{"id":1380,"date":"2011-02-03T12:26:59","date_gmt":"2011-02-03T12:26:59","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1380"},"modified":"2011-02-03T12:26:59","modified_gmt":"2011-02-03T12:26:59","slug":"28-de-janeiro-de-2011-coluna-de-amy-goodman","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1380","title":{"rendered":"28 de janeiro de 2011 &#8211; Coluna de Amy Goodman"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/thelastmountain.jpg\" title=\"O engajado Festival de Sundance exibiu o document\u00e1rio \u201cA \u00faltima montanha\u201d, que trata das amea\u00e7as \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o Coal River Mountain pela extra\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o. - Foto:The Last Mountain Movie\" alt=\"O engajado Festival de Sundance exibiu o document\u00e1rio \u201cA \u00faltima montanha\u201d, que trata das amea\u00e7as \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o Coal River Mountain pela extra\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o. - Foto:The Last Mountain Movie\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">O engajado Festival de Sundance exibiu o document\u00e1rio \u201cA \u00faltima montanha\u201d, que trata das amea\u00e7as \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o Coal River Mountain pela extra\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:The Last Mountain Movie<\/small><\/figure>\n<p><strong>Sundance e a arte da democracia <\/strong><\/p>\n<p>PARK CITY, Utah. Evento tradicional de inverno, o Festival de Cinema de Sundance transforma o pequeno povoado de montanha em um centro efervescente da ind&uacute;stria cinematogr&aacute;fica. Ainda que grande parte da aten&ccedil;&atilde;o concentre-se nos espectadores famosos, a verdade &eacute; que Sundance se converteu em um lugar de encontro fundamental, onde a arte, o cinema, a pol&iacute;tica e a dissid&ecirc;ncia se entrecruzam. Aqui estr&eacute;iam muitos dos document&aacute;rios mais impactantes e inspiradores produzidos ao longo do ano. Filmes sobre aut&ecirc;nticas lutas de base que d&atilde;o conta dos vai-e-vens da hist&oacute;ria da justi&ccedil;a social e os temas mais quentes da atualidade. Produ&ccedil;&otilde;es que ensinam e inspiram uma audi&ecirc;ncia cada vez maior sobre a verdadeira natureza e o custo da democracia direta.<\/p>\n<p>&quot;A &uacute;ltima montanha,&quot; cujo t&iacute;tulo em ingl&ecirc;s &eacute; &quot;The Last Mountain,&quot; corresponde a um document&aacute;rio que trata da amea&ccedil;a que atualmente espreita a montanha Coal River Mountain, em Virginia Ocidental: a extra&ccedil;&atilde;o de carv&atilde;o a c&eacute;u aberto, uma das formas de minera&ccedil;&atilde;o mais devastadoras da atualidade, pode sumir com a montanha. Os principais culpados s&atilde;o a empresa de carv&atilde;o Massey Energy e seu ex-diretor-geral, Don Blankenship. Uma ampla coaliz&atilde;o de ativistas de todo mundo tem lutado insistentemente para deter Massey. Esta coaliz&atilde;o &eacute; impulsionada por gente comum, trabalhadores das popula&ccedil;&otilde;es pr&oacute;ximas e das aldeias dos Apalaches. Robert F. Kennedy Jr., ambientalista e advogado de longa trajet&oacute;ria, uniu-se a eles nesta luta e aparece no filme. Perguntei-lhe sobre a luta que levam adiante:<\/p>\n<p>&quot;O filme trata da subvers&atilde;o da democracia estadunidense. No ano passado, com o veredito dado no caso &quot;Citizens United contra a Comiss&atilde;o Federal Eleitoral&quot;, que autoriza &agrave;s grandes corpora&ccedil;&otilde;es a destinar somas ilimitadas de dinheiro &agrave; campanha publicit&aacute;ria dos candidatos, a Corte Suprema anulou um precedente estadunidense que tinha sido inquestion&aacute;vel por um s&eacute;culo, e se livrou de uma lei aprovada em 1907, durante a presid&ecirc;ncia de Teddy Roosevelt, que protegia o sistema democr&aacute;tico da grande concentra&ccedil;&atilde;o de riqueza respons&aacute;vel por uma cleptocracia corporativa ao longo da &eacute;poca dourada, tempos em que os estadunidenses tinham entregado sua democracia&hellip; Pela primeira vez desde a &eacute;poca de ouro, vemos como esse tipo de concentra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica regressa a nosso pa&iacute;s.&quot;<\/p>\n<p>Kennedy referiu-se &agrave; subvers&atilde;o do papel da imprensa, dos tribunais, do Congresso e dos parlamentos estatais exercida pelo poder corporativo: &quot;Penso que a eros&atilde;o de todas estas institui&ccedil;&otilde;es da democracia estadunidense levou as pessoas que se preocupam com o pa&iacute;s e com sua sa&uacute;de c&iacute;vica a empreender estas campanhas de desobedi&ecirc;ncia civil e de a&ccedil;&atilde;o a n&iacute;vel local.&quot;<\/p>\n<p>Este &eacute; um m&ecirc;s hist&oacute;rico para Robert Kennedy Jr. &Eacute; o quinquag&eacute;simo anivers&aacute;rio da ascens&atilde;o de seu tio John Kennedy como presidente e tamb&eacute;m da nomea&ccedil;&atilde;o de seu pai, Robert Kennedy, como Promotor Geral. Perguntei-lhe pelo legado destes dois pol&iacute;ticos, ambos assassinados.<\/p>\n<p>&quot;Para mim, o mais importante que fez John Kennedy, e que tamb&eacute;m meu pai tratava de fazer, foi se opor ao complexo militar-industrial. O Presidente Eisenhower, em seu discurso final, pouco antes do meu tio tomar &agrave;s r&eacute;deas do poder, disse que o complexo militar-industrial constitu&iacute;a a maior amea&ccedil;a contra a democracia estadunidense na hist&oacute;ria da rep&uacute;blica. O crescimento descontrolado do complexo militar-industrial, unido &agrave;s grandes corpora&ccedil;&otilde;es e membros influentes do Congresso, que lento mas sistematicamente vinham privando os estadunidenses de seus direitos civis e constitucionais, direitos que tinham feito deste um pa&iacute;s exemplar, era a maior amea&ccedil;a para o pa&iacute;s.&quot;<\/p>\n<p>Aqui em Sundance, em um dos momentos mais emocionantes, Kennedy, rec&eacute;m chegado do funeral de seu tio Sargent Shriver (fundador da organiza&ccedil;&atilde;o Corpos de Paz), saiu ao palco depois da proje&ccedil;&atilde;o de &quot;A &uacute;ltima montanha&quot; e recebeu o abra&ccedil;o de Harry Belafonte, personagem central do filme que inaugurou o festival deste ano &quot;Canta tua can&ccedil;&atilde;o,&quot; uma impactante biografia do cantor e ativista que &eacute; realmente uma cr&ocirc;nica dos movimentos pela justi&ccedil;a racial e econ&ocirc;mica do s&eacute;culo XX.<\/p>\n<p>Belafonte foi um dos confidentes mais pr&oacute;ximos do Dr. Martin Luther King Jr. Falei com Harry a respeito de sua trajet&oacute;ria como ativista e de sua opini&atilde;o sobre o Presidente Barack Obama. Disse-me: &quot;Durante sua campanha para a presid&ecirc;ncia, em um ato onde Obama estava falando diante de empres&aacute;rios de Wall Street, em Nova York, eu lhe disse: &rsquo;Bom&#8230; espero que voc&ecirc; fa&ccedil;a cargo do desafio com mais contund&ecirc;ncia,&rsquo; e ele me respondeu: &rsquo;Bom&hellip;quando voc&ecirc; e Cornel West v&atilde;o me dar um respiro?&rsquo; Ao que contestei: &rsquo;Que lhe faz pensar que n&atilde;o lhe damos?&rsquo;&quot;<\/p>\n<p>Belafonte era amigo de Eleanor Roosevelt, a esposa do Presidente Franklin Roosvelt. Ela lhe contou uma conversa entre seu marido e A. Philip Randolph, um dos principais organizadores da &quot;Marcha de Washington pelo trabalho e pela liberdade&quot; em 1963 e, antes disso, o principal impulsionador do sindicato de trabalhadores negros da ferrovia, Brotherhood of Sleeping Car Porters. Randolph explicou a Roosevelt que era preciso melhorar a situa&ccedil;&atilde;o das pessoas negras e dos trabalhadores do pa&iacute;s e Roosevelt lhe disse que n&atilde;o discordava em nada com o que acabava de dizer. Ao contar-me a hist&oacute;ria aqui em Sundance, Harry se recostou em sua cadeira e repetiu o que Roosevelt completou a Randolph: &quot;Saiam &agrave;s ruas e obriguem-me a faz&ecirc;-lo.&quot;<br \/>\n&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<br \/>\nDenis Moynihan colaborou na produ&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica desta coluna.<br \/>\n@2010 Amy Goodman<\/p>\n<p>Texto en ingl&ecirc;s traducido por Fernanda Gerpe, editado por Gabriela D&iacute;az Cortez y Democracy Now! en espa&ntilde;ol, spanish@democracynow.org .<\/p>\n<p>Texto em espanhol traduzido por Rafael Cavalcanti Barreto, revisado por Bruno Lima Rocha.<\/p>\n<p>Amy Goodman &eacute; &acirc;ncora do Democracy Now!, um notici&aacute;rio internacional que emite conte&uacute;do di&aacute;rio para mais de 650 emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o em ingl&ecirc;s, e mais de 250 em espanhol. &Eacute; co-autora do livro &ldquo;Os que lutam contra o sistema: Her&oacute;is ordin&aacute;rios em tempos extraordin&aacute;rios nos Estados Unidos&rdquo;, editado pelo Le Monde Diplomatique do Cone Sul.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O engajado Festival de Sundance exibiu o document\u00e1rio \u201cA \u00faltima montanha\u201d, que trata das amea\u00e7as \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o Coal River Mountain pela extra\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o. 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