{"id":1427,"date":"2011-04-25T17:44:04","date_gmt":"2011-04-25T17:44:04","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1427"},"modified":"2011-04-25T17:44:04","modified_gmt":"2011-04-25T17:44:04","slug":"um-derramamento-de-sangue-respaldado-pelos-estados-unidos-mancha-a-primavera-arabe-no-bahrein","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1427","title":{"rendered":"Um derramamento de sangue respaldado pelos Estados Unidos mancha a \u201cprimavera \u00e1rabe\u201d no Bahrein"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/bahrain_protest_480_18Feb11.jpg\" title=\"Tradicionalmente entre os protestos dos povos \u00e1rabes, o sangue derramado nas ruas torna-se combust\u00edvel e alento para uma cultura pol\u00edtica onde se doar pode vir a implicar em mart\u00edrio por uma causa justa. Os d\u00e9spotas da dinastia Khalifa e seus aliados em Washington sabem disso.      - Foto:rc.kbg.me\" alt=\"Tradicionalmente entre os protestos dos povos \u00e1rabes, o sangue derramado nas ruas torna-se combust\u00edvel e alento para uma cultura pol\u00edtica onde se doar pode vir a implicar em mart\u00edrio por uma causa justa. Os d\u00e9spotas da dinastia Khalifa e seus aliados em Washington sabem disso.      - Foto:rc.kbg.me\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Tradicionalmente entre os protestos dos povos \u00e1rabes, o sangue derramado nas ruas torna-se combust\u00edvel e alento para uma cultura pol\u00edtica onde se doar pode vir a implicar em mart\u00edrio por uma causa justa. Os d\u00e9spotas da dinastia Khalifa e seus aliados em Washington sabem disso.     <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:rc.kbg.me<\/small><\/figure>\n<p>Por <u>Amy Goodman <\/p>\n<p><\/u>Tr&ecirc;s dias ap&oacute;s Hosni Mubarak renunciar &agrave; sua longa ditadura no Egito, a popula&ccedil;&atilde;o do Bahrein, pequeno estado do Golfo P&eacute;rsico, lan&ccedil;ou-se em massa &agrave;s ruas em Manama, capital do pa&iacute;s, e se reuniu na pra&ccedil;a da P&eacute;rola, vers&atilde;o local da pra&ccedil;a eg&iacute;pcia Tahrir. Bahrein &eacute; governado por uma mesma fam&iacute;lia, a dinastia de Khalifa, desde a d&eacute;cada de 1780, h&aacute; mais de 220 anos. Com as manifesta&ccedil;&otilde;es, os barenitas n&atilde;o reclamavam o fim da monarquia, mas sim uma maior representa&ccedil;&atilde;o em seu governo. <\/p>\n<p>A um m&ecirc;s do levante, o governo da Ar&aacute;bia Saudita enviou for&ccedil;as militares e policiais atrav&eacute;s de uma ponte de mais de 25 km que une o territ&oacute;rio continental saudita &agrave; ilha de Bahrein. Desde ent&atilde;o, usa-se cada vez mais for&ccedil;a e viol&ecirc;ncia contra os manifestantes, a imprensa e as organiza&ccedil;&otilde;es de direitos humanos. <br \/>\nZainab Al-Khawaja, uma jovem e valente ativista barenita a favor da democracia, viu a brutalidade de perto. Para seu horror, foi testemunha de como seu pai, Abdulhadi a Al-Khawaja, um conhecido ativista pelos direitos humanos, foi golpeado e preso.<\/p>\n<p><em>Leia tamb&eacute;m, ao final dos cr&eacute;ditos, o coment&aacute;rio da equipe do portal<\/em><\/p>\n<p>De Manama, assim descreveu o acontecimento: <br \/>\n&quot;For&ccedil;as de seguran&ccedil;a atacaram minha casa. Chegaram sem aviso pr&eacute;vio. Derrubaram a porta do edif&iacute;cio, derrubaram a porta do nosso apartamento e partiram direto para cima do meu pai, sem explicar os motivos de sua deten&ccedil;&atilde;o nem dar-lhe chances de falar. Arrastaram meu pai pelas escadas e golpearam-no em frente a mim. Bateram nele at&eacute; ficar inconsciente. A &uacute;ltima coisa que lhe ouvi falar foi que n&atilde;o podia respirar. Quando tratei de intervir, quando tentei dizer &rsquo;Por favor, soltem-no. Ele ir&aacute; com voc&ecirc;s voluntariamente. N&atilde;o precisam golpe&aacute;-lo assim&rsquo;. Basicamente, disseram-me que fechasse a boca, seguraram-me e me arrastaram escadas acima at&eacute; o apartamento. Quando sa&iacute; novamente, o &uacute;nico rastro que havia do meu pai era seu sangue na escada&quot;. <\/p>\n<p>A organiza&ccedil;&atilde;o de direitos humanos Human Rights Watch pede a liberta&ccedil;&atilde;o imediata de Al-Khawaja. O esposo e o cunhado de Zainab tamb&eacute;m foram presos. Zainab publica no Twitter como &quot;angryarabiya&quot; e, em protesto pelas deten&ccedil;&otilde;es, iniciou uma greve de fome somente a base de l&iacute;quidos. A jovem tamb&eacute;m escreveu uma carta para o Presidente Barack Obama em que diz: &quot;Se algo acontecer a meu pai, a meu esposo, a meu tio, a meu cunhado ou a mim, o declaro t&atilde;o respons&aacute;vel quanto o regime da o Khalifa. Seu apoio a esta monarquia faz com que seu governo seja c&uacute;mplice dos crimes de Khalifa. Ainda guardo esperan&ccedil;as de que voc&ecirc; se d&ecirc; conta de que a liberdade e os direitos humanos significam o mesmo para uma pessoa barenita como para uma pessoa estadunidense.&quot; <\/p>\n<p>No discurso em que condena o governo de Khadafi, Obama justificou os recentes ataques militares &agrave; L&iacute;bia com estas palavras: &quot;Mataram pessoas inocentes. Atacaram hospitais e ambul&acirc;ncias. Prenderam, violentaram e assassinaram jornalistas.&quot; Agora sucede o mesmo no Bahrein, por&eacute;m Obama n&atilde;o tem nada a dizer. <br \/>\nComo nos levantes do Egito e da Tun&iacute;sia, o sentimento &eacute; nacionalista e n&atilde;o religioso. A pesar de ser 70% xiita, o pa&iacute;s &eacute; governado por uma minoria sunita. No entanto, uma das principais consignas presentes nos protestos tem sido &quot;Nem xiita, nem sunita, barenita!&quot;. A palavra de ordem desacredita o argumento usado pelo governo do Bahrein a respeito de que o atual regime &eacute; a melhor defesa contra a influencia crescente do Ir&atilde;, um pa&iacute;s xiita do Golfo P&eacute;rsico, rico em petr&oacute;leo. <\/p>\n<p>Soma-se a isso o papel estrat&eacute;gico do Bahrein: &eacute; ali onde se encontra a base da 5&ordf; frota naval estadunidense sob a fun&ccedil;&atilde;o de proteger os &quot;interesses estadunidenses&quot; como o Estreito de Ormuz e o Canal de Suez, al&eacute;m de garantir apoio &agrave;s guerras do Iraque e Afeganist&atilde;o. Tamb&eacute;m n&atilde;o se encontra entre os interesses dos Estados Unidos apoiar a democracia e n&atilde;o os d&eacute;spotas? <br \/>\nNabeel Rajab &eacute; o presidente do Centro pelos Direitos Humanos do Bahrein, organiza&ccedil;&atilde;o que foi dirigida pelo rec&eacute;m-seq&uuml;estrado Abdulhadi al-Khawaja. Rajab poderia enfrentar um julgamento militar por publicar a foto de um manifestante que morreu enquanto permanecia detido. Rajab disse-me: &quot;Centenas de pessoas est&atilde;o presas e s&atilde;o torturadas por exercer sua liberdade de express&atilde;o. E tudo por vingan&ccedil;a, porque em um dia, h&aacute; um m&ecirc;s, quase metade da popula&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s foi &agrave;s ruas exigir democracia e respeito aos direitos humanos&rdquo;. <\/p>\n<p>Rajab observou que a democracia no Bahrein pode implicar na luta pela democracia nas ditaduras vizinhas localizadas no Golfo P&eacute;rsico, especialmente na Ar&aacute;bia Saudita. &Eacute; por isso que a maioria dos governos da regi&atilde;o tem interesse em p&ocirc;r fim aos protestos. A Ar&aacute;bia Saudita possui uma boa posi&ccedil;&atilde;o para a tarefa, j&aacute; que acabara de sair beneficiada do maior acordo de venda de armas na hist&oacute;ria dos Estados Unidos. Apesar das amea&ccedil;as, Rajab foi firme: &quot;Enquanto respiro, enquanto vivo, vou seguir fazendo. Creio na mudan&ccedil;a. Creio na democracia. Creio nos direitos humanos. Estou disposto a dar minha vida. Estou disposto a dar o que seja para atingir esta meta.&quot; <br \/>\n&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&ndash;- <\/p>\n<p>Denis Moynihan colaborou na produ&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica desta coluna. <br \/>\n@2010 Amy Goodman <\/p>\n<p>Texto em ingl&ecirc;s traduzido por Fernanda Gerpe y Democracy Now! em espanhol, <a href=\"mailto:spanish@democracynow.org\">escrever para este email<\/a>. <\/p>\n<p>Esta vers&atilde;o &eacute; exclusiva de Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise para o portugu&ecirc;s. O texto em espanhol traduzido para o portugu&ecirc;s por <a href=\"mailto:rafael.estrategiaeanalise@gmail.com\">Rafael Cavalcanti Barreto<\/a>, e revisado por<a href=\"mailto:bruno.estrategiaeanalise@gmail.com\">Bruno Lima Rocha<\/a>. As opini&otilde;es adjuntas ao texto s&atilde;o de exclusiva responsabilidade dos editores de <a href=\"http:\/\/www.estrategiaeanalise.com.br\">Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise.<\/a> <\/p>\n<p>Amy Goodman &eacute; &acirc;ncora do Democracy Now!, um notici&aacute;rio internacional que emite conte&uacute;do di&aacute;rio para mais de 650 emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o em ingl&ecirc;s, e mais de 250 em espanhol. &Eacute; co-autora do livro &ldquo;Os que lutam contra o sistema: Her&oacute;is ordin&aacute;rios em tempos extraordin&aacute;rios nos Estados Unidos&rdquo;, editado pelo Le Monde Diplomatique do Cone Sul. <\/p>\n<p><strong>Coment&aacute;rio da Equipe do portal <\/p>\n<p><\/strong>Antes que nada temos de nos desculpar com os leitores pelo fato de nossa vers&atilde;o da Coluna de Amy Goodman haver demorado nesta publica&ccedil;&atilde;o. O portal passa por acertos de sua estrutura de funcionamento e programa&ccedil;&atilde;o e &eacute; justo neste momento de transi&ccedil;&atilde;o temos situa&ccedil;&otilde;es que nos fogem ao controle. Voltando ao conte&uacute;do da Coluna, infelizmente os fatos e narrativas de estruturas de poder abordadas pela &acirc;ncora de Democracy Now! s&atilde;o absurdamente did&aacute;ticas em sua forma de expor os interesses dos EUA e suas redes de alian&ccedil;as no Mundo &Aacute;rabe. <\/p>\n<p>O Bahrein talvez seja o exemplo mais gritante da ocupa&ccedil;&atilde;o presencial de uma for&ccedil;a estrangeira &ndash; no caso, a 5&ordf; frota (para n&oacute;s latino-americanos o Imp&eacute;rio apresenta a 4&ordf; frota) &ndash; a localiza&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica para controle dos fluxos de cont&ecirc;ineres, navios de porte Banpanamax e, obviamente, embarca&ccedil;&otilde;es oce&acirc;nicas de transporte petroleiro. Para controlar esta regi&atilde;o estrat&eacute;gica, o Imp&eacute;rio n&atilde;o demonstra obviamente pudor algum em respaldar os regimes mais absurdos, se comparados com o comportamento pol&iacute;tico m&eacute;dio dos estadunidenses. Por mais que o fundamentalismo neo-conservador e tele-neo-conservador tenham se desenvolvido nos &uacute;ltimos 15 anos por dentro do territ&oacute;rio dos EUA, a sandice de pastores e crentes da Teologia da Prosperidade s&atilde;o pouco ou nada ofensivos em compara&ccedil;&atilde;o com a forma de governo no Bahrein e na Ar&aacute;bia Saudita. <\/p>\n<p>Por sinal, mais uma vez a casa real de Ibn Saud oferece seus piores servi&ccedil;os para as piores causas nos mais terr&iacute;veis momentos. Assusta ver as barbaridades ocorridas pela ditadura dos Assad na S&iacute;ria e n&atilde;o vermos os mesmos absurdos &ndash; ao menos na TV brasileira &ndash; cometidos em um Estado-sat&eacute;lite do pa&iacute;s sat&eacute;lite do territ&oacute;rio dos sauditas. Insistimos na id&eacute;ia b&aacute;sica de que n&atilde;o d&aacute; para ser complacente e menos ainda &ldquo;orientalizar&rdquo; um califado como se fora algo id&iacute;lico. Trata-se de uma organiza&ccedil;&atilde;o territorial desp&oacute;tica, din&aacute;stica, sem nenhum quesito de legitimidade que n&atilde;o a pr&oacute;pria manuten&ccedil;&atilde;o do cl&atilde; e agregados e, em geral, como todo regime conservador, serve sempre de aliado para as piores causas, desde que n&atilde;o firam estas causas aos seus pr&oacute;prios interesses de sobreviv&ecirc;ncia. <\/p>\n<p>Chama a aten&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m o fato dos manifestantes do Bahrein estarem forjando uma id&eacute;ia de pa&iacute;s de certo nacionalismo anti-imperialista em meio das batalhas de rua. N&atilde;o causa espanto este fato, espanta essa longevidade. &Eacute; preciso ficar atento para o fen&ocirc;meno, uma vez que a solu&ccedil;&atilde;o de evitar a circula&ccedil;&atilde;o de pessoas como peixes em &aacute;guas, &eacute; tornar da &aacute;gua p&acirc;ntano, fomentando uma luta sect&aacute;ria e fratricida tal como no Iraque ap&oacute;s a invas&atilde;o dos EUA e o n&atilde;o cumprimento do acordo com os generais baathistas, destruindo o ex&eacute;rcito profissional e a estrutura de Estado de Saddam Hussein. Se os barenitas assim se mantiverem, ser&atilde;o grandes as chances de vit&oacute;ria contra a monarquia autocr&aacute;tica e pr&oacute;-Ocidental que l&aacute; governa h&aacute; mais de dois s&eacute;culos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tradicionalmente entre os protestos dos povos \u00e1rabes, o sangue derramado nas ruas torna-se combust\u00edvel e alento para uma cultura pol\u00edtica onde se doar pode vir a implicar em mart\u00edrio por uma causa justa. Os d\u00e9spotas da dinastia Khalifa e seus aliados em Washington sabem disso. Foto:rc.kbg.me Por Amy Goodman Tr&ecirc;s dias ap&oacute;s Hosni Mubarak renunciar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1427","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1427","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1427"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1427\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1427"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1427"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1427"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}