{"id":1468,"date":"2011-06-28T09:06:48","date_gmt":"2011-06-28T09:06:48","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1468"},"modified":"2011-06-28T09:06:48","modified_gmt":"2011-06-28T09:06:48","slug":"a-crise-de-fukushima-exige-uma-nova-forma-nao-nuclear-de-pensar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1468","title":{"rendered":"A crise de Fukushima exige uma nova forma n\u00e3o nuclear de pensar"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/nuclearpower.jpg\" title=\"Estados Unidos volta a investir na expans\u00e3o de plantas nucleares ap\u00f3s mais de 30 anos. - Foto:thenewsinn\" alt=\"Estados Unidos volta a investir na expans\u00e3o de plantas nucleares ap\u00f3s mais de 30 anos. - Foto:thenewsinn\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Estados Unidos volta a investir na expans\u00e3o de plantas nucleares ap\u00f3s mais de 30 anos.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:thenewsinn<\/small><\/figure>\n<p><em>Por Amy Goodman<\/em><strong> <br \/>\n<\/strong><br \/>\nNovas informa&ccedil;&otilde;es mostram que o desastre da central nuclear de Fukushima, no Jap&atilde;o, &eacute; muito mais grave do que se reconhecia a princ&iacute;pio, dada a fus&atilde;o total de tr&ecirc;s dos quatro reatores afetados. Enquanto isso, nos Estados Unidos, as duas plantas nucleares de Nebraska, ambas pr&oacute;ximas da cidade de Omaha, entraram em estado de alerta em virtude das inunda&ccedil;&otilde;es provocadas pela cheia do Rio Mossouri. A Central Nuclear Cooper declarou emerg&ecirc;ncia de baixo n&iacute;vel e ter&aacute; que fechar se o rio aumentar seu n&iacute;vel em sete cent&iacute;metros. A planta de energia nuclear de Fort Calhoun permanece fechada desde o &uacute;ltimo dia 9 de abril, em parte devido &agrave;s inunda&ccedil;&otilde;es. Na planta de Prairie Island, em Minnesota, o calor extremo da atividade nuclear provocou a falha de dois geradores de emerg&ecirc;ncia. A falha do gerador de emerg&ecirc;ncia foi um dos principais problemas que derivou na fus&atilde;o dos n&uacute;cleos dos reatores em Fukushima. <\/p>\n<p><em>Leia tamb&eacute;m o coment&aacute;rio dos editores, logo abaixo dos cr&eacute;ditos. <br \/>\n<\/em><\/p>\n<p>Em maio, o Ministro do Meio Ambiente da &Aacute;ustria, Nikolaus Berlakovich, em rea&ccedil;&atilde;o ao desastre da usina japonesa, convocou uma reuni&atilde;o dos onze pa&iacute;ses europeus livres de energia nuclear. Na reuni&atilde;o, os representantes das na&ccedil;&otilde;es convidadas resolveram fazer press&atilde;o a favor de uma Europa livre de atividades nucleares. N&atilde;o longe dali, a Alemanha anunciava que vai abandonar progressivamente a energia nuclear nos pr&oacute;ximos dez anos e afian&ccedil;ar&aacute; pesquisas de energia renov&aacute;vel. J&aacute; nas elei&ccedil;&otilde;es nacionais da It&aacute;lia, mais de 90% dos eleitores recha&ccedil;aram completamente os planos do Primeiro Ministro Silvio Berlusconi de reiniciar os programas de gera&ccedil;&atilde;o de energia at&ocirc;mica. <\/p>\n<p>Os diretores dos programas nacionais de energia nuclear participaram recentemente da Confer&ecirc;ncia Ministerial sobre Seguran&ccedil;a Nuclear organizada pela Ag&ecirc;ncia Internacional de Energia At&ocirc;mica (AIEA) em Viena. A reuni&atilde;o tamb&eacute;m foi uma resposta aos acontecimentos de Fukushima. Ironicamente, os ministros, entre eles Gregory Jaczko, presidente da Comiss&atilde;o Reguladora Nuclear dos Estados Unidos, garantiram a seguran&ccedil;a da reuni&atilde;o em um pa&iacute;s que n&atilde;o possui plantas nucleares. &Aacute;ustria se encontra &agrave; frente da nova alian&ccedil;a antinuclear europ&eacute;ia. <\/p>\n<p>Um relat&oacute;rio da ag&ecirc;ncia de not&iacute;cias Associated Press (AP) precedeu o encontro mostrando que, sistematicamente e durante d&eacute;cadas, a fiscaliza&ccedil;&atilde;o nuclear dos Estados Unidos rebaixou os n&iacute;veis de exig&ecirc;ncias das regulariza&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a. Dessa forma, os operadores poderiam manter em funcionamento as plantas nucleares. As centrais nucleares dos Estados Unidos foram constru&iacute;das durante as d&eacute;cadas que precederam o desastre da central nuclear Three Mile Island em 1979. Todas as 104 plantas excederam seu prazo de funcionamento, visto que a emiss&atilde;o das licen&ccedil;as originais se deu h&aacute; quarenta anos. <\/p>\n<p>O jornalista da AP Jeff Donn escreveu: &ldquo;Quando come&ccedil;aram a construir as primeiras plantas, nas d&eacute;cadas de 60 e 70, esperava-se que fossem substitu&iacute;das por vers&otilde;es melhoradas muito antes de vencerem suas habilita&ccedil;&otilde;es&rdquo;. Os enormes custos iniciais da constru&ccedil;&atilde;o, as quest&otilde;es de seguran&ccedil;a e o problema de armazenamento dos res&iacute;duos nucleares radioativos por milhares de anos dissuadiram os investidores do setor privado. No lugar de desenvolver e construir novas plantas nucleares, os propriet&aacute;rios (geralmente companhias com fins lucrativos como Exelon Corp., uma empresa que atrav&eacute;s dos anos realizou importantes contribui&ccedil;&otilde;es para as campanhas de Obama) simplesmente tentaram fazer com que os velhos reatores continuassem funcionando por mais tempo e solicitaram a Comiss&atilde;o Reguladora Nuclear que prorrogasse as licen&ccedil;as por mais vinte anos. <\/p>\n<p>A Europa, muito &agrave; frente dos Estados Unidos quanto ao desenvolvimento e utiliza&ccedil;&atilde;o de tecnologias de energia renov&aacute;vel, vai aumentar o engajamento nesta pr&aacute;tica. Enquanto isso, no pa&iacute;s norte-americano, a Comiss&atilde;o Reguladora Nuclear deu sua aprova&ccedil;&atilde;o preliminar para a expans&atilde;o planificada da planta Vogtle, que pertence a Southern Company, no estado da Georgia. Isto representa a primeira autoriza&ccedil;&atilde;o para a constru&ccedil;&atilde;o de uma planta de energia nuclear nos Estados Unidos desde o acidente em Three Mile Island. O projeto recebeu o apoio do Presidente Barack Obama, que prometeu 8,3 bilh&otilde;es de d&oacute;lares de fundos federais como garantia do empr&eacute;stimo. Southern planeja utilizar o novo reator AP1000 de Westinghouse. No entanto, a coaliz&atilde;o de grupos ambientalistas iniciou a&ccedil;&otilde;es para impedir a permiss&atilde;o, assinalando que a inseguran&ccedil;a do novo reator &eacute; inerente ao seu desenho. <\/p>\n<p>Obama estabeleceu o que ele denominou de Comiss&atilde;o de Excel&ecirc;ncia sobre o Futuro Nuclear dos Estados Unidos. Um dos seus quinze membros &eacute; John Rowe, presidente e diretor executivo de Exelon Corp. (repetindo, trata-se da mesma companhia de energia nuclear que realizou significativas contribui&ccedil;&otilde;es para a campanha de Obama). A comiss&atilde;o realizou uma viagem de averigua&ccedil;&atilde;o ao Jap&atilde;o para observar como esse pa&iacute;s prosperava em termos de energia nuclear justamente um m&ecirc;s antes do desastre de Fukushima. Em maio, a comiss&atilde;o reiterou sua postura, a mesma de Obama, que sustenta que a energia nuclear deve integrar o combinado de energias a se utilizar nos Estados Unidos. <\/p>\n<p>Em vez disso, o mix energ&eacute;tico norte-americano deveria incluir um programa nacional de emprego para converter os edif&iacute;cios existentes em energicamente eficientes, al&eacute;m de instalar tecnologia para a gera&ccedil;&atilde;o de energia solar e e&oacute;lica onde seja adequado. Este programa n&atilde;o poderia ser terceirizado e diminuiria de imediato o consumo estadunidense de energia, reduzindo assim a depend&ecirc;ncia dos EUA de combust&iacute;veis f&oacute;sseis estrangeiros, assim como do carv&atilde;o e da energia nuclear de origem nacional. Um programa com estas caracter&iacute;sticas favoreceria os industriais do pa&iacute;s, j&aacute; que o dinheiro permaneceria dentro da economia estadunidense. Seria uma resposta simples, eficaz e sensata ao que aconteceu em Fukushima. <\/p>\n<p>&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&ndash; <\/p>\n<p>Denis Moynihan colaborou na produ&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica desta coluna. <br \/>\n@2010 Amy Goodman <\/p>\n<p>Texto em ingl&ecirc;s traduzido por Fernanda Gerpe y <a href=\"mailto:spanish@democracynow.org \">Democracy Now! em espanhol<\/a>.<\/p>\n<p>Esta vers&atilde;o &eacute; exclusiva de Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise para o portugu&ecirc;s. O texto em espanhol traduzido para o portugu&ecirc;s por <a href=\"http:\/\/rafael.estrategiaeanalise@gmail.com\">Rafael Cavalcanti Barreto<\/a>, e revisado por <a href=\"http:\/\/bruno.estrategiaeanalise@gmail.com\">Bruno Lima Rocha<\/a>. As opini&otilde;es adjuntas ao texto s&atilde;o de exclusiva responsabilidade dos editores de <a href=\"http:\/\/www.estrategiaeanalise.com.br\">Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise<\/a>. <\/p>\n<p>Amy Goodman &eacute; &acirc;ncora do Democracy Now!, um notici&aacute;rio internacional que emite conte&uacute;do di&aacute;rio para mais de 650 emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o em ingl&ecirc;s, e mais de 250 em espanhol. &Eacute; co-autora do livro &ldquo;Os que lutam contra o sistema: Her&oacute;is ordin&aacute;rios em tempos extraordin&aacute;rios nos Estados Unidos&rdquo;, editado pelo Le Monde Diplomatique do Cone Sul. <\/p>\n<p><strong>Coment&aacute;rio dos editores <br \/>\n<\/strong><br \/>\nUm problema de fundo se apresenta verific&aacute;vel com mais esta coluna de Amy Goodman. O problema do capitalismo em seu per&iacute;odo avan&ccedil;ado e ainda peleando contra a hegemonia neoliberal e com poder excessivo das corpora&ccedil;&otilde;es empresariais diante do cidad&atilde;o comum, &eacute; presumir de que se trata de um &ldquo;sistema racional&rdquo; e que visa &agrave; melhoria da sociedade como um todo. &Eacute; &oacute;bvio que a realidade &eacute; exatamente o inverso disso, embora um discurso na base da crueldade sincera jamais seria aceito. Barack Obama prometera um avan&ccedil;o na ind&uacute;stria verde e nas energias n&atilde;o poluentes, mas retoma o velho esquema de benef&iacute;cio dos j&aacute; beneficiados e pagantes de um dos maiores lobbies do mundo, a ind&uacute;stria do petr&oacute;leo e derivados. J&aacute; no caso espec&iacute;fico da energia nuclear, Fukushima &eacute; a prova de que a mesma n&atilde;o &eacute; control&aacute;vel e jamais pode ser vista como 100% segura. Portanto, a soma de um poderoso lobby de energia suja, mais a desregulamenta&ccedil;&atilde;o do capital em fun&ccedil;&atilde;o de retirada dos poderes do Estado atrav&eacute;s de falta de press&atilde;o popular demandante, o mito da &ldquo;efici&ecirc;ncia&rdquo; energ&eacute;tica nuclear, tudo isso mesclado com volumosas e polpudas doa&ccedil;&otilde;es de campanha faz com que a teoria das portas girat&oacute;rias aplicada no quesito seja mais ou menos como a entrada do inferno respaldada por um emiss&aacute;rio do pr&oacute;prio capeta em forma de executivo de fundos de risco e mega-corpora&ccedil;&otilde;es de energia da morte. Qualquer semelhan&ccedil;a com a indica&ccedil;&atilde;o de um ex-executivo da Goldman Sachs, o italiano Mario Draghi (fundamental na privatiza&ccedil;&atilde;o das estatais italianas de come&ccedil;o de final dos &rsquo;80 e come&ccedil;o dos &rsquo;90), para futuro presidente do Banco Central Europeu n&atilde;o &eacute; nenhuma coincid&ecirc;ncia. &Eacute; o mesmo princ&iacute;pio de entregar o galinheiro para uma matilha de hienas famintas e raivosas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estados Unidos volta a investir na expans\u00e3o de plantas nucleares ap\u00f3s mais de 30 anos. Foto:thenewsinn Por Amy Goodman Novas informa&ccedil;&otilde;es mostram que o desastre da central nuclear de Fukushima, no Jap&atilde;o, &eacute; muito mais grave do que se reconhecia a princ&iacute;pio, dada a fus&atilde;o total de tr&ecirc;s dos quatro reatores afetados. 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