{"id":1338,"date":"2010-11-11T09:02:14","date_gmt":"2010-11-11T09:02:14","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1338"},"modified":"2010-11-11T09:02:14","modified_gmt":"2010-11-11T09:02:14","slug":"cota-de-ministras-e-politicas-de-genero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1338","title":{"rendered":"Cota de ministras e pol\u00edticas de g\u00eanero"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/feminismo.jpg\" title=\"A luta de g\u00eanero que ganha formato no in\u00edcio da industrializa\u00e7\u00e3o monopolista no s\u00e9culo XIX n\u00e3o se v\u00ea refletida na chegada ao Poder Executivo de uma ex-guerrilheira que ganhou como pol\u00edtica, mas n\u00e3o levou como mulher em luta. Para chegar ao poder, teve de abrir m\u00e3o de bandeiras hist\u00f3ricas das pr\u00f3prias mulheres.      - Foto:samuelcelestino\" alt=\"A luta de g\u00eanero que ganha formato no in\u00edcio da industrializa\u00e7\u00e3o monopolista no s\u00e9culo XIX n\u00e3o se v\u00ea refletida na chegada ao Poder Executivo de uma ex-guerrilheira que ganhou como pol\u00edtica, mas n\u00e3o levou como mulher em luta. Para chegar ao poder, teve de abrir m\u00e3o de bandeiras hist\u00f3ricas das pr\u00f3prias mulheres.      - Foto:samuelcelestino\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A luta de g\u00eanero que ganha formato no in\u00edcio da industrializa\u00e7\u00e3o monopolista no s\u00e9culo XIX n\u00e3o se v\u00ea refletida na chegada ao Poder Executivo de uma ex-guerrilheira que ganhou como pol\u00edtica, mas n\u00e3o levou como mulher em luta. Para chegar ao poder, teve de abrir m\u00e3o de bandeiras hist\u00f3ricas das pr\u00f3prias mulheres.     <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:samuelcelestino<\/small><\/figure>\n<p>11 de novembro de 2010, da Vila Setembrina do Continente de Anita, Juana Azurduy y Valientes, <em>Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p><\/em>A presidente eleita Dilma Rousseff vem refor&ccedil;ando um discurso de composi&ccedil;&atilde;o ministerial a partir do recrutamento de uma cota de mulheres, vindas da composi&ccedil;&atilde;o de partidos do bloco de governo. Embora n&atilde;o se trate de novidade, &eacute; uma progress&atilde;o do modelo j&aacute; aplicado. A pol&iacute;tica de cotas, indicando que as legendas tenham ao menos 30% de suas listas compostas por candidatas do g&ecirc;nero feminino j&aacute; &eacute; corrente e aceita. Embora ainda de dif&iacute;cil cumprimento, em virtude das dificuldades em recrutar o percentual necess&aacute;rio, em geral essa posi&ccedil;&atilde;o cai bem. Isto estimula as mulheres para a vida p&uacute;blica e implica uma oxigena&ccedil;&atilde;o da vitrine do poder.<\/p>\n<p>&Eacute; &oacute;bvio que o fato de ser mulher por si s&oacute; n&atilde;o assegura o bom proceder no exerc&iacute;cio da fun&ccedil;&atilde;o. O senso comum diria que, al&eacute;m do g&ecirc;nero, a pessoa deve ter compet&ecirc;ncia e capacidade de gest&atilde;o. Como j&aacute; afirmei em outras ocasi&otilde;es nesse blog, tal no&ccedil;&atilde;o traz impl&iacute;cita a id&eacute;ia do tecnicismo como substituto da pol&iacute;tica. Neste caso, o racioc&iacute;nio simplista diria que, &ldquo;sendo uma boa t&eacute;cnica, n&atilde;o importa o g&ecirc;nero da ocupante do primeiro escal&atilde;o&rdquo;. S&atilde;o duas balelas que, infinitamente repetidas, transformam-se em fact&oacute;ides de f&aacute;cil digest&atilde;o. Tanto &eacute; balela a no&ccedil;&atilde;o de bastar ser mulher e correligion&aacute;ria para ocupar uma fun&ccedil;&atilde;o executiva, como &eacute; ainda mais absurda a segunda id&eacute;ia, a tecnicista. Mais uma vez repete-se o problema do pressuposto falso e da premissa neoliberal oculta. A administra&ccedil;&atilde;o privada n&atilde;o &eacute; administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e governar n&atilde;o &eacute; gerenciar. Todo ato de governo &eacute; pol&iacute;tico e isto subordina a tudo, incluindo os limites do poss&iacute;vel (ou desej&aacute;vel segundo as alian&ccedil;as) e as margens de manobra dos operadores, sejam homens e mulheres. <\/p>\n<p>A aplica&ccedil;&atilde;o das cotas ministeriais, para al&eacute;m de seu sucesso ou n&atilde;o, acarreta um ganho de poder simb&oacute;lico para as brasileiras. &Eacute; ineg&aacute;vel o reconhecimento da mulher para al&eacute;m de fun&ccedil;&otilde;es social e culturalmente definidas na correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as de um mundo constru&iacute;do sob o g&ecirc;nero masculino. Tal fato se acentua considerando estarmos no Brasil, pa&iacute;s criado sob o signo da escravid&atilde;o e cujos s&iacute;mbolos p&uacute;blicos (como bustos, est&aacute;tuas e nomes de rua), cultuam pr&oacute;ceres e patriarcas, quase sempre de duvidosa trajet&oacute;ria. &Eacute; muito bom quebrar paradigmas machistas de um pa&iacute;s que foi governado, ao longo de quase dois s&eacute;culos, por imperadores, generais, doutores e bachar&eacute;is. O conflito que apresento aqui &eacute; outro. <\/p>\n<p>O tristemente curioso &eacute; ver esta proposta vir &agrave; tona em um momento em que os partidos da coliga&ccedil;&atilde;o capitaneada pela centro-esquerda se v&ecirc;em no embate (pouco republicano, como sempre) pelas parcelas de poder (esp&oacute;lio do Estado pelo conceito cl&aacute;ssico) no primeiro escal&atilde;o da rep&uacute;blica. Conforme j&aacute; tive a oportunidade de afirmar em outras ocasi&otilde;es, &eacute; uma pena que a discuss&atilde;o de mulheres nas pastas ministeriais n&atilde;o venha acompanhada do debate das bandeiras hist&oacute;ricas das lutas de g&ecirc;nero, como os direitos reprodutivos e a conseq&uuml;ente legaliza&ccedil;&atilde;o do aborto; uma pol&iacute;tica nacional de creches e educa&ccedil;&atilde;o da primeira inf&acirc;ncia, beneficiando a maior parte da popula&ccedil;&atilde;o economicamente ativa (composta em sua maioria por mulheres); a necess&aacute;ria escola de turno integral, com a implanta&ccedil;&atilde;o das atividades para-did&aacute;ticas, culturais e desportivas no contra turno escolar; e, dentre as medidas mais pol&ecirc;micas, a necess&aacute;ria regula&ccedil;&atilde;o das campanhas publicit&aacute;rias, pe&ccedil;as que insistem em caracterizar o corpo da mulher na forma mercadoria, auxiliando a &ldquo;coisifica&ccedil;&atilde;o&rdquo; da esp&eacute;cie humana. <\/p>\n<p>Nada do que narrei acima trata de novidade, longe disso. Reconhe&ccedil;o tamb&eacute;m n&atilde;o haver citado nem a metade de um programa hist&oacute;rico e constru&iacute;do a partir de debates, agendas de ativismo, produ&ccedil;&otilde;es acad&ecirc;micas e lutas de mulheres presentes no Brasil h&aacute; mais de trinta anos. Triste &eacute; constatar que estas bandeiras est&atilde;o passando bem longe do debate das ministeri&aacute;veis. <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/pais\/noblat\/posts\/2010\/11\/10\/cota-de-ministras-politicas-de-genero-339539.asp\">Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat <br \/>\n<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A luta de g\u00eanero que ganha formato no in\u00edcio da industrializa\u00e7\u00e3o monopolista no s\u00e9culo XIX n\u00e3o se v\u00ea refletida na chegada ao Poder Executivo de uma ex-guerrilheira que ganhou como pol\u00edtica, mas n\u00e3o levou como mulher em luta. 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