{"id":1401,"date":"2011-03-12T18:52:35","date_gmt":"2011-03-12T18:52:35","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1401"},"modified":"2011-03-12T18:52:35","modified_gmt":"2011-03-12T18:52:35","slug":"12-de-marco-de-2011-coluna-de-amy-goodman","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1401","title":{"rendered":"12 de mar\u00e7o de 2011 &#8211; Coluna de Amy Goodman"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/alhurra.jpg\" title=\"Dinheiro que financia pequenas emissoras pode estar indo para \u00f3rg\u00e3os de propaganda do governo estadunidense no Oriente M\u00e9dio, como o canal de televis\u00e3o Al-Hurra. - Foto:mydailyclarity\" alt=\"Dinheiro que financia pequenas emissoras pode estar indo para \u00f3rg\u00e3os de propaganda do governo estadunidense no Oriente M\u00e9dio, como o canal de televis\u00e3o Al-Hurra. - Foto:mydailyclarity\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Dinheiro que financia pequenas emissoras pode estar indo para \u00f3rg\u00e3os de propaganda do governo estadunidense no Oriente M\u00e9dio, como o canal de televis\u00e3o Al-Hurra.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:mydailyclarity<\/small><\/figure>\n<p><strong>Preservemos as m&iacute;dias comunit&aacute;rias <br \/>\n<\/strong><br \/>\nO bosque de &aacute;lamos de Kebler Pass, estado do Colorado, nos Estados Unidos, &eacute; um dos maiores organismos vivos do mundo. Milhares de &aacute;lamos compartilham o mesmo sistema de ra&iacute;zes interconectadas. No fim de semana passado, atravessei o caminho de Kebler Pass, que est&aacute; a tr&ecirc;s mil metros de altura, em uma moto de neve. Fiz o percurso entre as localidades de Paonia e Crested Butte. Realizei uma viagem rel&acirc;mpago ao Colorado para ajudar &agrave;s r&aacute;dios comunit&aacute;rias a arrecadarem fundos, raz&atilde;o pela qual assisti a nove eventos beneficentes em apenas dois dias. O diretor de programa&ccedil;&atilde;o da emissora de r&aacute;dio comunit&aacute;ria KVNF de Paonia deixou-nos onde come&ccedil;a o caminho. Ali nos recolheu o diretor de programa&ccedil;&atilde;o da r&aacute;dio comunit&aacute;ria KBUT de Crested Butte e, junto com um grupo de DJs da emissora, percorremos rapidamente em motos de neve os 50 quil&ocirc;metros de caminho que h&aacute; entre as duas localidades.<\/p>\n<p>Agora que os republicanos t&ecirc;m a maioria na C&acirc;mara de Representantes, uma das primeiras medidas que tomaram foi reduzir a zero o atual financiamento da Corpora&ccedil;&atilde;o de Radiodifus&atilde;o P&uacute;blica (CPB, por suas siglas em ingl&ecirc;s). Mesmo assim, o deputado Doug Lamborn, de Colorado Springs, apresentou um projeto de lei para tirar em definitivo o financiamento &agrave; CPB. Lamborn disse a NPR, emissora de r&aacute;dio p&uacute;blica do pa&iacute;s: &quot;Vivemos em uma realidade em que h&aacute; 150 canais &agrave; cabo. Pode-se dizer que 99% dos estadunidenses t&ecirc;m televis&atilde;o. Temos Internet em nossos telefones celulares. Estamos em uma &eacute;poca em que j&aacute; n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio subsidiar a radiodifus&atilde;o&quot;. <\/p>\n<p>Mas a radiodifus&atilde;o p&uacute;blica e comunit&aacute;ria estabeleceu-se precisamente sob os perigos dos meios comerciais. Quando falamos da guerra, precisamos de uma m&iacute;dia que n&atilde;o esteja ligada aos fabricantes de armas. Quando falamos da reforma do sistema de sa&uacute;de, precisamos de uma m&iacute;dia que n&atilde;o seja patrocinada por empresas de seguros de sa&uacute;de ou por grandes farmac&ecirc;uticas. <\/p>\n<p>Em uma declara&ccedil;&atilde;o realizada na semana passada no Senado, a Secret&aacute;ria de Estado Hillary Clinton criticou duramente os meios de comunica&ccedil;&atilde;o comerciais. Disse: &quot;A audi&ecirc;ncia da Al Jazeera est&aacute; aumentando nos Estados Unidos porque transmite not&iacute;cias reais. Pode ser que algu&eacute;m n&atilde;o esteja de acordo com elas, mas este algu&eacute;m sente que est&aacute; recebendo not&iacute;cias reais todo o dia no lugar de um milh&atilde;o de comerciais e, voc&ecirc;s sabem, discuss&otilde;es entre charlat&atilde;es e o tipo de coisas que fazemos em nossos notici&aacute;rios, algo que n&atilde;o &eacute; particularmente informativo para n&oacute;s e muito menos para os estrangeiros&quot;. <\/p>\n<p>Clinton pediu mais financiamento para os &oacute;rg&atilde;os de propaganda do governo dos Estados Unidos no estrangeiro, como o Voice of America, a R&aacute;dio Mart&iacute; e o canal de televis&atilde;o Al-Hurra, produzido em &aacute;rabe no estado de Virginia e transmitido para os pa&iacute;ses do Oriente M&eacute;dio. Est&aacute; previsto que esse bra&ccedil;o do Departamento de Estado receba 769 milh&otilde;es de d&oacute;lares, quase o dobro de recursos que a Corpora&ccedil;&atilde;o de Radiodifus&atilde;o P&uacute;blica recebia. O sistema midi&aacute;tico das for&ccedil;as armadas dos Estados Unidos tem um or&ccedil;amento anual que supera 150 milh&otilde;es de d&oacute;lares e distribui programa&ccedil;&atilde;o de entretenimento &agrave;s bases no estrangeiro e conte&uacute;do propagand&iacute;stico durante 24 horas atrav&eacute;s de sua plataforma de televis&atilde;o, o Canal do Pent&aacute;gono. <\/p>\n<p>Clinton acrescentou: &ldquo;Assistimos a uma guerra da informa&ccedil;&atilde;o. J&aacute; sabem, durante a Guerra Fria, nos sa&iacute;mos muito bem ao transmitir a mensagem dos Estados Unidos mundo afora. Depois da queda do Muro de Berlim dissemos: &lsquo;Est&aacute; bem. J&aacute; &eacute; suficiente. N&oacute;s conseguimos. Terminamos nossa tarefa&rsquo;. E lamentavelmente estamos pagando um pre&ccedil;o muito alto por isso. Nossas m&iacute;dias privadas n&atilde;o podem deixar esse vazio&rdquo;. <\/p>\n<p>Se por um lado o diagn&oacute;stico de Clinton sobre as falhas dos meios comerciais estadunidenses &eacute; correto, por outro, sua resposta &eacute; equivocada. Precisamos de mais not&iacute;cias genu&iacute;nas e menos propaganda. O professor Robert McChesney, especialista em estudos dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa, concorda com a afirma&ccedil;&atilde;o. Disse-me: &quot;O que se tem de fazer &eacute; tomar boa parte desses 769 milh&otilde;es de d&oacute;lares, agreg&aacute;-la ao que se est&aacute; gastando atualmente nos Estados Unidos e criar um sistema de radiodifus&atilde;o p&uacute;blico e comunit&aacute;rio que seja realmente din&acirc;mico, forte e competitivo, que trate o governo dos Estados Unidos da mesma forma que trata qualquer outro governo, que tenha o mesmo padr&atilde;o de jornalismo, e depois o transmita ao mundo, e fa&ccedil;a isso completamente acess&iacute;vel ao mundo. Acho que isso mostraria o melhor dos Estados Unidos. E essa seria uma voz que teria um grande atrativo para as pessoas de todo o planeta que est&atilde;o sedentas de liberdade e democracia. Refor&ccedil;aria tamb&eacute;m a posi&ccedil;&atilde;o dos Estados Unidos no mundo mais do que qualquer outra coisa&quot;. <\/p>\n<p>Na zona rural do Colorado, nas regi&otilde;es rurais de todo o pa&iacute;s e nas reservas ind&iacute;genas estadunidenses, as emissoras comunit&aacute;rias de r&aacute;dio dependem de 25 a 50% dos fundos da CPB para seu funcionamento. No evento beneficente em Paonia, que foi um sucesso de p&uacute;blico, a Diretora Geral da emissora KVNF, Sally Kane, explicou a crise: &quot;A Lei de Comunica&ccedil;&otilde;es de 1934 reserva s&oacute; um pequeno espectro dos sinais de r&aacute;dio para que sirvam ao interesse p&uacute;blico e estejam livres de influ&ecirc;ncia comercial. Este servi&ccedil;o p&uacute;blico &eacute; essencial para a popula&ccedil;&atilde;o rural dos Estados Unidos. Paradoxalmente, s&atilde;o as emissoras de r&aacute;dio rurais as que sofrer&atilde;o as conseq&uuml;&ecirc;ncias de modo desproporcional caso o financiamento acabe. Novamente, trata-se de cortar os servi&ccedil;os de quem mais precisa, enquanto se protege grupos que podem pagar um pelot&atilde;o de lobistas para defenderem seus interesses. Eu me recuso a imaginar a minha regi&atilde;o sem minha r&aacute;dio comunit&aacute;ria&quot;. <\/p>\n<p>A resposta foi a mesma em todas as paradas do percurso: Idaho Springs, Carbondale, Panoia, Crested Butte, Monarch Pass, Salida (o limite ocidental do distrito do congressista Lamborn), Tellkuride, Rico e por &uacute;ltimo Durango. Nos sal&otilde;es dos munic&iacute;pios, audit&oacute;rios e teatros lotados, a paix&atilde;o dos habitantes locais por suas emissoras de r&aacute;dio demonstra que, igual aos &aacute;lamos das Montanhas Rochosas, estas pequenas emissoras de r&aacute;dio s&atilde;o resistentes, fortes e est&atilde;o profundamente enraizadas nas suas comunidades. Seu financiamento &eacute; um investimento que deve ser mantido.<\/p>\n<p><strong>Observa&ccedil;&atilde;o do tradutor e revisor em portugu&ecirc;s:<\/strong> <em>A m&aacute;xima vale para l&aacute; tal como c&aacute; e por toda Am&eacute;rica Latina e os demais pa&iacute;ses onde existe um sistema p&uacute;blico n&atilde;o-estatal de radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria. Nossas emissoras ser&atilde;o t&atilde;o ou mais fortes conforme for a for&ccedil;a social organizada a partir delas e em seu entorno. As li&ccedil;&otilde;es das r&aacute;dios mineiras da Bol&iacute;via, nascidas no calor da luta pelo controle dos trabalhadores das minas, da luta centen&aacute;ria contra a servid&atilde;o da mita e de suas majestades, o cobre e o estanho, abrem caminho no horizonte para uma democracia de tipo direta, igualit&aacute;ria e participativa. A &uacute;nica forma de falar para quem n&atilde;o est&aacute; organizado &eacute; atrav&eacute;s da m&iacute;dia livre, popular, alternativa e comunit&aacute;ria; o melhor instrumento para aglutinar for&ccedil;as locais e contrapor a press&atilde;o avassaladora tanto da m&iacute;dia corporativa como da ditadura da globaliza&ccedil;&atilde;o das transnacionais &eacute; atrav&eacute;s da radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria. Este texto de Amy Goodman est&aacute; para al&eacute;m de uma coluna de jornalismo radical, &eacute; um texto para cerrar fileiras e colocar-nos ombro a ombro com nossas briosas r&aacute;dios de baixa pot&ecirc;ncia e alta participa&ccedil;&atilde;o. <\/em><\/p>\n<p>&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&ndash; <\/p>\n<p>Denis Moynihan colaborou na produ&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica desta coluna. <br \/>\n@2010 Amy Goodman <\/p>\n<p>Texto en ingl&ecirc;s traducido por Mercedes Camps, editado por Gabriela D&iacute;az Cortez y Democracy Now! en espa&ntilde;ol, spanish@democracynow.org <br \/>\nTexto em espanhol traduzido por Rafael Cavalcanti Barreto, revisado por Bruno Lima Rocha.O conte&uacute;do em portugu&ecirc;s &eacute; reproduzido com exclusividade primeiramente pelo portal Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise segundo acordo com a matriz de Democracy Now! &Eacute; livre a reprodu&ccedil;&atilde;o em portugu&ecirc;s desde que citando a fonte de sua tradu&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Amy Goodman &eacute; &acirc;ncora do Democracy Now!, um notici&aacute;rio internacional que emite conte&uacute;do di&aacute;rio para mais de 650 emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o em ingl&ecirc;s, e mais de 250 em espanhol. &Eacute; co-autora do livro &ldquo;Os que lutam contra o sistema: Her&oacute;is ordin&aacute;rios em tempos extraordin&aacute;rios nos Estados Unidos&rdquo;, editado pelo Le Monde Diplomatique do Cone Sul.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dinheiro que financia pequenas emissoras pode estar indo para \u00f3rg\u00e3os de propaganda do governo estadunidense no Oriente M\u00e9dio, como o canal de televis\u00e3o Al-Hurra. 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