{"id":1356,"date":"2010-12-09T19:08:13","date_gmt":"2010-12-09T19:08:13","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1356"},"modified":"2010-12-09T19:08:13","modified_gmt":"2010-12-09T19:08:13","slug":"uma-releitura-da-politica-externa-na-era-lula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1356","title":{"rendered":"Uma releitura da pol\u00edtica externa na Era Lula"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/lula_e_bushjr.jpg\" title=\"Luiz In\u00e1cio se afasta pouco a pouco da esfera secund\u00e1ria capitaneada por Bush Jr. em fun\u00e7\u00e3o de haver sido pressionado pela pol\u00edtica externa agressiva de Hugo Ch\u00e1vez e do bloco da ALBA. - Foto:midiaindependente\" alt=\"Luiz In\u00e1cio se afasta pouco a pouco da esfera secund\u00e1ria capitaneada por Bush Jr. em fun\u00e7\u00e3o de haver sido pressionado pela pol\u00edtica externa agressiva de Hugo Ch\u00e1vez e do bloco da ALBA. - Foto:midiaindependente\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Luiz In\u00e1cio se afasta pouco a pouco da esfera secund\u00e1ria capitaneada por Bush Jr. em fun\u00e7\u00e3o de haver sido pressionado pela pol\u00edtica externa agressiva de Hugo Ch\u00e1vez e do bloco da ALBA.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:midiaindependente<\/small><\/figure>\n<p>09 de dezembro de 2010, da Vila Setembrina de Farrapos iludidos e tra&iacute;dos por latifundi&aacute;rios escravagistas, <em>Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p><\/em>Faltando poucos dias para a posse da economista Dilma Rousseff, &eacute; not&aacute;vel a expectativa quanto &agrave;s poss&iacute;veis mudan&ccedil;as de rota na pol&iacute;tica externa de Lula. Esta vem sendo alvo dos ataques de oposicionistas pol&iacute;ticos e midi&aacute;ticos h&aacute; um bom tempo. Como estamos em um pa&iacute;s de curta mem&oacute;ria, costuma-se associar o governo de Luiz In&aacute;cio como protagonista independente no cen&aacute;rio internacional, desmarcado da pot&ecirc;ncia militar hegem&ocirc;nica (os EUA) e l&iacute;der do continente. Nem sempre foi assim. Os primeiros anos de Lula no Planalto tiveram como marca a aproxima&ccedil;&atilde;o com o governo de Bush Jr. e o refor&ccedil;o brasileiro na agenda de implanta&ccedil;&atilde;o da &Aacute;rea de Livre Com&eacute;rcio das Am&eacute;ricas (ALCA). Entendo que o governo brasileiro foi pouco a pouco se afastando da condi&ccedil;&atilde;o de interlocutor subordinado dos EUA, vindo a inclinar-se para a disputa de refer&ecirc;ncia no continente.<\/p>\n<p>Como divisor de &aacute;guas, aponto para a reuni&atilde;o da c&uacute;pula do MERCOSUL, realizada em Montevid&eacute;u em 09 de dezembro de 2005. Nesta ocasi&atilde;o, se aprovara a entrada da Venezuela no bloco econ&ocirc;mico. A partir desse momento, e com o aumento da agressividade exterior do governo de Hugo Ch&aacute;vez, o Brasil v&ecirc;-se na obriga&ccedil;&atilde;o de disputar a lideran&ccedil;a e a gravita&ccedil;&atilde;o por dentro das rela&ccedil;&otilde;es entre pa&iacute;ses sul-americanos. Estava ficando dif&iacute;cil sustentar para com os vizinhos a posi&ccedil;&atilde;o supostamente &ldquo;neutra e isenta&rdquo; do Brasil em quest&otilde;es continentais. Fruto da intera&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica, um Estado pretendente a pot&ecirc;ncia regional desperta o gigante, pondo nosso pa&iacute;s em movimento de integra&ccedil;&atilde;o Sul-Sul e n&atilde;o alinhamento subalterno nas rela&ccedil;&otilde;es com distintos pa&iacute;ses do planeta. <\/p>\n<p>A partir desse momento, a pol&iacute;tica externa de Lula foi guinando paulatinamente para uma posi&ccedil;&atilde;o agressiva e algo independente. Isso atenuara as cr&iacute;ticas por esquerda &ndash; apesar da a&ccedil;&atilde;o sub-imperial brasileira no Haiti &ndash; e, ao mesmo tempo, veio a mexer com velhos mitos e identidades pol&iacute;ticas de elites nacionais. Para atacar esse posicionamento, evoca-se como problema insol&uacute;vel, o desrespeito a uma suposta tradi&ccedil;&atilde;o de neutralidade e abordagem tecnicista no Itamaraty. Em seq&uuml;&ecirc;ncia, a alega&ccedil;&atilde;o de que uma posi&ccedil;&atilde;o anti-EUA (mesmo que muito t&iacute;mida) aumentaria o contencioso proveniente de rela&ccedil;&otilde;es comerciais j&aacute; pouco amistosas. Para contrapor o argumento, basta com recordar a tradi&ccedil;&atilde;o sub-imperialista brasileira no continente para compreender que a tradi&ccedil;&atilde;o de &ldquo;neutralidade&rdquo; opera mais um discurso de legitima&ccedil;&atilde;o da tecnocracia diplom&aacute;tica e, ao mesmo tempo, um reconhecimento da Teoria da Depend&ecirc;ncia como sendo intranspon&iacute;vel no campo das rela&ccedil;&otilde;es internacionais. J&aacute; a vis&atilde;o de que uma pol&iacute;tica de n&atilde;o colabora&ccedil;&atilde;o com os EUA, marcando a diferen&ccedil;a sempre que poss&iacute;vel ou necess&aacute;rio, como sendo irrespons&aacute;vel, soa mais como o velho alinhamento imediato, o mesmo que inspirara a c&eacute;lebre senten&ccedil;a, &ldquo;o que &eacute; bom para os EUA, &eacute; bom para o Brasil&rdquo;. <\/p>\n<p>&Eacute; preciso reconhecer que o cen&aacute;rio mudou por for&ccedil;a dos agentes brasileiros. Justi&ccedil;a seja feita, se cr&iacute;ticas fiz a pol&iacute;tica externa de Lula, n&atilde;o foi no sentido conservador, mas sim por entend&ecirc;-la como branda e vacilante demais. Tampouco vejo como salutar a estrat&eacute;gia de despolitizar a defesa intransigente dos direitos humanos, muito acentuada pela representa&ccedil;&atilde;o diplom&aacute;tica estadunidense com este tema na ONU. Ao contr&aacute;rio, vejo como &uacute;nica posi&ccedil;&atilde;o coerente e conseq&uuml;ente, a cr&iacute;tica inegoci&aacute;vel para todos os pa&iacute;ses que violam os direitos fundamentais do homem, a come&ccedil;ar pelo pr&oacute;prio EUA. A pot&ecirc;ncia hegem&ocirc;nica militar pratica aberra&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas, tais como o seq&uuml;estro de suspeitos de terrorismo em terras estrangeiras e a abomin&aacute;vel pris&atilde;o de Guant&aacute;namo, em territ&oacute;rio tomado militarmente a outro Estado soberano. <\/p>\n<p>Espero, sincera e honestamente, que o governo Dilma n&atilde;o se realinhe como pa&iacute;s subordinado do ocidente e, em contra partida, acentue as rela&ccedil;&otilde;es Sul-Sul, ultrapassando as ainda t&iacute;midas medidas de seu antecessor. <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/pais\/noblat\/posts\/2010\/12\/08\/uma-releitura-da-politica-externa-na-era-lula-347551.asp\">Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat <br \/>\n<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luiz In\u00e1cio se afasta pouco a pouco da esfera secund\u00e1ria capitaneada por Bush Jr. em fun\u00e7\u00e3o de haver sido pressionado pela pol\u00edtica externa agressiva de Hugo Ch\u00e1vez e do bloco da ALBA. 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