{"id":1477,"date":"2011-07-11T19:31:20","date_gmt":"2011-07-11T19:31:20","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1477"},"modified":"2011-07-11T19:31:20","modified_gmt":"2011-07-11T19:31:20","slug":"wikileaks-wimbledon-e-a-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1477","title":{"rendered":"WikiLeaks, Wimbledon e a guerra"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/ZizekGoodmanAssange.jpg\" title=\"Amy Goodman mediou debate entre o fundador do WikiLeaks, Julian Assange,  e o fil\u00f3sofo esloveno Slavoj \u017di\u017eek. - Foto:roamarg\" alt=\"Amy Goodman mediou debate entre o fundador do WikiLeaks, Julian Assange,  e o fil\u00f3sofo esloveno Slavoj \u017di\u017eek. - Foto:roamarg\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Amy Goodman mediou debate entre o fundador do WikiLeaks, Julian Assange,  e o fil\u00f3sofo esloveno Slavoj \u017di\u017eek.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:roamarg<\/small><\/figure>\n<p><strong>Por Amy Goodman<\/strong><\/p>\n<p>O primeiro s&aacute;bado de julho foi um dia ensolarado em Londres. Os ingleses aproveitaram a ocasi&atilde;o para acompanhar o torneio de t&ecirc;nis em Wimbledon e a regata anual Henley. Enquanto isso, Julian Assange, o fundador do site WikiLeaks.org, partia de trem de sua pris&atilde;o domiciliar em Norfolk, a tr&ecirc;s horas da capital, at&eacute; o audit&oacute;rio Troxi de Londres, para juntar-se a mim e ao fil&oacute;sofo esloveno Slavoj \u017di\u017eek numa confer&ecirc;ncia p&uacute;blica sobre o WikiLeaks, o poder da informa&ccedil;&atilde;o e a import&acirc;ncia da transpar&ecirc;ncia no sistema democr&aacute;tico. O evento foi organizado pelo Frontline Club, uma organiza&ccedil;&atilde;o fundada por correspondentes de guerra, em parte como homenagem a muitos companheiros mortos enquanto realizavam seu trabalho em frente &agrave; batalha. O co-fundador da Frontline Club, Vaughan Smith, olhou para o c&eacute;u claro com uma inquieta&ccedil;&atilde;o incomum, e disse: &ldquo;Os londrinos nunca v&atilde;o a um evento em local fechado em um dia como este&rdquo;. Apesar de anos de experi&ecirc;ncia trazendo informa&ccedil;&atilde;o exata do Afeganist&atilde;o a Kosovo, neste caso, a avalia&ccedil;&atilde;o de Smith estava equivocada.<\/p>\n<p>Cerca de 1800 pessoas assistiram ao evento. Uma prova do enorme impacto que o WikiLeaks vem provocando desde que come&ccedil;ou a denunciar pr&aacute;ticas de  tortura e corrup&ccedil;&atilde;o utilizadas para derrubar governos.<\/p>\n<p>Assange est&aacute; na Inglaterra &agrave; espera de uma audi&ecirc;ncia judicial que se realizar&aacute; no dia 12 de julho, na qual tratar&aacute; sua poss&iacute;vel extradi&ccedil;&atilde;o &agrave; Su&eacute;cia. A justi&ccedil;a sueca quer interrog&aacute;-lo sobre um suposto caso de abuso sexual. Embora n&atilde;o exista nenhuma acusa&ccedil;&atilde;o formal contra ele, Assange encontra-se em pris&atilde;o domiciliar h&aacute; mais de seis meses, leva um bracelete eletr&ocirc;nico e deve se apresentar diariamente na esta&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;cia de Norfolk.<\/p>\n<p>WikiLeaks foi oficialmente lan&ccedil;ado em 2007 e tem por objetivo receber informa&ccedil;&atilde;o secreta filtrada por informantes, utilizando a tecnologia de ponta para proteger a identidade das fontes. A organiza&ccedil;&atilde;o vem conseguindo um crescente reconhecimento mundial com a sucessiva publica&ccedil;&atilde;o de grandes quantidades de documentos confidenciais dos Estados Unidos relacionados &agrave;s guerras do Iraque e do Afeganist&atilde;o, e milhares de telegramas das embaixadas dos Estados Unidos em todo o mundo.<\/p>\n<p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s informa&ccedil;&otilde;es confidenciais dos dois conflitos b&eacute;licos, Assange disse que &ldquo;proporcionaram uma imagem cotidiana da mis&eacute;ria da guerra: desde crian&ccedil;as assassinadas em blocos &agrave; margem das estradas at&eacute; milhares de pessoas entregues &agrave; pol&iacute;cia iraquiana para ser torturadas, passando pelo que realmente significa o chamado &lsquo;Apoio A&eacute;reo&rsquo; (CAS, em sua sigla em ingl&ecirc;s) e o m&eacute;todo de combate militar moderno, tal como a vincula&ccedil;&atilde;o disso com outras situa&ccedil;&otilde;es, a exemplo do v&iacute;deo que descobrimos sobre os homens que se rendem e s&atilde;o igualmente atacados&rdquo;.<\/p>\n<p>Os telegramas do Departamento de Estado est&atilde;o sendo publicados pouco a pouco, gerando uma fonte permanente de vergonha para o governo dos Estados Unidos. Tamb&eacute;m inspira indigna&ccedil;&atilde;o e protestos a n&iacute;vel mundial, j&aacute; que os documentos confidenciais revelam opera&ccedil;&otilde;es secretas e c&iacute;nicas da diplomacia estadunidense. O &ldquo;Cablegate&rdquo;, como se chamou a maior revela&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica de documentos do Departamento de Estado na hist&oacute;ria dos Estados Unidos, foi uma das fa&iacute;scas que incendiou a Primavera &Aacute;rabe. Os tunisianos e iemenitas que viviam sob os regimes repressivos na Tun&iacute;sia e I&ecirc;men, por exemplo, sabiam que seus governos eram corruptos e cru&eacute;is. Mas ler os detalhes e ver at&eacute; que ponto o governo dos Estados Unidos ap&oacute;ia estes ditadores ajudaram a iniciar a revolta.<\/p>\n<p>Da mesma forma, milhares de telegramas relacionados ao Haiti e repercutidos pelo jornal independente Haiti Liberte e pela revista The Nation mostraram a ampla manipula&ccedil;&atilde;o estadunidense na pol&iacute;tica e economia desse pa&iacute;s. (O Democracy Now! foi mencionado em um dos documentos sobre o Haiti no qual se fazia refer&ecirc;ncia a nossa abordagem a respeito daqueles que criticavam a atitude do governo Obama de negar os vistos j&aacute; aprovados de 70 mil haitianos ap&oacute;s o terremoto). Uma s&eacute;rie de telegramas detalha as tentativas dos Estados Unidos de criar obst&aacute;culos para o envio de petr&oacute;leo subsidiado da Venezuela a fim de proteger os interesses comerciais da Chevron e ExxonMobil. Outros telegramas mostram a press&atilde;o exercida pelos Estados Unidos para evitar um aumento do sal&aacute;rio m&iacute;nimo no Haiti a pedido das empresas de vestu&aacute;rio estadunidenses. Estamos falando do pa&iacute;s mais pobre do Hemisf&eacute;rio Ocidental.<\/p>\n<p>Em consequ&ecirc;ncia do papel desempenhado como redator-chefe do WikiLeaks, Assange recebeu diveras amea&ccedil;as e at&eacute; mesmo ordens para que o assassinassem. O Vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, qualificou-o de &ldquo;terrorista de alta tecnologia&rdquo;, enquanto que Newt Gingrich afirmou que &ldquo;Julian Assange est&aacute; envolvido no terrorismo. Deveria ser tratado como um inimigo a ser combatido, e WikiLeaks deveria ser fechado de forma definitiva&rdquo;.<\/p>\n<p>De fato, as tentativas realizadas at&eacute; este momento de acabar com o WikiLeaks fracassaram. Bank of America chegou a contratar v&aacute;rias empresas privadas de intelig&ecirc;ncia para coordenar um ataque contra a organiza&ccedil;&atilde;o, que, segundo o que dizem, tem uma grande quantidade de documentos que revelam atividades potencialmente fraudulentas do banco. WikiLeaks tamb&eacute;m acaba de processar a MasterCard e o Visa, que deixaram de processar as doa&ccedil;&otilde;es realizadas com cart&atilde;o de cr&eacute;dito atrav&eacute;s de sua web p&aacute;gina.<\/p>\n<p>O processo de extradi&ccedil;&atilde;o traz uma amea&ccedil;a ainda maior para Assange: teme que a Su&eacute;cia o mande logo em seguida para os Estados Unidos. Tendo em conta o tratamento recebido pelo soldado Bradley Manning, acusado de filtrar muitos documentos para o WikiLeaks, Assange possui motivos razo&aacute;veis para temer. Manning esteve em um confinamento solit&aacute;rio por quase um ano, em condi&ccedil;&otilde;es similares &agrave; tortura.<\/p>\n<p>No evento em Londres, o apoio ao WikiLeaks foi impressionante. Mesmo assim Julian Assange n&atilde;o pode ficar para conversar com o p&uacute;blico assim que acabou a confer&ecirc;ncia. Tinha apenas o tempo suficiente para voltar a Norfolk e retornar a sua pris&atilde;o domiciliar. Independente do que acontecer com Assange, o WikiLeaks mudou o mundo para sempre. <br \/>\n&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&ndash;- <\/p>\n<p>Denis Moynihan colaborou na produ&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica desta coluna. <br \/>\n@2010 Amy Goodman <\/p>\n<p>Texto em ingl&ecirc;s traduzido por Fernanda Gerpe y Democracy Now! em espanhol, spanish@democracynow.org <\/p>\n<p>Esta vers&atilde;o &eacute; exclusiva de Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise para o portugu&ecirc;s. O texto em espanhol traduzido para o portugu&ecirc;s por Rafael Cavalcanti Barreto, e revisado por Bruno Lima Rocha. As opini&otilde;es adjuntas ao texto s&atilde;o de exclusiva responsabilidade dos editores de Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise. <\/p>\n<p>Amy Goodman &eacute; &acirc;ncora do Democracy Now!, um notici&aacute;rio internacional que emite conte&uacute;do di&aacute;rio para mais de 650 emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o em ingl&ecirc;s, e mais de 250 em espanhol. &Eacute; co-autora do livro &ldquo;Os que lutam contra o sistema: Her&oacute;is ordin&aacute;rios em tempos extraordin&aacute;rios nos Estados Unidos&rdquo;, editado pelo Le Monde Diplomatique do Cone Sul.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amy Goodman mediou debate entre o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, e o fil\u00f3sofo esloveno Slavoj \u017di\u017eek. Foto:roamarg Por Amy Goodman O primeiro s&aacute;bado de julho foi um dia ensolarado em Londres. 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