{"id":1463,"date":"2011-06-20T10:43:59","date_gmt":"2011-06-20T10:43:59","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1463"},"modified":"2011-06-20T10:43:59","modified_gmt":"2011-06-20T10:43:59","slug":"velozes-e-furiosos-a-guerra-contra-as-drogas-impulsionada-pelos-estados-unidos-cobra-mais-vidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1463","title":{"rendered":"Velozes e furiosos: a guerra contra as drogas impulsionada pelos Estados Unidos cobra mais vidas"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/operacaovelfur.jpg\" title=\"Milhares de armas foram vendidas a intermedi\u00e1rios de traficantes na Opera\u00e7\u00e3o Velozes e Furiosos para se chegar \u00e0s lideran\u00e7as do narcotr\u00e1fico mexicano. O problema \u00e9 que nem as cabe\u00e7as do tr\u00e1fico, nem todas as armas foram localizadas. - Foto:http:\/\/biggovernment.com\" alt=\"Milhares de armas foram vendidas a intermedi\u00e1rios de traficantes na Opera\u00e7\u00e3o Velozes e Furiosos para se chegar \u00e0s lideran\u00e7as do narcotr\u00e1fico mexicano. O problema \u00e9 que nem as cabe\u00e7as do tr\u00e1fico, nem todas as armas foram localizadas. - Foto:http:\/\/biggovernment.com\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Milhares de armas foram vendidas a intermedi\u00e1rios de traficantes na Opera\u00e7\u00e3o Velozes e Furiosos para se chegar \u00e0s lideran\u00e7as do narcotr\u00e1fico mexicano. O problema \u00e9 que nem as cabe\u00e7as do tr\u00e1fico, nem todas as armas foram localizadas.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:http:\/\/biggovernment.com<\/small><\/figure>\n<p><em>Por Amy Goodman <br \/>\n<\/em><br \/>\nAs violentas mortes de Brian Terry e Juan Francisco Sicilia, num intervalo de poucos meses, na cada vez mais perigosa fronteira entre M&eacute;xico e Estados Unidos, deram in&iacute;cio a uma reflex&atilde;o tardia da chamada &ldquo;Guerra contra as drogas&rdquo; e ao questionamento da forma como o governo dos Estados Unidos est&aacute;, definitivamente, piorando o problema. <\/p>\n<p>Na noite de 14 de dezembro de 2010, o agente Brian Terry encontrava-se no deserto do Arizona como parte da patrulha da Unidade T&aacute;tica do Servi&ccedil;o de Aduanas e Prote&ccedil;&atilde;o de Fronteiras dos Estados Unidos (BORTAC, na sigla do nome em ingl&ecirc;s), uma for&ccedil;a policial altamente treinada e armada, descrita como o segmento paramilitar de elite da Patrulha Fronteiri&ccedil;a dos Estados Unidos. Nessa noite, o grupo participou de um tiroteio em que Terry morreu. Sua morte poderia ter se tornado apenas mais um acontecimento violento associado ao tr&aacute;fico de drogas na fronteira, por&eacute;m um detalhe aumentou sua propor&ccedil;&atilde;o e deu lugar a um forte embate entre o governo de Obama e o Congresso dos Estados Unidos: as armas encontradas na cena do crime, fusis AK-47, foram provavelmente vendidas a criminosos mexicanos durante uma opera&ccedil;&atilde;o sigilosa da Ag&ecirc;ncia Estadunidense de Controle ao &Aacute;lcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivo (ATF, na sua sigla em ingl&ecirc;s). <\/p>\n<p><em>Leia tamb&eacute;m, ao final dos cr&eacute;ditos da coluna, o coment&aacute;rio da equipe do portal.<\/em><\/p>\n<p>Conhecido por &ldquo;Opera&ccedil;&atilde;o Velozes e Furiosos&rdquo;, o programa secreto tinha como finalidade rastrear armas vendidas nos Estados Unidos a supostos intermedi&aacute;rios, pessoas que compram armas em nome de outros. A opera&ccedil;&atilde;o da ATF permitiu que lojas de armas vendessem grandes quantidades de armas a intermedi&aacute;rios que a Ag&ecirc;ncia suspeitava de comprar para cart&eacute;is de drogas mexicanos. No lugar de prender o intermedi&aacute;rio, considerado pela ATF como um criminoso relativamente menor, rastreavam as armas que ingressavam no M&eacute;xico com o intuito de prender as cabe&ccedil;as dos cart&eacute;is criminosos. Ao menos, esse era o plano.<\/p>\n<p>Segundo informa&ccedil;&otilde;es do Centro para a Integridade P&uacute;blica, na regi&atilde;o do programa &ldquo;Velozes e Furiosos&rdquo;, venderam-se de modo consciente 1.765 armas. Outras 300 foram vendidas antes de come&ccedil;ar a opera&ccedil;&atilde;o. Dessas mais de duas mil armas, apenas 800 foram recuperadas. Duas das armas recuperadas foram encontradas na local da morte de Terry, um uma regi&atilde;o conhecida como Peck Canyon, na parte estadunidense da fronteira entre Nogales, no M&eacute;xico, e Tucson, no estado do Arizona.<\/p>\n<p>O agente especial John Dodson da ATF foi um dos tantos policiais de campo que alertou a seus superiores sobre o car&aacute;ter imprudente da opera&ccedil;&atilde;o. Ningu&eacute;m deu aten&ccedil;&atilde;o a suas preocupa&ccedil;&otilde;es e os trabalhos continuaram. Ap&oacute;s o assassinato de Terry, Dodson denunciou a opera&ccedil;&atilde;o primeiramente ao Departamento de Justi&ccedil;a, em seguida ao senador republicano Charles Grassley. O senador pediu explica&ccedil;&otilde;es ao procurador-Geral dos Estados Unidos, Eric Holder, e agora o Comit&ecirc; de Supervis&atilde;o e Reforma do Governo da C&acirc;mara de Representantes &ndash; presidido pelo representante republicano Darrell Issa &ndash; est&aacute; realizando uma s&eacute;rie de audi&ecirc;ncias sobre o caso.<\/p>\n<p>Ao sul da fronteira, Juan Sicilia e outros seis jovens foram brutalmente assassinados em mar&ccedil;o deste ano. Apenas outras sete v&iacute;timas inocentes da viol&ecirc;ncia arrasadora que padece no M&eacute;xico e que j&aacute; cobrou a vida de 35 mil pessoas desde dezembro de 2006, quando o presidente mexicano Felipe Calder&oacute;n come&ccedil;ou sua ofensiva contra os cart&eacute;is de droga. Javier Sicilia, o pai de Juan, &eacute; um famoso poeta e intelectual mexicano. Pouco depois do assassinato de seu filho, Sicilia escreveu um &uacute;ltimo poema em homenagem a Juan. Agora seu compromisso &eacute; com a luta contra a viol&ecirc;ncia e o derramamento de sangue em seu pa&iacute;s. Ele liderou uma marcha de protesto em maio que partiu de Cuernavaca, sua cidade natal, at&eacute; a famosa pra&ccedil;a do Z&oacute;calo, na Cidade do M&eacute;xico, na qual participaram 200 mil pessoas. No fim de semana passado, liderou outra marcha at&eacute; a fronteira, e em seguida at&eacute; El Paso, Texas.<\/p>\n<p>Com certeza, Sicilia combate os cart&eacute;is. Mas tamb&eacute;m culpa Calder&oacute;n e os Estados Unidos. Pede que se ponha fim &agrave; &ldquo;Iniciativa M&eacute;rida&rdquo;, pela qual os Estados Unidos proporcionam armas e treinamento &agrave;s for&ccedil;as militares mexicanas para a luta contra o narcotr&aacute;fico. Sicilia tamb&eacute;m pede a legaliza&ccedil;&atilde;o das drogas, uma bandeira em que &eacute; surpreendemente acompanhado pelo ex-presidente mexicano conservador, Vicente Fox e cada vez mais pelo pr&oacute;prio Calder&oacute;n.<\/p>\n<p>O presidente Calder&oacute;n viajar&aacute; aos Estados Unidos esta semana. Recentemente questionou a ind&uacute;stria b&eacute;lica estadunidense por lucrar com a venda de armas que acabam no M&eacute;xico. Calder&oacute;n tamb&eacute;m criticou a revoga&ccedil;&atilde;o da proibi&ccedil;&atilde;o de armas de assalto nos Estados Unidos, o que provocou um aumento maci&ccedil;o da viol&ecirc;ncia com armas no M&eacute;xico.<\/p>\n<p>Um novo relat&oacute;rio publicado por tr&ecirc;s senadores democratas informa que aproximadamente 70% das armas apreendidas no M&eacute;xico entre 2009 e 2010 s&atilde;o provenientes dos Estados Unidos. Das quase 30 mil armas apreendidas no pa&iacute;s latino durante esse per&iacute;odo, mais de 20 mil vieram do pa&iacute;s vizinho.<\/p>\n<p>Se algo deve ser veloz e furioso nos Estados Unidos &eacute; o incentivo de pol&iacute;ticas sensatas e prudentes sobre o controle de armas e drogas. Talvez quando isso acontecer, Javier Sicilia volte a escrever poesia.<\/p>\n<p>&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&ndash;- <\/p>\n<p>Denis Moynihan colaborou na produ&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica desta coluna. <br \/>\n@2010 Amy Goodman <\/p>\n<p>Texto em ingl&ecirc;s traduzido por Fernanda Gerpe y <a href=\"mailto:spanish@democracynow.org \">Democracy Now! em espanhol<\/a>.<\/p>\n<p>Esta vers&atilde;o &eacute; exclusiva de <a href=\"http:\/\/www.estrategiaeanalise.com.br\">Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise<\/a> para o portugu&ecirc;s. O texto em espanhol traduzido para o portugu&ecirc;s por <a href=\"mailto:rafael.estrategiaeanalise@gmail.com\">Rafael Cavalcanti Barreto<\/a>, e revisado por<a href=\"mailto:bruno.estrategiaeanalise@gmail.com\">Bruno Lima Rocha<\/a>. As opini&otilde;es adjuntas ao texto s&atilde;o de exclusiva responsabilidade dos editores de Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise. <\/p>\n<p>Amy Goodman &eacute; &acirc;ncora do Democracy Now!, um notici&aacute;rio internacional que emite conte&uacute;do di&aacute;rio para mais de 650 emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o em ingl&ecirc;s, e mais de 250 em espanhol. &Eacute; co-autora do livro &ldquo;Os que lutam contra o sistema: Her&oacute;is ordin&aacute;rios em tempos extraordin&aacute;rios nos Estados Unidos&rdquo;, editado pelo Le Monde Diplomatique do Cone Sul.<\/p>\n<p><strong>Coment&aacute;rios dos editores: <\/strong><\/p>\n<p>A chamada Guerra contra as Drogas, no sentido de prevenir a adi&ccedil;&atilde;o de drogas il&iacute;citas e combater as redes que comercializam as subst&acirc;ncias ilegais, &eacute; um rotundo fracasso nas pol&iacute;ticas do Imp&eacute;rio desde a Era Reagan. Mais, foi o pr&oacute;prio Departamento de Estado, atrav&eacute;s de liga&ccedil;&otilde;es perigosas com a Seita Moon, narcotraficantes aliados de neonazistas bolivianos, e o incentivo aos paracos na Col&ocirc;mbia que incendiou o Continente, elevando a n&iacute;veis perigos&iacute;ssimos o potencial de penetra&ccedil;&atilde;o nos aparelhos de Estado latino-americanos. Se no civil a maioria dos div&oacute;rcios &eacute; complicada, na complexa rede de interpenetra&ccedil;&atilde;o entre operadores pol&iacute;ticos profissionais, os interesses imperialistas e o narcotr&aacute;fico, a&iacute; a coisa &eacute; explosiva. O governo de Calder&oacute;n no M&eacute;xico tenta divorciar a elite pol&iacute;tica dos cart&eacute;is do norte e o resultado &eacute; uma trag&eacute;dia em escala nacional. O presidente eleito num pleito fraudado opera como Cavalo de Tr&oacute;ia do Imp&eacute;rio em seu pa&iacute;s sat&eacute;lite por extens&atilde;o, elevando o n&iacute;vel de viol&ecirc;ncia interno e tentando sanear o insan&aacute;vel &#8211; pois sobre as ru&iacute;nas do Estado priista se estrutura uma rela&ccedil;&atilde;o dominante e interdependente entre grandes empresas, grupos pol&iacute;ticos estaduais e os cart&eacute;is fornecedores de drogas il&iacute;citas para os guetos dos EUA. Cortar essa rela&ccedil;&atilde;o dependeria de uma nova pol&iacute;tica por parte da administra&ccedil;&atilde;o Obama, mas pelo visto, tudo restara como mais uma promessa fracassada de campanha mentirosa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Milhares de armas foram vendidas a intermedi\u00e1rios de traficantes na Opera\u00e7\u00e3o Velozes e Furiosos para se chegar \u00e0s lideran\u00e7as do narcotr\u00e1fico mexicano. 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