{"id":1493,"date":"2011-08-04T13:56:17","date_gmt":"2011-08-04T13:56:17","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1493"},"modified":"2011-08-04T13:56:17","modified_gmt":"2011-08-04T13:56:17","slug":"a-guerra-e-um-latrocinio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1493","title":{"rendered":"A guerra \u00e9 um latroc\u00ednio"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/dividapublicaeua.jpg\" title=\"D\u00edvida dos Estados Unidos chega a US$ 14,5 trilh\u00f5es e supera PIB de 2010. A crise n\u00e3o \u00e9 suficiente para governo rever financiamento dos movimentos b\u00e9licos no Iraque e Afeganist\u00e3o. Em vez disso, Obama mira os gastos com Sa\u00fade e Previd\u00eancia Social. At\u00e9 quando o Tio Sam vai aguentar? - Foto:Jornal Montes Claros\" alt=\"D\u00edvida dos Estados Unidos chega a US$ 14,5 trilh\u00f5es e supera PIB de 2010. A crise n\u00e3o \u00e9 suficiente para governo rever financiamento dos movimentos b\u00e9licos no Iraque e Afeganist\u00e3o. Em vez disso, Obama mira os gastos com Sa\u00fade e Previd\u00eancia Social. At\u00e9 quando o Tio Sam vai aguentar? - Foto:Jornal Montes Claros\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">D\u00edvida dos Estados Unidos chega a US$ 14,5 trilh\u00f5es e supera PIB de 2010. A crise n\u00e3o \u00e9 suficiente para governo rever financiamento dos movimentos b\u00e9licos no Iraque e Afeganist\u00e3o. Em vez disso, Obama mira os gastos com Sa\u00fade e Previd\u00eancia Social. At\u00e9 quando o Tio Sam vai aguentar?<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:Jornal Montes Claros<\/small><\/figure>\n<p><strong>Por Amy Goodman<\/strong><\/p>\n<p>&ldquo;Cada guerra que os estadunidenses travaram ou ir&atilde;o travar no futuro fora dos seus limites continentais foi ou ser&aacute; um latroc&iacute;nio. Um mesquinho, cruel e asqueroso latroc&iacute;nio.&rdquo; Assim dizia em 1935 o Major Smedley Butler. A afirma&ccedil;&atilde;o &ndash; &ldquo;a guerra &eacute; um latroc&iacute;nio&rdquo; &ndash; que tamb&eacute;m corresponde ao t&iacute;tulo do seu breve livro sobre o neg&oacute;cio da guerra, ainda soa como verdadeira na atualidade. Recentemente, uma corajosa trabalhadora civil do ex&eacute;rcito ganhou uma batalha para fazer com que os que lucram com a guerra sejam responsabilizados por seus atos. Seu nome &eacute; Bunnatine, &ldquo;Bunny&rdquo; de apelido, Greenhouse de sobrenome. Quando seu empregador, o Corpo de Engenheiros do Ex&eacute;rcito dos Estados Unidos, concedeu, sem chamar licita&ccedil;&atilde;o, um contrato de sete bilh&otilde;es de d&oacute;lares &agrave; filial de Halliburton Kellogg, Brown and Root, mais conhecida como KBR, pouco antes dos Estados Unidos invadirem o Iraque, Bunny fez a den&uacute;ncia. Fazia parte do seu trabalho: garantir que os procedimentos de licita&ccedil;&atilde;o competitivos poupassem dinheiro ao governo dos Estados Unidos. Justamente por fazer seu trabalho, foi obrigada a abandonar seu cargo, humilhada e assediada.<br \/>\n<em><br \/>\nLeia tamb&eacute;m o coment&aacute;rio dos editores do portal ao final do texto<\/em><\/p>\n<p>Esta semana, depois de protagonizar uma batalha judicial de mais de meia d&eacute;cada, Bunny Greenhouse finalmente venceu. O Corpo de Engenheiros do Ex&eacute;rcito dos Estados Unidos chegou a um acordo de 970 mil d&oacute;lares com Greenhouse, que inclui a restitui&ccedil;&atilde;o completa de vencimentos suspensos, compensa&ccedil;&atilde;o por danos e preju&iacute;zos, al&eacute;m dos custos legais.<\/p>\n<p>Seu erro foi contestar um contrato de sete bilh&otilde;es de d&oacute;lares outorgado a KBR sem pr&eacute;via licita&ccedil;&atilde;o. A invas&atilde;o ao Iraque em 2003 estava prevista para algumas semanas depois e os assessores militares de Bush avaliaram que Saddam Hussein explodiria as reservas petrol&iacute;feros como aconteceu na ocasi&atilde;o da invas&atilde;o estadunidense de 1991. O projeto se chamou &ldquo;Restabelecer o Petr&oacute;leo Iraquiano&rdquo; ou RIO, na sigla do nome original em ingl&ecirc;s, e foi criado para extinguir o fogo nas reservas de petr&oacute;leo. KBR pertencia naquele momento a Halliburton, cujo presidente at&eacute; o ano 2000 havia sido ningu&eacute;m menos que o ent&atilde;o Vice-presidente Dick Cheney. KBR foi a &uacute;nica companhia convidada a fazer uma oferta.<\/p>\n<p>Bunny Greenhouse disse a seus superiores que o procedimento era ilegal. Ignoraram-na. Greenhouse disse que a decis&atilde;o de outorgar o contrato a KBR veio do Gabinete do Secret&aacute;rio de Defesa, dirigido pelo bom amigo do Vice-presidente Cheney, Donald Rumsfeld.<\/p>\n<p>Como disse Bunny Greenhouse a um comit&ecirc; do Congresso: &ldquo;Posso afirmar sem equ&iacute;vocos que a corrup&ccedil;&atilde;o vinculada aos contratos outorgados a KBR representa o mais descarado e desonesto uso indevido de contratos que j&aacute; vi no decorrer da minha carreira profissional.&rdquo;<\/p>\n<p>As reservas petrol&iacute;feras n&atilde;o arderam em chamas. No entanto, a KBR ganhou a autoriza&ccedil;&atilde;o de readaptar seu contrato n&atilde;o licitado de sete bilh&otilde;es de d&oacute;lares a fim de fornecer combust&iacute;vel e apoio log&iacute;stico das for&ccedil;as de ocupa&ccedil;&atilde;o. O acerto do neg&oacute;cio (de Estado, via terceiriza&ccedil;&atilde;o) foi categorizado como um &ldquo;contrato de custos reembols&aacute;veis&rdquo;, o que significa que a KBR n&atilde;o estava em condi&ccedil;&otilde;es de prover os servi&ccedil;os a um pre&ccedil;o fixo e estabelecido. Em seu lugar, seriam cobrados os custos mais uma porcentagem fixa como lucro. Quanto mais a KBR inclu&iacute;sse custos, mais lucros obteria.<\/p>\n<p>Como chefe do setor de compras, a assinatura de Greenhouse deveria figurar em todos os contratos de valores superiores a dez milh&otilde;es de d&oacute;lares. Pouco depois de denunciar o atroz contrato RIO, Greenhouse foi rebaixada de fun&ccedil;&atilde;o, foi retirado o acesso a informa&ccedil;&atilde;o classificada de ultra-secreta e come&ccedil;ou a receber as qualifica&ccedil;&otilde;es de desempenho menores. Antes fazer a den&uacute;ncia, sempre recebera as qualifica&ccedil;&otilde;es mais altas. Finalmente, renunciou a seu posto ao deparar-se com um ambiente de trabalho insuportavelmente hostil.<\/p>\n<p>Depois de anos de lit&iacute;gio, seu advogado, Michael Kohn, presidente do Centro Nacional de Informantes (National Whistleblower Center), conseguiu que o caso chegasse a um acordo. Kohn declarou: &ldquo;Bunny Greenhouse arriscou seu emprego e sua carreira quando bateu de frente com o enorme desperd&iacute;cio de d&oacute;lares dos contribuintes federais e as pr&aacute;ticas de contrata&ccedil;&atilde;o il&iacute;citas que aconteciam no Corpo de Engenheiros do Ex&eacute;rcito. Teve a coragem de se por de p&eacute; e desafiar poderosos interesses particulares. Evidenciou um ambiente de contrata&ccedil;&otilde;es corrupto nas quais as pr&aacute;ticas informais e entre amigos s&atilde;o a norma em que se baseia a aprova&ccedil;&atilde;o de contratos. Sua coragem levou &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de modifica&ccedil;&otilde;es legais que impedir&atilde;o para sempre os grosseiros abusos de poder que ela teve coragem de expor.&rdquo;<\/p>\n<p>Da sua parte, o diretor-executivo do Centro Nacional de Informantes, Stephen Kohn (irm&atilde;o de Michael Kohn) me disse: &ldquo;Os empregados federais que denunciam pr&aacute;ticas ilegais passam por maus bocados. Por isso cada vez que o governo se v&ecirc; obrigado a pagar danos e preju&iacute;zos em virtude de remunera&ccedil;&otilde;es em d&iacute;vida, compensa&ccedil;&atilde;o por custos legais, &eacute; uma grande vit&oacute;ria. Espero que isto constitua um ponto de inflex&atilde;o. O caso foi muito aguerrido, embora n&atilde;o devesse ser necess&aacute;rio j&aacute; que Bunny fez a coisa certa.&rdquo;<\/p>\n<p>Segundo o economista vencedor do Pr&ecirc;mio Nobel Joseph Stiglitz, os custos das guerras no Iraque e Afeganist&atilde;o por si s&oacute; superaram os cinco trilh&otilde;es de d&oacute;lares. Com custos assim, por que a guerra n&atilde;o se encontra no centro de debate sobre a d&iacute;vida nacional?<\/p>\n<p>O, Major Smedleu Butler, por duas vezes vencedor da Medalha de Honra do Congresso, tinha raz&atilde;o h&aacute; 75 anos quando falou  sobre a guerra: &ldquo;Provavelmente, &eacute; a estafa mais velha, de longe, a que deixa mais lucros e, seguramente, a mais impiedosa. &Eacute; a &uacute;nica cujos ganhos se contam em d&oacute;lares e as perdas, em vidas. Que acontece em benef&iacute;cio de poucos a custos de muitos.&rdquo;<\/p>\n<p>Enquanto o Presidente Obama e o Congresso argumentam que a Sa&uacute;de P&uacute;blica e a Previd&ecirc;ncia Social s&atilde;o os dois fatores que desestabilizam o or&ccedil;amento, o povo deveria exigir-lhes que deixem de financiar a guerra.<\/p>\n<p>&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&ndash; <\/p>\n<p>Denis Moynihan colaborou na produ&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica desta coluna. <br \/>\n@2010 Amy Goodman <\/p>\n<p>Texto em ingl&ecirc;s traduzido por Mercedes Camps y <a href=\"mailto:spanish@democracynow.org\">Democracy Now! em espanhol<\/a>.<\/p>\n<p>Esta vers&atilde;o &eacute; exclusiva de <a href=\"http:\/\/www.estrategiaeanalise.com.br\">Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise<\/a> para o portugu&ecirc;s. O texto em espanhol traduzido para o portugu&ecirc;s por <a href=\"mailto:rafael.estrategiaeanalise@gmail.com\">Rafael Cavalcanti Barreto<\/a> , e revisado por <a href=\"mailto:rafael.estrategiaeanalise@gmail.com\">Bruno Lima Rocha<\/a>. As opini&otilde;es adjuntas ao texto s&atilde;o de exclusiva responsabilidade dos editores de Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise. <\/p>\n<p>Amy Goodman &eacute; &acirc;ncora do Democracy Now!, um notici&aacute;rio internacional que emite conte&uacute;do di&aacute;rio para mais de 650 emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o em ingl&ecirc;s, e mais de 250 em espanhol. &Eacute; co-autora do livro &ldquo;Os que lutam contra o sistema: Her&oacute;is ordin&aacute;rios em tempos extraordin&aacute;rios nos Estados Unidos&rdquo;, editado pelo Le Monde Diplomatique do Cone Sul.<\/p>\n<p><strong>Coment&aacute;rio dos editores do portal<\/strong><\/p>\n<p>A guerra e sua ind&uacute;stria t&ecirc;m rela&ccedil;&otilde;es intr&iacute;nsecas com o aparelho de Estado (de governo Central na verdade) do Imp&eacute;rio e est&aacute; no cora&ccedil;&atilde;o do endividamento p&uacute;blico dos EUA e opera como mecanismo de lucratividade e chantagem em escala planet&aacute;ria. N&atilde;o estamos falando nenhuma novidade e o texto acima de Amy Goodman comprova factualmente aquilo que j&aacute; vem sendo alvo de estudos aprofundados e den&uacute;ncias rigorosas. Trata-se de uma equa&ccedil;&atilde;o t&atilde;o simples como perversa. Os EUA s&atilde;o detentores de dois recordes mundiais. O or&ccedil;amento militar do Imp&eacute;rio &eacute; superior ao de todos os demais Estados do globo juntos. Ao mesmo tempo, seu endividamento tamb&eacute;m &eacute; l&iacute;der mundial, equivalendo a sete vezes o PIB de uma poderosa economia como a brasileira. Diante do ac&oacute;rd&atilde;o provis&oacute;rio conseguido pelo enfraquecido Barack Obama, a natureza do corte de despesas de gastos p&uacute;blicos, vai p&ocirc;r na mesma balan&ccedil;a a redu&ccedil;&atilde;o de encargos dos direitos sociais (como em sa&uacute;de, previd&ecirc;ncia e educa&ccedil;&atilde;o) e o gasto militar direto e terceirizado. A tend&ecirc;ncia, salvo venha a ocorrer uma profunda mudan&ccedil;a na correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as nos EUA nos pr&oacute;ximos dois anos, &eacute; que a corda arrebente no lado da popula&ccedil;&atilde;o mais carente, aumentando o abismo social e mantendo a gera&ccedil;&atilde;o de lucros incessantes para as ind&uacute;strias de servi&ccedil;os, terceiriza&ccedil;&otilde;es e mesmo de guerra privada, como brilhantemente fora exposto por Jeremy Scahill em sua investiga&ccedil;&atilde;o a respeito da empresa Blackwater, uma entre centenas de corpora&ccedil;&otilde;es provedoras de mercen&aacute;rios em escala planet&aacute;ria. A aposta &eacute; a vit&oacute;ria nas ruas, passando longe do duop&oacute;lio de partido quase-&uacute;nico. O cora&ccedil;&atilde;o do Imp&eacute;rio sangra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D\u00edvida dos Estados Unidos chega a US$ 14,5 trilh\u00f5es e supera PIB de 2010. 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