{"id":1382,"date":"2011-02-04T17:02:24","date_gmt":"2011-02-04T17:02:24","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1382"},"modified":"2011-02-04T17:02:24","modified_gmt":"2011-02-04T17:02:24","slug":"04-de-fevereiro-de-2011-coluna-de-amy-goodman","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1382","title":{"rendered":"04 de fevereiro de 2011 &#8211; Coluna de Amy Goodman"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/egitoeua.jpg\" title=\"Egito tem sido o segundo grande destino de ajuda externa dos Estados Unidos durante d\u00e9cadas, atr\u00e1s apenas de Israel. Em m\u00e9dia, s\u00e3o dois bilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano ao pa\u00eds \u00e1rabe, que s\u00e3o repassados pelo governo \u00e0s empresas americanas, em especial as militares. - Foto:bulatlat.com\" alt=\"Egito tem sido o segundo grande destino de ajuda externa dos Estados Unidos durante d\u00e9cadas, atr\u00e1s apenas de Israel. Em m\u00e9dia, s\u00e3o dois bilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano ao pa\u00eds \u00e1rabe, que s\u00e3o repassados pelo governo \u00e0s empresas americanas, em especial as militares. - Foto:bulatlat.com\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Egito tem sido o segundo grande destino de ajuda externa dos Estados Unidos durante d\u00e9cadas, atr\u00e1s apenas de Israel. Em m\u00e9dia, s\u00e3o dois bilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano ao pa\u00eds \u00e1rabe, que s\u00e3o repassados pelo governo \u00e0s empresas americanas, em especial as militares.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:bulatlat.com<\/small><\/figure>\n<p><strong>Quando as empresas elegem d&eacute;spotas antes da democracia<\/strong><\/p>\n<p>&quot;A popula&ccedil;&atilde;o levava um cartaz que dizia &rsquo;Para: Estados Unidos. De: O povo eg&iacute;pcio. Deixem de apoiar Mubarak. Acabou!&rsquo;&quot; dizia o tweeter de meu valente colega e produtor-chefe do Democracy Now!, Sharif Abdel Kouddous, das ruas do Cairo.<\/p>\n<p>Mais de dois milh&otilde;es de pessoas manifestaram-se na ter&ccedil;a-feira em todo Egito; a maioria delas inundou a pra&ccedil;a Tahrir do Cairo. Tahrir, que significa &ldquo;liberta&ccedil;&atilde;o&rdquo; em &aacute;rabe, converteu-se no epicentro do que parece ser uma revolu&ccedil;&atilde;o em grande parte pac&iacute;fica, espont&acirc;nea e sem l&iacute;deres no pa&iacute;s mais povoado do Oriente M&eacute;dio. Este incr&iacute;vel levante respons&aacute;vel por desafiar o toque de recolher militar foi conduzido por jovens, que constituem a maior parcela dos 80 milh&otilde;es de habitantes do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Twitter, Facebook e mensagens de texto dos telefones celulares ajudaram a esta nova gera&ccedil;&atilde;o a vincular-se e se organizar, apesar de viver h&aacute; tr&ecirc;s d&eacute;cadas em uma ditadura apoiada pelos Estados Unidos. <\/p>\n<p>Em resposta, o regime de Mubarak, com a ajuda de empresas estadunidenses e europ&eacute;ias, cortou o acesso &agrave; Internet e restringiu o servi&ccedil;o de telefonia celular, deixando o Egito na escurid&atilde;o digital. Apesar dos cortes, &ldquo;n&atilde;o &eacute; a tecnologia, mas o povo que faz a revolu&ccedil;&atilde;o&rdquo;, como me disse o ativista midi&aacute;tico e professor de comunica&ccedil;&otilde;es C.W. Anderson, a respeito de se o que estava acontecendo no Oriente M&eacute;dio era uma esp&eacute;cie de revolu&ccedil;&atilde;o do Twitter. <\/p>\n<p>O povo nas ruas exige democracia e autodetermina&ccedil;&atilde;o. Sharif viajou ao Egito na sexta-feira pela noite, para um terreno incerto. As odiadas for&ccedil;as de seguran&ccedil;a do Minist&eacute;rio do Interior e a pol&iacute;cia de camisas negras leais ao Presidente Hosni Mubarak estavam reprimindo e matando gente, prendendo jornalistas e destruindo e confiscando c&acirc;meras. <\/p>\n<p>No s&aacute;bado pela manh&atilde;, Sharif dirigiu-se &agrave; pra&ccedil;a Tahrir. Apesar do bloqueio da Internet e das mensagens de texto, Sharif, talentoso jornalista e g&ecirc;nio da tecnologia, logo achou um modo de publicar mensagens em Tweeter da pra&ccedil;a: &ldquo;Que cena espantosa: est&atilde;o passando tr&ecirc;s tanques carregados de gente que grita &rsquo;Fora Hosni Mubarak!&rsquo;&rdquo;. <\/p>\n<p>Egito tem sido o segundo grande destino de ajuda externa dos Estados Unidos durante d&eacute;cadas, atr&aacute;s apenas de Israel (sem levar em considera&ccedil;&atilde;o os fundos gastos nas guerras e ocupa&ccedil;&otilde;es do Iraque e Afeganist&atilde;o). O regime de Mubarak recebe cerca de dois bilh&otilde;es de d&oacute;lares por ano desde que assumiu o poder, a sua imensa maioria destinada &agrave;s for&ccedil;as armadas.<\/p>\n<p>Onde foi parar esse dinheiro? Em geral, nas empresas estadunidenses. Pedi a William Hartung, da funda&ccedil;&atilde;o New America Foundation, que explicasse isto: <\/p>\n<p>&quot;&Eacute; uma forma de bem-estar empresarial para empresas como Lockheed Martin e General Dynamics, porque o dinheiro vai ao Egito e depois volta em avi&otilde;es F-16, em tanques M-1, em motores de aeronaves, em todo tipo de m&iacute;sseis, em pistolas, latas de gases lacrimog&ecirc;neos de uma empresa chamada Combined Systems International, cujo nome figura na lateral das latas achadas nas ruas do Egito&quot;. <\/p>\n<p>Hartung acaba de publicar um livro, Os profetas da guerra: Lockheed Martin e a cria&ccedil;&atilde;o do complexo militar industrial. Continuou dizendo: &ldquo;Lockheed Martin tem encabe&ccedil;ado acordos de 3,8 bilh&otilde;es de d&oacute;lares nestes &uacute;ltimos dez anos; General Dynamics de 2,5 bilh&otilde;es para tanques; Boeing de 1,7 bilh&otilde;es para m&iacute;sseis e helic&oacute;pteros e Raytheon para todo tipo de m&iacute;sseis para as for&ccedil;as armadas. Ent&atilde;o, basicamente este &eacute; um elemento fundamental destinado a manter o regime, mas grande parte do dinheiro se recicla. Os contribuintes poderiam simplesmente dar o dinheiro diretamente a Lockheed Martin ou a General Dynamics&rdquo;. <\/p>\n<p>De maneira similar, a &ldquo;chave geral&rdquo; para bloquear Internet e os telefones celulares no Egito foi ativada com a colabora&ccedil;&atilde;o das empresas. A empresa Vodafone (a gigante mundial em telefonia celular, propriet&aacute;ria de 45% das a&ccedil;&otilde;es da Verizon Wireless nos Estados Unidos) com sede no Reino Unido, tentou justificar-se em um comunicado para a imprensa: &ldquo;Ficou claro para n&oacute;s que a Vodafone n&atilde;o tinha op&ccedil;&otilde;es legais nem pr&aacute;ticas, sen&atilde;o que devia satisfazer as exig&ecirc;ncias das autoridades&rdquo;. <\/p>\n<p>Narus, uma subsidi&aacute;ria da Boeing Corp., vendeu equipamento ao Egito para permitir &ldquo;uma inspe&ccedil;&atilde;o profunda do pacote&rdquo; (DPI, na sua sigla em ingl&ecirc;s), segundo Tim Karr do grupo de pol&iacute;tica de m&iacute;dias Free Press. Karr disse que a tecnologia de Narus &ldquo;permite &agrave;s empresas eg&iacute;pcias de telecomunica&ccedil;&otilde;es visualizar as mensagens de texto dos telefones celulares e identificar os tipos de vozes dissidentes que existem. Ela tamb&eacute;m oferece ferramentas tecnol&oacute;gicas para localizar as ditas vozes geograficamente e rastre&aacute;-las&rdquo;. <\/p>\n<p>Talvez isso se explique melhor por meio de uma advert&ecirc;ncia feita h&aacute; 50 anos por um general do ex&eacute;rcito dos Estados Unidos, o Presidente Dwight D. Eisenhower, que disse: &ldquo;Devemos tratar de evitar que o complexo militar-industrial adquira influ&ecirc;ncia injustificada, j&aacute; em pr&aacute;tica ou n&atilde;o&rdquo;. <\/p>\n<p>Esse complexo mortal n&atilde;o s&oacute; &eacute; um perigo para a democracia a n&iacute;vel nacional, como tamb&eacute;m quando ap&oacute;ia d&eacute;spotas no estrangeiro. <br \/>\n&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<br \/>\nDenis Moynihan colaborou na produ&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica desta coluna.<br \/>\n@2010 Amy Goodman<\/p>\n<p>Texto en ingl&ecirc;s traducido por Mercedes Camps, editado por Gabriela D&iacute;az Cortez y Democracy Now! en espa&ntilde;ol, spanish@democracynow.org<\/p>\n<p>Texto em espanhol traduzido por Rafael Cavalcanti Barreto, revisado por Bruno Lima Rocha.<\/p>\n<p>Amy Goodman &eacute; &acirc;ncora do Democracy Now!, um notici&aacute;rio internacional que emite conte&uacute;do di&aacute;rio para mais de 650 emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o em ingl&ecirc;s, e mais de 250 em espanhol. &Eacute; co-autora do livro &ldquo;Os que lutam contra o sistema: Her&oacute;is ordin&aacute;rios em tempos extraordin&aacute;rios nos Estados Unidos&rdquo;, editado pelo Le Monde Diplomatique do Cone Sul.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Egito tem sido o segundo grande destino de ajuda externa dos Estados Unidos durante d\u00e9cadas, atr\u00e1s apenas de Israel. 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