{"id":1490,"date":"2011-08-01T20:02:42","date_gmt":"2011-08-01T20:02:42","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1490"},"modified":"2011-08-01T20:02:42","modified_gmt":"2011-08-01T20:02:42","slug":"diario-de-expediente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1490","title":{"rendered":"Di\u00e1rio de Expediente"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/diario_capa\" title=\" - Foto:capa, editora Deriva, arte de Paulo Capra\" alt=\" - Foto:capa, editora Deriva, arte de Paulo Capra\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\"><\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:capa, editora Deriva, arte de Paulo Capra<\/small><\/figure>\n<p><strong>Eduardo Menezes<\/strong><\/p>\n<p>&Eacute; imposs&iacute;vel n&atilde;o dedicar algumas linhas para recomendar a leitura do livro &ldquo;Di&aacute;rio de Expediente&rdquo;. Ant&ocirc;nio Ferreira, protagonista da hist&oacute;ria, pode ser qualquer um de n&oacute;s. O caderno de anota&ccedil;&otilde;es, onde descreve sua experi&ecirc;ncia degradante no departamento comercial de uma empresa de seguran&ccedil;a privada do Rio de Janeiro, coloca a todos em contato com sentimentos indesej&aacute;veis aos propriet&aacute;rios da for&ccedil;a de trabalho. N&atilde;o me refiro apenas ao &oacute;dio de classe, fundamental para n&atilde;o aviltar-se, mas, acima de tudo, &agrave; solidariedade, t&atilde;o necess&aacute;ria para a constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade mais justa.<\/p>\n<p>Ao escrever esse di&aacute;rio o autor revela o potencial da ironia, por vezes, destrutivo. Trata-se de um m&eacute;todo a ser empregado apenas contra os inimigos de classe. Jamais com amigos e companheiros de luta. O objetivo de melindrar, constranger e, at&eacute; mesmo, ferir outra pessoa, precisa ser direcionado a quem pretendemos eliminar. Da mesma forma, &eacute; fundamental saber achar gra&ccedil;a das coisas. Valendo-me de um recurso muito utilizado pelo autor, o qual, em algumas passagens, se ampara em letras de m&uacute;sicas para exemplificar seu pensamento, considero que &ldquo;rir de tudo &eacute; desespero&rdquo; &#8211; frase utilizada por Frejat em &ldquo;Amor para recome&ccedil;ar&rdquo;. Ao longo de seu relato Ferreira mostra a medida certa do esc&aacute;rnio. Conspira contra a l&oacute;gica escravagista da atividade profissional sem perder o humor. Deixando que nos roubem essa habilidade, &eacute; meio caminho andado para a total domina&ccedil;&atilde;o dos patr&otilde;es.<\/p>\n<p>A obra est&aacute; &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o para compra pela internet na <a href=\"http:\/\/www.estantevirtual.com.br\/daisonpaz\/Antonio-Ferreira-Diario-de-Expediente-49798912\">Estante Virtual<\/a> e pela Editora <a href=\"http:\/\/www.editorafaisca.net\/\">Fa&iacute;sca<\/a>. Tamb&eacute;m pode ser adquirido diretamente na p&aacute;gina na <a href=\"http:\/\/deriva.com.br\/\">Editora Deriva<\/a> ou pedidos pelo <a href=\"mailto:deriva@deriva.com.br\">e-mail<\/a> da mesma.<\/p>\n<p>Contudo, esse processo &eacute; mais denso. N&atilde;o se resume apenas a fazer piada com a cara de quem nos explora. Consiste em transformar o &oacute;dio, emergente da rotina laboral, em a&ccedil;&atilde;o direta para a transforma&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es impostas pela divis&atilde;o do trabalho. Pois bem, lendo o livro &ldquo;Di&aacute;rio de Expediente&rdquo;, al&eacute;m de dar boas risadas, &eacute; improv&aacute;vel n&atilde;o indignar-se. S&oacute; a verdadeira milit&acirc;ncia sabe o quanto esse sentimento est&aacute;, pouco a pouco, se perdendo. At&eacute; mesmo em ambientes, antes, considerados fontes desta f&uacute;ria de classe percebe-se a burocratiza&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas de disputa pol&iacute;tica e social. Argumentos para justificar tal inoper&acirc;ncia existem aos montes, mas ficar s&oacute; se queixando n&atilde;o &eacute; bem o que o autor nos instiga a fazer.<\/p>\n<p>Cada experi&ecirc;ncia narrada no livro certamente remete a situa&ccedil;&otilde;es experimentadas no cotidiano de milhares de trabalhadores brasileiros. Chefes fanfarr&otilde;es, colegas submissos, rotina de trabalho improdutiva, presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os e favores n&atilde;o compat&iacute;veis &agrave; fun&ccedil;&atilde;o exercida &#8211; ainda mais durante o hor&aacute;rio do servi&ccedil;o &#8211; e por a&iacute; vai. A forma com a qual Ferreira assumiu o cargo administrativo dentro da empresa tamb&eacute;m n&atilde;o se distancia do que ocorre com muitos funcion&aacute;rios de escrit&oacute;rio brasileiros, na maioria dos casos indicados por um parente para ocupar a vaga no servi&ccedil;o. O auto-intitulado aspone (Assessor de Porra Nenhuma) realiza v&aacute;rias atividades ao mesmo tempo e, por vezes, n&atilde;o faz nada.<\/p>\n<p>Nesse meio tempo resolve registrar sua rotina de trabalho em um caderno, onde constam, ainda, os cart&otilde;es de contato da empresa. Melhor dizendo, l&aacute; est&atilde;o todos os segredos e as maracutaias de seus superiores, como o dinheiro dado ilegalmente para agilizar servi&ccedil;os ou favorecer as decis&otilde;es nos neg&oacute;cios, pr&aacute;tica conhecida como caixinha. No entanto, de nada valeriam as anota&ccedil;&otilde;es se a&iacute; n&atilde;o residisse uma contradi&ccedil;&atilde;o fundamental na vida do aspone, metido a autor de romance de n&atilde;o fic&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Declarado militante anarquista, Ant&ocirc;nio Ferreira, codinome do verdadeiro autor da obra, procurou sobreviver, neste esp&uacute;rio ambiente de trabalho, confabulando, e muito. Por vezes delirando, ao imaginar como seria agrad&aacute;vel quebrar a cara de seus superiores. Por pouco n&atilde;o o fez. Tanto a aceita&ccedil;&atilde;o pelo cargo, quanto a postura adotada na empresa s&atilde;o frutos da op&ccedil;&atilde;o de classe e do esfor&ccedil;o militante. N&atilde;o esteve l&aacute;, &ldquo;na morada do capeta&rdquo;, por necessidade financeira, como se pode pressupor. Tinha outras op&ccedil;&otilde;es, diferente da maioria dos colegas de trabalho, dos quais muitas vezes se solidarizou durante a execu&ccedil;&atilde;o das tarefas. O objetivo de encarar essa labuta, declarado logo no primeiro contato com os leitores, &eacute; bem claro: conhecer como opera o inimigo adentrando sua estrutura. Com isso, assegurou uma remunera&ccedil;&atilde;o muito baixa, a qual, no entanto, serviu de combust&iacute;vel para muitas reflex&otilde;es explosivas.<br \/>\n<strong><br \/>\nInforma&ccedil;&otilde;es que constam no livro:<\/strong><\/p>\n<p><em>Sobre o autor<\/em><\/p>\n<p>O nome de batismo do autor deste livro &eacute; Bruno Lima Rocha. A escolha pelo pseud&ocirc;nimo de Ant&ocirc;nio Ferreira, &eacute; uma mescla de mod&eacute;stia, identidade coletiva e originalmente, medida de seguran&ccedil;a. Quem escreveu estas linhas &eacute; jornalista, polit&oacute;logo e docente universit&aacute;rio. Seu trabalho carro-chefe &eacute; como editor-autor do portal Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise (www.estrategiaeanalise.com.br).<\/p>\n<p><em>Servi&ccedil;o<\/em><\/p>\n<p>Livro: Di&aacute;rio de Expediente (160 p.)<\/p>\n<p>Autor: Ant&ocirc;nio Ferreira<\/p>\n<p>Editora: Deriva<\/p>\n<p>Porto Alegre, 2011<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Texto originalmente publicado no blog <a href=\"http:\/\/exiliomidiatico.blogspot.com\/2011\/07\/diario-de-expediente-um-manifesto.html\">Ex&iacute;lio Midi&aacute;tico<\/a>, administrado pelo jornalista Eduardo Menezes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto:capa, editora Deriva, arte de Paulo Capra Eduardo Menezes &Eacute; imposs&iacute;vel n&atilde;o dedicar algumas linhas para recomendar a leitura do livro &ldquo;Di&aacute;rio de Expediente&rdquo;. Ant&ocirc;nio Ferreira, protagonista da hist&oacute;ria, pode ser qualquer um de n&oacute;s. 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