{"id":1347,"date":"2010-11-28T21:27:09","date_gmt":"2010-11-28T21:27:09","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1347"},"modified":"2010-11-28T21:27:09","modified_gmt":"2010-11-28T21:27:09","slug":"em-busca-do-marco-teorico-na-radiodifusao-comunitaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1347","title":{"rendered":"Em busca do marco te\u00f3rico na Radiodifus\u00e3o Comunit\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/comunycarte.jpg\" title=\"A partir da Lei 9612\/98, o que era quase fora de controle na radiodifus\u00e3o comunit\u00e1ria se torna totalmente fora de controle, tanto do Estado como das for\u00e7as sociais organizadas. A resposta do Estado representado pelos governos de turno \u00e9 fechar pelo m\u00ednimo uma r\u00e1dio por dia. A forma\u00e7\u00e3o do \u201cmovimento\u201d remete a um vazio de massa cr\u00edtica com perfil militante. Reconhecemos que a montagem do sistema p\u00fablico n\u00e3o-estatal est\u00e1 nascendo a f\u00f3rceps, das entranhas do pr\u00f3prio povo.  - Foto:Comunycarte\" alt=\"A partir da Lei 9612\/98, o que era quase fora de controle na radiodifus\u00e3o comunit\u00e1ria se torna totalmente fora de controle, tanto do Estado como das for\u00e7as sociais organizadas. A resposta do Estado representado pelos governos de turno \u00e9 fechar pelo m\u00ednimo uma r\u00e1dio por dia. A forma\u00e7\u00e3o do \u201cmovimento\u201d remete a um vazio de massa cr\u00edtica com perfil militante. Reconhecemos que a montagem do sistema p\u00fablico n\u00e3o-estatal est\u00e1 nascendo a f\u00f3rceps, das entranhas do pr\u00f3prio povo.  - Foto:Comunycarte\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A partir da Lei 9612\/98, o que era quase fora de controle na radiodifus\u00e3o comunit\u00e1ria se torna totalmente fora de controle, tanto do Estado como das for\u00e7as sociais organizadas. A resposta do Estado representado pelos governos de turno \u00e9 fechar pelo m\u00ednimo uma r\u00e1dio por dia. A forma\u00e7\u00e3o do \u201cmovimento\u201d remete a um vazio de massa cr\u00edtica com perfil militante. Reconhecemos que a montagem do sistema p\u00fablico n\u00e3o-estatal est\u00e1 nascendo a f\u00f3rceps, das entranhas do pr\u00f3prio povo. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:Comunycarte<\/small><\/figure>\n<p>28 de novembro, de S&atilde;o Leopoldo, <em>Bruno Lima Rocha<\/em><\/p>\n<p>Escrevo este&nbsp;texto partindo de duas perspectivas confluentes. N&atilde;o creio em an&aacute;lise neutra, mas sim de rigor. Portanto, desenvolvo a argumenta&ccedil;&atilde;o tanto como analista quanto algu&eacute;m diretamente envolvido na &aacute;rea. O&nbsp;trabalho trata&nbsp;do esfor&ccedil;o dos brasileiros pela radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria. Aborda o movimento popular brasileiro mais reprimido na democracia brasileira p&oacute;s-1985 e tamb&eacute;m de sua urgente busca por uma proposta comunicacional para sair da encruzilhada paradigm&aacute;tica onde se encontra.<\/p>\n<p>O artigo foi publicado em 2008 no livro <strong>Economia Pol&iacute;tica da Comunica&ccedil;&atilde;o: estrat&eacute;gias e desafios no capitalismo global<\/strong>, organizado por Val&eacute;rio Cruz Brittos, professor do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).<\/p>\n<p>Temos como dado geral que nos &uacute;ltimos 20 anos, em m&eacute;dia, a cada semana &eacute; assassinado um campon&ecirc;s na luta pela terra no Brasil. Ao mesmo tempo, a cada dia, de uma a tr&ecirc;s r&aacute;dios comunit&aacute;rias s&atilde;o fechadas pelo governo de turno. Ainda assim, este setor n&atilde;o conforma um movimento popular poderoso como o fazem os trabalhadores rurais. Tenho como tese que a repress&atilde;o acostuma &agrave; desobedi&ecirc;ncia civil e n&atilde;o &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o popular. Vejamos os porqu&ecirc;s ao longo do texto. <\/p>\n<p>Passada uma d&eacute;cada da lei reguladora do servi&ccedil;o de radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria (Lei 9612\/98)<sup>1<\/sup> , estas emissoras (de pequeno alcance, controle social e sem fins lucrativos) encontram-se em um momento crucial. A radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria ainda est&aacute; em busca de um conceito de comunica&ccedil;&atilde;o a ser apropriado pelos comunicadores populares. Tal lacuna ocorre por diversos fatores concomitantes, tais como: a reprodu&ccedil;&atilde;o dos padr&otilde;es de mercado (linguagens, programa&ccedil;&atilde;o, gest&atilde;o e outorga), o utilitarismo t&iacute;pico da concep&ccedil;&atilde;o de &ldquo;m&iacute;dia de esquerda&rdquo; e a aus&ecirc;ncia de massa cr&iacute;tica proveniente dos defensores da democracia na comunica&ccedil;&atilde;o. O trabalho debate o vazio conceitual convivendo com o paradoxo da apropria&ccedil;&atilde;o de tecnologia e a cria&ccedil;&atilde;o de um audiovisual integrado e de baixo custo. <\/p>\n<p><strong>Breve retrospectiva da hist&oacute;ria recente<\/strong> <\/p>\n<p>O chamado movimento pela democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o ganhou corpo pr&oacute;prio a partir da d&eacute;cada de 1980. Durante o processo constituinte, 1987-1988, criou-se uma Frente Nacional pela Democracia na Comunica&ccedil;&atilde;o. Anos depois, esta frente se tornou um Foro, com pessoa jur&iacute;dica e status de ONG participativa (www.fndc.org.br)<sup>2<\/sup> , e termina por representar um setor desta luta. Isto somado &agrave;s ent&atilde;o chamadas r&aacute;dios livres, gerou o caldo de cultura cr&iacute;tica dentro da esquerda brasileira. <\/p>\n<p>A tentativa ent&atilde;o era aprovar o dispositivo constitucional que aponta &agrave; instala&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s sistemas de comunica&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s. Consta no Cap&iacute;tulo 5&ordm;, Artigos 220 a 224<sup>3<\/sup> a formata&ccedil;&atilde;o desta proposta. Um &eacute; o sistema privado, marcado pelo oligop&oacute;lio de 11 fam&iacute;lias, que de fato s&atilde;o seis as que controlam mais de 80% do fluxo de informa&ccedil;&atilde;o e significados em todo Brasil<sup>4<\/sup>. Outro seria o sistema estatal, que ainda n&atilde;o tem alcance de todo territ&oacute;rio nacional e, em termos de televis&atilde;o, n&atilde;o chega a 10% da popula&ccedil;&atilde;o como audi&ecirc;ncia. E outro, o sistema p&uacute;blico n&atilde;o-estatal. Este &uacute;ltimo est&aacute; previsto no direito constitucional, mas que na pr&aacute;tica vai sendo implantado pelas associa&ccedil;&otilde;es de comunica&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria. N&atilde;o &eacute; por acaso que sobre estas associa&ccedil;&otilde;es o Estado aplique a repress&atilde;o sistem&aacute;tica. <\/p>\n<p>Este projeto constitucional, como &eacute; de praxe no pa&iacute;s, come&ccedil;a pela lei para depois chegar aos costumes e pr&aacute;ticas quotidianas. O mesmo passa com a reforma agr&aacute;ria. A medida est&aacute; prevista em normas legais desde o ano de 1965, assinado pelo marechal Humberto Castello Branco em 30 de novembro de 1964<sup>5<\/sup>, primeiro presidente da ditadura militar. Na realidade das forma&ccedil;&otilde;es sociais concretas, uma vez que n&atilde;o h&aacute; pol&iacute;tica agr&aacute;ria e tampouco pol&iacute;tica agr&iacute;cola, a ocupa&ccedil;&atilde;o produtiva do territ&oacute;rio vai sendo implantada pela luta dos movimentos camponeses, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O mesmo passa com a luta pela democracia na comunica&ccedil;&atilde;o, mas com a descomunal diferen&ccedil;a que no &uacute;ltimo caso, as iniciativas s&atilde;o fragmentadas e a estrutura n&atilde;o chega a ter a organicidade necess&aacute;ria. <\/p>\n<p>Voltando &agrave;s origens do &ldquo;movimento&rdquo; de comunica&ccedil;&atilde;o, a etapa formadora, &eacute; justo a de in&iacute;cio do retrocesso ideol&oacute;gico nos conceitos mais b&aacute;sicos da esquerda que se posiciona a partir da luta popular. Ou seja, da chegada do neoliberalismo &agrave; Am&eacute;rica Latina. Os primeiros 10 anos foram mais que nada para conformar o setor em si. Isto porque a imprensa comercial sa&iacute;a de um estado de combater a censura ou colaborar com o regime de exce&ccedil;&atilde;o, para produzir a autocensura e propagar os manuais de reda&ccedil;&atilde;o. Junto com as novas agrupa&ccedil;&otilde;es sociais do tema, na &aacute;rea acad&ecirc;mica da comunica&ccedil;&atilde;o, a economia pol&iacute;tica perde seu lugar aos estudos culturais. Disto decorre, de forma hegem&ocirc;nica no Brasil, que a busca de referentes diferentes, a id&eacute;ia de diversidade veio junto com o p&oacute;s-modernismo e a id&eacute;ia de sociedade civil que inclui ao &ldquo;mercado&rdquo;. <\/p>\n<p>Majoritariamente, o movimento pela democracia na comunica&ccedil;&atilde;o ganhou o &ocirc;nus conceitual t&iacute;pico deste momento. A forma&ccedil;&atilde;o do FNDC, bem como todas suas fraturas e institui&ccedil;&otilde;es derivadas (Intervozes<sup>6<\/sup>, por exemplo) &eacute; formado por gente com forma&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria justo no momento que as id&eacute;ias de combate e mudan&ccedil;a social come&ccedil;am a cair no descr&eacute;dito. N&atilde;o somente &eacute; um tempo cronol&oacute;gico afim como de converg&ecirc;ncia de mentalidades. Poderia narrar aqui uma s&eacute;rie de acontecimentos ou medidas pol&iacute;ticas que marcam esse per&iacute;odo. Seguramente seria cansativo e impr&oacute;prio. Seguimos com o debate conceitual. <\/p>\n<p>No final dos anos 80, especialmente durante a primeira parte da d&eacute;cada de 90, no Brasil, surgem entidades representativas do tema. Uma delas, a Executiva Nacional de Estudante de Comunica&ccedil;&atilde;o (Enecos<sup>7<\/sup>), nasceu superando uma crise de aus&ecirc;ncia e representatividade. Mas que, a partir dos anos 1990 e 1991, ganha identidade e estrutura. Como para o exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o de jornalista bem como publicit&aacute;rio &eacute; exigido o grau superior, a Enecos &eacute; o canal de entrada e forma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de boa parte da milit&acirc;ncia mais t&eacute;cnica da &aacute;rea. <\/p>\n<p>Outra institui&ccedil;&atilde;o fundamental &eacute; a Federa&ccedil;&atilde;o Nacional de Jornalistas (Fenaj<sup>8<\/sup>), onde o grupo que funda o FNDC e inaugura o discurso contra o oligop&oacute;lio no Brasil, tamb&eacute;m se encontra na diretora nacional deste gr&ecirc;mio. &Eacute; not&aacute;vel como a defesa da abertura de mais postos de trabalho criou uma armadilha conceitual, impedindo a id&eacute;ia de democratizar o controle dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o por parte das maiorias. Nestes mais de 15 anos, as mudan&ccedil;as impostas pela ado&ccedil;&atilde;o de novas tecnologias, o surgimento de outros meios somaram-se com o encolhimento do gr&ecirc;mio em local do trabalho. <\/p>\n<p>Uma situa&ccedil;&atilde;o estruturante da mentalidade e pr&aacute;tica pol&iacute;tica conv&eacute;m ressaltar. Por ironia da hist&oacute;ria, o momento narrado &#8211; metade dos anos 90 &#8211; coincide com a escassez do emprego formal nas reda&ccedil;&otilde;es jornal&iacute;sticas e a abund&acirc;ncia das assessorias. Incluem-se nestas as assessorias de comunica&ccedil;&atilde;o sindicais, prefeituras, &oacute;rg&atilde;os da administra&ccedil;&atilde;o direta e mandatos parlamentares. A crise do jornalismo atinge a jornalistas em crise e a cr&iacute;tica &aacute;cida &agrave;s ind&uacute;strias de signos midi&aacute;ticos. Neste vazio conceitual, ficou hibernando o conceito de M&iacute;dia de Esquerda X Utilitarismo de &ldquo;esquerda&rdquo;. N&atilde;o h&aacute; guerra de posi&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas nem forma&ccedil;&atilde;o de bloco hist&oacute;rico que resista ao pragmatismo pol&iacute;tico. <\/p>\n<p>Ano ap&oacute;s ano as faculdades brasileiras despejam milhares de trabalhadores em comunica&ccedil;&atilde;o num mercado restritivo. S&atilde;o cada vez mais novos, com menos experi&ecirc;ncia pol&iacute;tica e trazem com eles uma mentalidade, em m&eacute;dia, que se volta para o mercado. A Fenaj se torna um gr&ecirc;mio fora das reda&ccedil;&otilde;es, com maioria de assessores de imprensa e uma amea&ccedil;a de desemprego permanente. <\/p>\n<p>&Eacute; quase &ldquo;natural&rdquo; que o grupo diretivo se ponha na defensiva. S&oacute; n&atilde;o &eacute; mais natural, porque nada &eacute; &ldquo;natural&rdquo; na pol&iacute;tica. Assim, a presen&ccedil;a de ONGs e institui&ccedil;&otilde;es do terceiro setor quase terminam por substituir a id&eacute;ia de movimento popular. Portanto, a dianteira nesta luta &eacute; levada a cabo por profissionais e acad&ecirc;micos, que em sua maioria n&atilde;o est&atilde;o condicionados por uma base organizada. Mais que determinismos de origem de classe, temos que observar o problema das posi&ccedil;&otilde;es, mentalidades pol&iacute;ticas e uma forma de mobiliza&ccedil;&atilde;o que passa longe das ruas e olha &agrave; a&ccedil;&atilde;o de massas como algo long&iacute;nquo ou raro. <\/p>\n<p>Nosso corte tempor&aacute;rio est&aacute; na d&eacute;cada passada, justo no primeiro ano do governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC). Junto com a estabilidade monet&aacute;ria, temos um recuo dos setores populares mais tradicionais. A institucionaliza&ccedil;&atilde;o de uns caminha lado a lado com o isolamento de novos setores, gr&ecirc;mios informais ou sujeitos sociais desorganizados. Neste plano entra em cena, quase 10 anos ap&oacute;s o surgimento dos grupos de press&atilde;o e lobbies na Assembl&eacute;ia Constituinte, o elemento militante e popular. <\/p>\n<p>Como j&aacute; dissemos, as primeiras emissoras t&ecirc;m perfil de r&aacute;dios livres, com car&aacute;ter mais experimental. Na segunda metade dos anos 90, um caldo de cultura cr&iacute;tico olha &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o como uma necessidade e um direito, inclusive previsto na Constitui&ccedil;&atilde;o. H&aacute; uma confus&atilde;o de conceitos e prioridades, em nosso ver algo que hoje se torna um labirinto e que vem sendo abordado tanto na academia como na inst&acirc;ncia do movimento. Desemprego, mesmo assim, o grau inicial de organicidade &eacute; atingido. No ano de 1996 nasce uma institui&ccedil;&atilde;o social com a id&eacute;ia de representa&ccedil;&atilde;o legal e social das emissoras comunit&aacute;rias de r&aacute;dio. Tem o nome de Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Radiodifus&atilde;o Comunit&aacute;ria (Abra&ccedil;o<sup>9<\/sup>) e tenta for&ccedil;ar ao governo Cardoso a assinar uma lei que respalde esta forma de comunica&ccedil;&atilde;o social. <\/p>\n<p>Uma d&eacute;cada passou desde quando se forma a base constitucional pelo sistema p&uacute;blico n&atilde;o-estatal de comunica&ccedil;&atilde;o social<sup>10<\/sup>. Na ponta desta demanda, com perfil muito diferente do Sindicato dos Jornalistas e do gr&ecirc;mio de estudantes, surgem iniciativas populares quase incontrol&aacute;veis. Um ex-militante pol&iacute;tico dos anos &lsquo;60, S&eacute;rgio Motta, ocupando o cargo de Ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, do grupo de confian&ccedil;a de Cardoso e dos capitais de S&atilde;o Paulo, assinou no ano de 1998 a Lei 9612\/98. Esta, em tese, regula um modelo de r&aacute;dios comunit&aacute;rias de baixa pot&ecirc;ncia. Os problemas desta lei e suas conseq&uuml;&ecirc;ncias s&atilde;o outro tema permanente de debate e intento de supera&ccedil;&atilde;o do marco legal. <\/p>\n<p>O fato &eacute; que a partir desta base legal, pouco regulada, o que era quase fora de controle se torna totalmente fora de controle, tanto do Estado como das for&ccedil;as sociais organizadas. A resposta do Estado representado pelos governos de turno &eacute; fechar pelo m&iacute;nimo uma r&aacute;dio por dia. Outra aus&ecirc;ncia de resposta &eacute; uma defini&ccedil;&atilde;o brasileira de radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria. A forma&ccedil;&atilde;o do &ldquo;movimento&rdquo;, observada acima, nos remetem a um vazio de massa cr&iacute;tica com perfil militante. Reconhecemos que a montagem do sistema p&uacute;blico n&atilde;o-estatal est&aacute; nascendo a f&oacute;rceps, das entranhas do pr&oacute;prio povo. <\/p>\n<p>O custo desse nascimento &eacute; deveras alto para o projeto pol&iacute;tico. Para explic&aacute;-lo, temos de ir ao encontro do conceito de aus&ecirc;ncia de vazio pol&iacute;tico, de refer&ecirc;ncia jornal&iacute;stica e de pensamento comunicacional. O que vemos dentro das r&aacute;dios comunit&aacute;rias &eacute; a reprodu&ccedil;&atilde;o das mentalidades do radialismo comercial. Pela falta de massa cr&iacute;tica e a n&atilde;o intermedia&ccedil;&atilde;o organizada das conquistas coletivas. Isto gera uma postura defensiva, um excesso de peso no n&iacute;vel jur&iacute;dico do embate e na intermedia&ccedil;&atilde;o parlamentar. <\/p>\n<p>No pr&oacute;ximo t&oacute;pico, propomos um debate, estabelecendo um di&aacute;logo, a nosso ver prof&iacute;cuo, entre a forma&ccedil;&atilde;o dos radialistas comunit&aacute;rios, o subcampo da Economia Pol&iacute;tica da Comunica&ccedil;&atilde;o e um estudo comparativo entre o r&aacute;dio e a pol&iacute;tica na Argentina e no Brasil. A inten&ccedil;&atilde;o desse artigo &eacute; fornecer um in&iacute;cio de marco te&oacute;rico apropriado tanto para a forma&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria como para as respectivas pesquisas na &aacute;rea. <\/p>\n<p><strong>Propondo um marco te&oacute;rico de debate<\/strong> <\/p>\n<p>Propomos o in&iacute;cio deste debate de pilares te&oacute;ricos partindo do contexto latino-americano ap&oacute;s o ano 2000. A partir deste ano, podemos afirmar que a mediatiza&ccedil;&atilde;o e a pauta da comunica&ccedil;&atilde;o entra de vez no debate pol&iacute;tico de nossos pa&iacute;ses. E, embora o fen&ocirc;meno da radiodifus&atilde;o partindo da Lei 9612\/98 tenha v&aacute;rios tra&ccedil;os singulares no que diz respeito aos constrangimentos estruturais que o campo comunicacional sofre a comunica&ccedil;&atilde;o social brasileira n&atilde;o &eacute; exce&ccedil;&atilde;o no Continente. Vale observar a an&aacute;lise de D&ecirc;nis de Moraes a respeito destes limites estruturais: <\/p>\n<p><font size=\"2\"><em>Os problemas hist&oacute;ricos de desigualdade e exclus&atilde;o na Am&eacute;rica Latina refletem-se nos campos da comunica&ccedil;&atilde;o e da cultura de modo semelhante e perverso: um pequeno n&uacute;mero de megagrupos, quase sempre em alian&ccedil;as com conglomerados transnacionais, controla, de maneira oligop&oacute;lica, expressiva parcela da produ&ccedil;&atilde;o e da circula&ccedil;&atilde;o de dados, sons e imagens. Os tit&atilde;s buscam rentabilidade a qualquer pre&ccedil;o, beneficiando-se das desregulamenta&ccedil;&otilde;es neoliberais, das omiss&otilde;es dos poderes p&uacute;blicos e dos desn&iacute;veis tecnol&oacute;gicos entre pa&iacute;ses ricos e perif&eacute;ricos.<sup>11<\/sup> <\/p>\n<p><\/em><\/font>Gostaria de agregar a esta observa&ccedil;&atilde;o o fato de que os chamados tit&atilde;s terminam por operar como partidos pol&iacute;ticos. Por vezes, este perfil se escancara, como no governo de Mesa, empres&aacute;rio midi&aacute;tico que veio a assumir o poder Executivo na Bol&iacute;via ap&oacute;s a derrubada de Sanchez de Losada atrav&eacute;s de um levante popular conhecido como Guerra do G&aacute;s. O controle dos meios, a produ&ccedil;&atilde;o de bens simb&oacute;licos, o fluxo informativo est&aacute; intrinsecamente vinculado ao exerc&iacute;cio do poder pol&iacute;tico e a posi&ccedil;&atilde;o de dom&iacute;nio nas sociedades latino-americanas. N&atilde;o seria poss&iacute;vel o modo de domina&ccedil;&atilde;o aplicado sobre as maiorias latino-americanas sem a presen&ccedil;a operante dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social. <\/p>\n<p>O <em>modus operandi<\/em> &eacute; atravessado pelo interesse mercantil, como apropriadamente aponta D&ecirc;nis de Moraes no coment&aacute;rio que segue: <\/p>\n<p><font size=\"2\"><em>Em fun&ccedil;&atilde;o de seus interesses mercantis, boa parte da produ&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica n&atilde;o leva na devida conta identidades, tradi&ccedil;&otilde;es e anseios socioculturais dos povos. O que prevalece, geralmente, s&atilde;o apelos convulsivos ao consumo, elevado &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de inst&acirc;ncia m&aacute;xima de organiza&ccedil;&atilde;o societ&aacute;ria.<sup>12<\/sup><\/em> <\/p>\n<p><\/font>Agrego a esta pretens&atilde;o generalizante da dimens&atilde;o do consumo uma s&eacute;rie de fatores, tais como: a desqualifica&ccedil;&atilde;o do discurso anti-hegem&ocirc;nico; a folcloriza&ccedil;&atilde;o das narrativas e est&eacute;ticas populares, aplicando uma vers&atilde;o continental do &ldquo;orientalismo&rdquo;; o deslocamento do foco e do centro da aten&ccedil;&atilde;o, pouco ou nada refletindo o continente latino-americano; a intermedia&ccedil;&atilde;o discursiva perpassada pelos pontos de vista e pol&iacute;tica externa dos Estados Unidos, subsumindo as vis&otilde;es nacionais &agrave;s posi&ccedil;&otilde;es do Imp&eacute;rio (vide cobertura do conflito Col&ocirc;mbia-Equador); al&eacute;m da pr&aacute;tica sistem&aacute;tica e estruturante de ocultar as premissas nos enunciados transmitidos. O conjunto destas pr&aacute;ticas e sua capilaridade societ&aacute;ria resultam na hegemonia midi&aacute;tica, que se retroalimenta da pr&oacute;pria mediatiza&ccedil;&atilde;o social. Moraes apropriadamente aponta como fundamenta esta hegemonia: <\/p>\n<p><em><font size=\"2\">A hegemonia midi&aacute;tica fundamenta-se na presun&ccedil;&atilde;o &ndash; fabricada ideologicamente &ndash; de que os ve&iacute;culos refletem a vontade geral. Tais atributos confeririam aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o uma posi&ccedil;&atilde;o peculiar na sociedade, a ponto de atuar sem freios de conten&ccedil;&atilde;o.<sup>13<\/sup> <br \/>\n<\/font><\/em><br \/>\n&Eacute; justo no quesito da presun&ccedil;&atilde;o hegem&ocirc;nica onde entra o papel estrat&eacute;gico da radiodifus&atilde;o sob controle das entidades de base como fator de contra hegemonia. Antes que nada afirmo que toda hegemonia &eacute; uma fabrica&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica, at&eacute; porque o mundo das representa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o &eacute; o espelho da falsa consci&ecirc;ncia, mas sim um universo espec&iacute;fico da constru&ccedil;&atilde;o de sentidos coletivos. Caberia ao movimento popular de comunica&ccedil;&atilde;o afirmar a vontade pol&iacute;tica de criar um espa&ccedil;o p&uacute;blico midi&aacute;tico das maiorias. Espa&ccedil;o este que, se protagonizado pelas representa&ccedil;&otilde;es simb&oacute;licas exclu&iacute;das ou subalternas pelos &ldquo;tit&atilde;s da m&iacute;dia&rdquo;, pode ver nos ativistas da contra-hegemonia a intermedia&ccedil;&atilde;o leg&iacute;tima no processo comunicacional. &Eacute; justo neste ponto quando uma &aacute;rea de estudos vai ao encontro da comunica&ccedil;&atilde;o popular. <\/p>\n<p>Um dos problemas que observamos na dificuldade de formar um marco de atua&ccedil;&atilde;o para o movimento de radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria &eacute; justamente seu papel difuso. Considera-se, de modo geral, a causa da democracia na comunica&ccedil;&atilde;o social como um tema transversal. Como algo que diz respeito a todos os setores de classe e da cidadania como um todo, o tema n&atilde;o contaria com protagonismo e papel preponderante de um setor. <\/p>\n<p>&Eacute; por discordar profundamente dessa concep&ccedil;&atilde;o que trago o debate. Entendo que a democracia na comunica&ccedil;&atilde;o apresenta uma causa para a pr&oacute;pria defini&ccedil;&atilde;o de cidadania. Mas, o exerc&iacute;cio de um direito se d&aacute; a partir do ato em si. Assim, vejo a comunica&ccedil;&atilde;o social como tendo protagonistas de democratiza&ccedil;&atilde;o aqueles que exercem esse direito, mesmo que cometendo a desobedi&ecirc;ncia civil. J&aacute; o papel a cumprir por estes agentes protag&ocirc;nicos, conforme vimos no t&oacute;pico acima carecem de defini&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e o marco te&oacute;rico por onde se desenvolver. <\/p>\n<p>Partindo da l&oacute;gica da rela&ccedil;&atilde;o emissor-receptor, observamos o &oacute;bvio. Por mais inaptos que sejam os comunicadores comunit&aacute;rios, mesmo que somente reproduzindo linguagens comerciais nas emissoras de baixa pot&ecirc;ncia, s&atilde;o estes os homens e mulheres que ocupam o papel de encurtar a dist&acirc;ncia no processo comunicacional. O indicado, portanto, &eacute; observarmos, desde a perspectiva da cr&iacute;tica da economia pol&iacute;tica das ind&uacute;strias da comunica&ccedil;&atilde;o, o estudo do papel da recep&ccedil;&atilde;o para um conceito de radiodifus&atilde;o que visa encurtar dist&acirc;ncias e tornar p&uacute;blico o processo comunicacional. Esta preocupa&ccedil;&atilde;o vai ao encontro do exposto por Brittos: <\/p>\n<p><em><font size=\"2\">Talvez seja o momento de projetar estudos de recep&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito da Economia Pol&iacute;tica da Comunica&ccedil;&atilde;o, evidentemente valorizando a fun&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico no processo comunicacional, de legitimador (inclusive como pagante direto ou indireto) dos bens simb&oacute;lico-comunicacionais. Mas isso n&atilde;o significa a equipara&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as da produ&ccedil;&atilde;o e da recep&ccedil;&atilde;o, sabidamente, rela&ccedil;&otilde;es assim&eacute;tricas.<sup>14<\/sup> <\/p>\n<p><\/font><\/em>Se adotarmos o conceito para aplic&aacute;-lo na forma&ccedil;&atilde;o e no funcionamento de uma r&aacute;dio de baixa pot&ecirc;ncia e pass&iacute;vel de controle social, veremos justamente esta rela&ccedil;&atilde;o. O tipo-ideal de r&aacute;dio comunit&aacute;ria aponta o p&uacute;blico-alvo distante do focado a partir de sua possibilidade de consumo. O que em tese importaria seria a chance real de gerar outro p&oacute;lo de refer&ecirc;ncia, identidade e consenso a respeito dos temas centrais para a vida em sociedade. Mesmo que todos os programas dessa emissora sejam interativos, abertos a participa&ccedil;&atilde;o e sob controle de entidades de base participando da grade desta r&aacute;dio, &eacute; simplesmente imposs&iacute;vel o fim do processo comunicacional. <\/p>\n<p>Vamos supor que em um munic&iacute;pio hipot&eacute;tico de 10 mil habitantes exista uma emissora comunit&aacute;ria, primeira em audi&ecirc;ncia, gest&atilde;o democr&aacute;tica e grade de programa&ccedil;&atilde;o variada. Suponhamos ainda que, hipoteticamente, das 100 entidades de movimento popular, cultural nativista, associa&ccedil;&otilde;es por interesses espec&iacute;ficos deste lugar, 80 tenham programas na emissora. Ainda no plano do tipo-ideal de radiodifus&atilde;o sob controle popular, suponhamos que esta emissora tenha sempre tr&ecirc;s delegados de cada uma destas entidades por programa, e uma freq&uuml;&ecirc;ncia de ao menos 70 visitantes em m&eacute;dia di&aacute;ria nos est&uacute;dios da r&aacute;dio. <\/p>\n<p>Este tipo-ideal improv&aacute;vel teria um grau de participa&ccedil;&atilde;o enorme. Ainda assim, esta emissora contaria com um total de 240 comunicadores e cerca de 2.100 pessoas transitando pelas instala&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas. Ou seja, a condi&ccedil;&atilde;o assim&eacute;trica continua, ainda que com graus desej&aacute;veis. Isto porque o processo comunicacional, assim como qualquer outra rotina produtiva, incluindo os processos de participa&ccedil;&atilde;o e decis&atilde;o popular, necessitam de especializa&ccedil;&atilde;o e delega&ccedil;&atilde;o coletiva. <\/p>\n<p>Ainda neste sentido, a carga de reprodu&ccedil;&atilde;o conceitual, a difus&atilde;o de mensagens, a cria&ccedil;&atilde;o de fatos-geradores &ndash; como uma palavra de ordem &ndash; passa antes que nada pelos comunicadores desta hipot&eacute;tica e participativa emissora. Compreender, aceitar e posicionar-se nesta assimetria, em nosso ver, &eacute; algo urgente para as emissoras comunit&aacute;rias. N&atilde;o se trata de proclamar algo inexeq&uuml;&iacute;vel, como o fim do processo emissor-receptor, mas como o conceito j&aacute; expressa, a democratiza&ccedil;&atilde;o do direito a informa&ccedil;&atilde;o, comunica&ccedil;&atilde;o e a cultura. Continuando a compara&ccedil;&atilde;o e a refer&ecirc;ncia, Brittos afirma que: <\/p>\n<p><font size=\"2\"><em>Ou seja, o receptor &eacute; um produtor de sentido limitado, n&atilde;o um co-produtor no mesmo n&iacute;vel das ind&uacute;strias culturais, que re&uacute;nem elementos para que suas mensagens partam de um significado previamente proposto embora haja desvios. As op&ccedil;&otilde;es do consumidor costumam ser feitas a partir das proposi&ccedil;&otilde;es do produtor, de forma que a pr&oacute;pria incorpora&ccedil;&atilde;o dos anseios da demanda, pelas firmas de comunica&ccedil;&atilde;o, &eacute; para process&aacute;-los e oferec&ecirc;-los segundo interesses dessas empresas, estando muito presente a l&oacute;gica da oferta.<sup>15<\/sup> <\/p>\n<p><\/em><\/font>Seguindo nas analogias entre os estudos de recep&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria de comunica&ccedil;&atilde;o para com a radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria, reconhece-se que o receptor &eacute; um produtor de sentido limitado. Al&eacute;m disso, este mesmo produtor &eacute; deposit&aacute;rio de mem&oacute;ria ancestral, transferida atrav&eacute;s da oralidade e da socializa&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria. Esta mem&oacute;ria &eacute; permanentemente atacada em sua import&acirc;ncia e dilu&iacute;da no universo de signos gerados pelas ind&uacute;strias de maior escala. Deste modo, a limita&ccedil;&atilde;o do receptor &eacute; compensada por sua caracter&iacute;stica de reprodutor de micro escala. Embora insignificante para os termos comerciais pensados pela m&iacute;dia sob controle de acionistas, esta capacidade de transmiss&atilde;o pelo tecido social &eacute; de extrema relev&acirc;ncia para a difus&atilde;o comunit&aacute;ria. <\/p>\n<p>O tema do poder econ&ocirc;mico tamb&eacute;m entra na analogia dos estudos de recep&ccedil;&atilde;o. O pequeno poder aquisitivo que pouco ou nada &eacute; levado em conta pela ind&uacute;stria da comunica&ccedil;&atilde;o controlada por acionistas, &eacute; uma das bases da radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria. A r&aacute;dio e a produ&ccedil;&atilde;o integrada de audiovisual de baixo custo potencializam os empreendimentos econ&ocirc;micos da regi&atilde;o sob cobertura da emissora. Muitas vezes, uma iniciativa de economia dentro da mais plena informalidade, mas com muitos freq&uuml;entadores de uma regi&atilde;o metropolitana perif&eacute;rica, ganha legitima&ccedil;&atilde;o anunciando em uma r&aacute;dio comunit&aacute;ria. No quesito economia e subordina&ccedil;&atilde;o das ind&uacute;strias de comunica&ccedil;&atilde;o, Brittos aponta que: <\/p>\n<p><font size=\"1\"><em><font size=\"2\">Tem-se claro que as ind&uacute;strias culturais subordinam-se aos capitais em concorr&ecirc;ncia e tamb&eacute;m a fun&ccedil;&otilde;es de manuten&ccedil;&atilde;o do sistema, envolvendo, respectivamente, aspectos restritos do enfrentamento das corpora&ccedil;&otilde;es e tamb&eacute;m da reprodu&ccedil;&atilde;o do capitalismo em sua totalidade.<\/font><\/em><sup><em><font size=\"2\">1<\/font><\/em>6<\/sup> <br \/>\n<\/font><br \/>\nEste ponto da analogia abre um interessante debate. Na maioria dos bairros de capitais, munic&iacute;pios de regi&otilde;es metropolitanas e de cidades p&oacute;lo, existe uma vasta gama de com&eacute;rcio de lanches r&aacute;pidos, assim como de outros servi&ccedil;os. Isto gera uma identidade do territ&oacute;rio<sup>17<\/sup> ancorada na independ&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o aos centros urbanos e as &ldquo;&aacute;reas nobres&rdquo;. Com a grande oferta de com&eacute;rcio e de servi&ccedil;os, o morador que n&atilde;o trabalhe fora daquele per&iacute;metro precisa sair poucas vezes deste local para consumir. Esta caracter&iacute;stica por si s&oacute; aumenta a sociabilidade entre os que convivem dentro de um espa&ccedil;o urbano &agrave; margem dos grandes fluxos de informa&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Considerando o car&aacute;ter preditivo do artigo, consideramos a este aumento da sociabilidade como um valor e vemos a micro economia local como um complemento a um desej&aacute;vel subs&iacute;dio p&uacute;blico para a radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria. Para o refor&ccedil;o no com&eacute;rcio e servi&ccedil;o local, um diferencial pode ser a rela&ccedil;&atilde;o quase org&acirc;nica entre os empreendimentos e as emissoras comunit&aacute;rias. No ramo das artes gr&aacute;ficas, os mapas de bairros e cidades j&aacute; contam com patrocinadores, assim como a lista local de assinantes. Algo semelhante pode ocorrer de forma sistem&aacute;tica com as emissoras comunit&aacute;rias e o audiovisual gerado. Isoladamente os apoiadores culturais j&aacute; est&atilde;o presentes, mas n&atilde;o se trata de uma pr&aacute;tica recorrente voltada para a economia pol&iacute;tica de um munic&iacute;pio ou regi&atilde;o urbana. <\/p>\n<p>Ressaltamos que a vincula&ccedil;&atilde;o com a baixa economia s&oacute; pode se dar de forma independente dos interesses diretos e da mentalidade do comerciante do varejo e de servi&ccedil;os. Do contr&aacute;rio, a norma ser&aacute; o pior dos cen&aacute;rios que hoje se verifica, quando as piores pr&aacute;ticas do radialismo comercial se reproduzem de forma ainda menos qualificada do que nas emissoras sob controle de s&oacute;cios ou acionistas. <\/p>\n<p>&Eacute; &oacute;bvio que a independ&ecirc;ncia editorial est&aacute; al&eacute;m da vontade pol&iacute;tica. Passa pelo posicionamento da radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria como movimento popular, exigindo demandas perante o Estado para financiamento p&uacute;blico perante um servi&ccedil;o de interesse cidad&atilde;o. Como todas as causas e quest&otilde;es nevr&aacute;lgicas no Brasil, esta conquista passa pelo embate e organiza&ccedil;&atilde;o de classe, indo al&eacute;m de grupos do terceiro setor, lobbies e press&otilde;es sobre representantes pol&iacute;ticos profissionais. <\/p>\n<p>O papel do r&aacute;dio e a defesa do direito a transmiss&atilde;o por radiofreq&uuml;&ecirc;ncia t&ecirc;m uma import&acirc;ncia central para o avan&ccedil;o das identidades populares. Este ve&iacute;culo sempre teve o potencial para cumprir este papel, sendo por diversas vezes instrumentalizado por governo e regimes. E mesmo sob estes controles, o que se verificou foi &agrave; manifesta&ccedil;&atilde;o da cultura popular, ainda que emaranhada com o chamado populismo. A professora D&oacute;ris Haussen comparando os governos Vargas e Per&oacute;n destaca que: <\/p>\n<p><em><font size=\"2\">Analisando-se a produ&ccedil;&atilde;o cultural do r&aacute;dio, &agrave; &eacute;poca, alguns fatores chamam a aten&ccedil;&atilde;o. Apesar da cultura &ldquo;oficial&rdquo;, promovida pelos &oacute;rg&atilde;os do governo (peronista), a cultura popular desenvolveu-se independentemente; mesmo dentro da cultura &ldquo;oficial&rdquo; estava presente o cotidiano. Assim que &eacute; quase imposs&iacute;vel querer separar-se em &ldquo;duas&rdquo; culturas, uma &ldquo;nacional\/populista&rdquo; e outra &ldquo;popular&rdquo;.<sup>18<\/sup> <\/p>\n<p><\/font><\/em>Entendo que as narrativas radiof&ocirc;nicas, em seus distintos formatos, longe de ser arcaicos ou antiquados, podem conformar uma das espinhas dorsais de uma produ&ccedil;&atilde;o audiovisual de baixo custo e ocupando o chamado campo nacional-popular. Um conjunto de g&ecirc;neros, tanto do radioteatro, radialismo como do radiojornalismo pode ir tecendo o fio condutor invis&iacute;vel de uma programa&ccedil;&atilde;o radiof&ocirc;nica. As emissoras comunit&aacute;rias estariam assim cumprindo um passo de retomada das produ&ccedil;&otilde;es que a ind&uacute;stria j&aacute; abandonara em fun&ccedil;&atilde;o de interesses mercantis ou da absor&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica de seus produtores. Este processo foi narrado por Haussen no r&aacute;dio AM argentino: <\/p>\n<p><font size=\"2\"><em>O passo seguinte na evolu&ccedil;&atilde;o das radionovelas argentinas foi a retomada dos temas nacionais por novos escritores de radioteatro [&#8230;]. O radioteatro j&aacute; n&atilde;o era s&oacute; da fam&iacute;lia classe m&eacute;dia t&iacute;pica, mas tamb&eacute;m o da fam&iacute;lia dos novos bairros. Neste momento (d&eacute;cada de 40) apareceu a problem&aacute;tica das f&aacute;bricas (do trabalhador).<sup>19<\/sup> <br \/>\n<\/em><\/font><br \/>\nA apresenta&ccedil;&atilde;o de problem&aacute;ticas e situa&ccedil;&otilde;es de tipo povo-cotidiano e a recupera&ccedil;&atilde;o de personagens &eacute; poss&iacute;vel mesmo nos dias que correm, quando a r&aacute;dio via internet e transmiss&atilde;o digital e satelital avan&ccedil;am. Conforme j&aacute; afirmei em outras partes do artigo, em determinados programas de r&aacute;dios comunit&aacute;rias e em algumas emissoras estas produ&ccedil;&otilde;es ocorrem. O que n&atilde;o existe &eacute; um esfor&ccedil;o sistem&aacute;tico e uma teoriza&ccedil;&atilde;o a respeito. Um conjunto de tipos populares, narrativas liter&aacute;rias de v&aacute;rios g&ecirc;neros e formatos, difus&atilde;o de cultura nacional e representa&ccedil;&otilde;es locais, historicidade de bairros, pequenas cidades e micro-regi&otilde;es afastadas das capitais podem gerar o conjunto de produ&ccedil;&otilde;es de signos que conforma uma contra-hegemonia midi&aacute;tica. <\/p>\n<p><strong>Considera&ccedil;&otilde;es conclusivas <br \/>\n<\/strong><br \/>\nGostaria de concluir este curto debate apontado neste artigo com uma intencionalidade e reflex&atilde;o. De todos os setores que defendem a democracia na comunica&ccedil;&atilde;o, &eacute; o das r&aacute;dios comunit&aacute;rias operando atrav&eacute;s do servi&ccedil;o institu&iacute;do com a Lei 9612\/98 o que apresenta a maior capilaridade entre as classes populares. Entendo que n&atilde;o poderia ser diferente. O r&aacute;dio, como um todo, &eacute; o meio de comunica&ccedil;&atilde;o mais difundido e com o maior n&uacute;mero de adeptos. Essa liga&ccedil;&atilde;o at&eacute; sentimental com a m&iacute;dia falada, com a oralidade, incentivou as entidades de base e as classes trabalhadoras a abrir emissoras atrav&eacute;s dos m&eacute;todos conhecidos. Os conflitos internos abundam, e as virtudes tamb&eacute;m. Se a reprodu&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia e do r&aacute;dio convencional &eacute; freq&uuml;ente, tamb&eacute;m &eacute; a desobedi&ecirc;ncia civil e o confronto com a pol&iacute;tica repressiva do Estado. <\/p>\n<p>Mas, tamanha capilaridade e inser&ccedil;&atilde;o, nossa virtude &eacute; da dimens&atilde;o da dificuldade enfrentada para organizar o setor, que dir&aacute; formar uma contra-hegemonia midi&aacute;tica. Isto porque, embora populares, as r&aacute;dios comunit&aacute;rias ainda est&atilde;o longe de serem ferramentas de liberta&ccedil;&atilde;o popular. Falta um modelo e um marco te&oacute;rico a ser perseguido com afinco. Com a organiza&ccedil;&atilde;o modelar de 10% das associa&ccedil;&otilde;es de comunica&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;rias controladoras de r&aacute;dios outorgadas j&aacute; haveria uma enorme rede de r&aacute;dios e a massa cr&iacute;tica necess&aacute;ria para conformar as bases de um movimento. <\/p>\n<p>A organiza&ccedil;&atilde;o destas emissoras do povo j&aacute; seria uma grande contribui&ccedil;&atilde;o para a democracia da comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil, inclu&iacute;da esta luta dentro do perfil de movimento popular. A tarefa da busca por um modelo de emissora e um marco te&oacute;rico adequado &eacute; t&atilde;o urgente quanto o debate sobre o Sistema IBOC de r&aacute;dio digital, o necess&aacute;rio financiamento p&uacute;blico e o novo marco regulat&oacute;rio. <\/p>\n<p>A comunica&ccedil;&atilde;o social sem d&uacute;vida &eacute; a portadora e difusora de ideologia. A id&eacute;ia de sujeito(s) coletivo(s) passa pela mediatiza&ccedil;&atilde;o exercida sobre as classes populares pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o comerciais e monop&oacute;licos. Como formar este conjunto de id&eacute;ias de forma compreens&iacute;vel &eacute; outro desafio. A linguagem &eacute; portadora da carga conceitual. Sem ela, n&atilde;o h&aacute; possibilidade de gerar informa&ccedil;&atilde;o, comunica&ccedil;&atilde;o e cultura entre semelhantes. A busca por linguagens que expresse o potencial de realiza&ccedil;&atilde;o que resulte na cria&ccedil;&atilde;o de um Poder Popular &eacute; um dos marcos de atua&ccedil;&atilde;o, tanto das pesquisas acad&ecirc;micas orientadas para esse prop&oacute;sito, como do movimento popular da radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria brasileira.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n<p>1 BRASIL. Lei n&ordm; 9.612, de 19 de fevereiro de 1998. Institui o Servi&ccedil;o de Radiodifus&atilde;o Comunit&aacute;ria e d&aacute; outras provid&ecirc;ncias. Casa Civil: Subchefia para Assuntos Jur&iacute;dicos. Dispon&iacute;vel em: &lt;www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/LEIS\/L9612.htm&gt;. Acesso em: 11 de abr. de 2008.&nbsp;<\/p>\n<p>2 F&Oacute;RUM NACIONAL PELA DEMOCRATIZA&Ccedil;&Atilde;O DA COMUNICA&Ccedil;&Atilde;O. Quem Somos. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/www.fndc.org.br\/internas.php?p=internas&amp;lay_key=5&amp;cont_key=9&gt;. Acesso em: 7 abr. 2008.&nbsp;<\/p>\n<p>3 BRASIL. Emenda Constitucional n&ordm; 53, de 19 de dezembro de 2006. Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Federativa do Brasil. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/www.ancine.gov.br\/media\/Constituicao_Federal_EC53.pdf&gt;. Acesso em: 5 abr. 2008.&nbsp;<\/p>\n<p>4 F&Oacute;RUM NACIONAL PELA DEMOCRATIZA&Ccedil;&Atilde;O DA COMUNICA&Ccedil;&Atilde;O. Donos da M&iacute;dia. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/www.fndc.org.br\/arquivos\/donosdamidia.pdf&gt;. Acesso em: 6 abr. 2008.&nbsp;<\/p>\n<p>5 BRASIL. Lei 4.504\/1964, de 30 de novembro de 1964. Base da Legisla&ccedil;&atilde;o Federal do Brasil. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/legislacao.planalto.gov.br\/legisla\/legislacao.nsf\/Viw_Identificacao\/lei%204.5041964?OpenDocument&amp;AutoFramed&gt;. Acesso em: 31 mar. 2008.&nbsp;<\/p>\n<p>6 PELO direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o. Rio M&iacute;dia, Rio de Janeiro. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/www.multirio.rj.gov.br\/portal\/riomidia\/rm_entrevista_conteudo.asp?idioma=1&amp;idMenu=4&amp;label=Entrevistas&amp;v_nome_area=Entrevistas&amp;v_id_conteudo=67556&gt;. Acesso em: 6 abr. 2008.&nbsp;<\/p>\n<p>7 EXECUTIVA NACIONAL DOS ESTUDANTES DE COMUNICA&Ccedil;&Atilde;O SOCIAL. Hist&oacute;rico. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/www.enecos.org.br\/historia.htm&gt;. Acesso em: 4 abr. 2008.&nbsp;<\/p>\n<p>8 FEDERA&Ccedil;&Atilde;O NACIONAL DOS JORNALISTAS. Luta Fenaj. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/www.lutafenaj.com.br\/manifesto.htm&gt;. Acesso em: 30 mar. 2008.&nbsp;<\/p>\n<p>9 DETONI, M&aacute;rcia. Desenvolvimento da R&aacute;dio Difus&atilde;o. Blog da Bia, Porto Alegre, 22 set. 2005. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/biadornelles.blogspot.com\/2005\/09\/desenvolvimento-da-radiodifuso_22.html&gt;. Acesso em: 27 mar. 2008. <\/p>\n<p>10 REFORMA Pol&iacute;tica precisa democratizar a Comunica&ccedil;&atilde;o. Ciranda International de l&rsquo;information ind&eacute;pendente. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/www.ciranda.net\/spip\/article1211.html?lang=fr&gt;. Acesso em: 31 mar. 2008. <\/p>\n<p>11 MORAES, D&ecirc;nis de. M&iacute;dia e Ind&uacute;strias Culturais na Am&eacute;rica Latina: concentra&ccedil;&atilde;o e luta pela diversidade. In: GOMES, Pedro Gilberto; BRITTOS, Val&eacute;rio Cruz (Orgs.). Comunica&ccedil;&atilde;o e Governabilidade na Am&eacute;rica Latina. S&atilde;o Leopoldo: Unisinos, 2008. p. 89-104. p. 90. <\/p>\n<p>12 MORAES, D&ecirc;nis de, op. cit., p. 91. <\/p>\n<p>13 MORAES, D&ecirc;nis de, op. cit., p. 91.<\/p>\n<p>14 BRITTOS, Val&eacute;rio Cruz. A Economia Pol&iacute;tica da Comunica&ccedil;&atilde;o e o papel do receptor. Conex&atilde;o: Comunica&ccedil;&atilde;o e Cultura, Caxias do Sul, v. 2, n. 4, jul.-dez. 2003. p. 68-69. <\/p>\n<p>15 BRITTOS, Val&eacute;rio Cruz, op. cit., p. 69. <\/p>\n<p>16 Ibid., p. 78. <\/p>\n<p>17 Para um bom debate dos conceitos de territorializa&ccedil;&atilde;o e vida econ&ocirc;mica local, ver SILVA, Jo&atilde;o Gabriel Monteiro e. A Segrega&ccedil;&atilde;o Residencial em Rio das Pedras. Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado em do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Planejamento Urbano e Regional do IPPUR\/UFRJ; Rio de Janeiro, UFRJ, 2006. <\/p>\n<p>18 HAUSSEN, Doris Fagundes. R&aacute;dio e Pol&iacute;tica: tempos de Vargas e Per&oacute;n. Porto Alegre: PUCRS\/Famecos, 2001. p. 130.&nbsp;<\/p>\n<p>19 HAUSSEN, Doris Fagundes, op. cit., p. 96. <\/p>\n<p>\n<strong><em>Refer&ecirc;ncias<\/em><\/strong>&nbsp; <\/p>\n<p>BRASIL. Emenda Constitucional n&ordm; 53, de 19 de dezembro de 2006. Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Federativa do Brasil. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/www.ancine.gov.br\/media\/Constituicao_Federal_EC53.pdf&gt;. Acesso em: 5 abr. 2008. <\/p>\n<p>BRASIL. Lei 4.504\/1964, de 30 de novembro de 1964. Base da Legisla&ccedil;&atilde;o Federal do Brasil. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/legislacao.planalto.gov.br\/legisla\/legislacao.nsf\/Viw_Identificacao\/lei%204.5041964?OpenDocument&amp;AutoFramed&gt;. Acesso em: 31 mar. 2008. <\/p>\n<p>BRASIL. Lei n&ordm; 9.612, de 19 de fevereiro de 1998. Institui o Servi&ccedil;o de Radiodifus&atilde;o Comunit&aacute;ria e d&aacute; outras provid&ecirc;ncias. Casa Civil: Subchefia para Assuntos Jur&iacute;dicos. Dispon&iacute;vel em: &lt; www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/LEIS\/L9612.htm&gt;. Acesso em: 11 de abr. de 2008. <\/p>\n<p>BRITTOS, Val&eacute;rio Cruz. A Economia Pol&iacute;tica da Comunica&ccedil;&atilde;o e o papel do receptor. Conex&atilde;o: Comunica&ccedil;&atilde;o e Cultura, Caxias do Sul, v. 2, n. 4, jul.-dez. 2003. <\/p>\n<p>CONTROLE e disputa pela democracia na comunica&ccedil;&atilde;o social. Abra&ccedil;o. Porto Alegre, 2008. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/www.abracors.org.br\/Imagens\/informativo_arquivos\/Controle_disputa_pela_democracia_na_comunicacao_social_redeabraco.doc&gt;. Acesso em: 9 abr. 2008. <br \/>\nDETONI, M&aacute;rcia. Desenvolvimento da R&aacute;dio Difus&atilde;o. Blog da Bia, Porto Alegre, 22 set. 2005. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/biadornelles.blogspot.com\/2005\/09\/desenvolvimento-da-radiodifuso_22.html&gt;. Acesso em: 27 mar. 2008. <\/p>\n<p>EXECUTIVA NACIONAL DOS ESTUDANTES DE COMUNICA&Ccedil;&Atilde;O SOCIAL. Hist&oacute;rico. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/www.enecos.org.br\/historia.htm&gt;. Acesso em: 4 abr. 2008. <\/p>\n<p>FEDERA&Ccedil;&Atilde;O NACIONAL DOS JORNALISTAS. Luta Fenaj. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/www.lutafenaj.com.br\/manifesto.htm&gt;. Acesso em: 30 mar. 2008. <\/p>\n<p>F&Oacute;RUM NACIONAL PELA DEMOCRATIZA&Ccedil;&Atilde;O DA COMUNICA&Ccedil;&Atilde;O. Donos da M&iacute;dia. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/www.fndc.org.br\/arquivos\/donosdamidia.pdf&gt;. Acesso em: 6 abr. 2008. <br \/>\nF&Oacute;RUM NACIONAL PELA DEMOCRATIZA&Ccedil;&Atilde;O DA COMUNICA&Ccedil;&Atilde;O. Quem Somos. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/www.fndc.org.br\/internas.php?p=internas&amp;lay_key=5&amp;cont_key=9&gt;. Acesso em: 7 abr. 2008. <\/p>\n<p>HAUSSEN, Doris Fagundes. R&aacute;dio e Pol&iacute;tica: tempos de Vargas e Per&oacute;n. Porto Alegre: PUCRS\/Famecos, 2001. <\/p>\n<p>MORAES, D&ecirc;nis de. M&iacute;dia e Ind&uacute;strias Culturais na Am&eacute;rica Latina: concentra&ccedil;&atilde;o e luta pela diversidade. In: GOMES, Pedro Gilberto; BRITTOS, Val&eacute;rio Cruz (Orgs.). Comunica&ccedil;&atilde;o e Governabilidade na Am&eacute;rica Latina. S&atilde;o Leopoldo: Unisinos, 2008. p. 89-104. <\/p>\n<p>PELO direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o. Rio M&iacute;dia, Rio de Janeiro. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/www.multirio.rj.gov.br\/portal\/riomidia\/rm_entrevista_conteudo.asp?idioma=1&amp;idMenu=4&amp;label=Entrevistas&amp;v_nome_area=Entrevistas&amp;v_id_conteudo=67556&gt;. Acesso em: 6 abr. 2008. <\/p>\n<p>REFORMA Pol&iacute;tica precisa democratizar a Comunica&ccedil;&atilde;o. Ciranda International de l&rsquo;information ind&eacute;pendente. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/www.ciranda.net\/spip\/article1211.html?lang=fr&gt;. Acesso em: 31 mar. 2008. <\/p>\n<p>SILVA, Jo&atilde;o Gabriel Monteiro e. A Segrega&ccedil;&atilde;o Residencial em Rio das Pedras. <br \/>\nDisserta&ccedil;&atilde;o de mestrado em do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Planejamento Urbano e Regional do IPPUR\/UFRJ; Rio de Janeiro, UFRJ, 2006<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A partir da Lei 9612\/98, o que era quase fora de controle na radiodifus\u00e3o comunit\u00e1ria se torna totalmente fora de controle, tanto do Estado como das for\u00e7as sociais organizadas. A resposta do Estado representado pelos governos de turno \u00e9 fechar pelo m\u00ednimo uma r\u00e1dio por dia. 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