{"id":1481,"date":"2011-07-14T20:01:16","date_gmt":"2011-07-14T20:01:16","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1481"},"modified":"2011-07-14T20:01:16","modified_gmt":"2011-07-14T20:01:16","slug":"a-grecia-arde-enquanto-a-democracia-europeia-esta-de-joelhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1481","title":{"rendered":"A Gr\u00e9cia arde enquanto a democracia europ\u00e9ia est\u00e1 de joelhos"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/greek_protest_june_2011.jpg\" title=\"Um setor consider\u00e1vel da popula\u00e7\u00e3o retoma as pra\u00e7as e faz da \u00c1gora reinventada seu local de excel\u00eancia para remontar a democracia desde abaixo.  - Foto:coalitionofresistance.org.uk \" alt=\"Um setor consider\u00e1vel da popula\u00e7\u00e3o retoma as pra\u00e7as e faz da \u00c1gora reinventada seu local de excel\u00eancia para remontar a democracia desde abaixo.  - Foto:coalitionofresistance.org.uk \" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Um setor consider\u00e1vel da popula\u00e7\u00e3o retoma as pra\u00e7as e faz da \u00c1gora reinventada seu local de excel\u00eancia para remontar a democracia desde abaixo. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:coalitionofresistance.org.uk <\/small><\/figure>\n<p><em>Bruno Lima Rocha e F&aacute;bio L&oacute;pez L&oacute;pez <\/p>\n<p><\/em>O dia 29 de junho de 2011 implicou numa amarga derrota para a id&eacute;ia de democracia europ&eacute;ia em geral e, particularmente, deixa a Gr&eacute;cia de joelhos diante do Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI), este operando como cabe&ccedil;a de ponte dos agentes do sistema financeiro a comprometer a banca oficial na Europa unificada. Apesar da cultura pol&iacute;tica grega ter alto n&iacute;vel de viol&ecirc;ncia e conflito, o que se viu ultrapassa um quebra-quebra de manifestantes revoltados. O espanto calamitoso de um governo de centro-esquerda (do PASOK) eleito (mais um dentre tantos) para frear a &ldquo;crise&rdquo; e que termina servindo como ar&iacute;ete dos financistas contra os direitos das maiorias, significando para seus eleitores algo dram&aacute;tico, tal como uma punhalada pelas costas, uma trai&ccedil;&atilde;o profunda. Gr&eacute;cia, Espanha e Portugal acordam assustadas do sonho de prosperidade europeu, bancado pelo euro, Alemanha e Fran&ccedil;a e retornam para o sul do mundo, de onde em tese teriam sa&iacute;do h&aacute; mais de trinta anos.<\/p>\n<p>No Velho Mundo, a chamada crise das sub-primes, ou como dizem os manifestantes do 15-M espanhol, &ldquo;a estafa com nome de crise&rdquo;, retoma o conceito do Sul da Europa, ou Semi-periferia. H&aacute; algo em comum entre Espanha, Portugal e Gr&eacute;cia, al&eacute;m de terem sido os &uacute;ltimos pa&iacute;ses europeus a realizar a transi&ccedil;&atilde;o para a democracia representativa e haver recebido volumosos fundos da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia. Estes tr&ecirc;s Estados perderam qualquer capacidade de decis&atilde;o soberana sobre seus pr&oacute;prios recursos e destinos, condicionando assim as vontades das maiorias democraticamente exercidas a um jogo de faz de conta. Governo que entra governo que sai, e a partir dos conv&ecirc;nios e pacotes firmados junto ao FMI, restaria pouqu&iacute;ssima margem de manobra para os novos executivos e os blocos parlamentares de sustenta&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Como sempre ocorre, a no&ccedil;&atilde;o de ordem previamente estabelecida, mesmo sendo fantasiosa, d&aacute; um sentido tranq&uuml;ilizante para a maioria. Mas, a bem da verdade, &ldquo;em economia a maioria sempre se equivoca&rdquo;. A frase n&atilde;o &eacute; nossa, &eacute; simplesmente de John Kenneth Galbraith, economista muito citado e cujo pensamento pouco se encontra nas publica&ccedil;&otilde;es especializadas. Tal cita&ccedil;&atilde;o est&aacute; na coluna da respeitada economista Amparo Estrada, no jornal espanhol de centro-esquerda Publico.es. Enfim, n&atilde;o se trata necessariamente de uma publica&ccedil;&atilde;o de economia pol&iacute;tica cr&iacute;tica e muito menos autogestion&aacute;ria. &Eacute; apenas mais um esfor&ccedil;o contra a mar&eacute; de desinforma&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica oriunda da f&aacute;brica de sentidos (ou mentiras) da besta financeira. Porque o que houve na economia europ&eacute;ia n&atilde;o foi o excesso de gasto p&uacute;blico como garantia de um patamar m&iacute;nimo do Estado de Bem-Estar Social, co-existindo num mundo de Globaliza&ccedil;&atilde;o Capitalista sob press&atilde;o dos pa&iacute;ses do G-20 (liderados pela China). A diferen&ccedil;a da estafa dos fundos de investimento e a bolha imobili&aacute;ria dos EUA, na Europa foi o sistema financeiro formal que entrou na jogatina. A contamina&ccedil;&atilde;o de bancos de correntistas e varejo, levou aos l&iacute;deres europeus a convocar uma pol&iacute;tica de &ldquo;salva bancos&rdquo;, retirando dos tesouros nacionais e aumentando o endividamento p&uacute;blico como garantia de que os maiores bancos n&atilde;o quebrassem. Como o sistema financeiro de moeda &uacute;nica &eacute; subordinado ao Banco Central Europeu, este executa acordos supra-nacionais, for&ccedil;ando &ldquo;pol&iacute;ticas de austeridade&rdquo; como garantia de pagamento das d&iacute;vidas dos Estados, mantendo assim o fluxo de dinheiro p&uacute;blico para o sistema financeiro. Como se diz na g&iacute;ria dos cr&iacute;ticos da direita financeira (ideologicamente vinculada ao mundo das finan&ccedil;as e especula&ccedil;&atilde;o sem lastro), &ldquo;a besta est&aacute; cada vez mais faminta&rdquo;. <\/p>\n<p>Ao contr&aacute;rio do apregoado pelos arautos do sistema, e repetido em laudas sem fim nas reda&ccedil;&otilde;es e faculdades de economia, o problema de fundo n&atilde;o reside na redu&ccedil;&atilde;o dos gastos p&uacute;blicos e sim na luta por tornar-se dono de sua capacidade de endividamento. Como nos explica o economista de linha cr&iacute;tica keynesiana, Vincen&ccedil; Navarro (www.vnavarro.org), no neoliberalismo o Estado n&atilde;o &eacute; um problema e sim a solu&ccedil;&atilde;o, como fonte quase inesgot&aacute;vel de financiamento e rolagem de d&iacute;vida. &Eacute; exatamente o termo de subordina&ccedil;&atilde;o, sujei&ccedil;&atilde;o coletiva, que foi rec&eacute;m votado na Gr&eacute;cia (no Parlamento, fabricando salsichas como se diz na g&iacute;ria do meio) e antes esteve na Isl&acirc;ndia e fora rejeitado. Tem uma diferen&ccedil;a. Na &ldquo;terra do frio&rdquo;, a popula&ccedil;&atilde;o foi a plebiscito e decidiu-se por n&atilde;o pagar as d&iacute;vidas com o sistema financeiro l&aacute; operando e que chegara ao ponto absurdo de gerar moeda. Os gregos refizeram a &aacute;gora democr&aacute;tica a base de pau e pedra enquanto os parlamentares, mais uma vez, tra&iacute;am a representa&ccedil;&atilde;o soberana dos cidad&atilde;os. Na Isl&acirc;ndia a amea&ccedil;a da besta se cumpriu. Os bancos europeus retaliaram e fizeram uma gritaria, afirmando que o capitalismo corria risco sist&ecirc;mico. Na verdade, dura e crua, &eacute; que s&atilde;o os maiores bancos da Europa os causadores da crise, os beneficiados da estafa e os grandes interessados na aceita&ccedil;&atilde;o dos &ldquo;pacotes de austeridade&rdquo;, garantindo assim que a taxa&ccedil;&atilde;o destes Estados sobre seu povo seja a garantia de pagamento da d&iacute;vida para com os pr&oacute;prios bancos. <\/p>\n<p>A Gr&eacute;cia &eacute; o t&iacute;pico exemplo de um governo t&iacute;tere, assessorado por um lobo a tomar conta do galinheiro. Explicamos. No governo anterior do Partido Conservador (ND), o Minist&eacute;rio da Economia teve como &ldquo;consultores&rdquo; aos executivos do Goldman Sachs, a mesma empresa de fundos de risco que produzira enormes rombos no caixa dos EUA, al&eacute;m de emplacar o &uacute;ltimo secret&aacute;rio do Tesouro de Bush Jr, Henry Paulson, ex-executivo da Goldman Sachs e um dos campe&otilde;es mundiais em recebimento de &ldquo;b&ocirc;nus de produtividade!&rdquo;. O Estado grego, de t&atilde;o bem assessorado que foi, maquiou seus balan&ccedil;os (tal e como o golpe da empresa Enron, a primeira grande estafa na era dos pap&eacute;is podres) e aumentou sua d&iacute;vida para al&eacute;m do acordo europeu (60% de endividamento e 3% de d&eacute;ficit p&uacute;blico). O buraco sem fim foi alargado nas obras para as Olimp&iacute;adas de 2004 e, simultaneamente, em opera&ccedil;&otilde;es criminosas de swap cambial, cuja aleatoriedade era nenhuma e o Banco Central grego acabava pagando mais do que podia aos apostadores da roleta digital. A d&iacute;vida crescera em exorbit&acirc;ncia. Agora, que n&atilde;o tem mais como rol&aacute;-la, o Banco Central Europeu (BCE) oferece o beijo de vampiro atrav&eacute;s do FMI, o mesmo que instaurara o absurdo corralito ao final do governo De la R&uacute;a, resultando na rebeli&atilde;o piquetera, no cacelorazo e sua derrubada atrav&eacute;s de uma pueblada aos gritos do lema: &ldquo;que se vayan todos!&rdquo;. <\/p>\n<p>Estes dados &ndash; irrefut&aacute;veis &ndash; justificam a tese que da subordina&ccedil;&atilde;o coletiva, onde os Estados Nacionais adotam tais pol&iacute;ticas que beneficiam os bancos e porque aceitam ser &ldquo;assessorados&rdquo; por banqueiros. Os Estados Soberanos deixaram de ser soberanos, por conta do seu n&iacute;vel de endividamento, implicando na perda ainda maior da j&aacute; pouca soberania popular atrav&eacute;s do voto e outros mecanismos de democracia indireta. Eles s&atilde;o dependentes do cr&eacute;dito dos banqueiros, que usam tal poder para impor pol&iacute;ticas aos Estados. Basta imaginar a condi&ccedil;&atilde;o de chantagem que um grande conglomerado pode fazer ao dizer&#8230; &ldquo;n&atilde;o compro mais seus t&iacute;tulos para rolagem da divida soberana!&rdquo; Isso ocorreu em sucessivos ataques contra moedas de pa&iacute;ses-alvo, desde o Efeito Tequila (1994 e 1995), passando pela crise da R&uacute;ssia (1998, 1999) e agora ap&oacute;s a quebra de 2008. Atualmente os bancos agora s&atilde;o s&oacute;cios do Estado, fen&ocirc;meno este j&aacute; antes verificado nas monarquias absolutistas e em Cidades-Estado como Veneza e Floren&ccedil;a. <\/p>\n<p>Qualquer semelhan&ccedil;a com a rebeli&atilde;o grega n&atilde;o &eacute; nenhuma coincid&ecirc;ncia. De forma quase ininterrupta, os gregos est&atilde;o nas ruas desde outubro de 2008. Na ocasi&atilde;o, o assassinato pela pol&iacute;cia de um jovem libert&aacute;rio em uma manifesta&ccedil;&atilde;o noturna, acendeu a chama em uma juventude marcada pela alta qualifica&ccedil;&atilde;o nos estudos formais e quase nenhuma perspectiva de emprego e independ&ecirc;ncia financeira. Ao longo de 2010, ap&oacute;s o ataque planejado contra a moeda grega, ato este que ocorrera em fevereiro de 2010 em uma reuni&atilde;o informal de mega especuladores (big shots) das finan&ccedil;as em escala mundial, somou-se &agrave; rebeli&atilde;o de juventude marcada por aspectos de contracultura anti-autorit&aacute;ria, o esfor&ccedil;o organizativo dos sindicatos daquele pa&iacute;s. O resultado s&atilde;o greves gerais cont&iacute;nuas e a n&atilde;o legitimidade do governo do Pasok (centro-esquerda, da mesma linha do PSOE espanhol) que tenta empurrar o acordo com o FMI goela abaixo atrav&eacute;s de maioria parlamentar conseguida no acordo com a extrema direita. <\/p>\n<p>Na Espanha, a partir de 15 de maio do corrente ano, uma parcela significativa da juventude espanhola (at&eacute; 30 anos de idade), convoca acampamentos nas pra&ccedil;as, boicotando a pol&iacute;tica oficial e n&atilde;o participando das elei&ccedil;&otilde;es municipais. Neste pleito, surge o t&iacute;pico paradoxo da democracia representativa. O Partido Popular (misto de p&oacute;s-franquismo com neoliberalismo selvagem, co-representado pelo grupo midi&aacute;tico Intereconom&iacute;a) tem uma vit&oacute;ria arrebatadora, galvanizando o voto de protesto contra as vacila&ccedil;&otilde;es de Jos&eacute; Luiz Zapatero (PSOE) e sua demora, tanto em tomar medidas contra a estafa banc&aacute;ria (repito, chamada de &ldquo;crise&rdquo; pelos supostos especialistas), como em diminuir la fiesta, a farra dos gastos p&uacute;blicos, aumentando a pol&iacute;tica de p&atilde;o e circo, atrav&eacute;s do consumo cultural de massa, o futebol enriquecido e o lazer de larga escala. <\/p>\n<p><strong>A fraude com nome de &ldquo;crise&rdquo;, seus mecanismo de desinforma&ccedil;&atilde;o <\/p>\n<p><\/strong>&Eacute; hora de chamar os economistas neoliberais (tanto os da escola austr&iacute;aca como os tribut&aacute;rios de Chicago) para a peleia intelectual, desembainhando as adagas e duelando. Qualquer economista pol&iacute;tico de mediana capacidade desmente estas premissas pseudo-cient&iacute;ficas, que nada mais s&atilde;o do que modelos doutrin&aacute;rios pr&eacute;-concebidos. Tanto a leitura do j&aacute; citado espanhol Vincen&ccedil; Navarro, como do professor da PUC-SP, Ladislau Dowbor (www.dowbor.org) em seus excelentes ensaios &ldquo;A crise financeira sem mist&eacute;rios&rdquo; e &ldquo;Manifesto por uma Democracia Econ&ocirc;mica&rdquo;, bastam para compreender os mecanismos da estafa que a m&iacute;dia &ldquo;especializada&rdquo; (como The Economist, ou Intereconom&iacute;a da Espanha) batizara de &ldquo;crise&rdquo;, como para interpretar as formas de discurso que busca re-legitimar os pactos entre Estados atrav&eacute;s dos interesses de bancos e fundos de investimento. <\/p>\n<p>Vale observar mais uma vez o fen&ocirc;meno da desinforma&ccedil;&atilde;o estrutural, implicando nos sentidos massificados pela m&iacute;dia corporativa e a favor da globaliza&ccedil;&atilde;o transnacional capitalista. Mesmo n&atilde;o sendo cientificamente comprovado, reconhecemos que o termo crise &eacute; o mais evidente, e que n&atilde;o fica t&atilde;o n&iacute;tida para o leitor, sobre o que se sustenta a tese de q na verdade n&atilde;o existe uma crise. A m&eacute;dia das pessoas est&aacute; convencida de que a &ldquo;crise&rdquo; existe e simplesmente afirmar que isso &eacute; uma inven&ccedil;&atilde;o de alguns agentes manipuladores, parece insuficiente. Reconhecemos, &eacute; necess&aacute;rio algo que justifique ou explique isso, alguma evidencia. Este conceito da &ldquo;fraude com nome de crise&rdquo; pode ser afirmado a partir do postulado de que &eacute; imposs&iacute;vel haver equ&iacute;voco entre agentes com experi&ecirc;ncia e forte posi&ccedil;&atilde;o de mercado, quando estes mesmos agentes s&atilde;o detentores de informa&ccedil;&atilde;o perfeita. Estes s&atilde;o os causadores das fraudes em escala global, cuja conta que n&atilde;o fecha e &eacute; comprometedora de todo o sistema financeiro, termina por afogar os caixas nacionais, ou supra-nacionais, como &eacute; o caso da Europa unificada. Estes s&atilde;o os causadores da &ldquo;crise&rdquo;, os mega especuladores, os fraudadores, cujas posi&ccedil;&otilde;es iniciais terminam por gerar o comportamento de manada nos demais especuladores e agentes com menor poder de barganha. <\/p>\n<p>A desfa&ccedil;atez &eacute; tamanha que o pr&oacute;ximo presidente do Banco Central Europeu j&aacute; traz consigo a marca da direita financeira. O italiano Mario Draghi, que ir&aacute; assumir no in&iacute;cio de 2012, &eacute; um operador das privatiza&ccedil;&otilde;es de estatais italianas, incluindo o muito conhecido no Brasil imbr&oacute;glio da Telecom Italia &ndash; que tem conseq&uuml;&ecirc;ncias na disputa de controle pela Brasil Telecom contra o Citigroup, tendo como fiel da balan&ccedil;a e voto de minerva na composi&ccedil;&atilde;o acion&aacute;ria a ningu&eacute;m menos do que o Opportunity na figura de Daniel Dantas. Al&eacute;m disso, Draghi &eacute; simplesmente um ex-alto executivo da Goldman Sachs, empresa de fundos de investimento de risco cujo DNA est&aacute; cont&eacute;m uma das maiores fraudes em pap&eacute;is e ativos da hist&oacute;ria mundial, cujo operador principal fora Henry Paulson. Esta &eacute; outra evid&ecirc;ncia para expormos a tese de depend&ecirc;ncia dos Estados ao setor financeiro privado ou para-estatal. O poder desses agentes &eacute; tanto que eles escolheram o presidente do BC europeu. <\/p>\n<p><strong>A Europa do Sul &eacute; a Am&eacute;rica Latina de ontem? <\/p>\n<p><\/strong>A situa&ccedil;&atilde;o de Portugal, Espanha e Gr&eacute;cia &eacute; pior que a dos pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina sob alguns aspectos. O fato destes pa&iacute;ses n&atilde;o terem a senhoriagem do dinheiro, n&atilde;o poderem desvalorizar seu c&acirc;mbio, apenas aprofundar&aacute; o sofrimento desses povos. Num momento como esse, um pa&iacute;s que manda em sua moeda pode recorrer a uma desvaloriza&ccedil;&atilde;o. Assim, com essa desvaloriza&ccedil;&atilde;o, se redefinem os pre&ccedil;os dentro do pa&iacute;s e compensa a inefici&ecirc;ncia produtiva deste. Deste modo, em um momento de queda de demanda (fam&iacute;lia, governos &ndash; central e sub-nacionais &ndash; e empres&aacute;rios param de gastar e investir) a demanda externa pode amenizar a situa&ccedil;&atilde;o. &Eacute; preciso recordar que, para estes pa&iacute;ses, a ado&ccedil;&atilde;o do euro foi dolorosa, pois os cidad&atilde;os sentiram a perda no realinhamento dos pre&ccedil;os &ndash; sendo tudo arredondado para cima, menos os sal&aacute;rios. Muito parecido com os primeiros anos da ado&ccedil;&atilde;o do Plano Real no Brasil, quando sa&iacute;mos da estagfla&ccedil;&atilde;o (estagna&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica com infla&ccedil;&atilde;o galopante), para a estagna&ccedil;&atilde;o com a economia est&aacute;vel. Em suma, fizeram um pobre grego usar uma moeda do n&iacute;vel da Alemanha, cabendo a esta &uacute;ltima pagar a maior parte da conta da Europa inteira. <\/p>\n<p>N&atilde;o apenas estes pa&iacute;ses est&atilde;o enrascados, a It&aacute;lia, por exemplo, logo entra no mesmo problema. Isto pode gerar efeitos de aprofundamento do problema, chegando ao conjunto da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, comprometendo, por motivos de interdepend&ecirc;ncia, uma grande parcela da economia mundial. Nunca &eacute; demais lembrar que o mecanismo de concentra&ccedil;&atilde;o e empobrecimento, al&eacute;m de matar pessoas, depois de muito tempo, pode chegar inclusive a atingir uma parte dos pr&oacute;prios bancos. A solu&ccedil;&atilde;o Keynesiana de &ldquo;gastem e se endividem com juros baixos&rdquo;, j&aacute; foi aplicada. E agora restam poucos instrumentos para recuperar a sa&uacute;de da economia. <\/p>\n<p>\nNesta situa&ccedil;&atilde;o desesperadora, com a Europa &agrave; beira de um ataque de nervos, &eacute; onde verificamos os reais limites da democracia representativa e da unifica&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de mercados, como n&atilde;o condizentes com as promessas tanto de Bem-Estar Social como de exerc&iacute;cio soberano da vontade das maiorias. Os governos de Portugal, Espanha e Gr&eacute;cia est&atilde;o diante de um t&uacute;nel do tempo, retrocedendo ao per&iacute;odo em que na Am&eacute;rica Latina, o FMI ditava as regras e o Poder Executivo de nossos pa&iacute;ses operava como t&iacute;tere deste organismo multilateral. <\/p>\n<p>Mas, como sempre, h&aacute; esperan&ccedil;a e esta vem de baixo. A democracia se reinventa nas pra&ccedil;as das maiores cidades espanholas e nas ruas da Gr&eacute;cia. <\/p>\n<p><a href=\"mailto:bruno.estrategiaeanalise@gmail.com\">Bruno Lima Rocha<\/a> &eacute; cientista pol&iacute;tico e <a href=\"mailto:lopezlopez@bol.com.br\">F&aacute;bio L&oacute;pez L&oacute;pez<\/a> &eacute; economista<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um setor consider\u00e1vel da popula\u00e7\u00e3o retoma as pra\u00e7as e faz da \u00c1gora reinventada seu local de excel\u00eancia para remontar a democracia desde abaixo. Foto:coalitionofresistance.org.uk Bruno Lima Rocha e F&aacute;bio L&oacute;pez L&oacute;pez O dia 29 de junho de 2011 implicou numa amarga derrota para a id&eacute;ia de democracia europ&eacute;ia em geral e, particularmente, deixa a Gr&eacute;cia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1481","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1481","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1481"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1481\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1481"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1481"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1481"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}