{"id":1517,"date":"2011-09-16T21:01:41","date_gmt":"2011-09-16T21:01:41","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1517"},"modified":"2011-09-16T21:01:41","modified_gmt":"2011-09-16T21:01:41","slug":"troy-davis-e-a-politica-da-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1517","title":{"rendered":"Troy Davis e a pol\u00edtica da morte"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Stop Troy Davis From Executing.jpg\" title=\"Negro, Troy Davis aguarda em uma pris\u00e3o da Georgia o acesso \u00e0 livre defesa. Davis foi condenado \u00e0 pena de morte por supostamente assassinar o policial branco Mark MacPhail em 1989. - Foto:withintheblackcommunity.blogspot\" alt=\"Negro, Troy Davis aguarda em uma pris\u00e3o da Georgia o acesso \u00e0 livre defesa. Davis foi condenado \u00e0 pena de morte por supostamente assassinar o policial branco Mark MacPhail em 1989. - Foto:withintheblackcommunity.blogspot\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Negro, Troy Davis aguarda em uma pris\u00e3o da Georgia o acesso \u00e0 livre defesa. Davis foi condenado \u00e0 pena de morte por supostamente assassinar o policial branco Mark MacPhail em 1989.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:withintheblackcommunity.blogspot<\/small><\/figure>\n<p><em>Amy Goodman<\/em><\/p>\n<p>Vivemos dias em que a morte provoca ova&ccedil;&otilde;es do p&uacute;blico nos Estados Unidos. Quando, durante o &uacute;ltimo debate entre os candidatos republicanos &agrave; presid&ecirc;ncia, em Tampa, na Fl&oacute;rida, o jornalista da CNN Wolf Blitzer perguntou hipoteticamente ao congressista Ron Paul se o Estado deveria deixar morrer um homem sem plano de sa&uacute;de que sofresse um mal s&uacute;bito, a plat&eacute;ia do audit&oacute;rio respondeu entusiasmada e em un&iacute;ssono: &ldquo;Sim!&rdquo;.<\/p>\n<p>Em outro debate, perguntaram ao Governador Rick Perry sobre a sua posi&ccedil;&atilde;o favor&aacute;vel &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o da pena de morte no Texas. O p&uacute;blico come&ccedil;ou a aplaudir e a ovacion&aacute;-lo. A rea&ccedil;&atilde;o da plat&eacute;ia fez com que o moderador do debate, Brian Williams, da NBC News, completasse a pergunta: &ldquo;Como voc&ecirc; interpreta a rea&ccedil;&atilde;o que acabou de acontecer aqui? Falar da execu&ccedil;&atilde;o de 234 pessoas provoca aplausos&rdquo;.<\/p>\n<p>Essa rea&ccedil;&atilde;o &eacute; o motivo pelo qual se tornou t&atilde;o importante a revoga&ccedil;&atilde;o da condena&ccedil;&atilde;o &agrave; pena de morte de Troy Davis, que o Estado da Georgia realizar&aacute; em 21 de setembro. Davis foi condenado &agrave; morte h&aacute; mais de 20 anos, ap&oacute;s declarem-lhe culpado por matar o policial Mark MacPhail em Savannah. Desde o an&uacute;ncio da senten&ccedil;a. Sete das nove testemunhas n&atilde;o-policiais voltaram atr&aacute;s em suas declara&ccedil;&otilde;es, alegando coer&ccedil;&atilde;o e intimida&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;cia na obten&ccedil;&atilde;o de seus testemunhos. N&atilde;o h&aacute; provas materiais que vinculem Davis ao homic&iacute;dio.<\/p>\n<p>Em mar&ccedil;o deste ano, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que deveria haver uma audi&ecirc;ncia probat&oacute;ria para que Davis pudesse provar sua inoc&ecirc;ncia. V&aacute;rias testemunhas identificaram um dos depoentes que n&atilde;o se retrataram de seu testemunho, Sylvester &ldquo;Redd&rdquo; Coles, como o autor do disparo. O Juiz Federal do Distrito, William T. Moore Jr., negou-se, com base num tecnicismo, a aceitar a declara&ccedil;&atilde;o das testemunhas que afirmaram que, ap&oacute;s Davis ser processado, Coles admitiu ter atirado em MacPhail. Na ordem judicial emitida em agosto, Moore resumiu seus argumentos da seguinte forma: &ldquo;O Sr. Davis n&atilde;o &eacute; inocente&rdquo;. <br \/>\nUm dos membros do jurado, Brenda Forrest, discorda do juiz Moore. Em refer&ecirc;ncia ao julgamento contra Davis disse a CNN em 2009: &ldquo;Todas as testemunhas puderam identific&aacute;-lo como o autor do delito&rdquo;. Ap&oacute;s saber da retrata&ccedil;&atilde;o das sete testemunhas, agora afirma: &ldquo;Se soubesse antes o que sei hoje, Troy Davis n&atilde;o teria sido condenado &agrave; pena de morte. O veredito seria &lsquo;inocente&rsquo;&rdquo;.<\/p>\n<p>Troy Davis conta com tr&ecirc;s grandes obst&aacute;culos para o seu julgamento. O primeiro: &eacute; um homem afroestadunidense. O segundo: foi acusado de matar um policial branco. E o terceiro: o crime aconteceu na Georgia.<\/p>\n<p>H&aacute; mais de um s&eacute;culo, a lend&aacute;ria jornalista e ativista Ida B. Wells arriscou sua vida ao denunciar uma onda de linchamentos no extremo sul dos Estados Unidos. Em 1892, publicou um livro com o t&iacute;tulo &ldquo;Os horrores do Sul: a lei do linchamento em todas as suas fases&rdquo;, ao qual se seguiram em 1895 &ldquo;O informe vermelho&rdquo;, onde se detalha centenas de casos de viol&ecirc;ncia. Neste &uacute;ltimo escreveu: &ldquo;No Condado de Brooks, Georgia, em 23 de dezembro, enquanto este pa&iacute;s crist&atilde;o se preparava para celebrar o Natal, sete indiv&iacute;duos negros foram linchados em 24 horas por se negarem a dizer, ou por n&atilde;o poderem esclarecer, o paradeiro de um homem de cor chamado Pike, que matou um homem branco&#8230;Georgia lidera a lista de estados em que ocorrem mais linchamentos&rdquo;.<\/p>\n<p>A execu&ccedil;&atilde;o planejada de Troy Davis n&atilde;o estar&aacute; nas m&atilde;os de uma multid&atilde;o ensandecida, mas sim ter&aacute; lugar nos confins est&eacute;reis, iluminados com luzes fluorescentes, da Pris&atilde;o de Diagn&oacute;stico e Classifica&ccedil;&atilde;o da Georgia, no Condado de Butts, pr&oacute;ximo da cidade de Jackson.<\/p>\n<p>O estado n&atilde;o pretende pendurar Davis em uma &aacute;rvore com uma corda ou corrente. Pendur&aacute;-lo &ndash; como diz a can&ccedil;&atilde;o de Billie Holiday &ndash; como uma fruta rara: &ldquo;As &aacute;rvores do sul t&ecirc;m frutas raras\/ sangra nas folhas e sangra na raiz\/ corpos negros balan&ccedil;am na brisa sulista,\/ fruta rara penduradas nos &aacute;lamos&rdquo;. A menos que a Junta de Perd&atilde;o e Liberdade Condicional intervenha no caso, o estado da Georgia lhe aplicar&aacute; uma dose letal de pentobarbital. Georgia passou a usar esta nova droga nas execu&ccedil;&otilde;es porque a Administra&ccedil;&atilde;o de Controle de Drogas confiscou seu estoque de pentotal s&oacute;dico em mar&ccedil;o, ap&oacute;s acusar o estado de importar ilegalmente a droga.<\/p>\n<p>O presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor, Ben Jealous, falou sobre a situa&ccedil;&atilde;o de Davis: &ldquo;Este &eacute; um caso em que, independente de ser contra ou a favor da pena de morte, deveria deixar a todos perplexos&rdquo;. A Anistia Internacional solicitou a Junta Estatal de Perd&atilde;o e Liberdade Condicional que comute a pena de Davis. Larry Cox, diretor-executivo da Anistia Internacional nos Estados Unidos disse: &ldquo;N&atilde;o conhe&ccedil;o nenhum outro caso de injusti&ccedil;a t&atilde;o gritante. Trata-se de um julgamento em que sete das nove testemunhas se retrataram das suas declara&ccedil;&otilde;es. N&atilde;o h&aacute; provas materiais que vinculem o acusado ao delito. H&aacute; uma presun&ccedil;&atilde;o ou uma d&uacute;vida t&atilde;o significativa em torno do caso, que conden&aacute;-lo &agrave; morte seria realmente um delito provocado por outro&rdquo;.<\/p>\n<p>Mas a junta de perd&atilde;o n&atilde;o deveria escutar apenas os grupos de direitos humanos: o Papa Bento XVI e os vencedores do Pr&ecirc;mio Nobel da Paz, o Presidente Jimmy Carter e o Arcebispo sul-africano Desmond Tutu, entre outros, tamb&eacute;m pediram clem&ecirc;ncia. A outra op&ccedil;&atilde;o da junta &eacute; escutar as massas que clamam e aplaudem a morte.<br \/>\n&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&ndash;<\/p>\n<p>Denis Moynihan colaborou na produ&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica desta coluna. <br \/>\n@2010 Amy Goodman <\/p>\n<p>Texto em ingl&ecirc;s traduzido por Mercedes Camps y <a href=\"http:\/\/spanish@democracynow.org \">Democracy Now! em espanhol<\/a>.<\/p>\n<p>Esta vers&atilde;o &eacute; exclusiva de Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise para o portugu&ecirc;s. O texto em espanhol traduzido para o portugu&ecirc;s por Rafael Cavalcanti Barreto, e revisado por Bruno Lima Rocha. As opini&otilde;es adjuntas ao texto s&atilde;o de exclusiva responsabilidade dos editores de <a href=\"http:\/\/www.estrategiaeanalise.com.br\">Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise<\/a>. <\/p>\n<p>Amy Goodman &eacute; &acirc;ncora do <a href=\"http:\/\/www.democracynow.com\">Democracy Now!<\/a>, um notici&aacute;rio internacional que emite conte&uacute;do di&aacute;rio para mais de 650 emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o em ingl&ecirc;s, e mais de 250 em espanhol. &Eacute; co-autora do livro &ldquo;Os que lutam contra o sistema: Her&oacute;is ordin&aacute;rios em tempos extraordin&aacute;rios nos Estados Unidos&rdquo;, editado pelo Le Monde Diplomatique do Cone Sul.<\/p>\n<p><strong>Coment&aacute;rio dos editores. <\/strong>Em geral, as legisla&ccedil;&otilde;es que aprovam a pena de morte, assim como a diminui&ccedil;&atilde;o da maioridade penal, d&atilde;o carta branca para que os aparelhos judiciais ajam como vingadores do consenso conservador. &Eacute; por isso que, como linha editorial, esta publica&ccedil;&atilde;o &eacute; contra a pena de morte e a redu&ccedil;&atilde;o da maioriade penal. O discurso que exige seguran&ccedil;a e relativiza os direitos humanos, &eacute; proferido pelos mesmos fasc&iacute;noras que votam e s&atilde;o eleitos como conservadores, quase sempre not&oacute;rios corruptos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Negro, Troy Davis aguarda em uma pris\u00e3o da Georgia o acesso \u00e0 livre defesa. Davis foi condenado \u00e0 pena de morte por supostamente assassinar o policial branco Mark MacPhail em 1989. Foto:withintheblackcommunity.blogspot Amy Goodman Vivemos dias em que a morte provoca ova&ccedil;&otilde;es do p&uacute;blico nos Estados Unidos. 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