{"id":1453,"date":"2011-06-03T18:47:26","date_gmt":"2011-06-03T18:47:26","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1453"},"modified":"2011-06-03T18:47:26","modified_gmt":"2011-06-03T18:47:26","slug":"a-direita-financeira-midiatica-e-os-limites-da-democracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1453","title":{"rendered":"A direita financeira midi\u00e1tica e os limites da democracia"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/stephen_moore_wsj01.jpg\" title=\"Um rosto vis\u00edvel da besta. Stephen Moore, membro do conselho editorial do The Wall Street Journal, ve\u00edculo de Rupert Murdoch \u2013 um entre v\u00e1rios \u2013 ao menos \u00e9 sincero revelando no filme de Michael Moore (Capitalism: A Love Story), ser contra a democracia por entender que o exerc\u00edcio das vontades do povo impede a livre circula\u00e7\u00e3o do capital e dificultam a liberdade de empreender.  - Foto:archive.glenbeck\" alt=\"Um rosto vis\u00edvel da besta. Stephen Moore, membro do conselho editorial do The Wall Street Journal, ve\u00edculo de Rupert Murdoch \u2013 um entre v\u00e1rios \u2013 ao menos \u00e9 sincero revelando no filme de Michael Moore (Capitalism: A Love Story), ser contra a democracia por entender que o exerc\u00edcio das vontades do povo impede a livre circula\u00e7\u00e3o do capital e dificultam a liberdade de empreender.  - Foto:archive.glenbeck\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Um rosto vis\u00edvel da besta. Stephen Moore, membro do conselho editorial do The Wall Street Journal, ve\u00edculo de Rupert Murdoch \u2013 um entre v\u00e1rios \u2013 ao menos \u00e9 sincero revelando no filme de Michael Moore (Capitalism: A Love Story), ser contra a democracia por entender que o exerc\u00edcio das vontades do povo impede a livre circula\u00e7\u00e3o do capital e dificultam a liberdade de empreender. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:archive.glenbeck<\/small><\/figure>\n<p>03 de junho de 2011, da Vila Setembrina, <em>Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p><\/em>&Eacute; comum assistirmos a comentaristas econ&ocirc;micos de ve&iacute;culos com grande audi&ecirc;ncia e penetra&ccedil;&atilde;o tomar como crit&eacute;rio de verdade a editorias e mat&eacute;rias publicadas em fontes especializadas em escala global. Estes jornais, portais e revistas, produzidos em suporte eletr&ocirc;nico e impresso, escritos em ingl&ecirc;s (como l&iacute;ngua franca da globaliza&ccedil;&atilde;o capitalista at&eacute; o momento) teriam o poder de influenciar formadores de opini&atilde;o em pa&iacute;ses emergentes como o Brasil, ou em decad&ecirc;ncia como Espanha e Portugal. O que &eacute; pouco ou nada difundido, por ser premissa oculta, &eacute; o fator fundamental do posicionamento pol&iacute;tico-ideol&oacute;gico destes ve&iacute;culos, pois n&atilde;o existe comunica&ccedil;&atilde;o social sem posi&ccedil;&atilde;o e opini&atilde;o e as bases de pensamento por eles defendidas. &Eacute; &oacute;bvio que me refiro a publica&ccedil;&otilde;es como The Wall Street Journal, Financial Times e The Economist, sendo o &uacute;ltimo o de maior influ&ecirc;ncia do presente. Tais ve&iacute;culos professam abertamente as bases da chamada direita financeira. O problema &eacute; que no Brasil, quase ningu&eacute;m fala disso. E por que ser&aacute;?<\/p>\n<p>Dentro do panorama pol&iacute;tico, circulando no universo das id&eacute;ias de representa&ccedil;&atilde;o da sociedade em termos de distribui&ccedil;&atilde;o, controle, aloca&ccedil;&atilde;o, circula&ccedil;&atilde;o e usufruto de recursos e poder, um setor ideol&oacute;gico est&aacute; na berlinda e por isso mesmo parte para o ataque. Ap&oacute;s a mega estafa em escala global, cuja bolha imobili&aacute;ria, o esquema de venda de t&iacute;tulos podres e ativos t&oacute;xicos sem lastro ou valor real (chamados de derivativos) e a no&ccedil;&atilde;o geral de que a auto-regula&ccedil;&atilde;o dos mercados n&atilde;o passa de um mito neoliberal, aqueles que os adeptos da teoria cr&iacute;tica chamam de direita financeira passam a buscar uma base argumentativa de defesa. <\/p>\n<p>Esta direita financeira encontra-se sob diversas formas e manifesta&ccedil;&otilde;es, mas em geral pode ser localizada em um exemplo de teoria das portas girat&oacute;rias, onde atores-chave circulam pelos agentes econ&ocirc;micos do sistema financeiro (bancos de investimento, de cr&eacute;dito, corretoras, ag&ecirc;ncias de &ldquo;an&aacute;lise de risco&rdquo;), postos fundamentais no Estado (na autoridade monet&aacute;ria e em minist&eacute;rios como Fazenda e Planejamento) e tamb&eacute;m nos meios de produ&ccedil;&atilde;o de bens simb&oacute;licos, a exemplo de universidades e ve&iacute;culos formadores de opini&atilde;o. Essa gente, quando fala, influencia. Alguns meios com influ&ecirc;ncia em escala global costumam ser citados como se portadores de alguma verdade de tipo cient&iacute;fico, ou raz&atilde;o a ponto de serem tomados como fontes fidedignas num momento de, por exemplo, sacar alguma resolu&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;tica econ&ocirc;mica nacional. <\/p>\n<p>Em termos de posicionamento, a chamada credibilidade e o suposto rigor metodol&oacute;gico destes ve&iacute;culos formam um discurso ficcional. Crer nos editoriais do Wall Street Journal ou nas mat&eacute;rias de f&ocirc;lego do The Economist &eacute; um posicionamento pol&iacute;tico. Sua suposta precis&atilde;o ao expressar &ldquo;as regras da economia&rdquo; &eacute; t&atilde;o &ldquo;fact&iacute;vel&rdquo; como a fict&iacute;cia id&eacute;ia de &ldquo;isen&ccedil;&atilde;o&rdquo; das ag&ecirc;ncias de an&aacute;lise de risco, a exemplo da Standard &amp; Poors ou a Moody&rsquo;s. Em termos de pol&iacute;tica, seria algo t&atilde;o recomendado para a presta&ccedil;&atilde;o de assessoria econ&ocirc;mica para um Estado assim como ocorreu na Gr&eacute;cia e sua visceral e tr&aacute;gica rela&ccedil;&atilde;o com a Goldman Sachs, cuja resultante &eacute; uma rebeli&atilde;o popular e greves gerais em seq&uuml;&ecirc;ncia. <\/p>\n<p><strong>Dois fatores a serem ocultados: a democracia e a conta <\/p>\n<p><\/strong>Reza o receitu&aacute;rio do capitalismo de que n&atilde;o existe almo&ccedil;o gr&aacute;tis. Tamb&eacute;m &eacute; igualmente verdade o triste fato de que quase sempre, os que pagam a conta mal entendem porque est&atilde;o pagando. Quando as vers&otilde;es da suposta crise econ&ocirc;mica e do rombo financeiro dentro das incontrol&aacute;veis finan&ccedil;as dos principais bancos europeus s&atilde;o traduzidas como simples aumento do d&eacute;ficit p&uacute;blico e incapacidade do cumprimento dos acordos impostos pela Comiss&atilde;o Econ&ocirc;mica Europ&eacute;ia, o que os principais ve&iacute;culos de difus&atilde;o da direita financeira est&atilde;o fazendo &eacute; simplesmente ocultar a rela&ccedil;&atilde;o principal de causa e efeito. Nesse bojo, dedicam laudas sem fim a respeito do problema dos gastos p&uacute;blicos e ao Estado de Bem-Estar Social. <\/p>\n<p>Quando estas mensagens chegam aos pa&iacute;ses latinos, os int&eacute;rpretes daqui fazem mimetismo com suas matrizes de pensamento e atribuem o volume do d&eacute;ficit ao tamanho do Estado e sua &ldquo;incapacidade de autogerenciamento&rdquo;. Tal absurdo &eacute; repetido centenas de vezes ao analisar-se o ocaso do Estado portugu&ecirc;s &ndash; a cumprir planos de metas do FMI tal como o Brasil o fazia na d&eacute;cada de &rsquo;80 &ndash; ou o desemprego alt&iacute;ssimo na Espanha atual. O que estes supostos especialistas e suas fontes de origem nunca dizem &eacute; simplesmente o &oacute;bvio. O Estado opera como pagador de &uacute;ltima inst&acirc;ncia das grandes corpora&ccedil;&otilde;es, sobretaxando a popula&ccedil;&atilde;o em carga tribut&aacute;ria e retirada de direitos, financiando com recursos coletivos os agentes econ&ocirc;micos privados. <\/p>\n<p>Foi isto o que causou a quebra da capacidade de investimento e mesmo de financiar a m&aacute;quina p&uacute;blica em pa&iacute;ses como Irlanda, Isl&acirc;ndia, Gr&eacute;cia, Portugal e Espanha e este &eacute; o risco real que corre a sobreviv&ecirc;ncia da Zona Euro. Ao impor os acordos de salva&ccedil;&atilde;o, a Comiss&atilde;o Econ&ocirc;mica Europ&eacute;ia e o FMI est&atilde;o &eacute; retirando direitos e comprometendo a soberania de eleitores e cidad&atilde;os destes pa&iacute;ses, uma vez que suas vontades, j&aacute; muito pouco respeitadas ap&oacute;s as elei&ccedil;&otilde;es passam a ser totalmente ignoradas. <\/p>\n<p>O mando do povo e o exerc&iacute;cio de sua soberana decis&atilde;o, ou seja, a democracia em qualquer escala, sempre vai ser um entrave a livre circula&ccedil;&atilde;o do capital em geral e do financeiro em particular. &Eacute; por isso que os ve&iacute;culos que defendem a direita financeira t&ecirc;m de ocultar as rela&ccedil;&otilde;es de causa e efeito e plantar cortinas de fuma&ccedil;a sobre os fatos reais. Conclus&atilde;o. Se tudo o que &eacute; s&oacute;lido evapora no ar, &eacute; porque alguns fazem esta riqueza desaparecer e outros tantos fazem isso parecer algo &ldquo;natural&rdquo;. <\/p>\n<p>Este artigo foi originalmente publicado na revista do Instituto Humanitas Unisinos (IHU On-line), em sua vers&atilde;o impressa, edi&ccedil;&atilde;o da semana de 30 de maio de 2011, na se&ccedil;&atilde;o Coluna do Cepos, p&aacute;ginas 30 e 31.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um rosto vis\u00edvel da besta. 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