{"id":1450,"date":"2011-06-01T14:00:37","date_gmt":"2011-06-01T14:00:37","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1450"},"modified":"2011-06-01T14:00:37","modified_gmt":"2011-06-01T14:00:37","slug":"para-uma-teoria-libertaria-do-poder-ibanez-e-o-poder-politico-libertario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1450","title":{"rendered":"Para uma Teoria Libert\u00e1ria do Poder \u2013 Iba\u00f1ez e o poder pol\u00edtico libert\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/eticados.jpg\" title=\"As rela\u00e7\u00f5es de poder podem ser edificadas para ultrapassando as amarras que subordinam corpos, indiv\u00edduos, coletividades e vontades do inconsciente coletivo \u00e0s utopias neoliberais de submiss\u00e3o de nossos tempos diante do mundo do trabalho na era do capitalismo cognitivo.   - Foto:liderazgo.blogspot.com\" alt=\"As rela\u00e7\u00f5es de poder podem ser edificadas para ultrapassando as amarras que subordinam corpos, indiv\u00edduos, coletividades e vontades do inconsciente coletivo \u00e0s utopias neoliberais de submiss\u00e3o de nossos tempos diante do mundo do trabalho na era do capitalismo cognitivo.   - Foto:liderazgo.blogspot.com\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">As rela\u00e7\u00f5es de poder podem ser edificadas para ultrapassando as amarras que subordinam corpos, indiv\u00edduos, coletividades e vontades do inconsciente coletivo \u00e0s utopias neoliberais de submiss\u00e3o de nossos tempos diante do mundo do trabalho na era do capitalismo cognitivo.  <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:liderazgo.blogspot.com<\/small><\/figure>\n<p><em>Felipe Corr&ecirc;a <\/em><u><\/p>\n<p><\/u>&quot;Para uma Teoria Libert&aacute;ria do Poder&rdquo; &eacute; uma s&eacute;rie de resenhas elaboradas sobre artigos ou livros de autores do campo libert&aacute;rio que discutem o poder. Seu objetivo &eacute; apresentar uma leitura contempor&acirc;nea de autores que v&ecirc;m tratando o tema em quest&atilde;o e trazer elementos para a elabora&ccedil;&atilde;o de uma teoria libert&aacute;ria do poder, que poder&aacute; contribuir na elabora&ccedil;&atilde;o de um m&eacute;todo de an&aacute;lise da realidade e de estrat&eacute;gias de bases libert&aacute;rias, a serem utilizadas por indiv&iacute;duos e organiza&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Neste primeiro artigo da s&eacute;rie, utilizarei para discuss&atilde;o o artigo <em>Por um Poder Pol&iacute;tico Libert&aacute;rio<\/em>, de Tom&aacute;s Ib&aacute;&ntilde;ez. Nele, um artigo curto, que n&atilde;o ultrapassa algumas poucas laudas, o autor coloca-se criticamente em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; abordagem libert&aacute;ria que vinha sendo feita do tema. O artigo de Ib&aacute;&ntilde;ez foi escrito originalmente como contribui&ccedil;&atilde;o para o semin&aacute;rio <em>O Poder e sua Nega&ccedil;&atilde;o<\/em>, promovido pelo CIRA e pelo CSL Pinelli, em julho de 1983. At&eacute; aquele momento, para o autor, o anarquismo estava &ldquo;preso &agrave; rigidez de conceitos e propostas, na sua maior parte, criados no decurso dos s&eacute;culos XVIII e XIX&rdquo;. E, para ele, discutir a fundo a quest&atilde;o do poder seria uma relevante renova&ccedil;&atilde;o no campo te&oacute;rico do anarquismo.<\/p>\n<p><strong>O problema sem&acirc;ntico da discuss&atilde;o sobre o poder<\/p>\n<p><\/strong>J&aacute; naquela &eacute;poca Ib&aacute;&ntilde;ez identificava que &ldquo;a polissemia [palavra que tem mais de uma significa&ccedil;&atilde;o] do termo &lsquo;poder&rsquo; e a amplitude do seu espectro sem&acirc;ntico constituem as condi&ccedil;&otilde;es de um di&aacute;logo de surdos&rdquo;. Para ele, nas discuss&otilde;es sobre o poder, os discursos se sobrep&otilde;em e n&atilde;o se articulam uns com os outros. E isso acontece porque &ldquo;tratam de objetos profundamente diferentes, na confus&atilde;o induzida pelo recurso a outro termo comum: o poder&rdquo;. <\/p>\n<p>E por isso a necessidade identificada de &ldquo;circunscrevermos o termo &lsquo;poder&rsquo;, antes de iniciarmos a discuss&atilde;o&rdquo;. Independente do esfor&ccedil;o nesse sentido, o autor n&atilde;o acredita ser poss&iacute;vel chegar a uma defini&ccedil;&atilde;o objetiva e ass&eacute;ptica da palavra &ldquo;poder&rdquo;, j&aacute; que &ldquo;se trata de um termo pol&iacute;tico carregado de sentido, analisado sempre de uma localiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica precisa, e do qual n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel possuir defini&ccedil;&atilde;o &lsquo;neutra&rsquo;&rdquo;. <\/p>\n<p><strong>O poder a partir de uma tripla defini&ccedil;&atilde;o <\/p>\n<p><\/strong>O primeiro elemento para iniciar uma defini&ccedil;&atilde;o do poder &eacute; que, dentro de uma perspectiva libert&aacute;ria, ele n&atilde;o pode ser concebido somente de maneira negativa: &ldquo;em termos de nega&ccedil;&atilde;o, de exclus&atilde;o, de recusa, de oposi&ccedil;&atilde;o, de antinomia&rdquo;. Para Ib&aacute;&ntilde;ez, o poder pode ser definido a partir de tr&ecirc;s interpreta&ccedil;&otilde;es: 1.) como capacidade, 2.) como assimetria nas rela&ccedil;&otilde;es de for&ccedil;a, e 3.) como estruturas e mecanismos de regula&ccedil;&atilde;o e controle. Vejamos, nos termos do pr&oacute;prio autor, como se define o poder em cada um dessas acep&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p><em>O poder como capacidade <\/em><u><br \/>\n<\/u><br \/>\n&ldquo;Numa das suas acep&ccedil;&otilde;es, provavelmente a mais geral e diacronicamente primeira, o termo &lsquo;poder&rsquo; funciona como equivalente da express&atilde;o &lsquo;capacidade de&rsquo;, isto &eacute;: como sin&ocirc;nimo do conjunto dos efeitos dos quais um agente dado, animado ou n&atilde;o, pode ser a causa direta ou indireta. &Eacute; interessante que, desde o in&iacute;cio, o poder se define em termos relacionais, na medida em que, para que um elemento possa produzir ou inibir um efeito, &eacute; necess&aacute;rio que se estabele&ccedil;a uma intera&ccedil;&atilde;o.&rdquo; <\/p>\n<p>Pensado neste sentido, o poder seria concebido como &lsquo;ter poder de&rsquo; ou &lsquo;ter poder para&rsquo;, uma capacidade de realiza&ccedil;&atilde;o ou uma for&ccedil;a potencial que poderia ser aplicada em uma rela&ccedil;&atilde;o social. Coloca-se como premissa dessa defini&ccedil;&atilde;o de poder as rela&ccedil;&otilde;es sociais, ou seja, intera&ccedil;&atilde;o entre agentes sociais. <br \/>\n<u><em><br \/>\n<\/em><\/u><em>O poder como assimetria nas rela&ccedil;&otilde;es de for&ccedil;a<\/em><u><\/p>\n<p><\/u>&ldquo;Numa segunda acep&ccedil;&atilde;o, o termo &lsquo;poder&rsquo; refere-se a certo tipo de rela&ccedil;&atilde;o entre agentes sociais, e costuma-se agora caracteriz&aacute;-lo como uma capacidade assim&eacute;trica ou desigual que os agentes possuem de causar efeitos sobre o outro p&oacute;lo de uma dada rela&ccedil;&atilde;o.&rdquo; <\/p>\n<p>Ainda que ancorado no poder como capacidade, esse outro sentido permite pensar nas assimetrias das diferentes for&ccedil;as sociais que se encontram em uma determinada rela&ccedil;&atilde;o social. Essas for&ccedil;as, sempre assim&eacute;tricas e desiguais, quando em intera&ccedil;&atilde;o\/rela&ccedil;&atilde;o, forjam os efeitos sobre um ou mais p&oacute;los, sendo que cada um deles possui uma for&ccedil;a distinta e, portanto, uma capacidade distinta. Novamente, afirma-se o poder como rela&ccedil;&atilde;o entre agentes sociais, cada um dos quais com uma capacidade distinta de causar efeitos sobre outros. <\/p>\n<p><em>O poder como estruturas e mecanismos de regula&ccedil;&atilde;o e controle <\/em><u><br \/>\n<\/u><br \/>\n&ldquo;Numa terceira acep&ccedil;&atilde;o, o termo &lsquo;poder&rsquo; refere-se &agrave;s estruturas macro-sociais e aos mecanismos macro-sociais de regula&ccedil;&atilde;o ou de controle social. Fala-se, neste sentido, de &lsquo;instrumentos&rsquo; ou &lsquo;dispositivos&rsquo; de poder, de &lsquo;centros&rsquo; ou de &lsquo;estruturas&rsquo; de poder, etc.&rdquo; <\/p>\n<p>Assim concebido, o poder constituiria o &ldquo;sistema&rdquo; de uma determinada sociedade, naquilo que diz respeito &agrave;s suas estruturas e seus mecanismos de regula&ccedil;&atilde;o e de controle. Seria o conjunto de regras de uma determinada sociedade, que envolve tanto as tomadas de decis&atilde;o para seu estabelecimento e para definir seu controle, quanto a pr&oacute;pria aplica&ccedil;&atilde;o desse controle. Uma estrutura&ccedil;&atilde;o da sociedade que faz com que sejam necess&aacute;rias inst&acirc;ncias deliberativas e executivas. <\/p>\n<p><strong>Quais as possibilidades de uma sociedade sem poder?<\/p>\n<p><\/strong>A partir dessas tr&ecirc;s interpreta&ccedil;&otilde;es, pode-se afirmar que &ldquo;falar de uma sociedade &lsquo;sem poder&rsquo; constitui uma aberra&ccedil;&atilde;o, quer nos coloquemos do ponto de vista do poder\/capacidade (que sentido teria uma sociedade que n&atilde;o &lsquo;pudesse&rsquo; nada?), quer nos coloquemos ao n&iacute;vel das rela&ccedil;&otilde;es assim&eacute;tricas (o que significariam as intera&ccedil;&otilde;es sociais sem efeitos assim&eacute;tricos?), quer por fim nos coloquemos do ponto de vista do poder como mecanismos e estruturas de regula&ccedil;&atilde;o macro-sociais (o que seria um sistema cujos elementos n&atilde;o fossem &lsquo;for&ccedil;ados&rsquo; pelo conjunto das rela&ccedil;&otilde;es que definem exatamente o pr&oacute;prio sistema?)&rdquo;. <\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; sociedade sem agentes sociais com capacidade, assim como n&atilde;o h&aacute; sociedade com todas as rela&ccedil;&otilde;es sociais sim&eacute;tricas &ndash; ou seja, uma sociedade em que todos os agentes sociais tenham a mesma capacidade de causar efeitos sobre outros, em todas as rela&ccedil;&otilde;es sociais &ndash; ou sem estruturas e mecanismos de regula&ccedil;&atilde;o e de controle social. O que nos permite concordar com Ib&aacute;&ntilde;ez em rela&ccedil;&atilde;o ao absurdo que significa, levando em conta as defini&ccedil;&otilde;es apresentadas pelo autor, falar em sociedade sem poder, em luta contra o poder, em acabar ou destruir o poder. <\/p>\n<p>Ib&aacute;&ntilde;ez acredita que &ldquo;as rela&ccedil;&otilde;es de poder s&atilde;o consubstanciais ao pr&oacute;prio fato social, s&atilde;o-lhe inerentes, impregnam-no, cont&eacute;m-no, no pr&oacute;prio instante em que dele emanam&rdquo;. Ao se tratar de qualquer aspecto do &acirc;mbito chamado social, pode-se afirmar que, nele, existem intera&ccedil;&otilde;es entre diversos elementos que conformam um determinado sistema. Para o autor, al&eacute;m disso, &ldquo;existem inelutavelmente certos efeitos de poder do sistema sobre os seus elementos, exatamente como existem tamb&eacute;m efeitos de poder entre os elementos do sistema&rdquo;. Ou seja, o poder permeia tanto as rela&ccedil;&otilde;es entre elementos como as rela&ccedil;&otilde;es entre sistema e elementos. <\/p>\n<p>Conceber uma sociedade sem poder significaria, para o autor, acreditar na possibilidade de exist&ecirc;ncia de uma &ldquo;sociedade sem rela&ccedil;&otilde;es sociais, sem regras sociais e sem processos de decis&atilde;o sociais&rdquo;. Ou seja, seria conceber o &ldquo;impens&aacute;vel&rdquo;. <\/p>\n<p><strong>Uma concep&ccedil;&atilde;o libert&aacute;ria do poder<\/p>\n<p><\/strong>Tal argumenta&ccedil;&atilde;o permite que se afirme que &ldquo;existe uma concep&ccedil;&atilde;o libert&aacute;ria do poder, e &eacute; falso que esta tenha que constituir uma nega&ccedil;&atilde;o do poder&rdquo;. Negar este fato implicaria, necessariamente, em uma dificuldade tanto em termos de an&aacute;lise da realidade, quanto em termos de concep&ccedil;&atilde;o de uma estrat&eacute;gia. &ldquo;Enquanto isso n&atilde;o for plenamente assumido pelo pensamento libert&aacute;rio&rdquo;, enfatiza Ib&aacute;&ntilde;ez, ele &ldquo;n&atilde;o ser&aacute; capaz de iniciar as an&aacute;lises e as a&ccedil;&otilde;es que lhe permitam ter for&ccedil;a na realidade social&rdquo;. <\/p>\n<p>E o que ele argumenta faz sentido se observarmos a hist&oacute;ria do anarquismo ou mesmo daquilo que foi chamado de &ldquo;meio libert&aacute;rio&rdquo;. Indo al&eacute;m das afirma&ccedil;&otilde;es sem&acirc;nticas &ndash; que muitas vezes davam\/d&atilde;o &agrave; palavra poder um sentido de Estado &ndash; parece claro que o &ldquo;pensamento libert&aacute;rio&rdquo; nunca negou a capacidade dos agentes sociais, as assimetrias nas rela&ccedil;&otilde;es de for&ccedil;a ou as estruturas e mecanismos de regula&ccedil;&atilde;o e controle. <\/p>\n<p>Um exemplo que &eacute; significativamente comum na tradi&ccedil;&atilde;o libert&aacute;ria. Considerando as rela&ccedil;&otilde;es assim&eacute;tricas de classes na sociedade capitalista e, fundamentando-se na ideia de capacidade da classe trabalhadora, os libert&aacute;rios buscam promover uma revolu&ccedil;&atilde;o social, em que a for&ccedil;a da classe dominante seja sobreposta e que se estabele&ccedil;a um sistema de regula&ccedil;&atilde;o e controle fundamentado na autogest&atilde;o e no federalismo. Mesmo com esse exemplo gen&eacute;rico, pode-se afirmar que se a classe dominante &eacute; retirada de sua condi&ccedil;&atilde;o de domina&ccedil;&atilde;o e d&aacute; lugar a uma estrutura libert&aacute;ria, ainda que na sociedade futura, essa rela&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as entre classe dominante afastada da domina&ccedil;&atilde;o e classe trabalhadora constitui uma rela&ccedil;&atilde;o assim&eacute;trica. <\/p>\n<p>Nesse sentido, &eacute; poss&iacute;vel assumir que, de fato, historicamente, h&aacute; uma concep&ccedil;&atilde;o libert&aacute;ria de poder que &ndash; ainda que n&atilde;o tenha sido discutida com a devida profundidade e que tenha sido complicada por uma s&eacute;rie de fatores &ndash; possui elementos de relev&acirc;ncia nesse debate que agora &eacute; realizado. <\/p>\n<p><strong>Domina&ccedil;&atilde;o como um tipo de poder<\/p>\n<p><\/strong>Quando os libert&aacute;rios realizam um discurso contra o poder, coloca Ib&aacute;&ntilde;ez, utilizam o &ldquo;termo &lsquo;poder&rsquo; para se referirem de fato a um &lsquo;certo tipo de rela&ccedil;&atilde;o de poder&rsquo;, ou seja, muito concretamente, ao tipo de poder que se encontra nas &lsquo;rela&ccedil;&otilde;es de domina&ccedil;&atilde;o&rsquo;, nas &lsquo;estruturas de domina&ccedil;&atilde;o&rsquo;, nos &lsquo;dispositivos de domina&ccedil;&atilde;o&rsquo;, ou nos &lsquo;instrumentos de domina&ccedil;&atilde;o&rsquo; etc. (sejam estas rela&ccedil;&otilde;es de tipo coercitivo, manipulador ou outro).&rdquo; Portanto, para ele, a domina&ccedil;&atilde;o &eacute; um tipo de rela&ccedil;&atilde;o de poder, mas n&atilde;o se pode definir domina&ccedil;&atilde;o como poder, j&aacute; que constituem categorias distintas. Para o autor, n&atilde;o se pode englobar nas rela&ccedil;&otilde;es de domina&ccedil;&atilde;o &ldquo;as rela&ccedil;&otilde;es que vinculam a liberdade do indiv&iacute;duo ou dos grupos&rdquo;, ou seja, n&atilde;o se pode incorporar na categoria domina&ccedil;&atilde;o rela&ccedil;&otilde;es libert&aacute;rias. Mas isso parece de certa maneira &oacute;bvio. O que n&atilde;o &eacute; obvio, na realidade, &eacute; que quando se equipara poder com domina&ccedil;&atilde;o, assume-se que o poder &eacute; contr&aacute;rio &agrave; liberdade, uma afirma&ccedil;&atilde;o da qual o autor discorda. &ldquo;Liberdade e poder n&atilde;o se situam realmente segundo uma rela&ccedil;&atilde;o de oposi&ccedil;&atilde;o simples.&rdquo; E ainda: &ldquo;Poder e liberdade encontram-se, pois, numa rela&ccedil;&atilde;o inextricavelmente complexa de antagonismo\/possibilidade&rdquo;. Portanto, assim concebido, o poder poderia ser contradit&oacute;rio &agrave; liberdade, mas tamb&eacute;m poderia potencializar a sua realiza&ccedil;&atilde;o. Seria, na realidade, o tipo de poder que determinaria essa rela&ccedil;&atilde;o com a liberdade. <\/p>\n<p>Assim, Ib&aacute;&ntilde;ez acredita que &ldquo;os libert&aacute;rios se situam, na realidade, contra os sistemas sociais baseados em rela&ccedil;&otilde;es de domina&ccedil;&atilde;o (em sentido estrito). &lsquo;Abaixo o poder!&rsquo; &eacute; uma f&oacute;rmula que deveria desaparecer do l&eacute;xico libert&aacute;rio e ser substitu&iacute;da por &lsquo;Abaixo as rela&ccedil;&otilde;es de domina&ccedil;&atilde;o&rsquo;. Mas neste ponto &eacute; preciso tentar definir as condi&ccedil;&otilde;es que tornam poss&iacute;vel uma sociedade enquanto tal.&rdquo; <\/p>\n<p><strong>Contra a domina&ccedil;&atilde;o e por um poder pol&iacute;tico libert&aacute;rio<\/p>\n<p><\/strong>Pode-se afirmar, com base nessa estrutura argumentativa, que &ldquo;os libert&aacute;rios n&atilde;o s&atilde;o contra o poder, mas contra certo tipo de poder&rdquo;, e em suas estrat&eacute;gias, buscam ser &ldquo;construtores de uma variedade de poder a que &eacute; c&ocirc;modo (e exato) chamarmos agora de &lsquo;poder libert&aacute;rio&rsquo;, ou, mais precisamente: &lsquo;poder pol&iacute;tico libert&aacute;rio&rsquo;&rdquo;. O que significaria assumir que os libert&aacute;rios defendem um modelo de funcionamento (libert&aacute;rio) dos instrumentos, dos dispositivos e das rela&ccedil;&otilde;es de poder.<\/p>\n<p>______<\/p>\n<p><em><strong>* Tom&aacute;s Ib&aacute;&ntilde;ez<\/strong>. Por um Poder Pol&iacute;tico Libert&aacute;rio: considera&ccedil;&otilde;es epistemol&oacute;gicas e estrat&eacute;gias em torno de um conceito<\/em>. Artigo originalmente publicado em 1983 na revista italiana Volont&agrave;. Utilizo para as cita&ccedil;&otilde;es uma tradu&ccedil;&atilde;o para o portugu&ecirc;s de Miguel Serras Pereira, realizada para uma publica&ccedil;&atilde;o portuguesa dos anos 1980. O artigo est&aacute; tamb&eacute;m na compila&ccedil;&atilde;o chamada Actualidad del Anarquismo, publicada pela Libros de Anarres, de Buenos Aires, em 2007. <\/p>\n<p><strong>* Felipe Corr&ecirc;a<\/strong> &eacute; editor p&oacute;s-graduado pela Escola de Sociologia e Pol&iacute;tica de S&atilde;o Paulo e mestrando da Universidade de S&atilde;o Paulo (EACH), no programa de Participa&ccedil;&atilde;o Pol&iacute;tica e Mudan&ccedil;a Social. &Eacute; pesquisador&nbsp; do anarquismo e dos movimentos populares e militante da Organiza&ccedil;&atilde;o Anarquista Socialismo Libert&aacute;rio, da Organiza&ccedil;&atilde;o Popular Aymber&ecirc; e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, pela regional da Grande S&atilde;o Paulo. <\/p>\n<p><em><br \/>\n<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As rela\u00e7\u00f5es de poder podem ser edificadas para ultrapassando as amarras que subordinam corpos, indiv\u00edduos, coletividades e vontades do inconsciente coletivo \u00e0s utopias neoliberais de submiss\u00e3o de nossos tempos diante do mundo do trabalho na era do capitalismo cognitivo. 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