{"id":1455,"date":"2011-06-07T15:46:12","date_gmt":"2011-06-07T15:46:12","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1455"},"modified":"2011-06-07T15:46:12","modified_gmt":"2011-06-07T15:46:12","slug":"esperanca-e-resistencia-em-honduras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1455","title":{"rendered":"Esperan\u00e7a e resist\u00eancia em Honduras"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/zelayahonduras.JPG\" title=\"Ex-presidente de Honduras, Manuel Zelaya, volta ao pa\u00eds ap\u00f3s quase dois anos de ex\u00edlio. - Foto:publicacionesfranciscoalarcon.blogspot.com\" alt=\"Ex-presidente de Honduras, Manuel Zelaya, volta ao pa\u00eds ap\u00f3s quase dois anos de ex\u00edlio. - Foto:publicacionesfranciscoalarcon.blogspot.com\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Ex-presidente de Honduras, Manuel Zelaya, volta ao pa\u00eds ap\u00f3s quase dois anos de ex\u00edlio.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:publicacionesfranciscoalarcon.blogspot.com<\/small><\/figure>\n<p><em>Por Amy Goodman <\/p>\n<p><\/em>Enquanto os Estados Unidos comemoravam o Memorial Day com um fim de semana de tr&ecirc;s dias, o povo hondurenho vivia um acontecimento hist&oacute;rico: a volta do Presidente Manuel Zelaya, depois de 23 meses de ex&iacute;lio for&ccedil;ado &agrave; base de bala, no que representou o primeiro golpe de Estado na Am&eacute;rica Central dos &uacute;ltimos 25 anos. Apesar de Zelaya j&aacute; n&atilde;o ser mais presidente, seu retorno &eacute; uma grande vit&oacute;ria para o movimento de resist&ecirc;ncia ao golpe. O governo que se instaurou ap&oacute;s o golpe de Estado, sob o comando do Presidente Porf&iacute;rio &ldquo;Pepe&rdquo; Lobo, &eacute; cada vez mais repressivo. No fim de maio, uma comiss&atilde;o de 87 membros do Congresso estadunidense enviou uma carta &agrave; Secret&aacute;ria de Estado, Hillary Clinton, exigindo a suspens&atilde;o da ajuda &agrave;s for&ccedil;as armadas e pol&iacute;cia hondurenhas.<\/p>\n<p>Fui a &uacute;nica jornalista estadunidense no voo que levou Zelaya de volta a Honduras. Perguntei-lhe como se sentia sobre o seu iminente regresso. &ldquo;Cheio de otimismo, f&eacute; e esperan&ccedil;a. O di&aacute;logo e a a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica s&atilde;o poss&iacute;veis sem armas. N&atilde;o &agrave; viol&ecirc;ncia. N&atilde;o a golpes militares. Golpes de Estado nunca mais&rdquo;.<\/p>\n<p>Quando aterrissou em Honduras, Zelaya se ajoelhou e beijou o solo. Foi recebido por dezenas de milhares de pessoas que o ovacionaram enquanto agitavam a bandeira rubro-negra do movimento que surgiu ap&oacute;s o golpe: a Frente Nacional de Resist&ecirc;ncia Popular, &ldquo;a resist&ecirc;ncia&rdquo;, liderada agora pelo ex-presidente. Sua primeira parada aconteceu em uma aglomera&ccedil;&atilde;o de pessoas em frente ao monumento em mem&oacute;ria do jovem Isis Obed Murillo, de 19 anos de idade, que foi assassinado uma semana depois do golpe de 2009, quando Zelaya tentou pela primeira vez voltar ao pa&iacute;s. Murillo encontrava-se entre as dezenas de milhares de pessoas que esperavam o retorno do ex-presidente no aeroporto. Na ocasi&atilde;o, os militares bloquearam a pista de aterrissagem e dispersaram a multid&atilde;o disparando balas de chumbo, que mataram o adolescente.<\/p>\n<p>A partir de ent&atilde;o, a viol&ecirc;ncia e a impunidade se tornaram moeda corrente. Campesinos, jornalistas, estudantes, professores e qualquer outra pessoa em Honduras que se atreva a discordar exp&otilde;e-se &agrave; intimida&ccedil;&atilde;o, pris&atilde;o e assassinato. Ao menos 12 jornalistas foram assassinados no pa&iacute;s desde o golpe, segundo o Comit&ecirc; para Prote&ccedil;&atilde;o dos Jornalistas. Muitos campesinos tamb&eacute;m foram perderam suas vidas. Na semana passada, estudantes secundaristas que protestavam contra a demiss&atilde;o de professores e a privatiza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o foram atacados violentamente pela pol&iacute;cia a tiros e com gases lacrimog&ecirc;neos.<\/p>\n<p>No discurso que pronunciou no ato de boas-vindas, o Presidente Zelaya disse: &ldquo;A presen&ccedil;a de voc&ecirc;s nesta tarde demonstra o apoio da comunidade internacional, que n&atilde;o derramou sangue em v&atilde;o porque estamos de p&eacute; em luta, mantendo nossas posi&ccedil;&otilde;es. Resist&ecirc;ncia pac&iacute;fica, companheiros. Resist&ecirc;ncia &eacute; hoje o grito de vit&oacute;ria do retorno a Honduras de todos os direitos e garantias da democracia hondurenha&rdquo;. <br \/>\nO atual governo de Honduras aceitou permitir o regresso de Zelaya para conseguir a readmiss&atilde;o do pa&iacute;s na Organiza&ccedil;&atilde;o de Estados Americanos numa tentativa de livrar-se da condi&ccedil;&atilde;o de p&aacute;ria que ganhou na Am&eacute;rica Latina em virtude do golpe.<\/p>\n<p>P&aacute;ria na Am&eacute;rica Latina, mas n&atilde;o nos Estados Unidos. Apesar do Presidente Barack Obama inicialmente qualificar a derrubada de Zelaya como um &ldquo;golpe&rdquo;, o governo estadunidense logo abandonou o uso do termo. Mas n&atilde;o h&aacute; outra palavra que descreva o acontecimento. No domingo, falei com Zelaya em sua casa, de onde me contou o que ocorreu.<\/p>\n<p>Era por volta de cinco da manh&atilde; do dia 28 de junho de 2009, quando soldados hondurenhos encapuzados invadiram sua casa ap&oacute;s dispararem contra a porta dos fundos.<\/p>\n<p>&ldquo;Amea&ccedil;aram-me dizendo que iam disparar. E eu os disse: &lsquo;Se tem ordem de disparar, dispare. Mas saiba que est&aacute; disparando contra o Presidente da Rep&uacute;blica, e voc&ecirc; &eacute; um subalterno&rsquo;. E eles n&atilde;o dispararam. Apenas me submeteram a acompanh&aacute;-los ao ve&iacute;culo, assim, com a roupa de cama. Aterrissamos na base militar norte-americana de Palmerola, onde reabasteceram o avi&atilde;o. Houve movimentos fora da aeronave, eu n&atilde;o sei com quem falaram. Ficamos ali por quinze ou vinte minutos. E depois a Costa Rica. O resto &eacute; p&uacute;blico&rdquo;.<\/p>\n<p>Em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, o mais importante para Honduras n&atilde;o &eacute; a volta de Zelaya, mas sim a volta da democracia. Zelaya estava conseguindo apoio popular para pol&iacute;ticas p&uacute;blicas significativas, como o aumento de 60% do sal&aacute;rio m&iacute;nimo; um plano para assumir o controle da base a&eacute;rea estadunidense Palmerola com o objetivo de utiliz&aacute;-la como aeroporto civil no lugar do perigoso Aeroporto Internacional Toncontin; planos de distribuir terra a camponeses; e se unir &agrave; ALBA, o bloqueio cooperativo regional criado para diminuir o dom&iacute;nio econ&ocirc;mico dos Estados Unidos. No dia em que lhe sequestraram, Zelaya realizaria uma consulta popular para perguntar &agrave; popula&ccedil;&atilde;o se queria uma assembl&eacute;ia nacional constituinte para avaliar poss&iacute;veis reformas da Constitui&ccedil;&atilde;o. Esse, explica Zelaya, foi o motivo pelo qual lhe derrubaram.<\/p>\n<p>A Secret&aacute;ria de Estado Clinton e seu amigo &iacute;ntimo Lanny Davis, que leva adiante um poderoso lobby a favor do regime golpista, exerceram forte press&atilde;o a favor da legitima&ccedil;&atilde;o do governo de Lobo, apesar de um telegrama interno do pr&oacute;prio Departamento de Estado sob comando de Clinton ter como t&iacute;tulo &ldquo;Assunto urgente: O caso do golpe em Honduras&rdquo;. O telegrama recentemente publicado pelo WikiLeaks afirma que o golpe foi claramente ilegal.<\/p>\n<p>Quando me dirigia ao aeroporto para tomar meu voo de volta deste fim de semana hist&oacute;rico em Honduras, topei com um grupo de professores que estavam em greve de fome h&aacute; um m&ecirc;s em frente ao Congresso hondurenho. Eles, tal como uma ampla rede de grupos da sociedade civil hondurenha, ao tempo em que celebram o retorno de seu presidente derrocado, t&ecirc;m claras suas exig&ecirc;ncias, que contam agora com o apoio de 87 membros do Congresso estadunidense: que se ponha fim &agrave; viol&ecirc;ncia e &agrave; repress&atilde;o em Honduras.<\/p>\n<p>&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&ndash;- <\/p>\n<p>Denis Moynihan colaborou na produ&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica desta coluna. <br \/>\n@2010 Amy Goodman <\/p>\n<p>Texto em ingl&ecirc;s traduzido por Fernanda Gerpe y Democracy Now! em <a href=\"mailto:spanish@democracynow.org \">espanhol<\/a>.<\/p>\n<p>Esta vers&atilde;o &eacute; exclusiva de <a href=\"http:\/\/www.estrategiaeanalise.com,br\">Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise<\/a> para o portugu&ecirc;s. O texto em espanhol traduzido para o portugu&ecirc;s por <a href=\"mailto:rafael.estrategiaeanalise@gmail.com\">Rafael Cavalcanti Barreto<\/a>, e revisado por <a href=\"mailto:bruno.estrategiaeanalise@gmail.com\">Bruno Lima Rocha<\/a>. <\/p>\n<p>Amy Goodman &eacute; &acirc;ncora do Democracy Now!, um notici&aacute;rio internacional que emite conte&uacute;do di&aacute;rio para mais de 650 emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o em ingl&ecirc;s, e mais de 250 em espanhol. &Eacute; co-autora do livro &ldquo;Os que lutam contra o sistema: Her&oacute;is ordin&aacute;rios em tempos extraordin&aacute;rios nos Estados Unidos&rdquo;, editado pelo Le Monde Diplomatique do Cone Sul.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ex-presidente de Honduras, Manuel Zelaya, volta ao pa\u00eds ap\u00f3s quase dois anos de ex\u00edlio. 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