{"id":1383,"date":"2011-02-07T00:19:09","date_gmt":"2011-02-07T00:19:09","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1383"},"modified":"2011-02-07T00:19:09","modified_gmt":"2011-02-07T00:19:09","slug":"reflexoes-politicas-apos-a-catastrofe-na-regiao-serrana-do-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1383","title":{"rendered":"Reflex\u00f5es pol\u00edticas ap\u00f3s a cat\u00e1strofe na regi\u00e3o serrana do Rio"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/itaipaiva-estado-do-rio.jpg\" title=\"Itaipava sofreu com os deslizamentos, e as enchentes, decorrentes tamb\u00e9m do avan\u00e7o absurdo da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, invadindo leitos e cabeceiras de rios de serra, onde todos sabem os riscos que implicam uma cabe\u00e7a d\u2019\u00e1gua ou tromba d\u2019\u00e1gua. No final, mais do mesmo; os brasileiros mais humildes morrem como sempre e ningu\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel por autorizar o absurdo crescente.   - Foto:democraciapolitica.blogspot.com \" alt=\"Itaipava sofreu com os deslizamentos, e as enchentes, decorrentes tamb\u00e9m do avan\u00e7o absurdo da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, invadindo leitos e cabeceiras de rios de serra, onde todos sabem os riscos que implicam uma cabe\u00e7a d\u2019\u00e1gua ou tromba d\u2019\u00e1gua. No final, mais do mesmo; os brasileiros mais humildes morrem como sempre e ningu\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel por autorizar o absurdo crescente.   - Foto:democraciapolitica.blogspot.com \" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Itaipava sofreu com os deslizamentos, e as enchentes, decorrentes tamb\u00e9m do avan\u00e7o absurdo da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, invadindo leitos e cabeceiras de rios de serra, onde todos sabem os riscos que implicam uma cabe\u00e7a d\u2019\u00e1gua ou tromba d\u2019\u00e1gua. No final, mais do mesmo; os brasileiros mais humildes morrem como sempre e ningu\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel por autorizar o absurdo crescente.  <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:democraciapolitica.blogspot.com <\/small><\/figure>\n<p>07 de fevereiro de 2011 &ndash; data do mart&iacute;rio de Sep&eacute; Tiaraju, <em>Bruno Lima Rocha<\/em> &amp; <em>Rafael Cavalcanti <br \/>\n<\/em><br \/>\n<u>Observa&ccedil;&atilde;o aos leitores e leitoras:<\/u> Desta vez Rafael e eu nos aproximamos em uma an&aacute;lise, mas com t&eacute;cnicas jornal&iacute;sticas, trazendo refer&ecirc;ncias e cita&ccedil;&otilde;es de duas organiza&ccedil;&otilde;es, uma pol&iacute;tica espec&iacute;fica (a Federa&ccedil;&atilde;o Anarquista do Rio de Janeiro) e outra de tipo frente social, o F&oacute;rum do Movimento Sindical e Popular de Nova Friburgo. Entendemos que portais como o nosso tem sua relev&acirc;ncia, aportam no sentido de aproxima&ccedil;&atilde;o da academia, do trabalho anal&iacute;tico e tamb&eacute;m da milit&acirc;ncia da comunica&ccedil;&atilde;o popular e alternativa atrav&eacute;s do jornalismo. Ao mesmo tempo, compreendemos tamb&eacute;m que portais como o nosso implicam um refor&ccedil;o e um apoio, pois temos lado e nunca escondemos isso, das iniciativas de auto-organiza&ccedil;&atilde;o popular, sejam estas pol&iacute;ticas (como a FARJ) ou sociais, como o F&oacute;rum friburguense. Com isso, aportamos nosso gr&atilde;o de areia, reconhecendo que as estruturas organizadas do povo s&atilde;o as mais leg&iacute;timas para falar com e em nome das maiorias. Boa leitura, e toda nossa solidariedade para com as v&iacute;timas. <\/p>\n<p>\nA aus&ecirc;ncia de um ordenamento e planifica&ccedil;&atilde;o do solo urbano, do uso semi-rural (como nos condom&iacute;nios de s&iacute;tios e ch&aacute;caras), assim como a op&ccedil;&atilde;o pela rede de hot&eacute;is fazenda, sempre ocupando bacias de rios serranos, pode ser considerada a causa de fundo para o desastre na Regi&atilde;o Serrana do Rio. N&atilde;o &eacute; novidade para ningu&eacute;m a falta de compatibilidade entre o relevo do estado do Rio de Janeiro e a ocupa&ccedil;&atilde;o humana, principalmente numa regi&atilde;o onde montanhas e encostas s&atilde;o os destaques da geografia.<\/p>\n<p>Por outro lado, o per&iacute;odo de ver&atilde;o sempre foi, e continuar&aacute; sendo, uma &eacute;poca com regime de chuva acentuado. Se uma das atividades-fim do ato de governar &eacute; prover o bem comum e o bem-estar da maior parte dos cidad&atilde;os, &eacute; conceitualmente correto afirmar que as tr&ecirc;s prefeituras das maiores cidades da Serra (Petr&oacute;polis, Teres&oacute;polis e Nova Friburgo) falharam e faliram como entes de governo. O mesmo se pode dizer em rela&ccedil;&atilde;o ao governo do estado, que tamb&eacute;m deveria garantir um planejamento m&iacute;nimo, por&eacute;m suficiente, para evacua&ccedil;&atilde;o dos moradores em casos de emerg&ecirc;ncia. <\/p>\n<p>A an&aacute;lise realista nos obriga a ver que o Estado sabe e consegue reprimir for&ccedil;as insurgentes, mas n&atilde;o tenta aplicar estes mesmos recursos para a salvaguarda de seus cidad&atilde;os. Vejamos. Exemplos simples de medidas de procedimentos podem ser heliportos de segunda categoria, com zonas cimentadas em encostas (aplicados corriqueiramente por militares para combate de guerrilhas e forma&ccedil;&otilde;es irregulares), tetos de edif&iacute;cios (t&iacute;picos heliportos de executivos) e caminh&otilde;es a todo terreno (tamb&eacute;m de uso de for&ccedil;as repressoras contra insurg&ecirc;ncias). Escalas de plant&atilde;o, incluindo a coordena&ccedil;&atilde;o com tropas federais (unidades de resgate e salvamento, como refor&ccedil;o da Defesa Civil e outras formas de aten&ccedil;&atilde;o m&aacute;xima. Tampouco &eacute; fact&iacute;vel crer que existam sistemas de seguran&ccedil;a patrimoniais desenvolvidos &ndash; com monitoramento central e salas de conting&ecirc;ncia m&oacute;veis &ndash; e esta mesma aplica&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica n&atilde;o possa ser empregada para salvar vidas de pessoas e tamb&eacute;m de animais de cria&ccedil;&atilde;o. O mesmo racioc&iacute;nio &eacute; aplic&aacute;vel para quando o Estado opta por reprimir &ndash; e assim o faz muito bem &ndash; do que quando os tr&ecirc;s n&iacute;veis de governo, em tese, deveriam operar para garantir a vida da maioria. Neste ponto, falha-se ciclicamente. <\/p>\n<p>&Eacute; uma covardia pol&iacute;tica apelar para a solidariedade &ndash; infind&aacute;vel e generosa &ndash; do povo brasileiro e n&atilde;o acionar os mecanismos apropriados para prevenir ou preparar planos de conting&ecirc;ncia de cat&aacute;strofes e calamidades. Hoje, n&atilde;o h&aacute; sequer um &oacute;rg&atilde;o de geot&eacute;cnica (aplica&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia que estuda a interfer&ecirc;ncia de obras de infra-estrutura com a sua funda&ccedil;&atilde;o, seja ela em solo ou rocha) adequado para mapear as &aacute;reas de risco (desabamento e alagamento) e conten&ccedil;&atilde;o de encostas. Portanto, se o Estado n&atilde;o previne, fica aqu&eacute;m do contrato social que assinamos ao nascer &ndash; e sem saber &ndash; em prestar obedi&ecirc;ncia e lealdade a uma determinada forma organizativa que, outra vez mais em tese, estar&aacute; presente para cobrar impostos, prender, reprimir, julgar e destinar recursos coletivos. Quando uma das partes quase nunca cumpre minimamente com seus encargos contratuais, como manter o contrato?! <\/p>\n<p>Voltando &agrave;s medidas n&atilde;o executadas, compreendemos que, se as doa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o de alimentos n&atilde;o perec&iacute;veis, &aacute;guas e produtos de higiene, portanto, s&atilde;o todos produtos estoc&aacute;veis, bastando para isso manter armaz&eacute;ns de eventuais emerg&ecirc;ncias. Apelar para a popula&ccedil;&atilde;o gera coes&atilde;o social, causa como&ccedil;&atilde;o nas pessoas e engaja quem j&aacute; est&aacute; organizado. Mas agir em solidariedade e n&atilde;o fazer a cr&iacute;tica do desgoverno &eacute; optar pela via da cegueira pol&iacute;tica. A mesma despolitiza&ccedil;&atilde;o que transforma a visita de chefes de Estado em compensa&ccedil;&atilde;o do poder p&uacute;blico, ainda mais se for atrav&eacute;s da espetaculariza&ccedil;&atilde;o midi&aacute;tica. <\/p>\n<p>No vazio da pol&iacute;tica oficial, a m&iacute;dia em geral, e a Globo em particular, novamente &ldquo;veste a camisa&rdquo; de seu estado de origem e organiza a sociedade, pautando-a com o desastre das chuvas. O mesmo se sucedera quando da grande enchente do Rio de Janeiro de 1966, quando a Globo se legitima como prestadora de servi&ccedil;os, aumentando o arraigo da rec&eacute;m formada televis&atilde;o (vinda de um jornal, O Globo, que apoiara o golpe de Estado de 1964 e antes apoiara a queda de Get&uacute;lio &ndash; sucedida do suic&iacute;dio enquanto ca&iacute;a &ndash; em 1954). Quando a m&iacute;dia empresarial brasileira governa e pauta de forma unilateral a sociedade, mesmo em per&iacute;odos de emerg&ecirc;ncia, ficam as pessoas carentes de cr&iacute;ticas. <\/p>\n<p>At&eacute; sexta-feira, 28 de janeiro de 2011, j&aacute; som&aacute;vamos cerca de 8.810 desabrigados, 21.000 desalojados e 840 mortos nas cidades atingidas pelo maior desastre envolvendo deslizamento de encostas e inunda&ccedil;&otilde;es da hist&oacute;ria do pa&iacute;s. A quantidade real pode ser maior, uma vez que bairros inteiros desapareceram, havendo ainda localidades distantes dos centros urbanos que se encontram isoladas. As mortes s&atilde;o, em grande parte, fruto do descaso com a preven&ccedil;&atilde;o e a interven&ccedil;&atilde;o emergente quando os tempos se encurtam e agilidade no socorro implica em salvar vidas. <\/p>\n<p>Se h&aacute; uma boa compreens&atilde;o da trag&eacute;dia de janeiro &eacute; saber, mais uma vez, da imensa capacidade solid&aacute;ria do povo para consigo mesmo. Este pode ser o bom sinal, que para al&eacute;m das interven&ccedil;&otilde;es oficiais e do clamor midi&aacute;tico, h&aacute; uma cultura viva de ajudar ao pr&oacute;ximo, de alteridade e aux&iacute;lio. Este caldo de cultura pode ser uma fonte de c&acirc;mbio de comportamento, se e caso existirem recipientes pol&iacute;ticos capazes de acolher estas culturas e n&uacute;cleos midi&aacute;ticos sem perfil empresarial &ndash; como foi o caso da R&aacute;dio Comunit&aacute;ria do pequeno munic&iacute;pio de Areal, que ajudou a convocar os moradores da beira dos rios Preto e Piabanha a evacuarem o local prestes a inundar. <\/p>\n<p>Exemplos como esse podem ser a matriz de um modelo de aumento do controle de seus pr&oacute;prios destinos por parte da popula&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios pequenos. Nestes locais, &eacute; onde a emissora l&iacute;der do oligop&oacute;lio tem uma cobertura parcial (com pautas eventuais dentro do telejornal local) e por tanto h&aacute; mais espa&ccedil;o &ndash; &ldquo;naturalizado&rdquo; pelo vazio de poder midi&aacute;tico &ndash; a m&iacute;dia em sua forma n&atilde;o comercial. Essa esfera p&uacute;blica de uma popula&ccedil;&atilde;o que se conhece de vista e conversa na pra&ccedil;a pode vir a germinar &ndash; se houver minoria ativa para isso &ndash; procedimentos de tipo protagonismo cidad&atilde;o, muito inspirado na proposta j&aacute; cl&aacute;ssica do municipalismo libert&aacute;rio. <\/p>\n<p><strong>Manifesto &agrave; popula&ccedil;&atilde;o e &agrave;s &ldquo;autoridades&rdquo; constitu&iacute;das <\/p>\n<p><\/strong>Por sorte, e como era de se esperar, a esfera solid&aacute;ria tamb&eacute;m elevou o n&iacute;vel da cr&iacute;tica e da movimenta&ccedil;&atilde;o. No dia 28 de janeiro de 2011, organiza&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e entidades representativas de Nova Friburgo, reunidas em f&oacute;rum permanente de debates e de apresenta&ccedil;&atilde;o de propostas para o enfrentamento da trag&eacute;dia da regi&atilde;o serrana fluminense, apresentaram um manifesto p&uacute;blico com reivindica&ccedil;&otilde;es, que pontuava os trabalhadores como os maiores interessados na defini&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas voltadas &agrave; supera&ccedil;&atilde;o dos problemas provocados pelas chuvas. <\/p>\n<p>O manifesto dispon&iacute;vel em diversos sites e blogs mostra que o F&oacute;rum do Movimento Sindical e Popular de Nova Friburgo, como se denomina o coletivo, exige uma pr&aacute;tica democr&aacute;tica de car&aacute;ter horizontal que vise &agrave; reconstru&ccedil;&atilde;o das cidades atingidas sobre novas bases, sob o atendimento dos interesses da popula&ccedil;&atilde;o. Organiza&ccedil;&otilde;es como a Associa&ccedil;&atilde;o dos Docentes da Faculdade de Filosofia Santa Dorot&eacute;ia, o Conselho Municipal das Associa&ccedil;&otilde;es de Moradores, sindicatos de oper&aacute;rios e de trabalhadores do terceiro setor e at&eacute; partidos pol&iacute;ticos (justo eles?!) comp&otilde;em o F&oacute;rum. <\/p>\n<p>Entre as pautas, est&aacute; a garantia de nenhuma demiss&atilde;o, reposi&ccedil;&atilde;o de horas ou corte de sal&aacute;rios no per&iacute;odo cr&iacute;tico da trag&eacute;dia; isen&ccedil;&atilde;o de impostos, taxas e tarifas &agrave;s pessoas prejudicadas; contrata&ccedil;&atilde;o de vagas nos hot&eacute;is das cidades para os desabrigados; campanha de sa&uacute;de preventiva; constru&ccedil;&atilde;o de moradias populares em &aacute;reas de seguran&ccedil;a e com condi&ccedil;&otilde;es digna de sobreviv&ecirc;ncia; pris&atilde;o e cassa&ccedil;&atilde;o dos alvar&aacute;s de empres&aacute;rios, comerciantes e corretores de im&oacute;veis que tenham inflacionado os pre&ccedil;os dos seus produtos e alugu&eacute;is, como j&aacute; v&ecirc;m acontecendo. <\/p>\n<p>O movimento social tamb&eacute;m cobra uma a&ccedil;&atilde;o da Procuradoria Geral do Trabalho, Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Trabalho e Minist&eacute;rio do Trabalho e Emprego que assegure direitos sociais e trabalhistas com a designa&ccedil;&atilde;o de uma Procuradoria especial para as demandas advindas da trag&eacute;dia. A id&eacute;ia &eacute; que se formem comit&ecirc;s populares para acompanhar o uso das verbas federais e estaduais. Os membros do F&oacute;rum reivindicam participa&ccedil;&atilde;o nas decis&otilde;es pol&iacute;ticas acerca do futuro da cidade, inclusive com a elabora&ccedil;&atilde;o de um plano permanente de preserva&ccedil;&atilde;o ambiental. <\/p>\n<p>\n<strong>Destino dos recursos federais <\/p>\n<p><\/strong>O clamor vindo de quem est&aacute; organizado n&atilde;o acabou em Nova Friburgo. Em nota oficial, a Federa&ccedil;&atilde;o Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ) denuncia que a maior parte dos recursos federais &eacute; destinada para obras da Copa do Mundo e das Olimp&iacute;adas, deixando de lado pol&iacute;ticas de preven&ccedil;&atilde;o de desastres naturais comuns no in&iacute;cio do ano. Em 2010, por exemplo, cerca de 300 pessoas morreram nas cidades de Angra dos Reis e Niter&oacute;i, v&iacute;timas da inefici&ecirc;ncia do poder p&uacute;blico diante de fortes chuvas tamb&eacute;m em janeiro. Na ocasi&atilde;o o ent&atilde;o presidente Lula atribuiu os incidentes com enchentes no sul e sudeste a &ldquo;ac&uacute;mulo de erros&rdquo; ocorridos no pa&iacute;s. <\/p>\n<p>Parece que o pr&oacute;prio ex-presidente e sua sucessora repetiram e repetir&atilde;o as falhas. Segundo a FARJ, &ldquo;s&oacute; a reforma do Maracan&atilde; custar&aacute; aos cofres p&uacute;blicos a bagatela de mais de R$ 900 milh&otilde;es de reais. J&aacute; as cidades de Teres&oacute;polis, Nova Friburgo e Petr&oacute;polis, pasmem, v&atilde;o receber respectivamente at&eacute; 2014, R$ 13,2 milh&otilde;es, R$ 8,8 milh&otilde;es e R$ 1,1 milh&atilde;o para a conten&ccedil;&atilde;o de encostas! Junto, o montante que estas cidades receber&atilde;o chega a R$ 23,1 milh&otilde;es, ou seja, irris&oacute;rios 2,5% do custo total das obras no Maracan&atilde;&rdquo;. Isto sem levarmos em conta a reforma do mesmo est&aacute;dio em 2008 para o jogos Pan-americano e os gastos de obras urbanas relacionadas &agrave; hotelaria, transporte e seguran&ccedil;a para turistas. Some-se a esse absurdo o fato que antes do Mundial de Clubes de 2000 &ndash; realizado tamb&eacute;m no Rio de Janeiro &ndash; este mesmo est&aacute;dio j&aacute; foi restaurado. Ou seja, entramos na terceira reforma do &ldquo;Maraca&rdquo;, o est&aacute;dio Jo&atilde;o Havelange (Engenh&atilde;o) foi erguido a toque de caixa e n&atilde;o tem padr&atilde;o ol&iacute;mpico (assim sendo, mais dinheiro p&uacute;blico escoando pela cloaca para os caixas das empreiteiras) e enquanto isso, as pessoas simplesmente morrem porque os morros deslizam quando chove! <\/p>\n<p>A FARJ informa tamb&eacute;m que o empres&aacute;rio Eike Batista, um dos homens mais ricos do mundo, investir&aacute; bilh&otilde;es de reais para transformar a cidade carioca numa esp&eacute;cie de &ldquo;Barcelona Tur&iacute;stica&rdquo;. A organiza&ccedil;&atilde;o afirma que &ldquo;Eike j&aacute; deixou claro que um de seus objetivos &eacute; combinar na cidade &lsquo;praias estonteantes com import&acirc;ncia financeira e arquitetura ultramoderna&rsquo;, ou seja, mant&eacute;m-se a praia para os ricos, e a lama para os pobres&rdquo;. Deste modo, parte do Rio de Janeiro sediaria empreendimentos de uma minoria abastada, enquanto milh&otilde;es das zonas perif&eacute;ricas continuariam sem infra-estrutura. Os problemas que eram t&iacute;picos da capital, como o tr&aacute;fico de drogas e enchentes, passariam assim a ocorrer com maior freq&uuml;&ecirc;ncia em outros munic&iacute;pios do estado com menor visibilidade internacional. <\/p>\n<p>Por fim, os militantes anarquistas chamam a aten&ccedil;&atilde;o para a falta de um projeto nacional e uma pol&iacute;tica de habita&ccedil;&atilde;o que atenda os brasileiros. De acordo com a FARJ, o &uacute;nico projeto nacional de moradia interessa apenas &agrave;s empresas da constru&ccedil;&atilde;o civil. &ldquo;A prova que esta pol&iacute;tica continuar&aacute; &eacute; que, juntos, PT e PMDB receberam R$ 90,9 milh&otilde;es de reais em suas respectivas campanhas pol&iacute;ticas de grandes empreiteiras, como a Camargo Corr&ecirc;a, Odebrecht e outras. As empreiteiras doaram mais para estes partidos do que para outras legendas, o que indica que a aposta de parte da burguesia nacional no projeto petista, parece estar dando certo. Para completar o quadro, o rec&eacute;m-empossado ministro das cidades, M&aacute;rio Negromonte &eacute; um conhecido empreiteiro da Bahia&rdquo;, diz a nota. <\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; de se estranhar o teor da nota, onde ao apenas citar dados irrefut&aacute;veis, a FARJ p&otilde;e o dedo na ferida da pol&iacute;tica brasileira e chama o alerta para que a pol&iacute;tica de P&atilde;o, Circo e UPP do ex-tucano e atual governador reeleito S&eacute;rgio Cabral Filho (PMDB) &eacute; mais do que perigosa diante dos desafios de quem, em tese (suposi&ccedil;&atilde;o na verdade), deveria zelar pelo bem-estar das maiorias. <\/p>\n<p><strong>Linhas conclusivas <\/p>\n<p><\/strong>Para al&eacute;m da trag&eacute;dia, vislumbra-se no ar uma nova frente de luta popular, apontando para a peleia pelo direito ao uso do solo urbano e o ordenamento do territ&oacute;rio. Causas e pontos de vista se fundem, uma vez que a defesa da Mata Atl&acirc;ntica e das cabeceiras e leitos de rios est&atilde;o para al&eacute;m da ecologia desde um ponto de vista da preserva&ccedil;&atilde;o, alcan&ccedil;ando ser uma luta pura e simples pela sobreviv&ecirc;ncia diante do clima e dos regimes de chuva. Sobreviver nos dias que seguem, implica em lutar pelo controle dos recursos coletivos, dentre eles, a pr&oacute;pria destina&ccedil;&atilde;o de usufruto do espa&ccedil;o onde todos convivem. <\/p>\n<p>Observa&ccedil;&atilde;o: enquanto conclu&iacute;mos a &uacute;ltima revis&atilde;o deste texto, a m&iacute;dia corporativa j&aacute; anuncia que o n&uacute;mero de mortos ultrapassa a 874, chegando a 437 o total de desaparecidos. Quais s&atilde;o as autoridades respons&aacute;veis por esta calamidade c&iacute;clica?!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Itaipava sofreu com os deslizamentos, e as enchentes, decorrentes tamb\u00e9m do avan\u00e7o absurdo da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, invadindo leitos e cabeceiras de rios de serra, onde todos sabem os riscos que implicam uma cabe\u00e7a d\u2019\u00e1gua ou tromba d\u2019\u00e1gua. 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