiva fica anos luz de dist\u00e2ncia das plataformas hist\u00f3ricas da esquerda brasileira que dera a base para o governo de concilia\u00e7\u00e3o do atual mandat\u00e1rio. J\u00e1 o filho de calabr\u00eas criado na Mooca, repetiria em escala nacional o reinado tucano no planalto de Piratininga (n\u00e3o precisa falar mais nada!). Nesse pleito, as esquerdas j\u00e1 perderam antes mesmo de come\u00e7ar a corrida eleitoral.  - Foto:Revistanordeste \" alt=\"Os dois economistas concorrem acirrando seus discursos, opondo uma plataforma de direita (base de Serra), com uma linha \u201cmelhorista\u201d (Dilma) j\u00e1 considerada cl\u00e1ssica da pol\u00edtica contempor\u00e2nea latino-americana, marcando uma centro-esquerda n\u00e3o-classista. A radicalidade discursiva fica anos luz de dist\u00e2ncia das plataformas hist\u00f3ricas da esquerda brasileira que dera a base para o governo de concilia\u00e7\u00e3o do atual mandat\u00e1rio. J\u00e1 o filho de calabr\u00eas criado na Mooca, repetiria em escala nacional o reinado tucano no planalto de Piratininga (n\u00e3o precisa falar mais nada!). Nesse pleito, as esquerdas j\u00e1 perderam antes mesmo de come\u00e7ar a corrida eleitoral.  - Foto:Revistanordeste \" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Os dois economistas concorrem acirrando seus discursos, opondo uma plataforma de direita (base de Serra), com uma linha \u201cmelhorista\u201d (Dilma) j\u00e1 considerada cl\u00e1ssica da pol\u00edtica contempor\u00e2nea latino-americana, marcando uma centro-esquerda n\u00e3o-classista. A radicalidade discursiva fica anos luz de dist\u00e2ncia das plataformas hist\u00f3ricas da esquerda brasileira que dera a base para o governo de concilia\u00e7\u00e3o do atual mandat\u00e1rio. J\u00e1 o filho de calabr\u00eas criado na Mooca, repetiria em escala nacional o reinado tucano no planalto de Piratininga (n\u00e3o precisa falar mais nada!). Nesse pleito, as esquerdas j\u00e1 perderam antes mesmo de come\u00e7ar a corrida eleitoral. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:Revistanordeste <\/small><\/figure>\n<p>28 de outubro de 2010 , da Vila Setembrina dos Farrapos tra&iacute;dos por latifundi&aacute;rios entreguistas e lanceiros negros desaparecidos pela mentira sistem&aacute;tica do falso folclorismo, <em>Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p><\/em>Venho assistindo por obriga&ccedil;&atilde;o profissional aos debates entre candidatos a presidente, ocorridos em 2010. Confesso que as edi&ccedil;&otilde;es do segundo turno v&ecirc;m me agradando mais, embora tamb&eacute;m reconhe&ccedil;a ser nestas ocasi&otilde;es quando o senso comum condena a campanha como agressiva e pouco program&aacute;tica. &Eacute; dif&iacute;cil rebater esta tese, e os analistas n&atilde;o podem negar o &oacute;bvio. Reconhe&ccedil;o a impress&atilde;o transmitida na corrida eleitoral como esvaziada de sentido e, ao &ldquo;apelar para baixaria&rdquo;, iguala os candidatos em v&aacute;rios aspectos. Ainda assim, fica a quest&atilde;o. Como &eacute; poss&iacute;vel marcar a diferen&ccedil;a se os campos de alian&ccedil;as se assemelham?<\/p>\n<p>Mesmo reconhecendo que Jos&eacute; Serra e &Iacute;ndio da Costa (PSDB-DEM) e Dilma Rousseff e Michel Temer (PT-PMDB) n&atilde;o se equivalem, observo serem muitos os pontos de concord&acirc;ncia. Bastava discorrer sobre os temas como agro-neg&oacute;cio e modelo de plataforma de exporta&ccedil;&atilde;o de produtos prim&aacute;rios que ver&iacute;amos a semelhan&ccedil;a. &Eacute; esta vari&aacute;vel, a da perman&ecirc;ncia de estruturas de poder comuns a ambas coliga&ccedil;&otilde;es, que levanto para identificar o porqu&ecirc; da campanha ter descambado para den&uacute;ncias, acirramento de &acirc;nimos e agressividades sobre os atores pol&iacute;ticos e n&atilde;o objetivando os projetos que os mesmos representam ou dizem representar. Nos debates a pauta &eacute; marcada pela tentativa de criminalizar ou ao menos p&ocirc;r sob suspeita o acionar pol&iacute;tico do advers&aacute;rio e, ao mesmo tempo, desqualific&aacute;-lo como gestor p&uacute;blico e tribuno. Chega a ser enfadonho ouvir a mesma ladainha, mas a linha discursiva tem uma raz&atilde;o de ser. Ora, se o outro &eacute; incapaz e suspeito de condutas n&atilde;o-republicanas, simplesmente n&atilde;o h&aacute; como discutir e debater. Isto porque, em afirmando o argumento, h&aacute; uma barreira de conviv&ecirc;ncia e confiabilidade, onde a &ldquo;moral republicana&rdquo; implicaria em ser uma &ldquo;pessoa de bem&rdquo; e, simultaneamente, &ldquo;preocupada com o bem comum&rdquo;. <\/p>\n<p>Identifico em Jos&eacute; Serra a primeira base de afirma&ccedil;&atilde;o (&ldquo;Serra &eacute; do bem&rdquo;) e em Dilma, a segunda (&ldquo;A presidente que n&atilde;o vai deixar privatizar&rdquo;). O curioso &eacute; que, se formos analisar pelo campo das alian&ccedil;as e as reduzidas margens de manobras marcadas pela pol&iacute;tica econ&ocirc;mica comum, poderia haver mais semelhan&ccedil;as do que disparidades. Talvez este seja o motivo do porque a radicaliza&ccedil;&atilde;o dos discursos de campanha no segundo turno n&atilde;o ter vindo acompanhada de mobiliza&ccedil;&atilde;o de volunt&aacute;rios e sim de cabos eleitorais remunerados para as fun&ccedil;&otilde;es de menor complexidade, tais como: gritar o nome dos pol&iacute;ticos e aplaudi-los, distribuir santinhos, balan&ccedil;ar bandeiras e at&eacute; trocar empurr&otilde;es. <\/p>\n<p>A campanha est&aacute; radicalizada, mas conforme &eacute; dito aqui no sul, &ldquo;&agrave; meia boca&rdquo;. Como se sabe, ambos escondem o jogo ou ao menos n&atilde;o o declaram. Se a alian&ccedil;a de centro-direita for expor os seus pressupostos, inclinados ao neoliberalismo, ir&aacute; perder votos pelo fator rejei&ccedil;&atilde;o ao governo FHC. J&aacute; se a coliga&ccedil;&atilde;o de Dilma for afirmar o que declarara no 3&ordm; Programa Nacional de Direitos Humanos (3&ordm; PNDH), sofrer&aacute; interven&ccedil;&otilde;es de agentes com poder de veto pol&iacute;tico e midi&aacute;tico, tal como ocorrera no tema dos direitos reprodutivos e descriminaliza&ccedil;&atilde;o do aborto. <\/p>\n<p>Enfim, fica a d&uacute;vida. Como se pode fazer pol&iacute;tica com profundidade se os candidatos ao Poder Executivo da 5&ordf; economia do mundo n&atilde;o falam publicamente o que pensam? <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/pais\/noblat\/posts\/2010\/10\/27\/uma-campanha-radicalizada-pela-metade-335754.asp\">Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat <br \/>\n<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os dois economistas concorrem acirrando seus discursos, opondo uma plataforma de direita (base de Serra), com uma linha \u201cmelhorista\u201d (Dilma) j\u00e1 considerada cl\u00e1ssica da pol\u00edtica contempor\u00e2nea latino-americana, marcando uma centro-esquerda n\u00e3o-classista. 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