{"id":1346,"date":"2010-11-25T18:05:30","date_gmt":"2010-11-25T18:05:30","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1346"},"modified":"2010-11-25T18:05:30","modified_gmt":"2010-11-25T18:05:30","slug":"no-pais-de-mr-meirelles","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1346","title":{"rendered":"No pa\u00eds de Mr. Meirelles"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/FebrabanRiscos.png\" title=\"No pa\u00eds governado de fato por banqueiros, seu presidente \u00e9 Ministro de Estado, blindado pelo STF e isento dos rigores da lei comum para os mortais. No pa\u00eds com a mais elevada taxa de juros reais do mundo, declarar a independ\u00eancia da autoridade monet\u00e1ria, como se fora um poder \u00e0 parte, \u00e9 sinal de \u201ccapacita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica\u201d. Quando se governa para os bancos, s\u00e3o os banqueiros quem governam.   - Foto:apelconsult\" alt=\"No pa\u00eds governado de fato por banqueiros, seu presidente \u00e9 Ministro de Estado, blindado pelo STF e isento dos rigores da lei comum para os mortais. No pa\u00eds com a mais elevada taxa de juros reais do mundo, declarar a independ\u00eancia da autoridade monet\u00e1ria, como se fora um poder \u00e0 parte, \u00e9 sinal de \u201ccapacita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica\u201d. Quando se governa para os bancos, s\u00e3o os banqueiros quem governam.   - Foto:apelconsult\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">No pa\u00eds governado de fato por banqueiros, seu presidente \u00e9 Ministro de Estado, blindado pelo STF e isento dos rigores da lei comum para os mortais. No pa\u00eds com a mais elevada taxa de juros reais do mundo, declarar a independ\u00eancia da autoridade monet\u00e1ria, como se fora um poder \u00e0 parte, \u00e9 sinal de \u201ccapacita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica\u201d. Quando se governa para os bancos, s\u00e3o os banqueiros quem governam.  <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:apelconsult<\/small><\/figure>\n<p>25 de novembro de 2010, da Vila Setembrina de Lanceiros Negros tra&iacute;dos em Ponche Verde, do Continente de Sep&eacute;, Andresito, Juana Azurduy y Artigas, <em>Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p><\/em>Passadas menos de quarenta e oito horas do an&uacute;ncio da nova autoridade m&aacute;xima da moeda brasileira e para a composi&ccedil;&atilde;o da chamada equipe econ&ocirc;mica, os novos membros j&aacute; falam em austeridade e autonomia da &ldquo;t&eacute;cnica&rdquo;, ou seja, das premissas ocultas do neoliberalismo aplicado como pol&iacute;tica econ&ocirc;mica de Estado. No time de Dilma fica Guido Mantega &agrave; frente da pasta da Fazenda, entra no lugar de Paulo Bernardo no Planejamento a coordenadora do PAC Miriam Belchior e, substituindo o homem forte das finan&ccedil;as do Brasil, Mr. Meirelles, entra um funcion&aacute;rio de carreira do Banco Central (BACEN) e com experi&ecirc;ncia de quatro anos trabalhando no Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI). Este &eacute; o ga&uacute;cho Alexandre Tombini. Vejamos o que ele herda e de quem.<\/p>\n<p>Os &uacute;ltimos dezesseis anos tiveram algo em comum. Dois brasileiros com livre tr&acirc;nsito no mundo das finan&ccedil;as internacionais foram homens fortes em governos presidencialistas. O primeiro, Pedro Malan, ocupou a pasta da Fazenda em toda a era Fernando Henrique Cardoso. O segundo, ainda no exerc&iacute;cio do cargo, vem ocupando a pasta de presidente de um poder quase aut&ocirc;nomo. Sim, refiro-me ao senhor Henrique de Campos Meirelles, presidente do Banco Central do Brasil, que estaria prestes a despedir-se do Poder Executivo ao t&eacute;rmino do mandato de Lula. <\/p>\n<p>Mr. Meirelles vem sendo a j&oacute;ia da coroa deste governo de coaliz&atilde;o capitaneado por um partido de centro-esquerda n&atilde;o-classista. Como &eacute; sabido, este brasileiro de proje&ccedil;&atilde;o transnacional fora recrutado em 2002, colocando como condi&ccedil;&atilde;o assumir com capacidade de &ldquo;autonomia decis&oacute;ria&rdquo;. N&atilde;o por acaso, durante o hoje long&iacute;nquo ano de 2005, apelidei (em textos publicados neste blog) esta rela&ccedil;&atilde;o de &ldquo;governo do Comit&ecirc; de Pol&iacute;tica Monet&aacute;ria, o Copom&rdquo;. H&aacute; de se reconhecer que tal governo de fato e seu &ldquo;capit&atilde;o do time&rdquo;, foram o elo forte da corrente no auge da crise pol&iacute;tica e domesticou a f&uacute;ria dos animais econ&ocirc;micos diante da quebradeira de 2008, fruto da especula&ccedil;&atilde;o em escala absurda oriunda dos mercados de ativos de risco. Meirelles e os l&iacute;deres da Federa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Bancos (FEBRABAN) operaram com r&eacute;dea curta, contiveram a &ldquo;exuber&acirc;ncia irracional&rdquo; dos apostadores nacionais da ciranda financeira e, ao mesmo tempo, permitiram (junto com a equipe econ&ocirc;mica e a Casa Civil), um aumento do volume de fus&otilde;es e aquisi&ccedil;&otilde;es nunca antes visto na hist&oacute;ria deste pa&iacute;s. <\/p>\n<p>O resultado &eacute; vis&iacute;vel. Concentra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica entre os grandes agentes, estabilidade financeira, divis&atilde;o de renda (justa embora ainda insuficente) e aumento do cr&eacute;dito pessoal. O Planalto soube reconhecer os m&eacute;ritos e dividendos eleitorais advindos do exerc&iacute;cio da autoridade monet&aacute;ria e, de sua parte, n&atilde;o faltaram provas de lealdade. Nunca &eacute; demais lembrar que Meirelles viu seu posto de n&uacute;mero um do BACEN elevado ao cargo de ministro de Estado para, como se dizia &agrave; &eacute;poca, garantir foro especial, frear os &iacute;mpetos jacobinos da PF (durante a Opera&ccedil;&atilde;o Farol da Colina, ver link) e outras formas de constrangimento. Atrav&eacute;s da Medida Provis&oacute;ria de n&uacute;mero 207 (de 13\/08\/2004), Luiz In&aacute;cio eleva-o a status de ministro de Estado, blindando ao ex-presidente mundial do BankBoston. Aumentando o inusitado, no dia 16 de agosto, a MP &eacute; publicada em edi&ccedil;&atilde;o extra do Di&aacute;rio Oficial! <\/p>\n<p>Voltando ao problema de fundo, o paradoxo defendido ardorosamente pelos economistas neocl&aacute;ssicos e os reprodutores midi&aacute;ticos &eacute;, no m&iacute;nimo, uma incongru&ecirc;ncia. Enquanto defendem a &ldquo;maior&rdquo; autonomia do Banco Central (como se fora poss&iacute;vel), querem ver esta independ&ecirc;ncia de um &oacute;rg&atilde;o de Estado ser efetivada impondo restri&ccedil;&otilde;es nas margens de manobra do pr&oacute;prio Estado como provedor de servi&ccedil;os p&uacute;blicos. Vejamos. Para esta corrente de pensamento, f&atilde; incondicional do ex-tucano Mr. Meirelles, o Estado n&atilde;o pode gerar despesas significativas para aumentar o investimento na educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de e saneamento. <\/p>\n<p>Na outra ponta da proposta, a equipe econ&ocirc;mica ganha em autonomia e parte para negociar com as autoridades monet&aacute;rias, representantes oficiais e oficiosos dos maiores interessados no endividamento p&uacute;blico. Assim, o &ldquo;quase-aut&ocirc;nomo&rdquo; BACEN pode endividar o pa&iacute;s, criando despesa p&uacute;blica, gerando passivos (contas para os credores receberem), co-estipulando taxas de interesses e margens de &ldquo;riscos&rdquo; (a vergonha dos spreads banc&aacute;rios) al&eacute;m de manobras monet&aacute;rias de tipo absurdo (como nas opera&ccedil;&otilde;es oficiais de swap). <\/p>\n<p>Havia poucas vari&aacute;veis diante da previs&iacute;vel sa&iacute;da de Meirelles, podendo vir outro executivo dos banqueiros ou tecnocrata das finan&ccedil;as do Estado. A op&ccedil;&atilde;o de Dilma Rousseff foi a do caminhoa aberto pela tecnocracia, apostando nos funcion&aacute;rios de carreiras do Estado. Parece que a FEBRABAN vai permanecer muito tranq&uuml;ila, batendo recordes atr&aacute;s de recordes. O ga&uacute;cho Alexandre Tombini fez coro com a atual composi&ccedil;&atilde;o do COPOM, afirmando a &ldquo;autonomia da t&eacute;cnica&rdquo; por em cima da pol&iacute;tica. O futuro comandante em chefe da moeda da 5&ordf; economia do mundo parece esquecer-se de que Alan Greenspan, o famigerado presidente do Fed (Federal Reserve, banco central do Imp&eacute;rio dos EUA), tamb&eacute;m tinha autonomia decis&oacute;ria (e quem o sucede tamb&eacute;m tem) quando exaltou a &ldquo;exuber&acirc;ncia irracional&rdquo; dos &ldquo;mercados&rdquo; (operadores especulativos em forma de pessoas f&iacute;sicas e jur&iacute;dicas) e nada fez para conter a quebradeira decorrente das fraudes em escala global advindas de negociatas com hipotecas imposs&iacute;veis de serem resgatadas. Qual autonomia nos espera? <\/p>\n<p>O certo &eacute; que tanto no Brasil de Mr. Henrique Meirelles como do ex-funcion&aacute;rio do Banco Mundial e com doutorado na Universidade de Illinois (o pr&oacute;prio Tombini), a Banca seguir&aacute; dando as cartas e recebendo as promiss&oacute;rias em m&uacute;ltiplas formas de juros e encargos da d&iacute;vida p&uacute;blica. <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/pais\/noblat\/posts\/2010\/11\/24\/no-pais-de-mr-meirelles-343186.asp\">A primeira vers&atilde;o deste artigo foi originalmente publicada no blog de Ricardo Noblat <br \/>\n<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No pa\u00eds governado de fato por banqueiros, seu presidente \u00e9 Ministro de Estado, blindado pelo STF e isento dos rigores da lei comum para os mortais. 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