{"id":1386,"date":"2011-02-13T16:18:39","date_gmt":"2011-02-13T16:18:39","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1386"},"modified":"2011-02-13T16:18:39","modified_gmt":"2011-02-13T16:18:39","slug":"13-de-fevereiro-de-2011-coluna-de-amy-goodman","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1386","title":{"rendered":"13 de fevereiro de 2011 &#8211; Coluna de Amy Goodman"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/asmaamahfouz.jpg\" title=\"Asmaa Mahfouz, do Movimento Juvenil 06 de abril, publicou um v\u00eddeo no Facebook no dia 18 de janeiro, convocando os jovens do Egito a irem \u00e0s ruas contra Mubarak - Foto:loveandtrash.com\" alt=\"Asmaa Mahfouz, do Movimento Juvenil 06 de abril, publicou um v\u00eddeo no Facebook no dia 18 de janeiro, convocando os jovens do Egito a irem \u00e0s ruas contra Mubarak - Foto:loveandtrash.com\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Asmaa Mahfouz, do Movimento Juvenil 06 de abril, publicou um v\u00eddeo no Facebook no dia 18 de janeiro, convocando os jovens do Egito a irem \u00e0s ruas contra Mubarak<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:loveandtrash.com<\/small><\/figure>\n<p><strong>N&atilde;o silenciar&atilde;o a juventude eg&iacute;pcia<\/strong> <\/p>\n<p>&ldquo;Em nome de Christoph Probst, Hans Scholl e Sophie Scholl&rdquo;, dizia um cartaz na parte superior do bem acessado blog do dissidente eg&iacute;pcio Kareem Amer. E continua: &ldquo;Decapitados em 22 de fevereiro de 1943 por terem se atrevido a dizer n&atilde;o a Hitler e sim &agrave; liberdade e justi&ccedil;a para todos&rdquo;. O cartaz do jovem blogueiro recorda o valente grupo de propaganda antinazista que se autodenominou Coletivo Rosa Branca. Este grupo redigiu e distribuiu secretamente seis panfletos denunciando as atrocidades nazistas. Em um deles, declaravam: &ldquo;N&atilde;o nos calaremos&rdquo;. Sophie e seu irm&atilde;o Hans foram capturados pelos nazistas, julgados, processados e decapitados.<\/p>\n<p>Kareem Amer, que ficou quatro anos preso no Egito por escrever em seu blog, desapareceu das ruas do Cairo depois de abandonar a Pra&ccedil;a Tahrir com um amigo, segundo o site cyberdissidents.org. O grupo sup&otilde;e que Amer encontra-se agora entre as centenas de jornalistas e ativistas de direitos humanos detidos pelo regime do ditador eg&iacute;pcio deposto Hosni Mubarak, e acaba de lan&ccedil;ar uma campanha para exigir sua liberta&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Amer desapareceu justamente antes de Wael Ghonim ser libertado. Ghonim &eacute; um executivo da Google de 30 anos de idade que ajudou a administrar a p&aacute;gina do Facebook, que teve um papel decisivo na organiza&ccedil;&atilde;o dos protestos do dia 25 de janeiro no Egito. A p&aacute;gina chama-se &ldquo;Todos somos Khaled Said&rdquo; em homenagem a um jovem assassinado pela pol&iacute;cia em Alexandria em junho de 2010. Uma foto do cad&aacute;ver de Said apareceu na internet. Tinhas sinais de ter recebido golpes brutais no rosto. <\/p>\n<p>Ghonim foi ao Egito para participar dos protestos e acabou preso e detido de modo secreto pelo governo eg&iacute;pcio durante 12 dias. O canal de televis&atilde;o eg&iacute;pcio Dream 2 entrevistou-o logo ap&oacute;s sua liberta&ccedil;&atilde;o. Na entrevista, Ghonim desmoronou e rompeu em prantos na frente das c&acirc;meras quando lhe mostraram as fotos de diversas pessoas assassinadas nos protestos. &ldquo;Dissemos que lutaremos por nossos direitos e por nosso pa&iacute;s. N&atilde;o sou um her&oacute;i. Somente estava utilizando o teclado na Internet. Nunca pus minha vida em perigo. Os verdadeiros her&oacute;is s&atilde;o os que est&atilde;o a&iacute; fora&rdquo;. <\/p>\n<p>A liberta&ccedil;&atilde;o de Ghonim fez com que a multid&atilde;o, que naquele momento ainda exigia o fim do regime de 30 anos de Mubarak, aumentasse na Pra&ccedil;a Tahrir. Tahrir, que significa &ldquo;liberta&ccedil;&atilde;o&rdquo; em &aacute;rabe, &eacute; o corpo e alma do movimento democr&aacute;tico no Egito, mas n&atilde;o &eacute; o &uacute;nico lugar onde se re&uacute;ne gente valente contr&aacute;ria ao regime. Enquanto escrevia esta coluna (traduzida para o portugu&ecirc;s dias depois da ren&uacute;ncia de Mubarak), instala-se um novo acampamento em frente ao Parlamento eg&iacute;pcio e seis mil trabalhadores estraram em greve no Canal de Suez. Enquanto a ditadura cristalizada ainda afirmava estar fazendo concess&otilde;es, suas for&ccedil;as de choquem desatavam uma onda de viol&ecirc;ncia, intimida&ccedil;&atilde;o, deten&ccedil;&otilde;es e assassinatos. <\/p>\n<p>O setor da popula&ccedil;&atilde;o eg&iacute;pcia composto por uma juventude pujante &eacute; o que est&aacute; liderando a revolu&ccedil;&atilde;o. O Movimento Juvenil 06 de Abril se formou no ano passado em apoio aos trabalhadores t&ecirc;xteis em greve na cidade eg&iacute;pcia de Mahalla. Uma das fundadoras do movimento, Asmaa Mahfouz, que acaba de completar 26 anos, publicou um v&iacute;deo no Facebook no dia 18 de janeiro, pouco depois da revolu&ccedil;&atilde;o da Tun&iacute;sia provocar a queda do ditador desse pa&iacute;s. <\/p>\n<p>Asmaa disse: &ldquo;Estou fazendo este v&iacute;deo para lhes passar uma simples mensagem: queremos ir &agrave; Pra&ccedil;a Tahzir no 25 de janeiro. Vamos a&iacute; exigir nossos direitos humanos fundamentais. Simplesmente queremos nossos direitos humanos e nada mais. Eu vou no 25 de janeiro, e vou distribuir panfletos nas ruas. N&atilde;o vou fugir da raia. Se as for&ccedil;as de seguran&ccedil;a querem me tirar da luta, que venham e o fa&ccedil;am. Se voc&ecirc; se considera homem, vem comigo ao 25 de janeiro. Quem diz que as mulheres n&atilde;o deveriam ir &agrave;s manifesta&ccedil;&otilde;es porque v&atilde;o lhe bater, que poupe a honra e a hombridade e venha comigo ao 25 de janeiro&rdquo;. <\/p>\n<p>Sua convoca&ccedil;&atilde;o para a a&ccedil;&atilde;o foi outra fa&iacute;sca. A partir da Internet, as pessoas come&ccedil;aram a se organizar nos bairros, superando a barreira digital com panfletos impressos e o boca a boca. Depois do 25 de janeiro, o primeiro dia &eacute;pico de protesto, Asmaa Mahfouz publicou outra mensagem de v&iacute;deo: &ldquo;O que aprendemos ontem &eacute; que somos n&oacute;s quem temos o poder, n&atilde;o os valent&otilde;es. O poder est&aacute; na unidade e n&atilde;o na divis&atilde;o. Ontem vivemos os melhores momentos de nossas vidas&rdquo;. <\/p>\n<p>Na primeira semana de protestos, quebrou-se o que muitos chamam de &ldquo;a barreira do medo&rdquo;. Desde que come&ccedil;ou a ofensiva violenta do governo em 28 de janeiro, segundo o Huma Rights Watch, ao menos 302 pessoas foram assassinadas no Cairo, Alexandria e Su&eacute;z. <\/p>\n<p>O Presidente Obama continuava insistindo dias antes da queda de seu t&iacute;tere que os Estados Unidos n&atilde;o podem eleger o l&iacute;der do Egito, mas que o povo eg&iacute;pcio pode faz&ecirc;-lo. &Eacute; verdade. Mas o governo de Obama continuava dando ajuda econ&ocirc;mica e militar (at&eacute; os &uacute;ltimos minutos) ao regime de Mubarak. O selo &ldquo;Feito nos Estados Unidos&rdquo; estampado nas latas de gases lacrimog&ecirc;neos utilizadas contra manifestantes na Praza de Tahrir enfureceu a popula&ccedil;&atilde;o que estava ali. Durante os &uacute;ltimos trinta anos, os Estados Unidos gastaram bilh&otilde;es de d&oacute;lares para apoiar o regime de Mubarak. &Eacute; preciso deter agora mesmo o fluxo de dinheiro e de armas. <\/p>\n<p>(Obs. dos tradutores. E os jovens eg&iacute;pcios n&atilde;o silenciaram. A ditadura de Mubarak chegou ao fim na sexta-feira, 11 de fevereiro, com o an&uacute;ncio da ren&uacute;ncia do agora ex-presidente, ap&oacute;s dezoito dias de forte mobiliza&ccedil;&atilde;o popular. As For&ccedil;as Militares, por meio do marechal Mohamed Hussein Tantawi, 79 anos, assumir&atilde;o o governo do Egito. Segundo documento diplom&aacute;tico americano, que fora divulgado pelo WikiLeaks, Tantawi &eacute; &ldquo;velho e resistente &agrave;s mudan&ccedil;as&rdquo;. O experiente militar participou dos conflitos do Canal de Suez em 1956, da guerra dos Seis Dias em 1967 e da guerra do Yom Kippur em 1973. Curiosamente, assim como antigos oficiais do per&iacute;odo da independ&ecirc;ncia e do orgulho nacional, sua trajet&oacute;ria militar &eacute; o oposto da pol&iacute;tica externa dos governos de Mubarak e Sadat. Ser&aacute; que o marechal mudar&aacute; outra vez, ou seguir&aacute; com posturas conservadoras e t&iacute;teres para com o Imp&eacute;rio? A luta pol&iacute;tica no Egito est&aacute; agora come&ccedil;ando). <\/p>\n<p>&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&ndash; <br \/>\nDenis Moynihan colaborou na produ&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica desta coluna. <br \/>\n@2010 Amy Goodman <\/p>\n<p>Texto en ingl&ecirc;s traducido por Mercedes Camps, editado por Gabriela D&iacute;az Cortez y Democracy Now! en espa&ntilde;ol, spanish@democracynow.org <\/p>\n<p>Texto em espanhol traduzido por Rafael Cavalcanti Barreto, revisado por Bruno Lima Rocha. <\/p>\n<p>Amy Goodman &eacute; &acirc;ncora do Democracy Now!, um notici&aacute;rio internacional que emite conte&uacute;do di&aacute;rio para mais de 650 emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o em ingl&ecirc;s, e mais de 250 em espanhol. &Eacute; co-autora do livro &ldquo;Os que lutam contra o sistema: Her&oacute;is ordin&aacute;rios em tempos extraordin&aacute;rios nos Estados Unidos&rdquo;, editado pelo Le Monde Diplomatique do Cone Sul.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Asmaa Mahfouz, do Movimento Juvenil 06 de abril, publicou um v\u00eddeo no Facebook no dia 18 de janeiro, convocando os jovens do Egito a irem \u00e0s ruas contra Mubarak Foto:loveandtrash.com N&atilde;o silenciar&atilde;o a juventude eg&iacute;pcia &ldquo;Em nome de Christoph Probst, Hans Scholl e Sophie Scholl&rdquo;, dizia um cartaz na parte superior do bem acessado blog [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1386","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1386","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1386"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1386\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1386"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1386"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1386"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}