{"id":1355,"date":"2010-12-07T16:53:03","date_gmt":"2010-12-07T16:53:03","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1355"},"modified":"2010-12-07T16:53:03","modified_gmt":"2010-12-07T16:53:03","slug":"perguntas-sem-respostas-para-a-acao-belica-no-rio-de-janeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1355","title":{"rendered":"Perguntas sem respostas para a a\u00e7\u00e3o b\u00e9lica no Rio de Janeiro"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/COMBOI~1.JPG\" title=\"O comboio do ex\u00e9rcito de Caxias e Os\u00f3rio adentra na favela. Ambientados com a ocupa\u00e7\u00e3o \u201chumanit\u00e1ria\u201d do Haiti, a Brigada P\u00e1ra-quedista aplica o que desenvolvera no pr\u00f3prio pa\u00eds. Abre-se um perigoso precedente, ainda mais para uma regi\u00e3o metropolitana como a do Rio, recheada de quart\u00e9is fornecendo m\u00e3o de obra excedente e especializada para o varejo do crime em sua modalidade violenta.   - Foto:reidacocadapreta\" alt=\"O comboio do ex\u00e9rcito de Caxias e Os\u00f3rio adentra na favela. Ambientados com a ocupa\u00e7\u00e3o \u201chumanit\u00e1ria\u201d do Haiti, a Brigada P\u00e1ra-quedista aplica o que desenvolvera no pr\u00f3prio pa\u00eds. Abre-se um perigoso precedente, ainda mais para uma regi\u00e3o metropolitana como a do Rio, recheada de quart\u00e9is fornecendo m\u00e3o de obra excedente e especializada para o varejo do crime em sua modalidade violenta.   - Foto:reidacocadapreta\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">O comboio do ex\u00e9rcito de Caxias e Os\u00f3rio adentra na favela. Ambientados com a ocupa\u00e7\u00e3o \u201chumanit\u00e1ria\u201d do Haiti, a Brigada P\u00e1ra-quedista aplica o que desenvolvera no pr\u00f3prio pa\u00eds. Abre-se um perigoso precedente, ainda mais para uma regi\u00e3o metropolitana como a do Rio, recheada de quart\u00e9is fornecendo m\u00e3o de obra excedente e especializada para o varejo do crime em sua modalidade violenta.  <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:reidacocadapreta<\/small><\/figure>\n<p>03 de dezembro de 2010 &ndash; da Vila Setembrina de farrapos iludidos por latifundi&aacute;rios escravagistas, <em>Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p><\/em><strong>Introdu&ccedil;&atilde;o <\/p>\n<p><\/strong>Neste question&aacute;rio em formato de artigo para a internet, abordamos algumas perguntas (ainda) sem respostas (e que n&atilde;o sei se as mesmas chegar&atilde;o &agrave; tona) para o conflito e o acionar b&eacute;lico no Rioocupa&ccedil;&atilde;o policial com emprego militar de guerra de baixa intensidade e contando com apoio direto de tropas profissionais das for&ccedil;as armadas. O primeiro trata justamente da aprova&ccedil;&atilde;o ou n&atilde;o do acionar b&eacute;lico e a percep&ccedil;&atilde;o de normalidade e rotina. Este apoio passa, no meu entender, pelas formas de perceber o mal estar de uma cidade que convive cinicamente com poderes paralelos: narcotr&aacute;fico; jogo do bicho; mil&iacute;cias paramilitares; tudo isso alimentado pela corrup&ccedil;&atilde;o end&ecirc;mica nas for&ccedil;as policiais. Uma percep&ccedil;&atilde;o tende a apoiar o ato, pois surge da permanente inseguran&ccedil;a f&iacute;sica e patrimonial, estando pass&iacute;vel de ser assaltado ou at&eacute; v&iacute;tima de latroc&iacute;nio, qualquer cidad&atilde;o (mesmo que menor de idade) possuidor do m&iacute;nimo de bens, ou que por desgra&ccedil;a esteja presente numa ocasi&atilde;o de alto risco, como nos arrast&otilde;es de autom&oacute;veis ou em falsas batidas policiais.<\/p>\n<p>J&aacute; a outra forma, esta adv&eacute;m do lugar de moradia e do exerc&iacute;cio dos direitos. Para esta gente, que se somada ao caldo de cultura dos cariocas e dos fluminenses da Regi&atilde;o Metropolitana do Rio terminam por conformar a maioria, as pol&iacute;cias em geral e a PM em particular, s&atilde;o vistas com muita desconfian&ccedil;a. &Eacute; como se uma certeza fosse impl&iacute;cita: &ldquo;da bandidagem de bermuda, chinelo e radinho a gente sabe o que esperar, j&aacute; da banda podre, &eacute; sempre uma horr&iacute;vel surpresa&rdquo;. Diante desse inferno para as vias da institucionaliza&ccedil;&atilde;o das regras da democracia representativa, quando a exce&ccedil;&atilde;o faz a regra da conduta do Estado (cujo tipo ideal atenderia a todos e todas sem exce&ccedil;&atilde;o e com eq&uuml;idade), &eacute; muito dif&iacute;cil assegurar lealdade e n&atilde;o a sa&iacute;da, ou ao menos a tenta&ccedil;&atilde;o da sa&iacute;da, por parte das popula&ccedil;&otilde;es marginalizadas a partir do abandono (literal!) vindo dos poderes de fato, privados e estatais. <\/p>\n<p>Diante disso, ouso aportar algumas perguntas, na forma de question&aacute;rio ou de roteiro de inqu&eacute;rito ou pesquisa, diante dos temas n&atilde;o solucionados a partir da pirotecnia midi&aacute;tica, promovendo a guerra brasileira que as &ldquo;autoridades&rdquo; sempre desejavam. Eis as perguntas. <\/p>\n<p>\nDe uma hora para outra, a pol&iacute;cia que era endemicamente corrupta deixou de s&ecirc;-lo? <\/p>\n<p>Se deixou de ser corrupta, isso implica que parou o arrego, a mesada e a semanada, quando as patrulhas e guarni&ccedil;&otilde;es de batalh&otilde;es tiravam seu caixinha regular do varejo do tr&aacute;fico? <\/p>\n<p>Existe ou n&atilde;o alian&ccedil;a entre as Mil&iacute;cias? Os paramilitares t&ecirc;m uma estrutura de coordena&ccedil;&atilde;o para al&eacute;m das entranhas do aparelho de seguran&ccedil;a? Existe algo como a Banca do Bicho, ou a &ldquo;federa&ccedil;&atilde;o&rdquo; do Comando Vermelho; uma inst&acirc;ncia de coordena&ccedil;&atilde;o e comando entre associados e concorrentes nas atividades il&iacute;citas? <\/p>\n<p>As Mil&iacute;cias contam ou n&atilde;o com o respaldo c&iacute;nico ou, ao menos sem a fiscaliza&ccedil;&atilde;o adequada, do alto-comando das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a? Se n&atilde;o contam com algum tipo de apoio ou de toler&acirc;ncia, porque n&atilde;o s&atilde;o alvo de persegui&ccedil;&atilde;o, a&ccedil;&atilde;o b&eacute;lica ou desmonte sistem&aacute;tico como est&aacute; ocorrendo com a fac&ccedil;&atilde;o hegem&ocirc;nica do varejo do narcotr&aacute;fico? <\/p>\n<p>As suspeitas de haver uma alian&ccedil;a entre as Mil&iacute;cias, ou ao menos uma fac&ccedil;&atilde;o destas m&aacute;fias, em coordena&ccedil;&atilde;o com as fac&ccedil;&otilde;es minorit&aacute;rias e aliadas do narcotr&aacute;fico, procede? O Comando Vermelho viu-se diante da perda da hegemonia no varejo das drogas il&iacute;citas e controle territorial diante de tr&ecirc;s fatores complementares: &#8211; a ocupa&ccedil;&atilde;o territorial do Estado atrav&eacute;s das chamadas Unidades de Pol&iacute;cia Pacificadoras (UPPs); &#8211; a alian&ccedil;a entre as fac&ccedil;&otilde;es rivais ao CV, a saber, Amigos dos Amigos (ADA) e Terceiro Comando (TC) junto &agrave;s Mil&iacute;cias, ou ao menos a uma fac&ccedil;&atilde;o destas Mil&iacute;cias; &#8211; a expans&atilde;o das Mil&iacute;cias em si, incluindo sua entrada no varejo do tr&aacute;fico (ou a manuten&ccedil;&atilde;o deste com&eacute;rcio, agora cobrando um imposto sobre as quadrilhas que fazem o varejo da droga). <\/p>\n<p>A mudan&ccedil;a na geopol&iacute;tica do crime no Rio tem ou n&atilde;o rela&ccedil;&atilde;o com o acionar b&eacute;lico do governo do estado contando com o apoio da Uni&atilde;o? Ou seja, o avan&ccedil;o para a tomada da Vila Cruzeiro, ap&oacute;s o Complexo do Alem&atilde;o, foi motivado pela onda de atentados contra carros e &ocirc;nibus ou esta motiva&ccedil;&atilde;o foi o &ldquo;inc&ecirc;ndio do Reichstag&rdquo;, servindo de pretexto para promover a avan&ccedil;ada militar, aproveitando inclusive a vit&oacute;ria eleitoral no primeiro turno? <\/p>\n<p>J&aacute; do lado do CV, se a fac&ccedil;&atilde;o queria provocar um acordo e garantir um lugar nessa nova geopol&iacute;tica do crime (estou admitindo este ponto de vista como v&aacute;lido), porque n&atilde;o iniciou os ataques sintom&aacute;ticos e fez saber de sua decis&atilde;o durante a campanha eleitoral? Se n&atilde;o o fez, ser&aacute; que o CV tinha a esperan&ccedil;a de que a vit&oacute;ria da oposi&ccedil;&atilde;o estadual (alian&ccedil;a de PV e PSDB com Fernando Gabeira &agrave; frente) fosse instalar uma nova pol&iacute;tica de seguran&ccedil;a, recuando da decis&atilde;o das UPPs? <\/p>\n<p>Observa&ccedil;&atilde;o: Entendo que aqueles preocupados com a legitima&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia oficial e da limpeza da sociedade urbana em fun&ccedil;&atilde;o de Copa do Mundo e Olimp&iacute;adas, devem todos colaborar para furar o bloqueio da censura oficial e tamb&eacute;m aquela mais perigosa, a oficiosa. Quem for conseguindo ajudar a responder a estas perguntas para al&eacute;m destas fontes umbilicalmente ligadas ao(s) governo(s) de turno e aos poderes de sempre deve ir compartilhando at&eacute; criarmos, debaixo para cima, um contra-senso do consenso for&ccedil;ado, cujo contrato social &eacute; assinado por uma caveira no peito de um homem de preto. <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=39068\">Este artigo foi originalmente publicado no portal do Instituto Humanitas Unisinos (IHU) <br \/>\n<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O comboio do ex\u00e9rcito de Caxias e Os\u00f3rio adentra na favela. Ambientados com a ocupa\u00e7\u00e3o \u201chumanit\u00e1ria\u201d do Haiti, a Brigada P\u00e1ra-quedista aplica o que desenvolvera no pr\u00f3prio pa\u00eds. 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