{"id":1354,"date":"2010-12-06T20:50:54","date_gmt":"2010-12-06T20:50:54","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1354"},"modified":"2010-12-06T20:50:54","modified_gmt":"2010-12-06T20:50:54","slug":"07-de-dezembro-de-2010-coluna-semanal-de-amy-goodman","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1354","title":{"rendered":"07 de Dezembro de 2010 \u2013 coluna semanal de Amy Goodman"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Julian-Assange-US-embassy-005.jpg\" title=\"No mundo da globaliza\u00e7\u00e3o corporativa, o criminoso \u00e9 quem pratica o ato justo. Julian Assange, editor e fundador do WikiLeaks, de ca\u00e7ador de segredos inconfessos oriundos dos n\u00facleos mais s\u00f3rdidos do poder planet\u00e1rio, torna-se ca\u00e7a atrav\u00e9s de um alerta vermelho dado pela Interpol contra a sua pessoa. Quem supor esta virada como arma\u00e7\u00e3o do Departamento de Estado do Imp\u00e9rio, estar\u00e1 muito perto da verdade a ser revelada.  - Foto:The one click group \" alt=\"No mundo da globaliza\u00e7\u00e3o corporativa, o criminoso \u00e9 quem pratica o ato justo. Julian Assange, editor e fundador do WikiLeaks, de ca\u00e7ador de segredos inconfessos oriundos dos n\u00facleos mais s\u00f3rdidos do poder planet\u00e1rio, torna-se ca\u00e7a atrav\u00e9s de um alerta vermelho dado pela Interpol contra a sua pessoa. Quem supor esta virada como arma\u00e7\u00e3o do Departamento de Estado do Imp\u00e9rio, estar\u00e1 muito perto da verdade a ser revelada.  - Foto:The one click group \" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">No mundo da globaliza\u00e7\u00e3o corporativa, o criminoso \u00e9 quem pratica o ato justo. Julian Assange, editor e fundador do WikiLeaks, de ca\u00e7ador de segredos inconfessos oriundos dos n\u00facleos mais s\u00f3rdidos do poder planet\u00e1rio, torna-se ca\u00e7a atrav\u00e9s de um alerta vermelho dado pela Interpol contra a sua pessoa. Quem supor esta virada como arma\u00e7\u00e3o do Departamento de Estado do Imp\u00e9rio, estar\u00e1 muito perto da verdade a ser revelada. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:The one click group <\/small><\/figure>\n<p><strong>WikiLeaks e o fim da &ldquo;diplomacia&rdquo; estadunidense <\/p>\n<p><\/strong>Uma vez mais WikiLeaks tem publicado uma enorme quantidade de documentos. Desta vez, trata-se de correspond&ecirc;ncia diplom&aacute;tica do Departamento de Estado estadunidense. O site de revela&ccedil;&atilde;o de dados secretos anunciou que publicar&aacute; gradualmente mais de duzentos e cinq&uuml;enta mil documentos durante os pr&oacute;ximos meses. Desta maneira, os documentos poder&atilde;o ser analisados e receber a aten&ccedil;&atilde;o que merecem. Os &ldquo;cabos&rdquo; s&atilde;o comunica&ccedil;&otilde;es internas escritas entre embaixadas dos Estados Unidos de todo mundo e tamb&eacute;m com o Departamento de Estado (correspond&ecirc;ncia diplom&aacute;tica interna). WikiLeaks fala do vazamento como &ldquo;o maior conjunto de documentos confidenciais que jamais se tenham dado a conhecer, que proporcionam uma vis&atilde;o sem precedentes das atividades no exterior do governo estadunidense.&rdquo;<\/p>\n<p>Os cr&iacute;ticos sustentam, assim como fizeram quando vazaram documentos secretos referidos a Iraque e Afeganist&atilde;o, que ter&aacute; v&iacute;timas fatais como resultado destas vazamentos. No entanto, se poderia, em realidade, salvar vidas, dado que a forma em que os Estados Unidos fazem diplomacia se encontra mais exposta que nunca &ndash; bem como a aparente facilidade com a qual o governo dos Estados Unidos cumpre (ou n&atilde;o) com o dito do jornalista pioneiro I.F. Stone: &ldquo;Os governos mentem.&rdquo; <\/p>\n<p>Observemos o caso de Khaled O-Masri. O-Masri foi seq&uuml;estrado na Maced&ocirc;nia no marco do chamado &quot;programa de rendi&ccedil;&atilde;o extraordin&aacute;ria&quot; da CIA, por meio do qual o governo dos Estados Unidos seq&uuml;estra pessoas em qualquer parte do mundo e a entrega secretamente a um terceiro pa&iacute;s, onde possam ser objeto de torturas. Khaled O-Masri conta o que lhe sucedeu: &ldquo;Levaram-me a uma habita&ccedil;&atilde;o, estava algemado e me vendaram os olhos. Quando a porta se fechou, fui golpeado em todas as partes do corpo. Ent&atilde;o fui humilhado. Pude ouvir que tiravam fotos durante o processo de tortura, quando j&aacute; estava completamente nu. Depois amarraram as minhas m&atilde;os atr&aacute;s das costas, puseram-me correntes nos tornozelos e um saco pl&aacute;stico na cabe&ccedil;a. Depois fui atirado brutalmente em um avi&atilde;o e no aeroporto me jogaram no ch&atilde;o. Quando acordei, estava no Afeganist&atilde;o. Sacaram-me brutalmente do avi&atilde;o e puseram-me no porta-malas de um autom&oacute;vel.&rdquo; <\/p>\n<p>Khaled O-Masri esteve prisioneiro e foi torturado em um c&aacute;rcere secreto no Afeganist&atilde;o durante meses at&eacute; que a CIA o deixou abandonado em uma estrada deserta da Alb&acirc;nia. Isto aconteceu apesar de que a CIA sabia j&aacute; de algum tempo que tinha seq&uuml;estrado ao homem equivocado. O-Masri, cidad&atilde;o alem&atilde;o, tentou que se fizesse justi&ccedil;a nos tribunais alem&atilde;es e tudo indicava que treze agentes da CIA enfrentariam processos. Nesse momento interveio a embaixada dos Estados Unidos em Berlim e realizou, segundo um dos cabos diplom&aacute;ticos, a seguinte amea&ccedil;a: &ldquo;a emiss&atilde;o de ordens de captura internacional teria um impacto negativo nas rela&ccedil;&otilde;es bilaterais.&rdquo; Nunca se apresentaram den&uacute;ncias na Alemanha, o que sugere que a amea&ccedil;a diplom&aacute;tica funcionou. Mesmo assim, os treze agentes enfrentam ainda den&uacute;ncias legais e processos na Espanha, onde os promotores gozam de um pouco mais de liberdade com respeito &agrave;s press&otilde;es pol&iacute;ticas. <\/p>\n<p>Ou ao menos nisso acredit&aacute;vamos. De fato, a Espanha tamb&eacute;m se destaca nos documentos vazados. Entre os cabos-diplom&aacute;ticos, h&aacute; um datado de 14 de maio de 2007 escrito por Eduardo Aguirre, um banqueiro cubano-estadunidense conservador que fora nomeado embaixador em Espanha por George W. Bush. Na correspond&ecirc;ncia, Aguirre escreveu: &ldquo;Para n&oacute;s, ter&aacute; conseq&uuml;&ecirc;ncias importantes que se continue propondo o caso Couso, pelo qual tr&ecirc;s soldados estadunidenses enfrentam den&uacute;ncias em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; morte do c&acirc;mara espanhol Jos&eacute; Couso, ocorrida durante a batalha por Bagd&aacute; em 2003.&rdquo; <\/p>\n<p>Couso era um jovem operador c&acirc;mara da corrente espanhola de televis&atilde;o Telecinco que estava filmando da sacada da varanda do Hotel Palestina em Bagd&aacute;, no dia 8 de abril de 2003, quando um tanque do ex&eacute;rcito estadunidense disparou sobre o hotel, onde estavam alojados principalmente jornalistas, causando a morte a Couso e a um da ag&ecirc;ncia de not&iacute;cias Reuters. O Embaixador Aguirre tentava invalidar o julgamento iniciado pela fam&iacute;lia Couso na Espanha. <\/p>\n<p>O irm&atilde;o de Jos&eacute; Couso, Javier Couso, iniciou o processo judicial em nome de seu irm&atilde;o Jos&eacute;, e o fez em conjunto com a sua m&atilde;e. Ainda que um tribunal espanhol tenha reaberto a causa recentemente, Javier Couso reagiu ante o cabo-diplom&aacute;tico vazado nestes dias pelo WikiLeaks e disse: &ldquo;N&oacute;s estamos em primeiro lugar indignados e horrorizados; horrorizados porque n&atilde;o podemos achar que o governo de meu pa&iacute;s e a promotoria atuem conspirando com um governo estrangeiro para impedir a investiga&ccedil;&atilde;o do que lhe passou a um cidad&atilde;o espanhol; e indignados porque mentiram-nos continuamente, nos reunimos com todas essas pessoas do governo e da promotoria e eles diziam que n&atilde;o iam a obstaculizar o caso.&rdquo; <\/p>\n<p>Ademais, o embaixador estadunidense pressionou ao governo espanhol para que desistisse de realizar um julgamento, que abriria precedente, contra o ex-Secret&aacute;rio de Defesa Donald Rumsfeld e outros servidores p&uacute;blicos do governo de Bush. No mesmo memorando Aguirre escreve: &ldquo;O Vice Ministro de Justi&ccedil;a disse tamb&eacute;m que o governo espanhol se op&otilde;e firmemente &agrave; acusa&ccedil;&atilde;o apresentada contra o ex Ministro Rumsfeld e tratar&aacute; de que seja desestimada. O juiz que &eacute; titular na causa nos disse que tem iniciado j&aacute; os procedimentos para desestimar o caso.&rdquo; <\/p>\n<p>Estas revela&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m convulsionado ao governo de Espanha, j&aacute; que os cabos-diplom&aacute;ticos mostram claramente as tentativas dos Estados Unidos para incidir no sistema de justi&ccedil;a desse pa&iacute;s. <\/p>\n<p>H&aacute; v&aacute;rios anos, o Embaixador Aguirre declarou ao jornal espanhol O Pa&iacute;s: &ldquo;Sou o bombeiro de George Bush, vou resolver todos os problemas que George ponha em minhas m&atilde;os.&rdquo; <\/p>\n<p>Em outra s&eacute;rie de cabos-diplom&aacute;ticos, o Departamento de Estado dos Estados Unidos ordena a seu pessoal das Na&ccedil;&otilde;es Unidas e do resto do mundo que espionem a servidores p&uacute;blicos governamentais, e incrivelmente, tamb&eacute;m d&aacute; instru&ccedil;&otilde;es de que consigam informa&ccedil;&atilde;o biom&eacute;trica dos diplomatas. O cabo-diplom&aacute;tico diz textualmente: &ldquo;Os dados devem incluir endere&ccedil;os de correio eletr&ocirc;nico, n&uacute;meros de telefone e fax, impress&otilde;es digitais, imagens faciais, escaneio de &iacute;ris e de DNA.&rdquo; <\/p>\n<p>WikiLeaks segue associada a um grupo de meios de comunica&ccedil;&atilde;o de todo mundo: o jornal ingl&ecirc;s The Guardian; El Pa&iacute;s, da Espanha; o New York Times; a revista alem&atilde; Der Spiegel e o jornal franc&ecirc;s Le Monde. David Leigh, editor de investiga&ccedil;&otilde;es do jornal The Guardian me disse: &ldquo;Esta s&eacute;rie de revela&ccedil;&otilde;es n&atilde;o acabou ainda. Desde o jornal The Guardian e outras cadeias de not&iacute;cias do mundo iremos fazendo revela&ccedil;&otilde;es, a partir de agora e dia a dia, possivelmente durante toda a semana pr&oacute;xima e qui&ccedil;&aacute; mais. Pelo qual, ainda n&atilde;o temos visto nada.&rdquo; Restam ainda mais de 250 mil cabos-diplom&aacute;ticos que ainda n&atilde;o vieram a ser conhecidos publicamente. <\/p>\n<p>Faz quarenta anos, Noam Chomsky, reconhecido analista pol&iacute;tico e ling&uuml;ista, professor do Instituto Tecnol&oacute;gico de Massachusetts (MIT), ajudou a Daniel Ellsberg, o primeiro informante dos Estados Unidos, a revelar os Documentos do Pent&aacute;gono. Perguntei-lhe a Chomsky a respeito das correspond&ecirc;ncias diplom&aacute;ticas recentemente publicados por WikiLeaks e ele me respondeu: &ldquo;A principal import&acirc;ncia dos cabos-diplom&aacute;ticos que t&ecirc;m sido publicados at&eacute; agora radica no que nos dizem sobre a lideran&ccedil;a ocidental. O que revelam &eacute; um profundo &oacute;dio &agrave; democracia.&rdquo; <\/p>\n<p>&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&ndash; <\/p>\n<p>Denis Moynihan colaborou na produ&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica desta coluna. <\/p>\n<p>&copy; 2010 Amy Goodman <br \/>\nTexto traduzido da vers&atilde;o em castelhano e revisado do original em ingl&ecirc;s por <a href=\"mailto:bruno.estrategiaeanalise@gmail.com\">Bruno Lima Rocha<\/a>; originalmente publicado em portugu&ecirc;s em <a href=\"http:\/\/www.estrategiaeanalise.com.br\">Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise<\/a>. &Eacute; livre a reprodu&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do desde que citando a fonte. <\/p>\n<p>Amy Goodman &eacute; a &acirc;ncora de <a href=\"http:\/\/www.democracynow.org\">Democracy Now!<\/a>, um notici&aacute;rio internacional transmitido diariamente em mais de 550 emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o em ingl&ecirc;s e em mais de 250 em espanhol. &Eacute; co-autora do livro &quot;Os que lutam contra o sistema: Her&oacute;is ordin&aacute;rios em tempos extraordin&aacute;rios nos Estados Unidos&quot;, editado por Le Monde Diplomatique Cono Sur.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No mundo da globaliza\u00e7\u00e3o corporativa, o criminoso \u00e9 quem pratica o ato justo. 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