{"id":1332,"date":"2010-11-05T22:03:26","date_gmt":"2010-11-05T22:03:26","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1332"},"modified":"2010-11-05T22:03:26","modified_gmt":"2010-11-05T22:03:26","slug":"05-de-novembro-de-2010-coluna-semanal-de-amy-goodman","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1332","title":{"rendered":"05 de novembro de 2010 &#8211; coluna semanal de Amy Goodman"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/fox-news-logo.jpg\" title=\"Empresas como a Fox News, al\u00e9m de ser uma vultosa doadora de fundos para os republicanos, faturam quantias astron\u00f4micas de dinheiro vendendo espa\u00e7o publicit\u00e1rio para as campanhas pol\u00edticas legislativas estadunidenses. L\u00e1, hor\u00e1rio eleitoral gratuito seria impens\u00e1vel, pois diminuiria a margem de lucro das grandes corpora\u00e7\u00f5es midi\u00e1ticas.   - Foto:deadline.com \" alt=\"Empresas como a Fox News, al\u00e9m de ser uma vultosa doadora de fundos para os republicanos, faturam quantias astron\u00f4micas de dinheiro vendendo espa\u00e7o publicit\u00e1rio para as campanhas pol\u00edticas legislativas estadunidenses. L\u00e1, hor\u00e1rio eleitoral gratuito seria impens\u00e1vel, pois diminuiria a margem de lucro das grandes corpora\u00e7\u00f5es midi\u00e1ticas.   - Foto:deadline.com \" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Empresas como a Fox News, al\u00e9m de ser uma vultosa doadora de fundos para os republicanos, faturam quantias astron\u00f4micas de dinheiro vendendo espa\u00e7o publicit\u00e1rio para as campanhas pol\u00edticas legislativas estadunidenses. L\u00e1, hor\u00e1rio eleitoral gratuito seria impens\u00e1vel, pois diminuiria a margem de lucro das grandes corpora\u00e7\u00f5es midi\u00e1ticas.  <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:deadline.com <\/small><\/figure>\n<p><strong>M&iacute;dia rica, democracia pobre <\/p>\n<p><\/strong>Com o t&eacute;rmino das elei&ccedil;&otilde;es de metade de mandato nos Estados Unidos, o maior vencedor ainda n&atilde;o foi declarado, porque a vit&oacute;ria foi dos grandes meios de comunica&ccedil;&atilde;o. O maior perdedor, por enquanto, tem sido a democracia. Estas elei&ccedil;&otilde;es legislativas de metade de mandato foram as mais caras na hist&oacute;ria dos Estados Unidos: custaram quase USd 4 bilh&otilde;es de d&oacute;lares, dos quais USd 3 bilh&otilde;es foram gastos em publicidade. Pergunto o que aconteceria se o tempo publicit&aacute;rio para as campanhas fosse gratuito. N&atilde;o se ouvem debates a este respeito, e n&atilde;o se ouvem porque as corpora&ccedil;&otilde;es (conglomerados empresariais, em geral, transnacionais) que manejam (e manipulam e controlam) os meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa obt&ecirc;m imensos ganhos com os an&uacute;ncios publicit&aacute;rios das campanhas pol&iacute;ticas. No entanto, as ondas hertzianas (que trafegam pelo espectro radioel&eacute;trico) utilizadas pelas empresas de m&iacute;dia para emitir seus sinais s&atilde;o p&uacute;blicas.<\/p>\n<p>Isto me recorda o livro escrito em 1999 pelo especialista em meios de comunica&ccedil;&atilde;o Robert McChesney: &ldquo;Rich Media, Poor Democracy&rdquo; (Meios ricos, democracia pobre). Em seu livro, McChesney escreve: &ldquo;Os radiodifusores t&ecirc;m pouco incentivo para brindar cobertura aos candidatos j&aacute; que resulta de seu interesse for&ccedil;&aacute;-los a publicitar suas campanhas.&rdquo; <\/p>\n<p>O grupo de investiga&ccedil;&atilde;o Wesleyan Media Project (Projeto de Wesleyano de M&iacute;dia), da Universidade Wesleyan, faz um acompanhamento da publicidade pol&iacute;tica. Depois da recente senten&ccedil;a da Suprema Corte no caso &ldquo;Citizens United contra a Comiss&atilde;o Federal Eleitoral&rdquo; pelo qual se autoriza &agrave;s grandes corpora&ccedil;&otilde;es (conglomerados empresariais) a destinar somas ilimitadas de dinheiro &agrave; campanha publicit&aacute;ria dos candidatos, o projeto de pesquisa sobre o comportamento da m&iacute;dia destaca que: &ldquo;O tempo de transmiss&atilde;o destinado a publicidade tem-se saturado de an&uacute;ncios relacionados com a C&acirc;mara de Representantes (deputados federais) e o Senado, que ocupam at&eacute; 20% e 79%, respectivamente, do total de tempo que as TVs est&atilde;o no ar&rdquo;. <\/p>\n<p>Evan Tracey, fundador e presidente do grupo de an&aacute;lise de campanhas publicit&aacute;rias Campaign Media Analysis Group (Grupo de An&aacute;lise das Campanhas na M&iacute;dia), predisse no passado m&ecirc;s de julho (de 2010), em declara&ccedil;&otilde;es para o jornal USA Today, que: &ldquo;Haver&aacute; mais dinheiro para ser investido do que espa&ccedil;o de transmiss&atilde;o para ser comprado&rdquo;. Por sua vez, John Nichols, do seman&aacute;rio The Nation, comentou que nos am&aacute;veis primeiros tempos da publicidade pol&iacute;tica televisiva, os canais de TV nunca teriam permitido a transmiss&atilde;o de um an&uacute;ncio a favor de um candidato, seguido de outro an&uacute;ncio, apoiando o candidato concorrente (obs. do tradutor: as elei&ccedil;&otilde;es parlamentares estadunidenses s&atilde;o distritais). Essa constata&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o levava em conta o patrim&ocirc;nio acumulado dos grandes meios. Mas, nos dias de hoje, veicular an&uacute;ncios pol&iacute;ticos &eacute; como alugar um im&oacute;vel. Bem vindos ao &ldquo;mundo feliz&rdquo; das campanhas feitas com bilh&otilde;es de d&oacute;lares. <\/p>\n<p>No passado, j&aacute; houve intentos de regular o uso das ondas hertzianas trafegando pelo espectro radioel&eacute;trico para que estejam a servi&ccedil;o da popula&ccedil;&atilde;o durante as elei&ccedil;&otilde;es. Nos &uacute;ltimos anos, a tentativa mais ambiciosa ficou conhecida como &ldquo;Reforma do financiamento das campanhas eleitorais de McCain-Feingold&rdquo;. Durante o debate sobre esta hist&oacute;rica legisla&ccedil;&atilde;o, tanto democratas como republicanos fizeram refer&ecirc;ncia ao problema das exorbitantes taxas de publicidade televisiva. O senador pelo estado de Nevada John Ensign, republicano, lamentava-se: &ldquo;As emissoras n&atilde;o queriam nem pensar nas campanhas eleitorais porque era a &eacute;poca do ano em que ganhavam menos dinheiro devido ao baixo valor atribu&iacute;do &agrave;s cotas publicit&aacute;rias durante esse per&iacute;odo. Agora, as elei&ccedil;&otilde;es s&atilde;o seus momentos preferidos j&aacute; que, de fato, &eacute; uma das &eacute;pocas do ano com mais ampla margem de lucros.&rdquo; Finalmente, para que este projeto de lei fosse aprovado, se omitiram as cl&aacute;usulas referentes ao &ldquo;tempo de veicula&ccedil;&atilde;o de propaganda p&uacute;blica&rdquo;. <\/p>\n<p>A senten&ccedil;a dada no caso do grupo de press&atilde;o conservador Citizens United neutraliza eficazmente a Reforma do financiamento das campanhas proposta por McCain-Feingold. N&atilde;o h&aacute; como imaginar ou mensurar o que ser&aacute; gasto nas elei&ccedil;&otilde;es presidenciais de 2012. O senador por Wisconsin, Russ Feingold (co-autor do projeto), perdeu a oportunidade de ser reeleito em sua disputa contra o praticamente auto-financiado multimilion&aacute;rio Rum Johnson. O editorial do jornal Wall Street Journal celebrou a esperada derrota de Feingold. O jornal &eacute; propriedade da corpora&ccedil;&atilde;o transnacional News Corp, de Rupert Murdoch, que possui diversos ve&iacute;culos, incluindo ademais a cadeia de televis&atilde;o Fox e que doou quase USd 2 milh&otilde;es de d&oacute;lares para a campanha dos republicanos. <\/p>\n<p>&ldquo;As elei&ccedil;&otilde;es se transformaram em uma commodity, um produto fundamental para a alta lucratividade destas r&aacute;dios e canais de televis&atilde;o&rdquo;, me disse no dia das elei&ccedil;&otilde;es Ralph Nader, defensor dos consumidores e ex-candidato a presidente. Tamb&eacute;m falou: &ldquo;As ondas de r&aacute;dio e TV s&atilde;o p&uacute;blicas, e como sabemos, pertencem ao povo. O povo &eacute; o propriet&aacute;rio e as redes de r&aacute;dio e televis&atilde;o s&atilde;o as titulares das licen&ccedil;as para usar essas ondas, digamos que s&atilde;o como inquilinos. No entanto, para obter sua habilita&ccedil;&atilde;o anual, n&atilde;o pagam nada para o FCC (Federal Communications Commission, a Comiss&atilde;o Federal de Comunica&ccedil;&otilde;es, &oacute;rg&atilde;o regulador dos canais nos EUA). Assim, seria de grande efic&aacute;cia persuasiva, se tiv&eacute;ssemos pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que impusessem m&oacute;dicas condi&ccedil;&otilde;es de pre&ccedil;o (que os radiodifusores paguem pela perman&ecirc;ncia de suas outorgas!) para obter a licen&ccedil;a que permite a estas redes de r&aacute;dio e televis&atilde;o aceder ao imensamente lucrativo controle das ondas p&uacute;blicas de radiofreq&uuml;&ecirc;ncia, 24 horas por dia. Poder&iacute;amos lhes dizer que, como parte do interc&acirc;mbio (do contrato social) por controlar estes bens comuns, deveriam destinar certa quantidade de tempo, tempo gratuito no r&aacute;dio e na televis&atilde;o, para os candidatos a cargos p&uacute;blicos atrav&eacute;s de elei&ccedil;&otilde;es.&rdquo; <\/p>\n<p>Este tema deveria ser posto em debate nos grandes meios de comunica&ccedil;&atilde;o, dado que &eacute; neles onde a maioria dos estadunidenses obt&eacute;m informa&ccedil;&atilde;o. Mas as emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o t&ecirc;m um profundo conflito de interesses. Em sua ordem de prioridades, seus lucros est&atilde;o acima de nosso processo democr&aacute;tico. Seguramente n&atilde;o ouviremos falar deste tema nos programas de entrevistas pol&iacute;ticas dos domingos pela manh&atilde;. <\/p>\n<p>_________________________________________________ <\/p>\n<p>Denis Moynihan colaborou na produ&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica desta coluna. <\/p>\n<p>&copy; 2010 Amy Goodman <br \/>\nTexto traduzido da vers&atilde;o em castelhano e revisado do original em ingl&ecirc;s por <a href=\"mailto:bruno.estrategiaeanalise@gmail.com\">Bruno Lima Rocha<\/a>; originalmente publicado em portugu&ecirc;s em <a href=\"http:\/\/www.estrategiaeanalise.com.br\">Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise<\/a>. &Eacute; livre a reprodu&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do desde que citando a fonte. <\/p>\n<p>Amy Goodman &eacute; a &acirc;ncora de Democracy Now!, um notici&aacute;rio internacional transmitido diariamente em mais de 550 emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o em ingl&ecirc;s e em mais de 250 em espanhol. &Eacute; co-autora do livro &quot;Os que lutam contra o sistema: Her&oacute;is ordin&aacute;rios em tempos extraordin&aacute;rios nos Estados Unidos&quot;, editado por Le Monde Diplomatique Cono Sur.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Empresas como a Fox News, al\u00e9m de ser uma vultosa doadora de fundos para os republicanos, faturam quantias astron\u00f4micas de dinheiro vendendo espa\u00e7o publicit\u00e1rio para as campanhas pol\u00edticas legislativas estadunidenses. 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