{"id":1371,"date":"2011-01-06T20:55:11","date_gmt":"2011-01-06T20:55:11","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1371"},"modified":"2011-01-06T20:55:11","modified_gmt":"2011-01-06T20:55:11","slug":"30-de-dezembro-de-2010-coluna-de-amy-goodman","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1371","title":{"rendered":"30 de dezembro de 2010 &#8211; Coluna de Amy Goodman"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/soldados mortos.jpg\" title=\"Segundo site iCasualties.org, 497 das 709 baixas de soldados da coaliz\u00e3o informadas em 2010 foram de soldados americanos. N\u00e3o h\u00e1 uma lista detalhada dos afeg\u00e3os mortos. Mas h\u00e1 algo que est\u00e1 claro: os soldados estadunidenses, sob o mando do \u201cComeback Kid\u201d, n\u00e3o regressaram. - Foto:2geracoes.blogspot.com\" alt=\"Segundo site iCasualties.org, 497 das 709 baixas de soldados da coaliz\u00e3o informadas em 2010 foram de soldados americanos. N\u00e3o h\u00e1 uma lista detalhada dos afeg\u00e3os mortos. Mas h\u00e1 algo que est\u00e1 claro: os soldados estadunidenses, sob o mando do \u201cComeback Kid\u201d, n\u00e3o regressaram. - Foto:2geracoes.blogspot.com\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Segundo site iCasualties.org, 497 das 709 baixas de soldados da coaliz\u00e3o informadas em 2010 foram de soldados americanos. N\u00e3o h\u00e1 uma lista detalhada dos afeg\u00e3os mortos. Mas h\u00e1 algo que est\u00e1 claro: os soldados estadunidenses, sob o mando do \u201cComeback Kid\u201d, n\u00e3o regressaram.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:2geracoes.blogspot.com<\/small><\/figure>\n<p><strong>O regresso do rapaz e os rapazes que n&atilde;o regressar&atilde;o<\/strong> <\/p>\n<p>O presidente Barack Obama promulgou uma s&eacute;rie de projetos de leis durante a sess&atilde;o do Congresso que est&aacute; terminando seu mandato, conhecida como &ldquo;lame duck&rdquo; &ndash; entre as elei&ccedil;&otilde;es de novembro e a renova&ccedil;&atilde;o definitiva dos congressistas em janeiro. Obama ganhou o apelido de &ldquo;Comeback Kid&rdquo; (em refer&ecirc;ncia a sua capacidade de recupera&ccedil;&atilde;o e poss&iacute;vel reelei&ccedil;&atilde;o) sob uma enxurrada de artigos de jornal repletos de elogios. Mas no meio desta surpresa bipartid&aacute;ria, a guerra, tema em que democratas e republicanos sempre se p&otilde;em de acordo, foi completamente ignorada. A opera&ccedil;&atilde;o b&eacute;lica no Afeganist&atilde;o j&aacute; &eacute; a mais longa da hist&oacute;ria dos Estados Unidos, e 2010 foi o ano em que se registrou o maior n&uacute;mero de baixas de soldados estadunidenses e da OTAN.<\/p>\n<p>No momento desta publica&ccedil;&atilde;o, 497 das 709 baixas de soldados da coaliz&atilde;o informadas em 2010 foram de soldados americanos. A p&aacute;gina virtual iCasualties.org rastreou cuidadosamente os nomes dos soldados mortos. N&atilde;o h&aacute; uma lista detalhada dos afeg&atilde;os mortos. Mas h&aacute; algo que est&aacute; claro: os 497 soldados estadunidenses, sob o mando do &ldquo;Comeback Kid&rdquo;, n&atilde;o regressaram. <\/p>\n<p>No dia 03 de dezembro, o Comandante em chefe Presidente Obama fez uma visita surpresa a seus soldados no Afeganist&atilde;o, saudou-os e pronunciou um discurso na Base A&eacute;rea de Bagram. Bagram corresponde a base constru&iacute;da pela Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica durante sua tentativa falida de invas&atilde;o e ocupa&ccedil;&atilde;o do Afeganist&atilde;o. Agora &eacute; administrada por for&ccedil;as americanas e tamb&eacute;m abriga o tristemente c&eacute;lebre centro de deten&ccedil;&atilde;o. No dia 10 de dezembro de 2002, quase oito anos antes da data em que Obama pronunciou o seu discurso ali, um jovem afeg&atilde;o chamado Dilawar foi assassinado a golpes em Bagram. A terr&iacute;vel experi&ecirc;ncia de sua pris&atilde;o motivada por um erro, sua tortura e assassinato foi refletida no document&aacute;rio de Alex Gibney, ganhador do Oscar da Academia, intitulado &ldquo;T&aacute;xi para o Lado Escuro&rdquo;. Dilawar n&atilde;o foi a &uacute;nica pessoa torturada e assassinada ali pelas for&ccedil;as armadas estadunidenses. <\/p>\n<p>Obama disse aos soldados: &ldquo;Est&atilde;o protegendo seu pa&iacute;s. Est&atilde;o conquistando seus objetivos. Triunfar&atilde;o na sua miss&atilde;o. Dissemos que &iacute;amos dobrar a for&ccedil;a do Talib&atilde;, e &eacute; isso o que est&atilde;o fazendo. Voc&ecirc;s partem para a ofensiva, cansados de lutar na defesa, tendo como alvo os seus l&iacute;deres, levando-as para fora dos seus redutos. Hoje podemos estar orgulhosos porque h&aacute; menos zonas sob o controle do Talib&atilde; e mais afeg&atilde;os t&ecirc;m a possibilidade de construir um futuro mais esperan&ccedil;oso.&rdquo; <\/p>\n<p>Os fatos da realidade contradizem sua avalia&ccedil;&atilde;o otimista a partir de muitos &acirc;ngulos diferentes. Os mapas realizados pelas Na&ccedil;&otilde;es Unidas, que mostram o n&iacute;vel das avalia&ccedil;&otilde;es do Afeganist&atilde;o, vazaram para o Wall Street Journal. Os estudos descreviam o risco para as opera&ccedil;&otilde;es da ONU em cada distrito do Afeganist&atilde;o, qualificando-os de &ldquo;risco muito alto&rdquo;, &ldquo;alto risco&rdquo;, &ldquo;m&eacute;dio risco&rdquo; e &ldquo;baixo risco&rdquo;. O jornal informou que, entre mar&ccedil;o e outubro de 2010, a ONU descobriu que o sul do Afeganist&atilde;o continuava sendo uma zona de &ldquo;risco muito alto&rdquo;, enquanto 16 distritos passaram a ser zonas de &ldquo;alto risco&rdquo;. As &aacute;reas consideradas de &ldquo;baixo risco&rdquo; diminu&iacute;ram consideravelmente. <\/p>\n<p>E tamb&eacute;m h&aacute; os coment&aacute;rios do porta-voz da OTAN, o Brigadeiro General Joseph Blotz, que disse: &ldquo;O per&iacute;odo de combate n&atilde;o tem fim&#8230; Haver&aacute; mais viol&ecirc;ncia em 2011.&rdquo; <br \/>\nMuito antes do WikiLeaks publicar os valiosos telegramas diplom&aacute;ticos dos Estados Unidos, dois documentos chaves vazaram para o New York Times. Os &ldquo;telegramas de Eikenberry&rdquo;, como s&atilde;o conhecidos, eram dois memorandos do general Karl Eikenberry, embaixador estadunidense no Afeganist&atilde;o, &agrave; Secret&aacute;ria de Estado Hillary Clinton, pedindo para que houvesse um foco diferente na Guerra no Afeganist&atilde;o, que se centrara em trazer ajuda para o desenvolvimento no lugar de enviar mais soldados. Eikenberry escreveu sobre o risco de &ldquo;nos afundarmos cada vez mais aqui e n&atilde;o ter jeito de sair disto, al&eacute;m de permitir que o pa&iacute;s volte a cair na desordem e no caos.&rdquo; <\/p>\n<p>Um problema que o governo de Obama enfrenta, maior ainda que uma coaliz&atilde;o internacional desgastada &eacute; a crescente oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; guerra pelo povo do seu pa&iacute;s. Uma pesquisa recente do Washington Post\/ABC News revela que sessenta por cento da popula&ccedil;&atilde;o creem que esta guerra n&atilde;o tem sentido, comparado com quarenta e um por cento de 2007. <\/p>\n<p>Quando o Congresso voltar a se reunir, preparado para promover o que seguramente ser&atilde;o cortes or&ccedil;ament&aacute;rios pol&ecirc;micos, os quase seis bilh&otilde;es de d&oacute;lares que se gastam ao m&ecirc;s na guerra do Afeganist&atilde;o ser&atilde;o cada vez mais tema de debate. <\/p>\n<p>Como o ganhador do Pr&ecirc;mio Nobel de economia Joseph Stiglitz destaca reiteradamente, o custo da guerra vai muito al&eacute;m do gasto imediato: h&aacute; d&eacute;cadas de diminui&ccedil;&atilde;o da produtividade entre muitos veteranos com les&otilde;es, assist&ecirc;ncia a milhares de veteranos incapacitados e fam&iacute;lias destru&iacute;das pela morte ou pela incapacidade de seus entes queridos. Stiglitz estima que as guerras no Iraque e no Afeganist&atilde;o terminar&atilde;o custando entre 3 y 5 trilh&otilde;es de d&oacute;lares. <\/p>\n<p>Um dos principais motivos pelo qual Barack Obama se tornou presidente &eacute; que ao se opor abertamente &agrave; guerra dos Estados Unidos no Iraque, primeiro ganhou a candidatura democrata e logo as elei&ccedil;&otilde;es nacionais. Se assume a mesma postura com a guerra no Afeganist&atilde;o e pede aos soldados estadunidenses que regressem, ent&atilde;o ter&aacute; verdadeiras possibilidades de ser reeleito em 2012. <\/p>\n<p>&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&ndash; <\/p>\n<p>Denis Moynihan colaborou na produ&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica desta coluna.<\/p>\n<p>@2010 Amy Goodman <\/p>\n<p>Texto traduzido da vers&atilde;o em castelhano por Rafael Cavalcanti Barreto e revisado do original em ingl&ecirc;s por Bruno Lima Rocha; originalmente publicado em portugu&ecirc;s em Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise. &Eacute; livre a reprodu&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do desde que citando a fonte.<\/p>\n<p>Amy Goodman &eacute; &acirc;ncora do Democracy Now!, um notici&aacute;rio internacional que emite conte&uacute;do di&aacute;rio para mais de 650 emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o em ingl&ecirc;s, e mais de 250 em espanhol. &Eacute; co-autora do livro &ldquo;Os que lutam contram o sistema: Her&oacute;is ordin&aacute;rios em tempos extraordin&aacute;rios nos Estados Unidos&rdquo;, editado pelo Le Monde Diplomatique do Cone Sul.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo site iCasualties.org, 497 das 709 baixas de soldados da coaliz\u00e3o informadas em 2010 foram de soldados americanos. 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