{"id":1370,"date":"2011-01-06T20:34:18","date_gmt":"2011-01-06T20:34:18","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1370"},"modified":"2011-01-06T20:34:18","modified_gmt":"2011-01-06T20:34:18","slug":"23-de-dezembro-de-2010-coluna-de-amy-goodman","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1370","title":{"rendered":"23 de dezembro de 2010 &#8211; Coluna de Amy Goodman"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/obama iphone.jpg\" title=\"Quando Obama j\u00e1 era o poss\u00edvel candidato \u00e0 presid\u00eancia, ele n\u00e3o somente n\u00e3o obstruiu, como tamb\u00e9m votou a favor do projeto de lei que ortogou imunidade judicial retroativa \u00e0s empresas de telecomunica\u00e7\u00f5es.  - Foto:themcompanies.com\" alt=\"Quando Obama j\u00e1 era o poss\u00edvel candidato \u00e0 presid\u00eancia, ele n\u00e3o somente n\u00e3o obstruiu, como tamb\u00e9m votou a favor do projeto de lei que ortogou imunidade judicial retroativa \u00e0s empresas de telecomunica\u00e7\u00f5es.  - Foto:themcompanies.com\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Quando Obama j\u00e1 era o poss\u00edvel candidato \u00e0 presid\u00eancia, ele n\u00e3o somente n\u00e3o obstruiu, como tamb\u00e9m votou a favor do projeto de lei que ortogou imunidade judicial retroativa \u00e0s empresas de telecomunica\u00e7\u00f5es. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:themcompanies.com<\/small><\/figure>\n<p><strong>O presente de Natal de Obama a At&amp;T (e Comcast e Verizon) <br \/>\n<\/strong><br \/>\nUma das promessas de campanha do presidente Barack Obama foi a de proteger a liberdade de Internet. Disse em novembro de 2007: &ldquo;Assumirei pessoalmente o compromisso com a neutralidade da rede, porque quando os provedores come&ccedil;am a privilegiar algumas aplica&ccedil;&otilde;es ou web s&iacute;tios sobre outros, as vozes menores s&atilde;o silenciadas e todos n&oacute;s perdemos. Internet &eacute; possivelmente a rede mais aberta da hist&oacute;ria e devemos mant&ecirc;-la assim.&rdquo;<\/p>\n<p>Voltemos a dezembro de 2010, momento em que Obama claramente n&atilde;o est&aacute; assumindo esse compromisso, por conta de gigantes como AT&amp;T, Verizon e Comcast. Junto a ele, encontra-se o presidente da Comiss&atilde;o Federal de Comunica&ccedil;&otilde;es (FCC, sigla da comiss&atilde;o em ingl&ecirc;s), Julius Genachowski, companheiro de Obama na Faculdade de Direito de Harvard e parceiro de basquete, que acaba de conseguir a aprova&ccedil;&atilde;o de uma norma sobre neutralidade da rede, considerada desastrosa pelos ativistas de Internet.<\/p>\n<p>O diretor da revista Free Press, Craig Aaron, expressou: &ldquo;Esta proposta parece estar repleta de vazios legais que deixariam a porta aberta a todo tipo de abusos no futuro, o que permitira que empresas como AT&amp;T, Comcast ,Verizon e os grandes provedores de servi&ccedil;os de Internet decidam quais web s&iacute;tios funcionar&atilde;o, quais n&atilde;o e quais poder&atilde;o receber tratamento especial.&rdquo; <\/p>\n<p>Para o comediante eleito senador, Al Franken, democrata por Minnesotta, as novas normas sobre neutralidade da rede n&atilde;o devem ser tomadas por piada, j&aacute; que as mesmas permitiriam a redes m&oacute;veis como AT&amp;T e Verizon Wireless bloquear por completo certos conte&uacute;dos e aplica&ccedil;&otilde;es quando elas quisessem. Franken mostrou o seguinte caso: &ldquo;Permitam-me citar um exemplo. Por ventura, voc&ecirc; goste do Google Maps. Bem, ser&aacute; uma l&aacute;stima. Se a FCC aprovar esta norma, Verizon poder&aacute; cortar o acesso &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o Google Maps em seu telefone e obrig&aacute;-lo a utilizar seu pr&oacute;prio programa de mapa, Verizon Navigator, ainda que n&atilde;o seja t&atilde;o bom, ainda que se tenha de pagar mais para utiliz&aacute;-lo, enquanto que o Google Maps &eacute; gr&aacute;tis. Se permitir &agrave;s empresas priorizar conte&uacute;do na Internet, ou se lhes permitirem bloquear aplica&ccedil;&otilde;es &agrave;s acessadas no iPHone, n&atilde;o haver&aacute; nada que impe&ccedil;a as mesmas empresas de censurar o discurso pol&iacute;tico.&rdquo; <\/p>\n<p>AT&amp;T &eacute; um dos conglomerados que, segundo os ativistas, praticamente redigiram as normas da FCC promovidas por Genachowski. J&aacute; fomos testemunhas de mudan&ccedil;as radicais deste tipo. Semanas antes de sua promessa de neutralidade na rede realizada em 2007, o ent&atilde;o senador Obama contratou a AT&amp;T, que foi denunciada por participar de escutas telef&ocirc;nicas, sem ordem judicial, de cidad&atilde;os estadunidenses a pedido do governo de Bush. AT&amp;T queria imunidade judicial retroativa. O porta-voz da campanha de Obama, Bill Burton, disse a Talking Points Memo: &ldquo;Para ser claro, Barack apoiar&aacute; a obstru&ccedil;&atilde;o de qualquer projeto de lei que inclua imunidade retroativa &agrave;s empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es.&rdquo; <\/p>\n<p>Mas em julho de 2008, um m&ecirc;s antes da Conven&ccedil;&atilde;o Nacional Democrata, quando Obama j&aacute; era o poss&iacute;vel candidato &agrave; presid&ecirc;ncia, ele n&atilde;o somente n&atilde;o obstruiu, como tamb&eacute;m votou a favor do projeto de lei que ortogou imunidade judicial retroativa &agrave;s empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es. AT&amp;T conseguiu o que queria e rapidamente mostrou seu agradecimento. A bolsa oficial entregue a cada delegado da Conven&ccedil;&atilde;o tinha estampado uma grande logo da empresa. A AT&amp;T, inclusive, organizou uma festa para os delegados, que a imprensa n&atilde;o teve acesso, para festejar a liberdade concedida pelo Partido Democrata. <\/p>\n<p>AT&amp;T, Verizon, a gigante de televis&atilde;o a cabo Comcast e outras empresas expressaram seu apoio &agrave; nova norma da FCC. Os aliados democratas de Genachowski na Comiss&atilde;o s&atilde;o Michael Copps e Mignon Clyburn (filha de James Clyburn, o l&iacute;der da Maioria da C&acirc;mara de Representantes). Novamente Criag Aaron disse: &ldquo;Entendemos que os comissionados Copps y Clyburn tentaram melhorar estas normas, mas Genachowski se negou a ceder, aparentemente devido ao fato de que havia chegado a um acordo com AT&amp;T e os lobistas do cabo sobre o alcance das normas.&rdquo;&nbsp;<\/p>\n<p>A parlamentar Clyburn, membro da comiss&atilde;o, advertiu que as normas permitiriam que os provedores de Internet m&oacute;vel discriminassem grupos de usu&aacute;rios, entre elas comunidades pobres, em particular as afro-estadunidenses e latinas, que usam os servi&ccedil;os de Internet m&oacute;vel mais do que conex&otilde;es com fio.<\/p>\n<p>Craig Aaron considera lament&aacute;vel o poder que os lobistas da ind&uacute;stria de telecomunica&ccedil;&otilde;es e do cabo possuem em Washington D.C.: &ldquo;Nos &uacute;ltimos anos, foram empregados 500 lobistas, basicamente um por cada membro do Congresso, e esses s&atilde;o somente os declarados. AT&amp;T &eacute; a empresa que colocou mais dinheiro nas campanhas pol&iacute;ticas na hist&oacute;ria, desde que h&aacute; registros. De modo que realmente se consolidou. E a Comcast, a Verizon e as outras grandes empresas n&atilde;o ficam para tr&aacute;s. Estamos realmente vendo este jogo aqui, uma vez mais os grandes interesses empresariais est&atilde;o utilizando sua influ&ecirc;ncia de lobby, suas contribui&ccedil;&otilde;es &agrave;s campanhas para eliminar qualquer amea&ccedil;a a seu poder, a seus planos do que querem fazer para o futuro da internet. (&#8230;) Quando AT&amp;T quer reunir todos seus lobistas, n&atilde;o h&aacute; sala onde caibam todos. Tiveram que alugar uma sala de cinema. A gente que representa o interesse p&uacute;blico e que luta pela Internet livre e aberta aqui em D.C. ainda pode compartilhar um mesmo t&aacute;xi.&rdquo; <\/p>\n<p>O dinheiro de campanha agora, mais do que nunca, &eacute; o que mant&eacute;m vivo os pol&iacute;ticos estadunidenses, e podem estar seguros de que Obama e seus assessores est&atilde;o pensando na elei&ccedil;&atilde;o de 2012, que provavelmente ser&aacute; a mais cara da hist&oacute;ria dos Estados Unidos. Acredita-se que o uso en&eacute;rgico e inovador da Internet e das tecnologias m&oacute;veis ajudaram a Obama a assegurar sua vit&oacute;ria em 2008. &Agrave; medida que a Internet aberta se restringe cada vez mais nos Estados Unidos, e as empresas que controlam a Internet se tornam mais poderosas, &eacute; poss&iacute;vel que n&atilde;o exista participa&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica por muito mais tempo. <\/p>\n<p>&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&ndash; <\/p>\n<p>Denis Moynihan colaborou na produ&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica desta coluna.<\/p>\n<p>@2010 Amy Goodman <\/p>\n<p>Texto traduzido da vers&atilde;o em castelhano por Rafael Cavalcanti Barreto e revisado do original em ingl&ecirc;s por Bruno Lima Rocha; originalmente publicado em portugu&ecirc;s em Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise. &Eacute; livre a reprodu&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do desde que citando a fonte.<\/p>\n<p>Amy Goodman &eacute; &acirc;ncora do Democracy Now!, um notici&aacute;rio internacional que emite conte&uacute;do di&aacute;rio para mais de 650 emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o em ingl&ecirc;s, e mais de 250 em espanhol. &Eacute; co-autora do livro &ldquo;Os que lutam contram o sistema: Her&oacute;is ordin&aacute;rios em tempos extraordin&aacute;rios nos Estados Unidos&rdquo;, editado pelo Le Monde Diplomatique do Cone Sul.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando Obama j\u00e1 era o poss\u00edvel candidato \u00e0 presid\u00eancia, ele n\u00e3o somente n\u00e3o obstruiu, como tamb\u00e9m votou a favor do projeto de lei que ortogou imunidade judicial retroativa \u00e0s empresas de telecomunica\u00e7\u00f5es. 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