{"id":1360,"date":"2010-12-14T21:26:08","date_gmt":"2010-12-14T21:26:08","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1360"},"modified":"2010-12-14T21:26:08","modified_gmt":"2010-12-14T21:26:08","slug":"14-de-dezembro-de-2010-coluna-de-amy-goodman","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1360","title":{"rendered":"14 de dezembro de 2010 &#8211; Coluna de Amy Goodman"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/stern-todd-hillary.jpg\" title=\"Todd Stern, homem de confian\u00e7a do governo Clinton-Obama, um dos principais negociadores da chantagem mundial encabe\u00e7ada pelo Imp\u00e9rio em Copenhague e levada adiante da fracassada confer\u00eancia de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas de Cancun.  - Foto:Treehugger \" alt=\"Todd Stern, homem de confian\u00e7a do governo Clinton-Obama, um dos principais negociadores da chantagem mundial encabe\u00e7ada pelo Imp\u00e9rio em Copenhague e levada adiante da fracassada confer\u00eancia de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas de Cancun.  - Foto:Treehugger \" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Todd Stern, homem de confian\u00e7a do governo Clinton-Obama, um dos principais negociadores da chantagem mundial encabe\u00e7ada pelo Imp\u00e9rio em Copenhague e levada adiante da fracassada confer\u00eancia de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas de Cancun. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:Treehugger <\/small><\/figure>\n<p><strong>Cancun, Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas e WikiLeaks <\/p>\n<p><\/strong>Canc&uacute;n, M&eacute;xico. Nesta semana que passou, ocorreram aqui em Canc&uacute;n, sob o patroc&iacute;nio das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, vitais negocia&ccedil;&otilde;es para reverter o aquecimento global provocado pelos seres humanos. Trata-se da primeira reuni&atilde;o de grande import&acirc;ncia desde o fracasso da C&uacute;pula de Copenhague do ano passado, e desenvolve-se ao final da d&eacute;cada mais calorenta jamais registrada. Ainda que haja muito em jogo, as expectativas s&atilde;o poucas e segundo temos sabido gra&ccedil;as aos cabos diplom&aacute;ticos confidenciais publicados por WikiLeaks recentemente, os Estados Unidos, o maior contaminador da hist&oacute;ria do planeta, est&atilde;o envolvidos no que um jornalista tem chamado aqui &ldquo;um neg&oacute;cio muito, muito sujo.&rdquo;<\/p>\n<p>Um neg&oacute;cio sujo para valer. No ano passado em Copenhague, mal chegou &agrave; cidade, o Presidente Barak Obama conseguiu isolar do resto da c&uacute;pula a um seleto grupo de pa&iacute;ses, ao que s&oacute; se podia entrar com convite, justo para negociar o que se deu a conhecer como o &ldquo;Acordo de Copenhague.&rdquo; Este acordo esbo&ccedil;a um plano para que os pa&iacute;ses &ldquo;se comprometam&rdquo; publicamente a reduzir as emiss&otilde;es de carbono, ao mesmo tempo em que aceitam comprometer a algum tipo de processo de verifica&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m, segundo este acordo, os pa&iacute;ses ricos e desenvolvidos se comprometeriam a pagar bilh&otilde;es de d&oacute;lares a pa&iacute;ses pobres em via de desenvolvimento para ajud&aacute;-los a adaptar &agrave; mudan&ccedil;a clim&aacute;tica e para que tenham economias baseadas em energias ecol&oacute;gicas em seu caminho para o desenvolvimento. Isto at&eacute; pode soar bem, mas na realidade o acordo foi desenhado para substituir ao Protocolo de Kyoto, um tratado vinculante em n&iacute;vel mundial e que conta com mais de cento noventa pa&iacute;ses signat&aacute;rios. Chama a aten&ccedil;&atilde;o que os Estados Unidos nunca o tenham assinado. <\/p>\n<p>Os cabos do Departamento de Estado estadunidense publicados por WikiLeaks ajudam a esclarecer o que sucedeu. Um dos principais cr&iacute;ticos dos pa&iacute;ses desenvolvidos na etapa pr&eacute;via &agrave; C&uacute;pula de Copenhague foi o Presidente Mohamed Nasheed da Rep&uacute;blica de Maldivas, um pa&iacute;s formado por pequenas ilhas no Oceano &Iacute;ndico, que finalmente subscreveu o Acordo de Copenhague. Um memorando secreto do Departamento de Estado dos EUA, vazado atrav&eacute;s de WikiLeaks, datado 10 de fevereiro de 2010, resume as consultas que fez o ent&atilde;o recentemente nomeado embaixador de Maldivas nos Estados Unidos, Abdul Ghafoor Mohamed. O memorando informa que durante seu encontro com o enviado especial adjunto dos Estados Unidos para a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica Jonathan Pershing, o embaixador disse: <\/p>\n<p>&ldquo;A Maldivas gostaria que os pa&iacute;ses pequenos &#8211; como n&oacute;s, por exemplo &#8211; que est&atilde;o na primeira linha do debate sobre a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, recebam uma ajuda concreta por parte das economias maiores. Dessa maneira, outros pa&iacute;ses se dariam conta de que podem obter vantagens a partir de sua express&atilde;o de conformidade&rdquo;. Mohamed pediu cinq&uuml;enta milh&otilde;es de d&oacute;lares para desenvolver projetos dedicados a proteger as ilhas Maldivas do aumento do n&iacute;vel do mar. <\/p>\n<p>Pershing figura em um memorando relacionado ao de Maldivas, e datado uma semana depois, que refere a uma reuni&atilde;o que teve com Connie Hedegaard, Comiss&aacute;ria Europ&eacute;ia de A&ccedil;&atilde;o pelo Clima que desempenhou um papel fundamental em Copenhague, assim como o teve agora em Canc&uacute;n. Segundo o memorando &ldquo;Hedegaard sugeriu que os pa&iacute;ses da Alian&ccedil;a de Pequenos Estados Insulares (AOSIS, por suas siglas em ingl&ecirc;s) &lsquo;poderiam ser nossos melhores aliados&rsquo; j&aacute; que precisam de financiamento.&rdquo; Em outro memorando, datado 17 de fevereiro de 2010, informou-se que &ldquo;HEDEGAARD respondeu que devemos fazer algo com respeito aos pa&iacute;ses que n&atilde;o est&atilde;o cooperando, como Venezuela ou Bol&iacute;via.&rdquo; As declara&ccedil;&otilde;es provinham de uma reuni&atilde;o com o assessor adjunto de Seguran&ccedil;a Nacional para Assuntos Econ&ocirc;micos Internacionais Michael Froman. O memorando continua dizendo: &ldquo;Froman esteve de acordo em que precisamos neutralizar, cooptar ou marginar a estes e outros pa&iacute;ses como Nicar&aacute;gua, Cuba ou Equador.&rdquo; <\/p>\n<p>A mensagem &eacute; clara: Se jogam o jogo ao lado dos Estados Unidos, receber&atilde;o ajuda. Caso venham a se opor, receber&atilde;o castigo. <\/p>\n<p>Aqui, em Canc&uacute;n, perguntei a Jonathan Pershing (em entrevista coletiva) e ao principal negociador estadunidense e enviado especial para a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica Todd Stern a respeito dos memorandos e a respeito de se o papel dos Estados Unidos equivalia a suborno ou democracia: &ldquo;Discute-se muito aqui, dentro e fora da c&uacute;pula, a respeito da coer&ccedil;&atilde;o que se exerce tanto para que os pa&iacute;ses assinem o acordo como para castigar &agrave;queles que n&atilde;o venham a assinar, como Bol&iacute;via e Equador. A pergunta que vai e vem &eacute;: &lsquo;Isto &eacute; suborno ou democracia?&rsquo; Que podemos esperar disto? Quais s&atilde;o seus coment&aacute;rios a respeito das publica&ccedil;&otilde;es de WikiLeaks?&rdquo; <\/p>\n<p>Stern respondeu: &ldquo;A respeito das publica&ccedil;&otilde;es de WikiLeaks, em si mesmas, n&atilde;o tenho coment&aacute;rios, &eacute; a postura do governo dos Estados Unidos. Em rela&ccedil;&atilde;o a sua pergunta mais ampla, lhe contarei um breve epis&oacute;dio. Tem de recordar-se uma das interven&ccedil;&otilde;es mais en&eacute;rgicas, eloq&uuml;entes e fortes da noite final da C&uacute;pula de Copenhague do ano passado, quando o ministro da Noruega, Eric Solheim, se p&ocirc;s de p&eacute; depois de ter sido acusado diretamente de que a Noruega incorria em suborno por ser t&atilde;o generosa em suas contribui&ccedil;&otilde;es de assist&ecirc;ncia para diminuir (de modo paliativo) os efeitos da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica. Solheim p&ocirc;s-se de p&eacute; e deixou sem argumentos a quem tinha sugerido tal coisa, ao dizer-lhe que n&atilde;o podia, por um lado, pedir ajuda e expor uma s&oacute;lida causa leg&iacute;tima de necessidade de assist&ecirc;ncia pela mudan&ccedil;a clim&aacute;tica; e por outro lado dar-nos as costas e acusar-nos de suborno. Se desejam acusar-nos de suborno, eliminemos ent&atilde;o a causa de qualquer acusa&ccedil;&atilde;o de suborno, eliminemos o dinheiro. Estive completamente de acordo com ele nesse momento e o sigo estando agora.&rdquo; <\/p>\n<p>Perguntei-lhe: &ldquo;Ent&atilde;o o que pode suceder com os pa&iacute;ses que foram castigados? Bol&iacute;via e Equador&#8230;&rdquo; <\/p>\n<p>E Stern disse: &ldquo;Passemos &agrave; pr&oacute;xima pergunta.&rdquo; <\/p>\n<p>O moderador da entrevista disse: &ldquo;Acho que passaremos &agrave; pr&oacute;xima pergunta, por este outro lado da sala&#8230;&rdquo; <\/p>\n<p>Sim, esta pergunta referia-se aos pa&iacute;ses aos que Estados Unidos retirou o dinheiro de assist&ecirc;ncia destinado a minimizar os efeitos clim&aacute;ticos, como Equador e Bol&iacute;via, por opor ao Acordo de Copenhague. Tanto ele, como Pershing, como o moderador ignoraram a pergunta. <\/p>\n<p>No entanto, Pablo Sol&oacute;n, embaixador de Bol&iacute;via para as Na&ccedil;&otilde;es Unidas, sim tem uma resposta. Sol&oacute;n disse que os fatos falam por si mesmos: &ldquo;S&oacute; posso referir aos fatos, porque uma coisa que posso dizer com respeito &agrave;s publica&ccedil;&otilde;es de WikiLeaks &eacute; que n&atilde;o cont&ecirc;m fatos, por tanto n&atilde;o quero julgar a nenhum pa&iacute;s em base a isso, mas o que lhes posso assegurar &eacute; que t&ecirc;m cortado a assist&ecirc;ncia a Bol&iacute;via e Equador. Isso &eacute; um fato. Ademais disseram-no muito claramente: &lsquo;Vamos cort&aacute;-la porque voc&ecirc;s n&atilde;o ap&oacute;iam o Acordo de Copenhague.&rsquo; E isso &eacute; chantagem.&rdquo; O Embaixador Sol&oacute;n n&atilde;o se mostra otimista com respeito ao resultado das negocia&ccedil;&otilde;es que se desenvolvem em Canc&uacute;n. <br \/>\nSol&oacute;n disse: &ldquo;Os compromissos que se prop&otilde;em neste momento implicam um aumento da temperatura de quatro graus Celsius. Isso &eacute; uma cat&aacute;strofe para a vida humana e para a M&atilde;e Terra&rdquo;. <\/p>\n<p>&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&ndash; <br \/>\nDenis Moynihan colaborou na produ&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica desta coluna. <\/p>\n<p>&copy; 2010 Amy Goodman <\/p>\n<p>Texto traduzido da vers&atilde;o em castelhano e revisado do original em ingl&ecirc;s por <a href=\"mailto:bruno.estrategiaeanalise@gmail.com\">Bruno Lima Rocha<\/a>; originalmente publicado em portugu&ecirc;s em <a href=\"http:\/\/www.estrategiaeanalise.com.br\">Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise<\/a>. &Eacute; livre a reprodu&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do desde que citando a fonte. <\/p>\n<p>Amy Goodman &eacute; a &acirc;ncora de <a href=\"http:\/\/www.democracynow.org\">Democracy Now<\/a>!, um notici&aacute;rio internacional transmitido diariamente em mais de 550 emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o em ingl&ecirc;s e em mais de 250 em espanhol. &Eacute; co-autora do livro &quot;Os que lutam contra o sistema: Her&oacute;is ordin&aacute;rios em tempos extraordin&aacute;rios nos Estados Unidos&quot;, editado por Le Monde Diplomatique Cono Sur.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todd Stern, homem de confian\u00e7a do governo Clinton-Obama, um dos principais negociadores da chantagem mundial encabe\u00e7ada pelo Imp\u00e9rio em Copenhague e levada adiante da fracassada confer\u00eancia de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas de Cancun. 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