{"id":1344,"date":"2010-11-23T18:59:19","date_gmt":"2010-11-23T18:59:19","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1344"},"modified":"2010-11-23T18:59:19","modified_gmt":"2010-11-23T18:59:19","slug":"a-guerra-eleitoral-das-midias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1344","title":{"rendered":"A guerra eleitoral das m\u00eddias"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/ultima_hora.jpg\" title=\"A capa da \u00daltima Hora ap\u00f3s o suic\u00eddio de Get\u00falio Vargas \u00e9 o exemplo vivo de como construir uma base de apoio do empresariado da m\u00eddia nacional e, desta forma, ao mesmo tempo em que se rompe parcialmente com o modelo olig\u00e1rquico, refor\u00e7a-se o mesmo.  - Foto:blogdacomunicacao.com.br \" alt=\"A capa da \u00daltima Hora ap\u00f3s o suic\u00eddio de Get\u00falio Vargas \u00e9 o exemplo vivo de como construir uma base de apoio do empresariado da m\u00eddia nacional e, desta forma, ao mesmo tempo em que se rompe parcialmente com o modelo olig\u00e1rquico, refor\u00e7a-se o mesmo.  - Foto:blogdacomunicacao.com.br \" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A capa da \u00daltima Hora ap\u00f3s o suic\u00eddio de Get\u00falio Vargas \u00e9 o exemplo vivo de como construir uma base de apoio do empresariado da m\u00eddia nacional e, desta forma, ao mesmo tempo em que se rompe parcialmente com o modelo olig\u00e1rquico, refor\u00e7a-se o mesmo. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:blogdacomunicacao.com.br <\/small><\/figure>\n<p>23 de novembro de 2010, da Vila Setembrina do Continente de Sep&eacute;, Azurduy y Artigas, <em>Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p><\/em>Entramos na reta final de um ano eleitoral e nos deparamos com algumas constata&ccedil;&otilde;es de dif&iacute;cil digest&atilde;o. Nas linhas que seguem abordamos um extrato destas, tomando a m&iacute;dia como foco de an&aacute;lise. <\/p>\n<p>Se o ano de 2009 encerrou-se com entusiasmo pontual com a realiza&ccedil;&atilde;o da primeira Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o (Confecom), o corrente ano termina sem protagonismos distintos. A primeira, &eacute; ineg&aacute;vel, &eacute; a derrota da coliga&ccedil;&atilde;o de centro-direita, encabe&ccedil;ada por Jos&eacute; Serra (PSDB-SP) e secundada pelo jovem aspirante a porta-estandarte do lacerdismo udenista contempor&acirc;neo, &Iacute;ndio da Costa (DEM-RJ). Ao perder no pleito, a alian&ccedil;a tucano-democrata espelha a n&atilde;o realiza&ccedil;&atilde;o da vontade pol&iacute;tica das quatro fam&iacute;lias controladoras dos maiores grupos de m&iacute;dia operando no Brasil. As fam&iacute;lias, Marinho (Organiza&ccedil;&otilde;es Globo), Mesquita (Grupo Estado de S&atilde;o Paulo), Frias (Folha) e Civita (Grupo Abril) decidiram-se, de forma indireta ou estampada (como foi o caso do Estad&atilde;o), no apoio do ex-governador de S&atilde;o Paulo para o Planalto. Negar isto &eacute; refutar o &oacute;bvio e, pontualmente, tal perda acarreta uma mudan&ccedil;a pontual na balan&ccedil;a do poder brasileiro.<\/p>\n<p>Aten&ccedil;&atilde;o. Refiro-me ao conflito de interesses entre as percep&ccedil;&otilde;es imediatas da popula&ccedil;&atilde;o &#8211; se sua vida piorou ou melhorou na compara&ccedil;&atilde;o com oito anos &#8211; e o jogo de for&ccedil;as diante dos l&iacute;deres empresariais na produ&ccedil;&atilde;o de bens simb&oacute;licos do g&ecirc;nero &ldquo;jornal&iacute;stico&rdquo; e na forma&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o p&uacute;blica &ldquo;bem informada&rdquo;. Nesta tens&atilde;o, os agentes econ&ocirc;micos e pol&iacute;ticos da ind&uacute;stria da comunica&ccedil;&atilde;o social tentaram incidir na disputa atrav&eacute;s de argumentos &ldquo;moralistas&rdquo;, e apesar de obterem o segundo turno, perderam a corrida. Esta derrota deu-se tamb&eacute;m porque, na base da pir&acirc;mide social, n&atilde;o se alterou a maioria das linhas gerais demarcadoras das prefer&ecirc;ncias tra&ccedil;adas atrav&eacute;s do senso comum e da escala de lealdades b&aacute;sicas. Estas s&atilde;o, a saber: a fam&iacute;lia; o c&iacute;rculo de sociabilidade cotidiano; se h&aacute; ou n&atilde;o freq&uuml;&ecirc;ncia em Igrejas; a influ&ecirc;ncia da (s) ideologia(s) circulante no mundo do trabalho; al&eacute;m da pr&oacute;pria hiper-exposi&ccedil;&atilde;o midi&aacute;tica sobre os brasileiros. <\/p>\n<p>O detalhe cruel para as m&iacute;dias engajadas na campanha da oposi&ccedil;&atilde;o pode estar na possibilidade de que, apesar do consumo ainda excessivo de produ&ccedil;&otilde;es audiovisuais de tipo telenovela e programas de audit&oacute;rio, a influ&ecirc;ncia dos telejornais tenha diminu&iacute;do nas classes C e D, sendo insuficiente para derrotar a sensa&ccedil;&atilde;o (real) de mobilidade social e inclus&atilde;o na cidadania capitalista, baseada na realiza&ccedil;&atilde;o de direitos b&aacute;sicos e no mundo do consumo atrav&eacute;s do emprego formal e a explos&atilde;o do cr&eacute;dito pessoal. <\/p>\n<p>Se h&aacute; algum consenso entre os partid&aacute;rios da teoria cr&iacute;tica nas ci&ecirc;ncias sociais brasileira de hoje, este pode se refletir nos dois par&aacute;grafos acima. O dissenso est&aacute; (ou estaria) no grau de distanciamento (por esquerda) do governo atual (Luiz In&aacute;cio) e sua sucessora, em especial na pauta das comunica&ccedil;&otilde;es. Cunhou-se o termo Partido da Imprensa Golpista (PIG), muito popular nos blogs mais &agrave; esquerda e entre os jornalistas ex-globais que publicam com freq&uuml;&ecirc;ncia e criatividade na internet. Mas, se as quatro fam&iacute;lias acima estariam intentando influir nos resultados da macro-pol&iacute;tica do governo (como seria o caso dos ataques &agrave; imagem da Petrobr&aacute;s), o que dizer dos grupos empresariais vinculados &agrave; campanha de Dilma ou aos feitos de Lula? Como caracteriz&aacute;-los sem fazer coro com a direita midi&aacute;tica? Uma boa denomina&ccedil;&atilde;o veio do jornalismo cultural de Porto Alegre, especificamente de Tiago Juc&aacute;, editor da revista O Dil&uacute;vio (http:\/\/odiluvio.blogspot.com) o termo PIG 2, ou o Partido da Imprensa Governista. <\/p>\n<p>A escala&ccedil;&atilde;o do PIG2 &eacute; composta de referentes do jornalismo brasileiro tais como: Carta Capital (de Mino Carta); Terra Magazine (do editor Bob Fernandes, mas pertencente ao Grupo Telef&ocirc;nica de Espanha); os blogs de Paulo Henrique Amorim, Luiz Carlos Azenha e Rodrigo Vianna (todos excelentes rep&oacute;rteres e que est&atilde;o na folha de pagamento da Record, pertencente a Edir Macedo); isto sem falar em dezenas de portais respeit&aacute;veis, a come&ccedil;ar pela Carta Maior, as revistas F&oacute;rum e Caros Amigos e os sites individuais. No final do segundo turno, at&eacute; a Isto &Eacute;, publica&ccedil;&atilde;o semanal da Editora Tr&ecirc;s (fam&iacute;lia Alzugaray) come&ccedil;a a bater no governo de S&atilde;o Paulo, levantando suspeitas relevantes de falta de idoneidade na administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. Estas seriam as publica&ccedil;&otilde;es que, uma vez alinhadas com o mandato de Luiz In&aacute;cio, defenderiam a sucessora contra o PIG e seus candidatos. <\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil concordar com estar parte do consenso das esquerdas brasileiras ao bater na direita e n&atilde;o afirmar de maneira leviana que a coliga&ccedil;&atilde;o de centro-esquerda &eacute; id&ecirc;ntica a de centro-direita. At&eacute; a&iacute; tudo bem, mas como n&atilde;o atacar a imagem de Michel Temer (PMDB-SP), vice de Dilma (PT-RS)? Indo al&eacute;m, como n&atilde;o atacar as pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o do governo Lula, cujo maior feito fora a aprova&ccedil;&atilde;o do padr&atilde;o japon&ecirc;s para o Sistema &ldquo;Brasileiro&rdquo; de TV Digital Terrestre? <\/p>\n<p>No Brasil atual, uma parte (ainda minorit&aacute;ria, &eacute; verdade) da m&iacute;dia empresarial conforma um bloco governista e sai vitoriosa das urnas em outubro. Ir a reboque de um governo de turno e n&atilde;o apostar em for&ccedil;as pr&oacute;prias j&aacute; ocorrera antes, como na primeira metade da d&eacute;cada de &rsquo;60, em especial no &uacute;ltimo ano do governo de Jo&atilde;o Goulart. Quando veio o golpe de 1&ordm; de abril de 1964, simplesmente n&atilde;o havia dispositivo de contra golpe organizado e nem sequer uma resist&ecirc;ncia popular &agrave; altura dos acontecimentos. Quando a milit&acirc;ncia, os setores cr&iacute;ticos da academia e as entidades de exerc&iacute;cio e direito a comunica&ccedil;&atilde;o se v&ecirc;em na ades&atilde;o de um projeto pol&iacute;tico escorado em grupos empresariais consolidados, eis o conceito de reboquismo. <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=3668&amp;secao=351\">Este artigo foi originalmente publicado na edi&ccedil;&atilde;o impressa e com vers&atilde;o para a internet da Revista IHU On Line, Ano X, n&uacute;mero 351, edi&ccedil;&atilde;o de 22 de novembro de 2010, PP. 46 e 47 <\/p>\n<p><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A capa da \u00daltima Hora ap\u00f3s o suic\u00eddio de Get\u00falio Vargas \u00e9 o exemplo vivo de como construir uma base de apoio do empresariado da m\u00eddia nacional e, desta forma, ao mesmo tempo em que se rompe parcialmente com o modelo olig\u00e1rquico, refor\u00e7a-se o mesmo. Foto:blogdacomunicacao.com.br 23 de novembro de 2010, da Vila Setembrina do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1344","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1344","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1344"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1344\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1344"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1344"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1344"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}