{"id":1403,"date":"2011-03-17T11:01:15","date_gmt":"2011-03-17T11:01:15","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1403"},"modified":"2011-03-17T11:01:15","modified_gmt":"2011-03-17T11:01:15","slug":"a-comissao-da-verdade-e-os-dois-demonios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1403","title":{"rendered":"A Comiss\u00e3o da Verdade e os dois dem\u00f4nios"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/2004_03_31_gloriosa40ok_casso.jpg\" title=\"Passados mais de quarenta anos do golpe de 1\u00ba de abril, ainda convivemos com a mentira hist\u00f3rica o perigo do \u201ctrauma do revanchismo\u201d. Esta conformidade implica em permitir que crimes de lesa humanidade sejam tolerados. O pa\u00eds que admite o horror no passado \u00e9 porque pode vir a tolerar novamente no futuro pr\u00f3ximo.  - Foto:morcego.blogger\" alt=\"Passados mais de quarenta anos do golpe de 1\u00ba de abril, ainda convivemos com a mentira hist\u00f3rica o perigo do \u201ctrauma do revanchismo\u201d. Esta conformidade implica em permitir que crimes de lesa humanidade sejam tolerados. O pa\u00eds que admite o horror no passado \u00e9 porque pode vir a tolerar novamente no futuro pr\u00f3ximo.  - Foto:morcego.blogger\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Passados mais de quarenta anos do golpe de 1\u00ba de abril, ainda convivemos com a mentira hist\u00f3rica o perigo do \u201ctrauma do revanchismo\u201d. Esta conformidade implica em permitir que crimes de lesa humanidade sejam tolerados. O pa\u00eds que admite o horror no passado \u00e9 porque pode vir a tolerar novamente no futuro pr\u00f3ximo. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:morcego.blogger<\/small><\/figure>\n<p>17 de mar&ccedil;o de 2011, da Vila Setembrina, <em>Bruno Lima Rocha <br \/>\n<\/em><br \/>\nNo Brasil temos alguns tabus de nossa hist&oacute;ria recente. Um deles se nota na celeuma criada pelo alto comando dos militares ao se contraporem a cria&ccedil;&atilde;o da Comiss&atilde;o da Verdade, medida esta que entendo vir tarde e limitada. <\/p>\n<p>O tema &eacute; tabu por motivos pol&iacute;ticos, uma vez que a transi&ccedil;&atilde;o foi fruto de uma &ldquo;abertura lenta, gradual e restrita&rdquo;. Na defesa desse jogo transit&oacute;rio pacificado, nos &uacute;ltimos anos surgiram neologismos pol&iacute;ticos, como &ldquo;ditabranda&rdquo; ou a id&eacute;ia banal da &ldquo;necessidade de punir crimes dos dois lados que cometeram excessos&rdquo;. Esta no&ccedil;&atilde;o reflete a odiosa &ldquo;teoria dos dois dem&ocirc;nios&rdquo;.<\/p>\n<p>Originalmente formulada por intelectuais argentinos favor&aacute;veis ao golpe encabe&ccedil;ado por Videla, anunciava que o estado de guerra interna promovido ainda no governo de Isabelita Per&oacute;n era uma medida necess&aacute;ria diante do fato das maiores for&ccedil;as pol&iacute;ticas n&atilde;o pactuarem uma conviv&ecirc;ncia pac&iacute;fica com um regime sem distribui&ccedil;&atilde;o de riquezas. Nos anos &rsquo;80 a teoria correu o Continente, servindo de legitima&ccedil;&atilde;o para as solu&ccedil;&otilde;es negociadas, inspiradas na transi&ccedil;&atilde;o espanhola p&oacute;s Franco, onde tamb&eacute;m ningu&eacute;m foi punido. <\/p>\n<p>Ao ler o documento de sete itens escrito pelo Comando do Ex&eacute;rcito e com ades&atilde;o das for&ccedil;as a&eacute;rea e naval, noto a mesma refer&ecirc;ncia. Os oficiais generais ressaltam a compreens&atilde;o do processo de transi&ccedil;&atilde;o no Brasil, onde as for&ccedil;as pol&iacute;ticas foram chamadas a participar, uma vez derrotada a luta armada. &Agrave; &eacute;poca, isto tinha um sentido de refor&ccedil;ar uma ala das For&ccedil;as Armadas em contra a &ldquo;tigrada dos por&otilde;es&rdquo; tamb&eacute;m chamada de &ldquo;linha dura&rdquo;. Hoje falam que esta t&iacute;mida medida pode reabrir feridas, afetando a paz nacional, uma vez que, segundo os militares, este tipo de comiss&atilde;o acaba tendo um vi&eacute;s distorcido e manique&iacute;sta da realidade. <\/p>\n<p>H&aacute; anos escrevo neste blog a respeito da necessidade do Brasil rever a Lei de Anistia e n&atilde;o passar uma borracha por em cima de crimes de lesa humanidade como desapari&ccedil;&atilde;o for&ccedil;ada, tortura sistem&aacute;tica e cient&iacute;fica, pena de morte dos dissidentes e apropria&ccedil;&atilde;o pessoal de bens e propriedades de militantes capturados. Entendo ser este um tema recorrente e pouco ou mal abordado no pa&iacute;s, em especial se comparamos com os vizinhos do Uruguai e Argentina. &Eacute; o c&uacute;mulo do absurdo, mas mesmo no Chile, onde a heran&ccedil;a da ditadura de Pinochet &eacute; muito presente, puniram mais operadores desses crimes do que aqui. Cobrir a lacuna da falta de puni&ccedil;&atilde;o at&eacute; o momento implica em revelar tudo o que falta da &eacute;poca para assim superar a vers&atilde;o brasileira da teoria dos dois dem&ocirc;nios. <\/p>\n<p>\nEste artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passados mais de quarenta anos do golpe de 1\u00ba de abril, ainda convivemos com a mentira hist\u00f3rica o perigo do \u201ctrauma do revanchismo\u201d. Esta conformidade implica em permitir que crimes de lesa humanidade sejam tolerados. O pa\u00eds que admite o horror no passado \u00e9 porque pode vir a tolerar novamente no futuro pr\u00f3ximo. 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