{"id":1361,"date":"2010-12-16T21:00:19","date_gmt":"2010-12-16T21:00:19","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1361"},"modified":"2010-12-16T21:00:19","modified_gmt":"2010-12-16T21:00:19","slug":"wikileaks-e-a-guerra-de-4a-geracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1361","title":{"rendered":"Wikileaks e a guerra de 4\u00aa gera\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/wikileaks-brasil-charge-logo-563x387.jpg\" title=\"Ap\u00f3s o pa\u00eds ser vitrine com o vazamento de correspond\u00eancia diplom\u00e1tica do Imp\u00e9rio avaliando as elites dirigentes nacionais, os brasileiros t\u00eam a chance de participar dessa empreitada pela liberdade de informa\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o de empresa, na internet. - Foto:wikileaksbrasil.org\" alt=\"Ap\u00f3s o pa\u00eds ser vitrine com o vazamento de correspond\u00eancia diplom\u00e1tica do Imp\u00e9rio avaliando as elites dirigentes nacionais, os brasileiros t\u00eam a chance de participar dessa empreitada pela liberdade de informa\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o de empresa, na internet. - Foto:wikileaksbrasil.org\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Ap\u00f3s o pa\u00eds ser vitrine com o vazamento de correspond\u00eancia diplom\u00e1tica do Imp\u00e9rio avaliando as elites dirigentes nacionais, os brasileiros t\u00eam a chance de participar dessa empreitada pela liberdade de informa\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o de empresa, na internet.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:wikileaksbrasil.org<\/small><\/figure>\n<p>16 de dezembro de 2010, da Vila Setembrina de lanceiros negros ludibriados por escravagistas latifundi&aacute;rios, do Continente de Jos&eacute; Artigas, El Gran Traicionado, <em>Bruno Lima Rocha <br \/>\n<\/em><br \/>\nJulian Assange &eacute; o nome do momento e a persegui&ccedil;&atilde;o pela qual sofre retrata a relev&acirc;ncia do personagem. O australiano veio ganhando escala mundial por seu trabalho pioneiro como representante p&uacute;blico de uma equipe dedicada a difundir documentos classificados (reservados, confidenciais ou secretos), agindo, segundo as pr&oacute;prias palavras do Wikileaks em seu editorial (<a href=\"http:\/\/213.251.145.96\/\">ver espelho original<\/a>)&nbsp;em nome da &ldquo;transpar&ecirc;ncia e da presta&ccedil;&atilde;o de contas&rdquo;. Conceitualmente, Assange e os demais membros do portal est&atilde;o em guerra de 4&ordf; gera&ccedil;&atilde;o, operando &ndash; de fato &ndash; contra Estados pot&ecirc;ncia e empresas transnacionais. E eles n&atilde;o est&atilde;o s&oacute;s no front.<\/p>\n<p>Tampouco a modalidade de conflito &eacute; exclusiva dos pa&iacute;ses desenvolvidos. A primeira vez que escutei o termo foi quando estive na Venezuela (janeiro de 2009), em companhia de ativistas midi&aacute;ticos e militantes da comunica&ccedil;&atilde;o popular. Estes homens e mulheres, volunt&aacute;rios em sua maioria, praticam a partir da internet e de emissoras de r&aacute;dio FM de baixa pot&ecirc;ncia, dois contrapontos simult&acirc;neos. Seus alvos permanentes s&atilde;o a chamada m&iacute;dia escu&aacute;lida (termo popular para definir os venezuelanos de origem europ&eacute;ia) assim como a direita end&oacute;gena (pol&iacute;ticos oligarcas convertidos ao chavismo). Embates semelhantes ocorrem pelo mundo. O cen&aacute;rio desta guerra varia a cada territ&oacute;rio, quest&atilde;o em voga ou nicho de interesse. O que h&aacute; de perene s&atilde;o as diretrizes (informais) de buscar aumentar o poder da cidadania e a capacidade decis&oacute;ria de indiv&iacute;duos e coletividades diante dos agentes com poderes de incidir sobre a vida do planeta, como os EUA e o complexo industrial, militar e petrol&iacute;fero, por exemplo. Nesta luta, a rede mundial de computadores &eacute; fundamental. <\/p>\n<p>Definitivamente, estamos diante de uma quebra de paradigma para o significado da internet em nossas vidas. O modus operandi do Wikileaks e de seus assemelhados, vem ultrapassando as fronteiras do jornalismo formal (em seu modelo empresarial) e indo al&eacute;m do legalismo na defesa do direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o. A tese levantada &eacute; simples. A cidadania necessita de ter informa&ccedil;&otilde;es precisas e fidedignas para poder decidir. Uma vez que hoje somos todos influenciados por decis&otilde;es tomadas por Estados do centro do capitalismo, a come&ccedil;ar pelos EUA (&uacute;nica superpot&ecirc;ncia b&eacute;lica em escala planet&aacute;ria) e empresas transnacionais, &eacute; necess&aacute;rio saber o que se passa nestes l&oacute;cus de poder, e tamb&eacute;m o que pensam e fazem os membros destas as elites dirigentes <\/p>\n<p>A internet h&aacute; muito deixou de ser uma atividade de &oacute;cio para tornar-se uma das art&eacute;rias centrais da globaliza&ccedil;&atilde;o corporativa (tamb&eacute;m chamada de mundializa&ccedil;&atilde;o). Explico. Se a informa&ccedil;&atilde;o &eacute; central para o processo decis&oacute;rio e a decis&atilde;o em &aacute;reas sens&iacute;veis passa por assegurar a defesa de dados, informes, relatos, impress&otilde;es, pareceres, relat&oacute;rios e documentos oficiais, portanto, para governar &eacute; fundamental manter segredo e dissimular vers&otilde;es. Esta necessidade entra em rota de colis&atilde;o com os valores atribu&iacute;dos a toda e qualquer forma de democracia, como a transpar&ecirc;ncia nas a&ccedil;&otilde;es tomadas por detentores de mandatos ou no exerc&iacute;cio de autoridade em nome do bem comum. <\/p>\n<p>O interessante &eacute; notar a fragilidade da defesa de informa&ccedil;&otilde;es por parte da superpot&ecirc;ncia. N&atilde;o vejo como v&aacute;lida a hip&oacute;tese de que a equipe do Wikileaks (tanto fixos como volunt&aacute;rios) tenha condi&ccedil;&otilde;es de operar como ag&ecirc;ncia de espionagem. Portanto, se os documentos sens&iacute;veis vazam, &eacute; porque foram vazados. Assim, em alguma etapa da hierarquia e do fluxo informacional, alguns est&atilde;o vazando os conte&uacute;dos secretos que dizem respeito &agrave; vida de milh&otilde;es. Uma vez checada a informa&ccedil;&atilde;o (e at&eacute; onde se sabe a rede do Wikileaks faz a checagem), n&atilde;o h&aacute; nenhuma raz&atilde;o (legal ou moral) para n&atilde;o difundi-los. <\/p>\n<p>A pris&atilde;o de Assange e o acionar da parafern&aacute;lia da Interpol em sua captura d&atilde;o mostras tanto do temor destas institui&ccedil;&otilde;es como da &ldquo;letalidade&rdquo; do risco permanente do vazamento de informa&ccedil;&otilde;es de modo a possibilitar a produ&ccedil;&atilde;o de novos consensos a respeito de temas relevantes para as maiorias. A guerra de 4&ordf; gera&ccedil;&atilde;o est&aacute; apenas come&ccedil;ando. <\/p>\n<p>\n<a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/pais\/noblat\/posts\/2010\/12\/15\/wikileaks-a-guerra-de-4-geracao-349517.asp\">Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat <br \/>\n<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s o pa\u00eds ser vitrine com o vazamento de correspond\u00eancia diplom\u00e1tica do Imp\u00e9rio avaliando as elites dirigentes nacionais, os brasileiros t\u00eam a chance de participar dessa empreitada pela liberdade de informa\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o de empresa, na internet. 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