{"id":1436,"date":"2011-05-06T21:34:08","date_gmt":"2011-05-06T21:34:08","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1436"},"modified":"2011-05-06T21:34:08","modified_gmt":"2011-05-06T21:34:08","slug":"cumprir-a-missao-trazer-os-soldados-de-volta-para-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1436","title":{"rendered":"Cumprir a miss\u00e3o: trazer os soldados de volta para casa"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/mercenaries.jpg\" title=\"Ap\u00f3s a execu\u00e7\u00e3o de Osama bin Laden, cresce a press\u00e3o do povo estadunidense para o regresso de seus soldados. Mas ser\u00e1 que os cem mil mercen\u00e1rios, contratados para colaborar com os Estados Unidos na invas\u00e3o do Afeganist\u00e3o, tamb\u00e9m v\u00e3o deixar de cumprir o seu \u201cservi\u00e7o\u201d? - Foto:justmobilephone.com\" alt=\"Ap\u00f3s a execu\u00e7\u00e3o de Osama bin Laden, cresce a press\u00e3o do povo estadunidense para o regresso de seus soldados. Mas ser\u00e1 que os cem mil mercen\u00e1rios, contratados para colaborar com os Estados Unidos na invas\u00e3o do Afeganist\u00e3o, tamb\u00e9m v\u00e3o deixar de cumprir o seu \u201cservi\u00e7o\u201d? - Foto:justmobilephone.com\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Ap\u00f3s a execu\u00e7\u00e3o de Osama bin Laden, cresce a press\u00e3o do povo estadunidense para o regresso de seus soldados. Mas ser\u00e1 que os cem mil mercen\u00e1rios, contratados para colaborar com os Estados Unidos na invas\u00e3o do Afeganist\u00e3o, tamb\u00e9m v\u00e3o deixar de cumprir o seu \u201cservi\u00e7o\u201d?<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:justmobilephone.com<\/small><\/figure>\n<p><em>Por Amy Goodman <br \/>\n<\/em><br \/>\nEm um 1&ordm; de maio, o presidente dos Estados Unidos se dirigiu ao pa&iacute;s para anunciar uma vit&oacute;ria militar. Era 2003, e o Presidente George W. Bush, vestindo um apertado traje de piloto de guerra, decolou em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; superf&iacute;cie do porta-avi&otilde;es USS Lincoln. Sob um letreiro que dizia &ldquo;Miss&atilde;o Cumprida&rdquo;, Bush declarou: &ldquo;Compatriotas estadunidenses, as principais opera&ccedil;&otilde;es de combate no Iraque chegaram ao fim. Na guerra do Iraque, os Estados Unidos e nossos aliados triunfaram.&rdquo; <\/p>\n<p>Isso aconteceu oito anos antes do dia em que o Presidente Barack Obama, sem traje de piloto nem passo decidido e arrogante, deu o surpreendente an&uacute;ncio de que Osama bin Laden fora assassinado em uma miss&atilde;o militar estadunidense (num bairro residencial de uma cidade do Paquist&atilde;o, n&atilde;o do Afeganist&atilde;o, cabe destacar): &ldquo;Nesta noite, posso informar ao povo estadunidense e ao mundo que os Estados Unidos deram fim a uma opera&ccedil;&atilde;o que matou Osama bin Laden, l&iacute;der da Al Qaeda e terrorista respons&aacute;vel pelo assassinato de milhares de homens, mulheres e crian&ccedil;as inocentes.&rdquo;<\/p>\n<p>A guerra dos Estados Unidos no Afeganist&atilde;o se transformou na mais longa da hist&oacute;ria do pa&iacute;s norte-americano. Os notici&aacute;rios informam sumariamente que &ldquo;O Talib&atilde; deu in&iacute;cio a sua ofensiva de primavera&rdquo; como se fosse o lan&ccedil;amento da cole&ccedil;&atilde;o de uma marca de roupa. O fato &eacute; que essa primavera vem dando sinais de que ser&aacute; a mais violenta de todo o per&iacute;odo de guerra, ou como me disse o valente periodista Anand Fopla de Kabul, no Afeganist&atilde;o, na ter&ccedil;a-feira: &ldquo;A cada ano a viol&ecirc;ncia supera a do ano anterior, o que por si s&oacute; reflete a manuten&ccedil;&atilde;o desta tend&ecirc;ncia. Suspeito que o mesmo se poder&aacute; dizer no pr&oacute;ximo ver&atilde;o. &Eacute; muito prov&aacute;vel que este ver&atilde;o seja o mais violento desde 2001.&rdquo; <\/p>\n<p>Voltemos &agrave;quele fat&iacute;dico ano. Pouco depois dos ataques de 11 de setembro, o Congresso dos Estados Unidos aprovou uma autoriza&ccedil;&atilde;o ao Presidente Bush para dar in&iacute;cio &agrave; guerra. A resolu&ccedil;&atilde;o foi aprovada no Senado por 98 votos a favor e nenhum contra, em seguida foi aprovada na C&acirc;mara Baixa por 420 votos a favor e um contra. Esse &uacute;nico voto contra &agrave; invas&atilde;o ao Afeganist&atilde;o foi emitido pela Congressista do estado da Calif&oacute;rnia Barbara Lee. O discurso de oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; Resolu&ccedil;&atilde;o Conjunta do Congresso n&ordm; 64, que se deu na C&acirc;mara naquele 14 de setembro, deveria ser leitura obrigat&oacute;ria: <\/p>\n<p>&ldquo;Ponho-me de p&eacute; hoje com o cora&ccedil;&atilde;o partido, cheio de tristeza pelas fam&iacute;lias e as pessoas queridas que foram assassinadas e feridas em Nova York, Virginia e Pensilv&acirc;nia. S&oacute; os mais tontos e desapiedados n&atilde;o compreenderiam a dor que paralisou o povo estadunidense e milh&otilde;es de pessoas em todo o mundo. Esse terr&iacute;vel ataque contra os Estados Unidos me fez confiar em minha b&uacute;ssola moral, em minha consci&ecirc;ncia e em meu Deus para me orientar. O 11 de setembro mudou o mundo. Agora nossos medos mais profundos nos espreita. No entanto, estou convencida de que a a&ccedil;&atilde;o militar n&atilde;o evitar&aacute; outros atos de terrorismo internacional contra o nosso pa&iacute;s. &Eacute; um tema muito complexo e complicado. Esta resolu&ccedil;&atilde;o ser&aacute; aprovada ainda que saibamos que o presidente pode declarar uma guerra inclusive sem a nossa autoriza&ccedil;&atilde;o. No entanto, por mais dif&iacute;cil que seja esta vota&ccedil;&atilde;o, alguns de n&oacute;s devem defender a modera&ccedil;&atilde;o. Nosso pa&iacute;s est&aacute; de luto. Alguns de n&oacute;s devem dizer: retrocedamos um momento, fa&ccedil;amos uma pausa, t&atilde;o s&oacute; por um minuto, e pensemos bem sobre as repercuss&otilde;es de nossos atos hoje para que isto n&atilde;o saia de controle. Duvidei muit&iacute;ssimo deste voto, mas hoje consegui toc&aacute;-lo a frente com sensatez. Durante o profundamente doloroso e ainda assim muito belo servi&ccedil;o em mem&oacute;ria das v&iacute;timas, compreendi que deveria me opor a esta resolu&ccedil;&atilde;o. Como disse muito eloquentemente um membro do clero: &lsquo;Em nossas a&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o permita que nos convertamos no mal que deploramos.&rsquo;&rdquo; <\/p>\n<p>Dez anos depois do Valente discurso, a Congressista Lee, cuja postura contr&aacute;ria ao conflito est&aacute; se convertendo em maioria na opini&atilde;o p&uacute;blica, pretende a revoga&ccedil;&atilde;o da resolu&ccedil;&atilde;o da guerra. <\/p>\n<p>&ldquo;Essa resolu&ccedil;&atilde;o foi um cheque em branco, Amy. Ao ler o texto, observa-se que n&atilde;o estava orientado a Al Qaeda nem a pa&iacute;s algum. Dizia que o presidente estava autorizado a usar a for&ccedil;a contra qualquer na&ccedil;&atilde;o, organiza&ccedil;&atilde;o ou indiv&iacute;duo que considere respons&aacute;vel ou vinculado aos ataques de 11\/09. Era um cheque em branco que autorizava a usar a for&ccedil;a. N&atilde;o era uma declara&ccedil;&atilde;o de guerra e, no entanto, desde ent&atilde;o, levamos adiante &agrave; guerra mais longa da hist&oacute;ria estadunidense at&eacute; o momento, cerca de dez anos, e ainda n&atilde;o est&aacute; definido o prazo para o seu t&eacute;rmino.&rdquo; <\/p>\n<p>A Congressista Lee reconhece que Obama &ldquo;se comprometeu a come&ccedil;ar uma retirada significativa das tropas em julho&rdquo;. Mas qual o significado de retirar soldados de uma guerra enquanto permanece no local uma grande quantidade de militares contratados? Neste exato momento, os cem mil contratados (a quem muitos chamam de &ldquo;mercen&aacute;rios&rdquo;) superam o n&uacute;mero de soldados estadunidenses espalhados pelo Afeganist&atilde;o. <\/p>\n<p>Gopal afirma que: &ldquo;os Estados Unidos &eacute; na realidade um for&ccedil;a fundamental de instabilidade no Afeganist&atilde;o. Isto se d&aacute; em dois sentidos. O pa&iacute;s norte-americano e seus aliados fazem parcerias com atores locais como lideran&ccedil;as, comandantes e funcion&aacute;rios do governo que se converteram em um verdadeiro pesadelo para os afeg&atilde;s, em especial no campo. Em segundo, est&atilde;o as a&ccedil;&otilde;es militares, incurs&otilde;es noturnas, invas&atilde;o de lares e ataques a&eacute;reos. &Eacute; disso que se trata a vida cotidiana sob ocupa&ccedil;&atilde;o estadunidense. <\/p>\n<p>O produtor de cinema Robert Greenwald se associou a veteranos do ex&eacute;rcito contr&aacute;rios &agrave; guerra para produzir o document&aacute;rio &ldquo;Repensar o Afeganist&atilde;o&rdquo;, uma s&eacute;rie de filmes sobre a guerra, que se encontra dispon&iacute;vel em rethinkafghanistan.com. Em resposta &agrave; morte de bin Laden, lan&ccedil;aram uma nova peti&ccedil;&atilde;o para pressionar o governo a trazer de volta os soldados. Lee ap&oacute;ia esta peti&ccedil;&atilde;o. &ldquo;N&atilde;o exagero ao afirmar o quanto &eacute; importante para nossa democracia. Todas as pesquisas mostram que atualmente mais de 65 ou 70% da popula&ccedil;&atilde;o est&aacute; cansada da guerra e entende que &eacute; necess&aacute;rio tirar do perigo os nossos jovens homens e mulheres. Se comportaram bem e de modo valente. Fizeram tudo que lhes pedimos. J&aacute; &eacute; tempo de traz&ecirc;-los de volta pra casa.&rdquo; <\/p>\n<p>&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&ndash;- <\/p>\n<p>Denis Moynihan colaborou na produ&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica desta coluna. <br \/>\n@2010 Amy Goodman <\/p>\n<p>Texto em ingl&ecirc;s traduzido por Fernanda Gerpe y Democracy Now! em espanhol, spanish@democracynow.org <\/p>\n<p>Esta vers&atilde;o &eacute; exclusiva de Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise para o portugu&ecirc;s. O texto em espanhol traduzido para o portugu&ecirc;s por Rafael Cavalcanti Barreto, e revisado por Bruno Lima Rocha. As opini&otilde;es adjuntas ao texto s&atilde;o de exclusiva responsabilidade dos editores de Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise. <\/p>\n<p>Amy Goodman &eacute; &acirc;ncora do Democracy Now!, um notici&aacute;rio internacional que emite conte&uacute;do di&aacute;rio para mais de 650 emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o em ingl&ecirc;s, e mais de 250 em espanhol. &Eacute; co-autora do livro &ldquo;Os que lutam contra o sistema: Her&oacute;is ordin&aacute;rios em tempos extraordin&aacute;rios nos Estados Unidos&rdquo;, editado pelo Le Monde Diplomatique do Cone Sul.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s a execu\u00e7\u00e3o de Osama bin Laden, cresce a press\u00e3o do povo estadunidense para o regresso de seus soldados. Mas ser\u00e1 que os cem mil mercen\u00e1rios, contratados para colaborar com os Estados Unidos na invas\u00e3o do Afeganist\u00e3o, tamb\u00e9m v\u00e3o deixar de cumprir o seu \u201cservi\u00e7o\u201d? Foto:justmobilephone.com Por Amy Goodman Em um 1&ordm; de maio, o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1436","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1436","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1436"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1436\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1436"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1436"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1436"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}