{"id":1339,"date":"2010-11-16T18:43:11","date_gmt":"2010-11-16T18:43:11","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1339"},"modified":"2010-11-16T18:43:11","modified_gmt":"2010-11-16T18:43:11","slug":"terceiro-turno-e-presidencialismo-de-coalizao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1339","title":{"rendered":"Terceiro turno e presidencialismo de coaliz\u00e3o"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/esplanada.jpg\" title=\"Na \u00e2nsia voraz por ocupar postos-chave no governo central, a coliga\u00e7\u00e3o de governo e sua base aliada - em estado de amplia\u00e7\u00e3o mutante rumo \u00e0 direita - imp\u00f5e um terceiro turno para garantir a coaliz\u00e3o asseguradora da tal da governabilidade.   - Foto:Copa2014_governoDF\" alt=\"Na \u00e2nsia voraz por ocupar postos-chave no governo central, a coliga\u00e7\u00e3o de governo e sua base aliada - em estado de amplia\u00e7\u00e3o mutante rumo \u00e0 direita - imp\u00f5e um terceiro turno para garantir a coaliz\u00e3o asseguradora da tal da governabilidade.   - Foto:Copa2014_governoDF\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Na \u00e2nsia voraz por ocupar postos-chave no governo central, a coliga\u00e7\u00e3o de governo e sua base aliada &#8211; em estado de amplia\u00e7\u00e3o mutante rumo \u00e0 direita &#8211; imp\u00f5e um terceiro turno para garantir a coaliz\u00e3o asseguradora da tal da governabilidade.  <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:Copa2014_governoDF<\/small><\/figure>\n<p>16 de novembro de 2010, da Vila Setembrina do Continente de S&atilde;o Sep&eacute; Tiaraju, <em>Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p><\/em>A economista Dilma Rousseff (PT-RS) nem bem consolidou a vit&oacute;ria nas urnas em companhia de Michel Temer (PMDB-SP), com mais uma s&eacute;rie de oito legendas no apoio, e j&aacute; se v&ecirc; &agrave;s voltas com duas situa&ccedil;&otilde;es pr&eacute;-dadas e de dif&iacute;cil rem&eacute;dio. De um lado, o intento de recomposi&ccedil;&atilde;o do sistema partid&aacute;rio e os flertes para mudan&ccedil;a de legenda anunciando (como fact&oacute;ide, talvez), a cria&ccedil;&atilde;o de um novo partido de &ldquo;centro&rdquo; para compor a maioria do governo de turno no Congresso. Do outro, a voracidade dos &ldquo;aliados&rdquo; para abocanhar a maior fatia de poder ministerial ou de autarquias federais vinculadas ao Poder Executivo. Nenhuma das situa&ccedil;&otilde;es implica um refor&ccedil;o das possibilidades de aumento da gravita&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica pelo novo governo. &Eacute; justo o contr&aacute;rio.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; de hoje que os brasileiros que, ao menos se informam quanto ao notici&aacute;rio pol&iacute;tico, d&atilde;o-se conta dos custos da tal governabilidade. Pus o termo assim, &ldquo;tal da&rdquo;, em fun&ccedil;&atilde;o de governabilidade haver se tornado um conceito poliss&ecirc;mico. Na maior parte das vezes, alega-se a sua defesa para n&atilde;o ocorrer &ldquo;paralisia decis&oacute;ria&rdquo;, ou &ldquo;incapacidade de governar&rdquo;. Nestes casos, evoca-se o governo entre todos, o que boa parte das vezes implica em governar para os mesmos de sempre, apenas variando seus matizes. <\/p>\n<p>Tamb&eacute;m seria leviano de minha parte, afirmar que, ao arcar com os custos da governabilidade, os governos de turno se assemelham a tal ponto que dentre eles n&atilde;o h&aacute; diferen&ccedil;a. Isto n&atilde;o &eacute; correto nem conceitual e nem factualmente. H&aacute; diferen&ccedil;as grandes entre, por exemplo, os oito anos de FHC no exerc&iacute;cio do mandato (eleito e reeleito) e os oito anos de Luiz In&aacute;cio. O que venho insistindo &eacute; o fato destes &uacute;ltimos oito anos n&atilde;o haverem significado uma mudan&ccedil;a m&iacute;nima, embora fundamental, das estruturas de poder do Brasil. Dito isso, pode-se resumir na assertiva de que, as pessoas vivem melhor como um todo, mas o povo &#8211; atrav&eacute;s de suas formas organizativas &#8211; n&atilde;o obteve um avan&ccedil;o significativo. <\/p>\n<p>Um dos fatores para tal fen&ocirc;meno ocorrer foi consagrado na ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica brasileira como &ldquo;presidencialismo de coaliz&atilde;o&rdquo;. Este conceito seria a necessidade do governo eleito para o Executivo ter de formar maioria no Congresso. Ocorre que no Congresso, os partidos organizam-se tamb&eacute;m no acordo entre legendas, compondo ou n&atilde;o o grupo de apoio no Executivo. Assim, as pautas ficam atravessadas pelos interesses intra-partid&aacute;rios que, por sua vez, for&ccedil;am a vig&ecirc;ncia desta mesma pol&iacute;tica, constrangendo aqueles que, mesmo ocupando uma faixa de poder institucional, ainda se ateriam aos interesses de tipo particular. <\/p>\n<p>Os custos da coaliz&atilde;o, muitas das vezes, acabam se tornando custos contabiliz&aacute;veis, restando saber se ser&aacute; por dentro (na lei e com rubrica), ou por fora (do jeito que der). Na hora de pagar a fatura, o novo governo eleito j&aacute; pode governar ainda menos do pouco que prometera. <\/p>\n<p>\n<strong>Linhas conclusivas <\/p>\n<p><\/strong>Quem governa por esquerda, ou ao menos com um m&iacute;nimo de pol&iacute;ticas distributivistas, deve-se ancorar no prest&iacute;gio popular. Repousaria sobre os ombros dos setores organizados da popula&ccedil;&atilde;o a responsabilidade de imposi&ccedil;&atilde;o de agenda, confrontando as representa&ccedil;&otilde;es parlamentares hipoteticamente &ndash; neste caso suposto &ndash; conservadoras. No caso simulado acima, as estruturas de poder do Brasil se veriam abaladas pela soma explosiva de Executivo &agrave; esquerda e movimentos populares pressionando-o. Estamos muito longe disto ocorrer no Brasil eleitoral de 2010. Aqui o caso &eacute; outro. <\/p>\n<p>Acomodar as m&aacute;quinas partid&aacute;rias que se juntaram na campanha majorit&aacute;ria federal custa caro e, em sendo por dentro e com rubrica esta retribui&ccedil;&atilde;o, implica necessariamente na acomoda&ccedil;&atilde;o de cargos e sal&aacute;rios compat&iacute;veis. Distribuir o esp&oacute;lio do Estado implica em costurar a coaliz&atilde;o para al&eacute;m de uma base program&aacute;tica. &Eacute; como se houvesse um terceiro turno, mas dessa vez exclusivo para os bastidores da transi&ccedil;&atilde;o de governo e um novo pacto de alian&ccedil;as. O resultado desta democracia indireta e elitista obedece quase sempre a duas normas de procedimento: a primeira aponta para resultados distantes at&eacute; das manifesta&ccedil;&otilde;es de prefer&ecirc;ncias das elei&ccedil;&otilde;es de outubro; a segunda, &eacute; que o peso pol&iacute;tico do Congresso (coalhado de operadores com cultura pol&iacute;tica paroquiana e de benef&iacute;cios), obriga o governo &ldquo;melhorista&rdquo; a realizar ainda menos do pouco que prometera em termos de mudan&ccedil;as estruturais. <\/p>\n<p>Qualquer semelhan&ccedil;a com os bastidores da forma&ccedil;&atilde;o de maioria no Congresso, n&atilde;o ser&aacute; (e nem pode ser) nenhuma coincid&ecirc;ncia. <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ibase.br\/modules.php?name=Conteudo&amp;pid=2953\">Este artigo foi originalmente publicado no portal do Ibase.org.br <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na \u00e2nsia voraz por ocupar postos-chave no governo central, a coliga\u00e7\u00e3o de governo e sua base aliada &#8211; em estado de amplia\u00e7\u00e3o mutante rumo \u00e0 direita &#8211; imp\u00f5e um terceiro turno para garantir a coaliz\u00e3o asseguradora da tal da governabilidade. 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