{"id":1368,"date":"2011-01-06T11:00:34","date_gmt":"2011-01-06T11:00:34","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1368"},"modified":"2011-01-06T11:00:34","modified_gmt":"2011-01-06T11:00:34","slug":"a-cabeca-o-corpo-e-a-alianca-pela-tal-da-governabilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1368","title":{"rendered":"A cabe\u00e7a, o corpo e a \u201calian\u00e7a\u201d pela tal da governabilidade"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/raupp(4).jpg\" title=\"O senador por Rond\u00f4nia, Valdir Raupp, substitui ao paulista Michel Temer no comando do PMDB e interpela o ex-l\u00edder e hoje vice-presidente para que ponha o governo contra a parede no ato da distribui\u00e7\u00e3o ampla, geral, farta e irrestrita de cabe\u00e7as e, principalmente, de corpos dotados de gordos or\u00e7amentos. Quando essa trupe negocia, \u00e9 sempre jogo muito, muito duro.   - Foto:rondoniaaovivo\" alt=\"O senador por Rond\u00f4nia, Valdir Raupp, substitui ao paulista Michel Temer no comando do PMDB e interpela o ex-l\u00edder e hoje vice-presidente para que ponha o governo contra a parede no ato da distribui\u00e7\u00e3o ampla, geral, farta e irrestrita de cabe\u00e7as e, principalmente, de corpos dotados de gordos or\u00e7amentos. Quando essa trupe negocia, \u00e9 sempre jogo muito, muito duro.   - Foto:rondoniaaovivo\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">O senador por Rond\u00f4nia, Valdir Raupp, substitui ao paulista Michel Temer no comando do PMDB e interpela o ex-l\u00edder e hoje vice-presidente para que ponha o governo contra a parede no ato da distribui\u00e7\u00e3o ampla, geral, farta e irrestrita de cabe\u00e7as e, principalmente, de corpos dotados de gordos or\u00e7amentos. Quando essa trupe negocia, \u00e9 sempre jogo muito, muito duro.  <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:rondoniaaovivo<\/small><\/figure>\n<p>06 de janeiro de 2010, da Vila Setembrina, <em>Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p><\/em>Nem bem a economista Dilma Rousseff assumiu e o que era t&aacute;cito e latente torna-se evid&ecirc;ncia. PMDB e PT disputam entre si, e com voracidade, v&aacute;rias capacidades simult&acirc;neas. Sim, porque para al&eacute;m do senso comum midiatizado, disputar or&ccedil;amentos implica em poder ou n&atilde;o executar pol&iacute;ticas, e n&atilde;o ficar abrindo cunha discursiva diante de holofotes &aacute;vidos por cr&iacute;ticas na interna. Na figura do policial mau, a equipe econ&ocirc;mica, agora capitaneada pela pr&oacute;pria presidenta, aponta a redu&ccedil;&atilde;o de gastos e o previs&iacute;vel aumento do contingenciamento. Diante destes dias mais cinzentos dos meses que vir&atilde;o, ter or&ccedil;amento em caixa &eacute; garantia de visibilidade, cabides de emprego, contatos com fornecedores, proje&ccedil;&atilde;o da m&aacute;quina ou das sublegendas (como &eacute; o caso do PMDB adjetivado como sendo do estado tal, do grupo aquele, do cacique fulano) e at&eacute; mesmo, a tentativa de fazer pol&iacute;tica de governo e proje&ccedil;&atilde;o de Estado &ndash; que seria, em tese, a atividade-fim pouco exercida diante do mosaico &ldquo;heterodoxo&rdquo; das alian&ccedil;as de ocasi&atilde;o.<\/p>\n<p>Agora o impasse est&aacute; na base da coaliz&atilde;o. Explica-se a f&oacute;rmula brasileira p&oacute;s-1985 com o &ldquo;equil&iacute;brio&rdquo; entre o Executivo com maioria no Congresso e as taxas de barganha e capacidade de cria&ccedil;&atilde;o de emendas (na pr&aacute;tica, destinando or&ccedil;amento para as bases e\/ou currais eleitorais) do Legislativo nacional. Neste &ldquo;mui nobre poder, sempre dotado de moral republicana&rdquo;, existe a conta b&aacute;sica de que a maioria regular de deputados (300 votos em 513) &eacute; composta essencialmente de fisiol&oacute;gicos, clientelistas e sustent&aacute;culos do patrimonialismo. Esta camada de poder mais baixa no parlamento &eacute; o terreno movedi&ccedil;o e natural das oligarquias estaduais, por onde trafega e chafurda a trupe de Jos&eacute; Sarney, Romero Juc&aacute;, Renan Calheiros, Garibaldi Alves, Fernando Collor, Valdir Raupp e outros governistas aderidos atrav&eacute;s do ac&oacute;rd&atilde;o p&oacute;s-crise do Mensal&atilde;o e sustentadores de Lula e base ativa de Michel Temer. <\/p>\n<p>Este &eacute; o PMDB &ldquo;caracter&iacute;stico&rdquo;, a coaliz&atilde;o de sublegendas que pode beirar a irresponsabilidade pol&iacute;tica (pelo paradigma elitista por suposto) a ponto de bravatear o aumento do sal&aacute;rio m&iacute;nimo n&atilde;o levando em considera&ccedil;&atilde;o as contas da Fazenda, alardeadas publicamente pelo ministro mantido Guido Mantega. Percebam leitores que sou a favor de um aumento superior do m&iacute;nimo, passando R$ 540,00, entendo ser um absurdo a ancoragem do financiamento do Estado no endividamento de curto prazo, sou mais do que cr&iacute;tico dos criminosos spreads banc&aacute;rios, sou ainda mais cr&iacute;tico com as metas de super&aacute;vit prim&aacute;rio e entendo que poderia ser buscada a supera&ccedil;&atilde;o do d&oacute;lar como moeda cambial se houvesse uma agressividade maior do Brasil na constru&ccedil;&atilde;o de uma moeda alfandeg&aacute;ria latino-americana concomitante a consolida&ccedil;&atilde;o do Banco do Sul (Bando Del Sur) como possibilidade de empr&eacute;stimo para governos. Mas, tudo o que narrei acima &eacute; inimagin&aacute;vel para o(s) PMDB(s) em termos program&aacute;ticos &ndash; e para o PT tamb&eacute;m. Contudo, para o PMDB como ele &eacute; (vendo a pol&iacute;tica brasileira atrav&eacute;s de um prisma pessimista e rodrigueano), &eacute; poss&iacute;vel supor uma pirra&ccedil;a para com seu governo, porque esta(s) legenda(s) governa com o corpo (a presen&ccedil;a transversal visando &agrave; execu&ccedil;&atilde;o or&ccedil;ament&aacute;ria) e n&atilde;o necessariamente com a cabe&ccedil;a. Se assim n&atilde;o fosse, os peemedebistas teriam reivindica ao ex-ministro da Sa&uacute;de de Lula, Jos&eacute; Gomes Tempor&atilde;o (e n&atilde;o o fazem). <\/p>\n<p>FHC comeu p&atilde;o amassado por esta mesma base aliada, no quesito reforma da Previd&ecirc;ncia, depois executada por Luiz In&aacute;cio em seu oitavo m&ecirc;s de governo. Esta base n&atilde;o &eacute; leal, &eacute; ocasional e dependendo do tamanho da avidez pelo corpo (segundos e terceiros escal&otilde;es, execu&ccedil;&otilde;es or&ccedil;ament&aacute;rias de distintas grandezas), at&eacute; cria constrangimentos para o Executivo de turno como a derrubada da CPMF em fins de 2007. Voltando ao embate atual, o projeto de poder imediato passa justamente pela aprova&ccedil;&atilde;o do m&iacute;nimo do governo manifesto pela op&ccedil;&atilde;o preferencial pelos bancos e tamb&eacute;m da costura para p&ocirc;r o ga&uacute;cho Marco Maia na presid&ecirc;ncia da mui leal e valorosa c&acirc;mara baixa do pa&iacute;s (C&acirc;mara dos Deputados). A medida aparenta a prud&ecirc;ncia antes do bote. Se a alian&ccedil;a capitaneada por Michel Temer n&atilde;o conseguir concretizar movimentos b&aacute;sicos como a tomada de uma mesa diretora e a defini&ccedil;&atilde;o da base salarial do pa&iacute;s, eis um an&uacute;ncio real (e previs&iacute;vel) do alt&iacute;ssimo custo da tal da governabilidade no mandato de Dilma. <\/p>\n<p>O congelamento de negocia&ccedil;&otilde;es em pleno ver&atilde;o de um governo rec&eacute;m assumido &ndash; e com o PMDB de Temer e Cia. em suas v&iacute;sceras &ndash; &eacute; mais do que um sinal de alerta, &eacute; uma evid&ecirc;ncia irrefut&aacute;vel de que governar junto ao PMDB implica em abrir m&atilde;o do controle parcial ou total de bra&ccedil;os e pernas da m&aacute;quina do governo central. Do contr&aacute;rio, o lado estatal do balc&atilde;o vira uma pra&ccedil;a de guerra e diante das hienas famintas caberia pouco di&aacute;logo e ainda menores chances de &ldquo;convencimento&rdquo;. <\/p>\n<p>Enfim, do ponto de vista da execu&ccedil;&atilde;o de acordos pol&iacute;ticos, esta parada foi mais do que providencial. J&aacute; pela &oacute;tica da pol&iacute;tica para al&eacute;m do patrimonialismo e da cr&iacute;tica das pr&aacute;ticas olig&aacute;rquicas (que justi&ccedil;a seja feita n&atilde;o s&atilde;o exclusivas do PMDB), fechar acordo para segundo escal&atilde;o da estrutura estatal central do Brasil &eacute; o pior dos mundos em todos os sentidos. <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=39620\">Este artigo foi originalmente publicado no portal do Instituto Humanitas Unisinos (IHU) <\/p>\n<p><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O senador por Rond\u00f4nia, Valdir Raupp, substitui ao paulista Michel Temer no comando do PMDB e interpela o ex-l\u00edder e hoje vice-presidente para que ponha o governo contra a parede no ato da distribui\u00e7\u00e3o ampla, geral, farta e irrestrita de cabe\u00e7as e, principalmente, de corpos dotados de gordos or\u00e7amentos. 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