{"id":1398,"date":"2011-03-06T09:40:45","date_gmt":"2011-03-06T09:40:45","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1398"},"modified":"2011-03-06T09:40:45","modified_gmt":"2011-03-06T09:40:45","slug":"06-de-marco-de-2011-coluna-de-amy-goodman","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1398","title":{"rendered":"06 de mar\u00e7o de 2011 &#8211; Coluna de Amy Goodman"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/afeganistao.jpg\" title=\"S\u00f3 na ocupa\u00e7\u00e3o militar do Afeganist\u00e3o, os Estados Unidos gastam cerca de U$ 104 bilh\u00f5es ao ano. - Foto:oglobo\" alt=\"S\u00f3 na ocupa\u00e7\u00e3o militar do Afeganist\u00e3o, os Estados Unidos gastam cerca de U$ 104 bilh\u00f5es ao ano. - Foto:oglobo\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">S\u00f3 na ocupa\u00e7\u00e3o militar do Afeganist\u00e3o, os Estados Unidos gastam cerca de U$ 104 bilh\u00f5es ao ano.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:oglobo<\/small><\/figure>\n<p><strong>A Batalha dos Or&ccedil;amentos: novas frentes nas guerras do Afeganist&atilde;o e Iraque <br \/>\n<\/strong><br \/>\nWisconsin, Indiana, Ohio, Idaho&#8230; Estes estados s&atilde;o as &uacute;ltimas frentes de resist&ecirc;ncia na batalha dos or&ccedil;amentos, junto a uma luta mais ampla que se assoma na raiz da poss&iacute;vel repress&atilde;o por parte do governo dos Estados Unidos. Estas lutas, que surgem da ocupa&ccedil;&atilde;o do edif&iacute;cio do Capit&oacute;lio de Wisconsin, t&ecirc;m como pano de fundo as duas guerras que os Estados Unidos levam adiante no Iraque e Afeganist&atilde;o. N&atilde;o pode haver uma discuss&atilde;o, nem um debate sobre or&ccedil;amentos, sal&aacute;rios, aposentadorias, nem d&eacute;ficits, sem uma an&aacute;lise clara de quais s&atilde;o os custos destas guerras e os benef&iacute;cios incalcul&aacute;veis de p&ocirc;r fim &agrave;s mesmas.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, o custo da guerra. Os Estados Unidos gastam cerca de dois bilh&otilde;es de d&oacute;lares por semana somente no Afeganist&atilde;o, o que representa algo em torno de 104 bilh&otilde;es de d&oacute;lares ao ano &ndash; e isto sem incluir o Iraque. Comparemos esta cifra com o d&eacute;ficit do or&ccedil;amento estatal. Segundo um recente relat&oacute;rio do grupo independente Centro sobre Prioridades Or&ccedil;ament&aacute;rias e Pol&iacute;ticas, &quot;por volta de 45 estados mais o Distrito de Columbia projetam d&eacute;ficits or&ccedil;ament&aacute;rios de um total de 125 bilh&otilde;es de d&oacute;lares para o ano fiscal de 2012&quot;.<\/p>\n<p>As contas s&atilde;o claras: o dinheiro deveria ir aos estados em vez de gast&aacute;-lo num estado de guerra.<\/p>\n<p>O Presidente Barack Obama n&atilde;o d&aacute; sinais de que v&aacute; terminar nem a ocupa&ccedil;&atilde;o do Iraque, nem a atual guerra no Afeganist&atilde;o. Pelo contr&aacute;rio, durante sua campanha eleitoral prometeu ampliar a guerra no Afeganist&atilde;o e cumpriu a promessa. Ent&atilde;o, como marcha a guerra de Obama? N&atilde;o muito bem.<\/p>\n<p>Durante este per&iacute;odo, registraram-se mais mortes de civis no Afeganist&atilde;o desde o in&iacute;cio da invas&atilde;o, encabe&ccedil;ada pelos Estados Unidos em outubro de 2001. Informou-se que recentemente sessenta e cinco civis foram assassinados em Kunar, pr&oacute;ximo do Paquist&atilde;o, onde o aumento de mortes civis provoca o crescimento do apoio popular ao Talib&atilde;. Em 2010, tamb&eacute;m se produziu o maior n&uacute;mero de mortes de soldados estadunidenses, alcan&ccedil;ando um total de 711 norte-americanos e aliados mortos no Afeganist&atilde;o. O n&uacute;mero de soldados mortos continua alto em 2011, e espera-se que os confrontos se intensifiquem quando come&ccedil;ar o clima quente.<\/p>\n<p>O jornal <em>Washington Post<\/em> informou recentemente que o controvertido programa de avi&otilde;es n&atilde;o tripulados de Obama, levado a cabo pela CIA, em que aeronaves controladas &agrave; dist&acirc;ncia sobrevoam zonas rurais do Paquist&atilde;o para lan&ccedil;ar m&iacute;sseis Hellfire contra supostos &quot;militantes suspeitos&quot;, matou ao menos 581 pessoas, das quais apenas duas faziam parte de uma lista estadunidense de suspeitos &ldquo;militantes de alto n&iacute;vel&quot;. H&aacute; muitas provas de que os ataques com avi&otilde;es n&atilde;o tripulados, que aumentaram drasticamente durante o governo de Obama, matam cidad&atilde;os comuns, independente do apoio civil paquistan&ecirc;s aos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Enquanto isso, no Iraque, a democracia que os neoconservadores em Washington pretendiam entregar a ponta de pistola, com sua estrat&eacute;gia de &ldquo;impacto e intimida&ccedil;&atilde;o&quot; pode estar finalmente chegando. N&atilde;o com a ajuda dos Estados Unidos, mas sim inspirada nos levantes populares pac&iacute;ficos da Tun&iacute;sia e Egito. No entanto, a ONG <em>Human Rights Watch<\/em> acaba de informar que, enquanto a popula&ccedil;&atilde;o protesta e os dissidentes se organizam, &quot;os direitos dos cidad&atilde;os mais vulner&aacute;veis do Iraque, especialmente mulheres e detentos, s&atilde;o violados sistem&aacute;tica e impunemente&quot;.<\/p>\n<p>Samer Muscati, pesquisador no Iraque para a <em>Human Rights Watch<\/em>, acaba de sair de l&aacute;. Disse: &quot;Uma das coisas que monitoramos &eacute; a tortura no Iraque. E lamentavelmente, a tortura segue sendo sistem&aacute;tica e generalizada nos centros de deten&ccedil;&atilde;o. Os detentos queixam-se habitualmente de maus tratos que sofrem. Quando estivemos ali h&aacute; algumas semanas, descobrimos outra pris&atilde;o secreta em Bagd&aacute;, administrada por for&ccedil;as de seguran&ccedil;a de elite, que dependem do escrit&oacute;rio do ministro, sem nenhum tipo de presta&ccedil;&atilde;o de contas. E estas for&ccedil;as mantiveram os detentos incomunic&aacute;veis. Efetivamente, est&atilde;o desaparecidos. N&atilde;o t&ecirc;m contato com seus familiares nem advogados, e os inspetores de direitos humanos est&atilde;o proibidos de visit&aacute;-los. Ent&atilde;o os problemas de direitos humanos no Iraque s&atilde;o graves&quot;.<\/p>\n<p>Surgiram protestos em outra Pra&ccedil;a Tahrir, em Bagd&aacute; (sim, Tahrir significa &ldquo;liberta&ccedil;&atilde;o&rdquo; no Iraque e Egito), contra a corrup&ccedil;&atilde;o e para exigir empregos e melhores servi&ccedil;os p&uacute;blicos. As for&ccedil;as do governo iraquiano mataram 29 pessoas no fim de semana e prenderam mais 300, entre elas trabalhadores de direitos humanos e jornalistas.<\/p>\n<p>No entanto, os Estados Unidos continuam destinando dinheiro e soldados para estas guerras intermin&aacute;veis. Michael Hastings, da revista <em>Rolling Stone<\/em>, cujo artigo trouxe &agrave; tona o comportamento inaceit&aacute;vel do General Stanley McChrystal, acaba de mostrar o que denomina de opera&ccedil;&atilde;o ilegal do Tenente General William Caldwell no Afeganist&atilde;o, na qual o Ex&eacute;rcito dos Estados Unidos montou uma &quot;opera&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica&quot; contra senadores estadunidenses e outros dignit&aacute;rios que visitavam o pa&iacute;s, para conseguir apoio e mais financiamento. Segundo uma das fontes militares de Hastings, Caldwell perguntou: &quot;Como conseguiremos que estes sujeitos nos mandem mais gente?&#8230; O que tenho de p&ocirc;r em suas cabe&ccedil;as?&quot;<\/p>\n<p>Arnold Fields, inspetor geral especial para a reconstru&ccedil;&atilde;o do Afeganist&atilde;o (SIGAR, por suas siglas em ingl&ecirc;s), rec&eacute;m-aposentado, acaba de informar que 11,4 bilh&otilde;es de d&oacute;lares est&atilde;o em risco por causa de um planejamento inadequado. Outro grupo, a Comiss&atilde;o Estadunidense para Contratos em Tempos de Guerra &quot;conclui que os Estados Unidos t&ecirc;m desperdi&ccedil;ado dezenas bilh&otilde;es de d&oacute;lares dos quase 200 bilh&otilde;es que se gastaram em contratos e subs&iacute;dios desde 2002 para apoiar as opera&ccedil;&otilde;es militares, de reconstru&ccedil;&atilde;o e outras a&ccedil;&otilde;es dos Estados Unidos no Iraque e Afeganist&atilde;o.&quot;<\/p>\n<p>Isto nos remete aos professores, enfermeiros, policiais e bombeiros de Wisconsin. Mahlon Mitchell, presidente dos Bombeiros Profissionais de Wisconsin, disse-me na esquina do Capit&oacute;lio em Madison por que os bombeiros sindicalizados estavam ali, apesar de que seu sindicato n&atilde;o esteve entre os afetados pelo projeto de lei do governador Scott Walker:<\/p>\n<p>Mahlon Mitchell disse: &quot;Sabemos que o governador estava utilizando a t&aacute;ctica de nos dividir para reinar. Isto &eacute; um ataque &agrave; classe m&eacute;dia. Basicamente est&aacute; tratando de separar &agrave; classe m&eacute;dia, separar os sindicatos, enfrentar-nos e desfazer das organiza&ccedil;&otilde;es e da negocia&ccedil;&atilde;o coletiva. E n&atilde;o nos &iacute;amos ficar sentados e permitir que isso acontecesse&quot;.<\/p>\n<p>Se deixarmos de atacar ao povo no Iraque e Afeganist&atilde;o, podemos evitar estes ataques contra os pobres e a classe m&eacute;dia em nosso pa&iacute;s.<\/p>\n<p>&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&ndash; <br \/>\nDenis Moynihan colaborou na produ&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica desta coluna. <br \/>\n@2010 Amy Goodman <\/p>\n<p>Texto en ingl&ecirc;s traducido por Mercedes Camps, editado por Gabriela D&iacute;az Cortez y Democracy Now! en espa&ntilde;ol, spanish@democracynow.org <br \/>\nTexto em espanhol traduzido por Rafael Cavalcanti Barreto, revisado por Bruno Lima Rocha. A difus&atilde;o em portugu&ecirc;s, segundo acordo com a matriz de Democracy Now! &eacute; exclusiva de Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00f3 na ocupa\u00e7\u00e3o militar do Afeganist\u00e3o, os Estados Unidos gastam cerca de U$ 104 bilh\u00f5es ao ano. 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