{"id":1519,"date":"2011-09-21T11:08:39","date_gmt":"2011-09-21T11:08:39","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1519"},"modified":"2011-09-21T11:08:39","modified_gmt":"2011-09-21T11:08:39","slug":"economia-politica-do-audiovisual-de-baixo-custo-uma-abordagem-propositiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1519","title":{"rendered":"Economia Pol\u00edtica do Audiovisual de Baixo Custo: uma abordagem propositiva"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/comunicacaocomunidade.jpg\" title=\"Produtos midi\u00e1ticos de baixo custo podem aumentar significativamente a carga cultural, a refer\u00eancia identit\u00e1ria coletiva e a capacidade cognitiva dos cidad\u00e3os de munic\u00edpios mais pobres, sejam interioranos ou perif\u00e9ricos. - Foto:fazendomedia\" alt=\"Produtos midi\u00e1ticos de baixo custo podem aumentar significativamente a carga cultural, a refer\u00eancia identit\u00e1ria coletiva e a capacidade cognitiva dos cidad\u00e3os de munic\u00edpios mais pobres, sejam interioranos ou perif\u00e9ricos. - Foto:fazendomedia\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Produtos midi\u00e1ticos de baixo custo podem aumentar significativamente a carga cultural, a refer\u00eancia identit\u00e1ria coletiva e a capacidade cognitiva dos cidad\u00e3os de munic\u00edpios mais pobres, sejam interioranos ou perif\u00e9ricos.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:fazendomedia<\/small><\/figure>\n<p><em>21 de setembro, de Porto Alegre, Bruno Lima Rocha e Rodrigo Jacobus<\/em><\/p>\n<p>Pode-se pensar a pol&iacute;tica como sendo a s&iacute;ntese de id&eacute;ias, vontades, necessidades, rela&ccedil;&otilde;es de poder, aspira&ccedil;&otilde;es e interesses em uma sociedade civil organizada. Partindo-se deste conceito-base, &eacute; poss&iacute;vel analisar a economia pol&iacute;tica da informa&ccedil;&atilde;o, comunica&ccedil;&atilde;o e cultura como um instrumental te&oacute;rico em aux&iacute;lio &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de modelos de produ&ccedil;&atilde;o midi&aacute;tica de baixo custo focados no local. Neste artigo, prop&otilde;e-se um modelo integrado de produ&ccedil;&atilde;o de audiovisual de car&aacute;ter popularesco, oferecendo um exemplo que ocupe o lado oposto do clientelismo, al&eacute;m da cultura pol&iacute;tica pragm&aacute;tica e paroquiana. Espera-se, assim, apresentar uma singela colabora&ccedil;&atilde;o ao campo da educomunica&ccedil;&atilde;o, partindo-se da cren&ccedil;a de que a capacidade cognitiva dos cida-d&atilde;os pode ser estimulada e desenvolvida tanto a partir do exerc&iacute;cio de recep&ccedil;&atilde;o de produtos culturais aut&oacute;ctones, como tamb&eacute;m em fun&ccedil;&atilde;o do envolvimento de uma parcela representativa desta popula&ccedil;&atilde;o no processo produtivo destas m&iacute;dias.<\/p>\n<p>O seguinte texto foi publicado em 2009 no livro <strong>Digitaliza&ccedil;&atilde;o e Pr&aacute;ticas Sociais<\/strong>, or-ganizado por Val&eacute;rio Cruz Brittos, professor do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).<\/p>\n<p><strong>Introdu&ccedil;&atilde;o: aporte te&oacute;rico<\/strong><\/p>\n<p>A maior parte dos analistas &ndash; polit&oacute;logos \/ cientistas pol&iacute;ticos, jornalistas especializados na &aacute;rea e operadores no campo da m&iacute;dia alternativa pratica mais a cr&iacute;tica do que oferece alternativas vi&aacute;veis na realiza&ccedil;&atilde;o do intento. N&atilde;o se trata de mera cr&iacute;tica &agrave; teoriza&ccedil;&atilde;o em detrimento da pr&aacute;tica, pois ambas estabelecem pap&eacute;is importantes no &acirc;mbito de qualquer inst&acirc;ncia. Afinal, a liberdade de pensamento, express&atilde;o, informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; um direito constitucional, sagrado e deve ser exercido. Mas, por vezes, &eacute; necess&aacute;rio ir al&eacute;m do ataque e buscar alternativas pratic&aacute;veis.<\/p>\n<p>Propor &eacute; mais dif&iacute;cil do que criticar. Mas, propor algo exeq&uuml;&iacute;vel &eacute; algo ainda mais complicado. As premissas do pensamento neoliberal est&atilde;o quase sempre ocultas. O problema or&ccedil;ament&aacute;rio se apresenta como uma caixa preta. As informa&ccedil;&otilde;es est&atilde;o longe de serem auto-explicativas e, assim, os poucos brasileiros bem informados v&atilde;o levando o dia a dia sem entender porque &eacute; t&atilde;o dif&iacute;cil ver uma grande realiza&ccedil;&atilde;o. &Eacute; por causa dessa pr&aacute;tica errada e anti&eacute;tica de premissa oculta que se tenta aqui p&ocirc;r um gr&atilde;o de areia nas alternativas s&oacute;cio-pol&iacute;tico-econ&ocirc;mico-culturais-midi&aacute;ticas.<\/p>\n<p>As teorias do<em> pluralismo regulado<\/em> de John B. Thompson (1998) e da cauda longa, conforme prop&otilde;e Cris Anderson (2006), s&atilde;o parte significativa e ind&iacute;cios da aten&ccedil;&atilde;o que tem sido dedicada pelas recentes pesquisas e reflex&otilde;es sobre o papel dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o na organiza&ccedil;&atilde;o das sociedades modernas: a urg&ecirc;ncia da descentraliza&ccedil;&atilde;o dos recursos destes meios, a separa&ccedil;&atilde;o do poder estatal e a migra&ccedil;&atilde;o da cultura de massa para a cultura de nicho. <\/p>\n<p>Segundo Thompson em A<em> m&iacute;dia e a modernidade: uma teoria social da m&iacute;dia<\/em>, o pluralismo regulado compreende:<\/p>\n<p><em>[&#8230;] o estabelecimento de uma estrutura institucional que abriga e garante a exist&ecirc;ncia de uma pluralidade de independentes organiza&ccedil;&otilde;es de m&iacute;dia. &Eacute; um princ&iacute;pio que leva a s&eacute;rio a tradicional &ecirc;nfase liberal na liberdade de express&atilde;o e na import&acirc;ncia de sustentar as institui&ccedil;&otilde;es de m&iacute;dia independentemente do poder do estado. Mas &eacute; um princ&iacute;pio que tamb&eacute;m reconhece que o mercado deixado a si mesmo n&atilde;o pode garantir necessariamente as con-di&ccedil;&otilde;es de liberdade de express&atilde;o e promover a diversidade e o pluralismo na esfera da comunica&ccedil;&atilde;o. Para garantir estas condi&ccedil;&otilde;es e promover estes objetivos, podem ser necess&aacute;rias a interven&ccedil;&atilde;o no mercado e a regulamenta&ccedil;&atilde;o dos processos mercadol&oacute;gicos, de tal maneira que n&atilde;o se enfraque&ccedil;am a diversidade e o pluralismo pela concentra&ccedil;&atilde;o de poder econ&ocirc;mico e simb&oacute;lico. (1998, p. 209).<\/em><\/p>\n<p>Em sua proposta, o autor entende como urgente a descentraliza&ccedil;&atilde;o de recursos nas ind&uacute;strias de m&iacute;dia, atrav&eacute;s da cria&ccedil;&atilde;o de &ldquo;condi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis para o desenvolvimento de organiza&ccedil;&otilde;es de m&iacute;dia que n&atilde;o fa&ccedil;am parte dos grandes conglomerados j&aacute; existentes&rdquo;. Como tamb&eacute;m a necessidade de liberdade &ldquo;para articular pontos de vista cr&iacute;ticos &agrave;s pol&iacute;ticas e aos pol&iacute;ticos do Estado&rdquo; (idem, p. 210), isentas de censura aberta ou indireta, ou quaisquer tipo de press&otilde;es e amea&ccedil;as derivadas, por exemplo, da &ldquo;cultura da depend&ecirc;ncia&rdquo; decorrente da necessidade de apoios pol&iacute;ticos e\/ou financeiros. Ainda ancorando-se nas reflex&otilde;es de Thompson, &eacute; clara a distin&ccedil;&atilde;o entre produtores e receptores na publicidade das informa&ccedil;&otilde;es mediadas pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa, onde se estabelece uma rela&ccedil;&atilde;o n&atilde;o dial&oacute;gica, inserida na id&eacute;ia de quase-intera&ccedil;&atilde;o do autor: &ldquo;Produtores geralmente criam mensagens da m&iacute;dia para um n&uacute;mero indefinido de receptores potenciais, e estes geralmente recebem as mensagens sob condi&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o lhes permitem responder aos produtores de alguma maneira direta ou discursiva&rdquo; (ibi-dem, p. 213).<\/p>\n<p>Em paralelo, Cris Anderson em <em>A cauda longa: do mercado de massa para o mercado de nicho <\/em>traz &agrave; tona a id&eacute;ia de <em>economia da abund&acirc;ncia<\/em> interligada aos avan&ccedil;os t&eacute;cnico-midi&aacute;ticos: &ldquo;o que acontece quando os gargalos que se interp&otilde;em entre a oferta e a demanda em nossa cultura come&ccedil;am a desaparecer e tudo se torna dispon&iacute;vel para todos&rdquo; (2006, p. 11). Embora o autor trate especialmente das possibilidades de produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do pela Internet, pode-se pensar a economia da abund&acirc;ncia tamb&eacute;m para produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos em outros meios t&eacute;cnicos, expandindo ainda mais os nichos do mercado de comunica&ccedil;&atilde;o de massa, al&eacute;m da rede mundial de computadores.<\/p>\n<p>Junto &agrave; Internet e &agrave; prolifera&ccedil;&atilde;o do uso de computadores, outras tecnologias t&ecirc;m se popula-rizado, atingindo amplos graus de acessibilidade a baixo custo. H&aacute; uma grande oferta de p&aacute;ginas, portais e softwares livres dispon&iacute;veis, bem como de meios t&eacute;cnicos que ampliam as possibilidades muito al&eacute;m da produ&ccedil;&atilde;o de blogs. Atualmente, celulares, c&acirc;meras digitais e os chamados PMP (<em>Portable Media Player<\/em>) (1) oferecem, em sua grande maioria, c&acirc;meras e gravadores de voz. De modo que os efeitos da <em>cauda longa<\/em> apresentam-se em franca expans&atilde;o, muito al&eacute;m da produ&ccedil;&atilde;o de textos. As possibilidades de realiza&ccedil;&atilde;o em audiovisuais, por exemplo, aumentam as pretens&otilde;es de transformar os cidad&atilde;os em distribuidores de conte&uacute;do, tal qual prop&otilde;e Anderson. Tal possibilidade associada a um computador com acesso &agrave; Internet, softwares e p&aacute;ginas gratuitos para edi&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o respectivamente (2) , significam um enorme avan&ccedil;o na id&eacute;ia de economia da abund&acirc;ncia.<\/p>\n<p>Portanto, pode-se avan&ccedil;ar a partir de algumas premissas essenciais no que tange o aspecto da economia pol&iacute;tica desta proposi&ccedil;&atilde;o. Em primeiro lugar, &eacute; essencial aliar teoria e pr&aacute;tica, de modo que a proposta discutida possa ir al&eacute;m do &acirc;mbito acad&ecirc;mico, oferecendo uma alternativa com o m&iacute;nimo de viabilidade al&eacute;m dos limites de epistemologias e prerrogativas encarceradas em universidades, faculdades e escolas. Em um segundo momento, buscar a compreens&atilde;o de que o processo de descentraliza&ccedil;&atilde;o dos recursos dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, a separa&ccedil;&atilde;o do poder estatal e a migra&ccedil;&atilde;o da cultura de massa para a cultura de nicho precisam ser acompanhadas por pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de fomento &agrave; produ&ccedil;&atilde;o, a partir de um modelo aut&ocirc;nomo, cujos objetivos transcendam a chamada cultura da depend&ecirc;ncia. Enfim, &eacute; fundamental que tais iniciativas prossigam independentes de transi&ccedil;&otilde;es eleitorais-partid&aacute;rias, acumulando valor simb&oacute;lico ao longo de sucessivas experi&ecirc;ncias. De modo a estimular, assim, o envolvimento por parte das comunidades e, conseq&uuml;entemente, desenvolver o pensamento cr&iacute;tico num &acirc;mbito societ&aacute;rio a partir da educa&ccedil;&atilde;o pela m&iacute;dia, a chamada educomunica&ccedil;&atilde;o, contribuindo no resgate de identidades coletivas a partir da promo&ccedil;&atilde;o de culturas locais, como tamb&eacute;m na gera&ccedil;&atilde;o de renda. Para tanto, parte-se do pressuposto que:<\/p>\n<p><em>A educomunica&ccedil;&atilde;o tem como principal objetivo inverter a l&oacute;gica que restringe o leitor de jornal ou o ouvinte de r&aacute;dio &agrave; mera condi&ccedil;&atilde;o de consumidor. Dessa forma, o receptor ganha a oportunidade de ser tamb&eacute;m emissor e produtor da mensagem midi&aacute;tica. N&atilde;o por outra raz&atilde;o, essas iniciativas podem ser descritas como verdadeiras experi&ecirc;ncias de cidadania. (F&Oacute;RUM SOCIAL MUNDIAL, 2004).<\/em><\/p>\n<p>Ao abrir possibilidades para que receptores tornem-se produtores, ameniza-se o impacto da &ldquo;desigualdade entre os participantes no processo comunicativo&rdquo; (THOMPSON, 1998, p. 35) e criam-se novos nichos que alavancam a economia da abund&acirc;ncia (ANDERSON, 2006), apri-morando-se conseq&uuml;entemente a recep&ccedil;&atilde;o &ndash; a dissemina&ccedil;&atilde;o e apropria&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica dos proces-sos produtivos de comunica&ccedil;&atilde;o cumprem, por si s&oacute;, este papel educacional, no momento em que aproximam os cidad&atilde;os leigos das t&eacute;cnicas especializadas e explicitam as &ldquo;regi&otilde;es de fundo&rdquo; (THOMPSON, 1998). De modo complementar, compreende-se que &ldquo;a identidade coletiva &eacute; o sentido que cada um tem de si mesmo como membro de um grupo social ou coletividade; &eacute; um sentido de perten&ccedil;a, de ser parte de um grupo social que tem uma hist&oacute;ria pr&oacute;pria e um destino coletivo&rdquo; (THOMPSON, 1998, p. 165). Para Thompson, ainda, o sentido que cada um tem de si mesmo &ndash; a chamada &ldquo;auto-identidade&rdquo;, assim como a identidade coletiva &ldquo;s&atilde;o modelados &ndash; em v&aacute;rios graus dependendo do contexto social &ndash; pelos valores, cren&ccedil;as e padr&otilde;es de comportamento que s&atilde;o transmitidos do passado&rdquo;, em rela&ccedil;&atilde;o profunda com a no&ccedil;&atilde;o de &ldquo;tradi&ccedil;&atilde;o&rdquo; trazida pelo soci&oacute;logo:<\/p>\n<p><em>O processo de forma&ccedil;&atilde;o de identidade nunca pode come&ccedil;ar do nada; sempre se constr&oacute;i sobre um conjunto de material simb&oacute;lico preexistente que constitui a fonte da identidade. Mas pode muito bem acontecer que, com o desenvolvimento dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, a natureza desse conjunto de material simb&oacute;lico preexistente tenha se alterado significativamente, e isso possa ter implica&ccedil;&otilde;es no processo de forma&ccedil;&atilde;o de identidade. [&#8230;] O desenraizamento das tradi&ccedil;&otilde;es dos locais compartilhados da vida cotidiana n&atilde;o significa que as tradi&ccedil;&otilde;es flutuam livremente; pelo contr&aacute;rio, as tradi&ccedil;&otilde;es sobreviver&atilde;o ao longo do tempo somente se forem continuamente reincorporadas em novos contextos e reancoradas em novos tipos de unidades territoriais. (idem, grifos do autor).<\/em><\/p>\n<p>Pensando, assim, a reincorpora&ccedil;&atilde;o e reancoragem da tradi&ccedil;&atilde;o como poss&iacute;vel caminho para a constru&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria, a proposta aqui sugerida situa-se contextualmente e territorialmente na vida coletiva do munic&iacute;pio. N&atilde;o necessariamente em qualquer um dos mais de 5564 munic&iacute;-pios do pa&iacute;s (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTAT&Iacute;STICA &ndash; IBGE, 2007). A id&eacute;ia &eacute; concentrar-se especialmente nas cidades que N&Atilde;O s&atilde;o uma de nossas 27 capitais nacionais ou as chamadas cidades-p&oacute;lo (3) . Enfim, o texto vai focar as cidades que t&ecirc;m menos visibilidade para o conjunto do pa&iacute;s. Dentro desta distin&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o as com menor renda nas regi&otilde;es metropolitanas (4)  ou aquelas que n&atilde;o representam nem mesmo p&oacute;los regionais. N&atilde;o necessariamente trata-se de cidades com voca&ccedil;&atilde;o rural, embora a maior parte dos munic&iacute;pios do interior enquadrada nesta classifica&ccedil;&atilde;o tenha este perfil econ&ocirc;mico. Espera-se, deste modo, utilizar o crescente aumento da acessibilidade &agrave;s novas tecnologias como instrumental para alavancar oportunidades relacionadas &agrave; teoria da cauda longa em regi&otilde;es economicamente menos favorecidas e amenizar o impacto da concentra&ccedil;&atilde;o cultural nos grandes centros urbanos, tencionando diminuir as discrep&acirc;ncias que induzem a diversos problemas sociais.<\/p>\n<p>No &acirc;mbito pol&iacute;tico, vamos p&ocirc;r foco e aten&ccedil;&atilde;o nas intencionalidades n&atilde;o-manifestas pelos candidatos a cargos municipais provenientes de processos eleitorais. Seremos propositivos, buscando maior reflex&atilde;o por parte do leitor, de modo que este veja a pol&iacute;tica al&eacute;m do voto. Por POL&Iacute;TICA compreendemos a s&iacute;ntese de id&eacute;ias, vontades, necessidades, rela&ccedil;&otilde;es de poder, aspira&ccedil;&otilde;es e interesses que envolvem as rela&ccedil;&otilde;es nos mais diversos &acirc;mbitos da vida em sociedade. Busca-se, assim, uma alternativa &agrave; chamada pol&iacute;tica profissional, praticada no &acirc;mbito institucional-partid&aacute;rio, bem como do seu reflexo no inconsciente coletivo e conseq&uuml;ente determina&ccedil;&atilde;o de padr&otilde;es comportamentais nas mais diversas inst&acirc;ncias sociais. Quer-se ir al&eacute;m das mazelas do clientelismo, compra de votos, fruto de m&aacute;ximas comuns &agrave; pr&aacute;tica cotidiana, como a conhecida &ldquo;&eacute; dando que se recebe&rdquo;; apadrinhamentos, dubl&ecirc;s de pol&iacute;ticos e cartolas, al&eacute;m de tudo aquilo que caracteriza uma cultura pol&iacute;tica pragm&aacute;tica e paroquiana que reina e associa-se de modo dram&aacute;tico &agrave; id&eacute;ia que se tem de pol&iacute;tica no discurso do senso comum.<\/p>\n<p>Os protagonistas da a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que estamos advogando s&atilde;o os movimentos populares e as associa&ccedil;&otilde;es da sociedade civil organizada. Como o debate e a luta pela democracia na comuni-ca&ccedil;&atilde;o atravessam o conjunto da estrutura de classes, entendemos que o fazer midi&aacute;tico &eacute; tarefa e atividade que ultrapassa as entidades de base de tipo sindical ou popular. Entendemos que este papel cabe ao conjunto da sociedade civil (BORBA; SILVA. IN BAQUERO; CREMO-NESE, 2006), mais especificamente &agrave; sociedade civil organizada. Se pensarmos esta a partir da concep&ccedil;&atilde;o proposta por Georges Couffignal (2000), a sociedade civil ultrapassa ao perfil do conjunto de entidades reivindicativas j&aacute; organizadas para lutas reivindicativas. Este conceito abarca estruturas mais informais ou fora do mundo da pol&iacute;tica e da luta dos movimentos populares. Embora a sociedade civil organizada que defendemos exista de e por si, o seu protagonismo passa pelo avan&ccedil;o de sua organiza&ccedil;&atilde;o interna e na transforma&ccedil;&atilde;o de seus afiliados em ativistas da defesa e amplia&ccedil;&atilde;o dos direitos da maioria. Por isso discordamos de qualquer defini&ccedil;&atilde;o de sociedade civil que a veja como policlassista (por cima da estrutura de classes) e baseando sua exist&ecirc;ncia na colabora&ccedil;&atilde;o com os grandes agentes econ&ocirc;micos (for&ccedil;as de mercado em diferentes escalas de penetra&ccedil;&atilde;o nos territ&oacute;rios). Compreendemos que estas entidades devem compor for&ccedil;as junto aos movimentos populares organizados e as entidades de corte cl&aacute;ssico (sindical, estudantil, moradores) e, numa correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as, tentem for&ccedil;ar o Estado a ser responsivo.<\/p>\n<p>Enfim, aqui n&atilde;o se entende como v&aacute;lida para o processo de democracia e universaliza&ccedil;&atilde;o do direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, informa&ccedil;&atilde;o e cultura uma atitude que caracterize a rela&ccedil;&atilde;o de clientela ou de &ldquo;busca de equil&iacute;brio&rdquo; com o governo de turno ou os capitais hegem&ocirc;nicos na regi&atilde;o. Nesse sentido, enfatiza-se e compartilha-se com John B. Thompson (1998) a preocupa&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria frente &agrave; j&aacute; citada &ldquo;cultura da depend&ecirc;ncia&rdquo;. Diante deste aporte te&oacute;rico, o debate prosseguir&aacute; a partir de uma id&eacute;ia distinta, constru&iacute;da sobre propostas e possibilidades de realiza&ccedil;&atilde;o. Para colorir o panorama do fundo da tela, apresentamos uma id&eacute;ia no campo do audiovisual para ilustrar nossa intencionalidade.<\/p>\n<p><strong>A pr&aacute;xis da proposi&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Imaginemos um festival de v&iacute;deos gravados, por exemplo, em celulares. &Eacute; algo f&aacute;cil, custo baixo, abund&acirc;ncia de c&acirc;maras cada vez mais potentes e acess&iacute;veis e participantes volunt&aacute;rios. Hoje, consegue-se uma razo&aacute;vel ilha de edi&ccedil;&atilde;o baixando um programa gratuito ou livre pela Internet. Todo munic&iacute;pio, a princ&iacute;pio, tem uma secretaria ou departamento de cultura. Ent&atilde;o, a grande pergunta &eacute;: por que n&atilde;o investem em uma produ&ccedil;&atilde;o audiovisual de baixo custo? Se considerarmos que para a maioria dos brasileiros n&atilde;o falta imagina&ccedil;&atilde;o e criatividade, ent&atilde;o o que est&aacute; em falta? O problema normalmente localiza-se no quesito mentalidade pol&iacute;tica.<\/p>\n<p>Uma poss&iacute;vel obje&ccedil;&atilde;o poderia vir &agrave; tona: de que adianta fazer festival se n&atilde;o tem como vei-cular? Como primeira alternativa, mais &oacute;bvia e presente na contemporaneidade, a Internet oferece, desde que devidamente trabalhada no sentido de ampliar o seu acesso, o que gradati-vamente tem ocorrido, distribui&ccedil;&atilde;o e repercuss&atilde;o afora dos limites municipais aqui propostos. Uma segunda possibilidade &eacute; recriar um circuito cultural com identidade pr&oacute;pria nestas cidades, com um sistema distributivo concomitante, por&eacute;m independente da grande rede &ndash; um modelo que ser&aacute; esbo&ccedil;ado mais detalhadamente ao longo deste artigo, e cuja mec&acirc;nica &eacute; mais interessante no contexto da proposta, devido &agrave; mobiliza&ccedil;&atilde;o social que envolve a sua implementa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A proposta de cria&ccedil;&atilde;o de um circuito audiovisual de baixo custo e amplitude municipal &eacute; constitutiva de uma perspectiva anal&iacute;tica onde quem analisa tamb&eacute;m prescreve e se posiciona. Somos adeptos deste tipo de posicionamento e este artigo quer tamb&eacute;m difundir esta forma de an&aacute;lise pol&iacute;tica. Vale lembrar que as propostas se referem a uma gama de possibilidades de realiza&ccedil;&otilde;es, tendo &agrave; frente o poder executivo municipal. Alguns pr&eacute;-requisitos para a execu&ccedil;&atilde;o deste tipo de pol&iacute;tica seriam: um m&iacute;nimo de verba de custeio; a concep&ccedil;&atilde;o de que cultura &eacute; importante e n&atilde;o algo secund&aacute;rio; vontade pol&iacute;tica de refor&ccedil;ar o tecido social e a auto-estima dos moradores em cidades com poucos atrativos; uma gest&atilde;o transparente de modo que as iniciativas n&atilde;o sejam todas elas associadas somente ao aumento do capital pol&iacute;tico de prefeitos e seus aliados. <\/p>\n<p>Entrando no tema espec&iacute;fico do audiovisual, entendemos que o incentivo e o envolvimento direto das prefeituras com a produ&ccedil;&atilde;o local &eacute; algo inadi&aacute;vel. Vivemos a era da imagem e da polissemia. Na busca de identidade, os munic&iacute;pios perif&eacute;ricos ou mais pobres vivem uma &ldquo;s&iacute;ndrome de bastardo&rdquo; &ndash; n&atilde;o se reconhecendo como refer&ecirc;ncia em quase nenhum setor da economia, pol&iacute;tica ou cultura, terminam por perder boa parte de sua m&atilde;o de obra para outros lugares, em especial as capitais ou cidades-p&oacute;lo, engrossando os cord&otilde;es de mis&eacute;ria nestes locais em detrimento do esvaziamento de regi&otilde;es subocupadas &ndash; uma falsa ilus&atilde;o decorrente de uma falsa cren&ccedil;a em falsas oportunidades. Gerar produ&ccedil;&atilde;o cultural nestes lugares pode contribuir, mesmo que de modo sutil, no desenvolvimento da valoriza&ccedil;&atilde;o destas popula&ccedil;&otilde;es, resgatando quest&otilde;es essenciais quanto &agrave; tradi&ccedil;&atilde;o e identidade. Tal qual conclui Thompson, pensamos que:<\/p>\n<p><em>Ser&aacute; dif&iacute;cil dizer se n&oacute;s conseguiremos desenvolver um sentido de responsabilidade numa forma de reflex&atilde;o pr&aacute;tico-moral que forne&ccedil;a uma orienta&ccedil;&atilde;o racional para a conduta humana e se chegaremos a entender suficientemente os complexos processos criados humanamente para intervir efetivamente nela. Mas tentar &eacute; a melhor &ndash; e &uacute;nica &ndash; op&ccedil;&atilde;o que temos. (1998, p. 228).<\/em><br \/>\n<strong><br \/>\na) Pensando o suporte t&eacute;cnico e a organiza&ccedil;&atilde;o inicial<\/strong><\/p>\n<p>Entre as tecnologias economicamente mais acess&iacute;veis, os telefones m&oacute;veis multifuncionais encontram-se entre os mais abundantes. Segundo a Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (ANATEL), em dados totalizados at&eacute; setembro de 2008, havia no pa&iacute;s 140.788.562 para uma estimativa de popula&ccedil;&atilde;o de 192.215.512 habitantes, gerando uma densidade de 73,25 telefones m&oacute;veis para cada 100 habitantes (ANATEL, 2008). Isto caracteriza o pa&iacute;s como o 5&ordm; maior mercado de telefones m&oacute;veis do mundo (IDG NOW!, 2008). Conforme mencionado anteriormente, boa parte dos telefones celulares tem aplicativos para gravar &aacute;udio e v&iacute;deo. Podem ter pouca defini&ccedil;&atilde;o e baixa qualidade t&eacute;cnica. Mas nada disso &eacute; necessariamente uma &ldquo;novidade&rdquo;. N&atilde;o custa lembrar que o cinema nacional cresceu a partir de curtas metragens rodados primeiro em 8mms e depois em Super 8. Na d&eacute;cada de 60, mais especificamente no ano de 1965, a empresa Kodak aperfei&ccedil;oou o antigo formato de 8mms j&aacute; criado em 1932 como uma vers&atilde;o mais barata do que o filme de 16mms (PIPER, 1978). <\/p>\n<p>O conceito aplicado nas pel&iacute;culas de filmagem pode ser reeditado com o v&iacute;deo de celular. Na &eacute;poca, os suportes de m&iacute;dia n&atilde;o eram multifuncionais, mas j&aacute; visavam popularizar o acesso &agrave;s filmagens caseiras, ao experimentalismo e a perspectiva de cineastas amadores. O mesmo pode haver agora, no per&iacute;odo da m&iacute;dia interativa. O mais caro &ndash; as c&acirc;maras e pel&iacute;culas &ndash; j&aacute; se converteu em m&iacute;dia m&oacute;vel e barateou seu custo. Hoje est&aacute; nas m&atilde;os de adultos, adolescentes e jovens &aacute;vidos por interatividade. Estes mesmos portadores de c&acirc;maras m&oacute;veis s&atilde;o carentes de conte&uacute;do e t&ecirc;m pouca ou nenhuma refer&ecirc;ncia do cinema latino-americano. As narrativas s&atilde;o, ou pelo menos deveriam ser patrim&ocirc;nio do povo. Infelizmente, a grande maioria de nossa popula&ccedil;&atilde;o desconhece a produ&ccedil;&atilde;o cinematogr&aacute;fica brasileira. Com a motiva&ccedil;&atilde;o de realizar curtas experimentais, n&atilde;o s&oacute; estar-se-ia estimulando a produ&ccedil;&atilde;o e conseq&uuml;ente aproxima&ccedil;&atilde;o popular no protagonismo midi&aacute;tico, como tamb&eacute;m estaria sendo lan&ccedil;ada uma rede em busca de novos expectadores para os cl&aacute;ssicos do cinema brasileiro.<\/p>\n<p>A experi&ecirc;ncia aqui proposta n&atilde;o &eacute; totalmente in&eacute;dita, tendo sido realizado algo muito parecido na cidade de Palmas, capital de Tocantins, com o projeto Telinha de Cinema (5) . Segundo relato da professora Leila Dias a respeito do uso da tecnologia dos celulares:<\/p>\n<p>Logo no primeiro contato a decis&atilde;o pelo uso dos celulares se mostrou, pedagogicamente, mais do que acertada pois, mesmo sendo moradores de comunidade carente, os jovens selecionados para a primeira turma j&aacute; demonstravam familiaridade com o equipamento. Isso potencializou as caracter&iacute;sticas peculiaridades das c&acirc;meras dos celulares, que s&atilde;o de f&aacute;cil manipula&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o dos resultados finais. Decidido pelo o uso de c&acirc;meras dos telefones celulares, o pr&oacute;ximo passo foi definir o conte&uacute;do e desenvolver uma metodologia pr&oacute;pria, j&aacute; que especificamente sobre os pocket movies (como &eacute; chamada essa nova linguagem audiovisual, baseado na produ&ccedil;&atilde;o e\/ou exibi&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de celulares) ainda n&atilde;o h&aacute; literatura nem muitos estudos acad&ecirc;micos. Decidimos ent&atilde;o embasar o conte&uacute;do b&aacute;sico, como t&eacute;cnicas de roteiro, produ&ccedil;&atilde;o, cinegrafia, dire&ccedil;&atilde;o e edi&ccedil;&atilde;o nos conceitos cinematogr&aacute;ficos, buscando interagir com a linguagem de hipertexto utilizada na internet. Dessa forma, conseguimos construir um conte&uacute;do program&aacute;tico espec&iacute;fico para o ensino do pocket movie, agregando &agrave; parte t&eacute;cnica, o estudo da hist&oacute;ria e da fun&ccedil;&atilde;o social do cinema. Organizado isso em um material pedag&oacute;gico, ainda n&atilde;o editado formalmente, os alunos das duas turmas (2007 e 2008) puderam aprofundar a experi&ecirc;ncia t&eacute;cnica possibilitada pelo Telinha de Cinema. (DIAS, 2008).<\/p>\n<p>Obviamente a organiza&ccedil;&atilde;o de um festival de curtas poderia ser concebida das mais diversas formas. Ent&atilde;o, construindo a concep&ccedil;&atilde;o desde a sua organiza&ccedil;&atilde;o inicial, poder-se-ia come&ccedil;ar pela categoriza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o por idade, formato e tema. Assim, sugere-se uma divis&atilde;o por faixa et&aacute;ria, reservando espa&ccedil;os para crian&ccedil;as, adolescentes, jovens, adultos e terceira idade, de modo a estimular a participa&ccedil;&atilde;o e ampliar o espectro de produtores de acordo com suas capacidades e viv&ecirc;ncias. Concomitante com a divis&atilde;o et&aacute;ria, viria a divis&atilde;o por formato. Os v&iacute;deos poderiam ser, por exemplo, de 5&rsquo;, 10&rsquo; ou 15&rsquo;. E, finalmente, poderiam ser subdivididos em categorias tem&aacute;ticas, como fic&ccedil;&atilde;o ou n&atilde;o-fic&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Supondo que em um munic&iacute;pio de uma cidade metropolitana a id&eacute;ia fosse bem acolhida, o que este festival teria de diferente para os festivais em m&iacute;dias m&oacute;veis (&ldquo;pocket movies&rdquo;)? Uma distin&ccedil;&atilde;o fundamental estaria no suporte da feitura dos roteiros, na difus&atilde;o para os moradores da localidade e a distribui&ccedil;&atilde;o, onde entraria o poder p&uacute;blico municipal. Vejamos primeiramente algumas quest&otilde;es iniciais quanto &agrave; difus&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Difundir cinema come&ccedil;a pela triste constata&ccedil;&atilde;o de que apenas nove a cada cem munic&iacute;pios brasileiros t&ecirc;m uma sala de proje&ccedil;&atilde;o. Que dir&aacute; uma cinemateca! Este &eacute; um problema que toda e qualquer secretaria de cultura ou autarquia respons&aacute;vel deve enfrentar urgentemente. Se a maioria dos brasileiros n&atilde;o tem acesso ao cinema para assistir aos &ldquo;enlatados&rdquo;, imaginemos a dificuldade com os filmes produzidos e pensados por e para brasileiros. <\/p>\n<p>Qualquer prefeitura que se preocupe com a capacidade cognitiva de seus cidad&atilde;os deve confrontar esta realidade. Pois, considerando-se que se trata de um tema de ordem p&uacute;blica, o correto &eacute; que o governo subnacional da cidade envolvida posicione-se como fomentador. Te-mos o costume de associar o envolvimento do ente estatal na produ&ccedil;&atilde;o cultural como uma forma de burlar o fisco. Isto porque as leis de incentivo &agrave; cultura passam pela evas&atilde;o fiscal. Mas este n&atilde;o &eacute; o foco deste artigo, e, de qualquer forma, tal argumento n&atilde;o pode ser usado para justificar a omiss&atilde;o do poder p&uacute;blico quanto ao investimento em cultura, sob pena de estagnar qualquer iniciativa. O fato de n&atilde;o haver fiscaliza&ccedil;&atilde;o adequada associado &agrave; m&aacute; administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, e a falta de transpar&ecirc;ncia decorrente do poder centralizado, s&atilde;o quest&otilde;es que tamb&eacute;m devem vir a debate urgentemente. Mas n&atilde;o podem representar impasse &agrave; discuss&atilde;o aqui travada, que independe, em termos pr&aacute;ticos, das mazelas organizacionais da pol&iacute;tica hegem&ocirc;nica. Por isso, propomos aqui que as administra&ccedil;&otilde;es municipais devem gerar espa&ccedil;os de tipo cinemateca em suas cidades. E, em paralelo a estas iniciativas, devem investir em uma m&iacute;dia audiovisual de baixo custo, fomentando a produ&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o da cultura local.<\/p>\n<p>Assim como n&atilde;o &eacute; preciso reinventar a roda com os festivais de filmes por celular, n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio desvendar o que j&aacute; existe. O Brasil tem uma experi&ecirc;ncia acumulada de oitenta anos de cineclubismo sendo que estes produtores e ativistas culturais s&atilde;o respons&aacute;veis pela hist&oacute;ria e preserva&ccedil;&atilde;o do cinema brasileiro. Mesmo se tratando de m&iacute;dias digitais, qualquer organiza&ccedil;&atilde;o de festival com o intuito de criar um circuito de acesso popular deve passar pelas entidades ligadas ao Conselho Nacional de Cineclubes (6) .<\/p>\n<p>J&aacute; tendo o suporte de m&iacute;dia (os celulares que gravam v&iacute;deos), a experi&ecirc;ncia acumulada (os cineclubes), a orienta&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;tica p&uacute;blica de criar uma cinemateca por cidade, o que falta neste hipot&eacute;tico munic&iacute;pio para dar in&iacute;cio ao festival e a difus&atilde;o dos filmes digitais produzidos pelos moradores? Faltam salas de exibi&ccedil;&atilde;o em abund&acirc;ncia e a custo baixo. Um dos aparelhos p&uacute;blicos que podem receber muita gente ao mesmo tempo s&atilde;o as escolas. Como j&aacute; existe o costume de realizar atividades extraclasses nos finais de semana, por que os centros de estudo n&atilde;o poderiam abrigar as salas de exibi&ccedil;&atilde;o? Resta pensar em como faz&ecirc;-lo.<\/p>\n<p>Podemos pensar em um munic&iacute;pio da regi&atilde;o metropolitana de Porto Alegre, como Viam&atilde;o, que tem uma popula&ccedil;&atilde;o de cerca de 250 mil habitantes e conta com 70 escolas municipais, entre urbanas e rurais (7) . Supondo que isto seja um padr&atilde;o, vamos calcular esta m&eacute;dia entre habitantes e col&eacute;gios p&uacute;blicos da prefeitura. O investimento necess&aacute;rio seria o da compra de um projetor digital por escola. Cada equipamento custa em torno de R$ 2.000,00 a unidade. Portanto, o montante ficaria em torno de R$ 140.000,00, o que n&atilde;o &eacute; muito para uma cidade mediana. Fazendo uma compara&ccedil;&atilde;o, somente com o IPTU se arrecada, em m&eacute;dia, quase quatro vezes este valor mensalmente. Como se trata de um custo fixo na implementa&ccedil;&atilde;o inicial do projeto, o investimento posterior nestes equipamentos seria apenas para manuten&ccedil;&atilde;o, o que resultaria, a longo prazo, numa queda significativa deste custo.<\/p>\n<p>Voltando &agrave;s &ldquo;salas de exibi&ccedil;&atilde;o de filmes digitais&rdquo;, n&atilde;o havendo condi&ccedil;&otilde;es de comprar tel&otilde;es para todas as escolas, passa-se para a solu&ccedil;&atilde;o mais barata. Assim, o custo por parede branca pintada n&atilde;o ultrapassaria os R$50,00 &ndash; sem contar a m&atilde;o de obra, j&aacute; existente dentro do quadro de pessoal das prefeituras. Deste modo, o valor total do investimento bruto em equipa-mento seria da ordem de R$ 143.500,00 (o valor dos projetores mais os R$ 3.500,00 gastos com material de pintura). Apenas para oferecer um termo de compara&ccedil;&atilde;o, este custo em equipamento &eacute; muito menor do que se costuma se gastar em feiras ou acampamentos festivos em uma cidade mediana ga&uacute;cha. Nada contra estas celebra&ccedil;&otilde;es, mas reitera-se que a obriga&ccedil;&atilde;o de uma prefeitura deveria tamb&eacute;m ser voltada para o interesse p&uacute;blico a longo prazo, n&atilde;o apenas pautando o tempo dentro dos quatro anos comuns ao remanejo eleitoral.<\/p>\n<p>O demonstrado neste artigo &eacute; fato. &Eacute; um exemplo de qu&atilde;o vi&aacute;vel seria criar condi&ccedil;&otilde;es para implementa&ccedil;&otilde;es culturais-midi&aacute;ticas de baixo custo, produzidas e co-geridas pelos pr&oacute;prios moradores. Tais iniciativas poderiam aumentar significativamente a carga cultural, a refer&ecirc;ncia identit&aacute;ria coletiva e a capacidade cognitiva dos cidad&atilde;os de munic&iacute;pios mais pobres, sejam interioranos ou perif&eacute;ricos. E isso nos remete ao problema de fundo: existe interesse da parte dos pol&iacute;ticos profissionais em fortalecer o grau de informa&ccedil;&atilde;o, comunica&ccedil;&atilde;o e cultura de seus eleitores? Ao que parece, n&atilde;o existe. Isto porque o senso comum se fortalece com a ignor&acirc;ncia e o clientelismo. Como nossa inten&ccedil;&atilde;o &eacute; prescrever sa&iacute;das vi&aacute;veis para tal estado de coisas, aportamos aqui e em outras arenas estas id&eacute;ias plaus&iacute;veis. Na seq&uuml;&ecirc;ncia, abordamos o tema do apoio e suporte para os roteiros, edi&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o do audiovisual.<\/p>\n<p><strong>b) A constru&ccedil;&atilde;o de roteiros, a edi&ccedil;&atilde;o e poss&iacute;veis financiamentos <\/strong><\/p>\n<p>Antes de mais nada, partimos de uma premissa. De que, por mais criatividade que tenha um autor independente, temos nossas mentalidades midiatizadas (THOMPSON, 1998). Ou seja, a livre cria&ccedil;&atilde;o no audiovisual ser&aacute; t&atilde;o ou mais repetitiva do padr&atilde;o da m&iacute;dia comercial do que uma forma&ccedil;&atilde;o um pouco mais erudita. &Eacute; neste quesito que entra a import&acirc;ncia do apoio aos roteiros. O Brasil vive a ressaca da expans&atilde;o descontrolada das faculdades privadas surgida na d&eacute;cada de 90. Infelizmente, o mercado de trabalho formal n&atilde;o consegue absorver uma leva de dimens&otilde;es absurdas de jovens trabalhadores em comunica&ccedil;&atilde;o que s&atilde;o formados todos os anos. <\/p>\n<p>Quanto menor a economia de um munic&iacute;pio ou regi&atilde;o, mais her&oacute;ica &eacute; a fun&ccedil;&atilde;o de fazer m&iacute;dia. M&iacute;dia de qualidade ent&atilde;o, com algum grau de independ&ecirc;ncia editorial e sem ser escravo dos anunciantes, &eacute; algo ainda mais dif&iacute;cil. Portanto, em qualquer regi&atilde;o do pa&iacute;s, por mais triste que seja esta constata&ccedil;&atilde;o, teremos profissionais de m&iacute;dia ociosos. &Eacute; certo, n&atilde;o abundam nem so-bram egressos das escolas de cinema, mas a abund&acirc;ncia resulta enorme em outras &aacute;reas de co-munica&ccedil;&atilde;o. Assim, seria uma forma de combater o ostracismo e projetar o potencial criador destes profissionais atribuindo-lhes uma tarefa de interesse p&uacute;blico. <\/p>\n<p>Imaginemos que em cada escola municipal, sendo uma m&eacute;dia de 60 col&eacute;gios por cada 200 mil habitantes, padr&atilde;o de Viam&atilde;o, haveria um profissional formado em uma &aacute;rea da comunica&ccedil;&atilde;o. Sendo amplo e n&atilde;o corporativo, esta pessoa poderia ser graduada em rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, jorna-lismo, publicidade, radialismo (de n&iacute;vel superior), estudos cr&iacute;ticos da m&iacute;dia ou cinema. Todo o processo seria coordenado por um grupo composto de cinco pessoas com diploma em cinema ou realiza&ccedil;&atilde;o audiovisual. Desta forma se ocupam as mentes formadas pelo esfor&ccedil;o brasileiro e que na maioria das vezes est&atilde;o sendo pouco aproveitadas, em pol&iacute;ticas p&uacute;blicas voltadas para o interesse p&uacute;blico. A coordena&ccedil;&atilde;o dos processos de roteiro e finaliza&ccedil;&atilde;o caberia a estes profissionais de m&iacute;dia, na &aacute;rea de cinema e realiza&ccedil;&atilde;o audiovisual, respeitando a divis&atilde;o de tarefas e &aacute;reas do mercado de trabalho e colaborando na qualifica&ccedil;&atilde;o da edi&ccedil;&atilde;o e finaliza&ccedil;&atilde;o dos curtas. <\/p>\n<p>Em termos de remunera&ccedil;&atilde;o, tampouco o esfor&ccedil;o &eacute; dif&iacute;cil. Projetos como &ldquo;escola aberta&rdquo;, por exemplo, costumam remunerar com &frac14; de sal&aacute;rio m&iacute;nimo por m&ecirc;s referente ao trabalho de 4 horas por um dia de fim de semana. Supondo que o trabalho do festival dure em torno de tr&ecirc;s meses, trata-se assim de 12 s&aacute;bados. Estes dias, multiplicados por 4 horas dariam um total de 48 horas de oficinas de produ&ccedil;&atilde;o audiovisual. Isto porque o processo de produ&ccedil;&atilde;o n&atilde;o impli-caria sair direto para roteirizar e filmar, mas passaria por uma forma&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima em cultura cinematogr&aacute;fica e de educa&ccedil;&atilde;o para a m&iacute;dia. <\/p>\n<p>O car&aacute;ter pedag&oacute;gico seria o papel da equipe de coordena&ccedil;&atilde;o dos projetos de roteiro do fes-tival, que se encarregaria de montar uma filmografia brasileira e latino-americana, al&eacute;m de guiar os debates. Na pr&aacute;tica, um festival dessa ordem seria um incentivo para ampliar o conhe-cimento dos mun&iacute;cipes em rela&ccedil;&atilde;o ao patrim&ocirc;nio audiovisual de sua regi&atilde;o, nacional e da Am&eacute;rica Latina. <\/p>\n<p>O custo do trabalho dos oficineiros, calculando a base de 60 escolas municipais a cada 200 mil habitantes, pelo valor total de R$ 7.200,00 por m&ecirc;s, ou R$ 21.600,00 ao longo do trimestre de atividades, trata-se de uma quantia &iacute;nfima frente ao valor que agrega &agrave; cidade. Imaginemos que um grupo de produ&ccedil;&atilde;o tenha, obrigatoriamente, de contar com ao menos 5 membros. E que, por cada escola &ndash; centro de produ&ccedil;&atilde;o, forma&ccedil;&atilde;o e edi&ccedil;&atilde;o &ndash; existam pelo menos 5 grupos. Assim, ter&iacute;amos a conta de 25 pessoas para cada oficineiro. Na base de c&aacute;lculo acima esta cidade teria iniciados na cultura cinematogr&aacute;fica a no m&iacute;nimo, 1500 cidad&atilde;os. Em termos financeiros &eacute; um valor irris&oacute;rio. Como patrim&ocirc;nio cultural de uma localidade, estas pessoas s&atilde;o um p&uacute;blico alvo, cr&iacute;ticos e poss&iacute;veis consumidores de m&iacute;dia local e regional. <\/p>\n<p>J&aacute; a equipe coordenadora, igualmente trabalhando com valores modestos, poderia receber na base de tr&ecirc;s sal&aacute;rios m&iacute;nimos, livres de custos como deslocamento e alimenta&ccedil;&atilde;o, referentes a tr&ecirc;s dias de trabalho por semana. Por esta conta, a coordena&ccedil;&atilde;o do projeto teria o &ldquo;custo&rdquo; de R$ 6.500,00 por m&ecirc;s ou R$ 19.500,00 ao final do trimestre. <\/p>\n<p>O total com m&atilde;o de obra j&aacute; teria inclu&iacute;dos aos finalizadores, os mesmos coordenadores de projeto. Assim, para iniciar a 1500 cidad&atilde;os, realizar 300 curtas e difundir o nome do muni-c&iacute;pio, os custos com m&atilde;o de obra envolvida na produ&ccedil;&atilde;o audiovisual sairiam por R$ 41.100,00. Isto d&aacute;, por cidad&atilde;o envolvido no festival, o valor de R$ 27,40. J&aacute; por curta gra-vado em formato digital, a m&atilde;o de obra sai por R$ 137,00! <\/p>\n<p>Suponhamos que seja feito um estojo com jogos de curtas, tr&ecirc;s DVDs, com 100 curtas em cada um deles. O exemplar, bem finalizado, teria um custo de produ&ccedil;&atilde;o de R$ 5,00 sendo vendidos pelo valor de R$ 10,00 cada. O pacote de todas as realiza&ccedil;&otilde;es em DVD seria vendido pelo valor total de R$ 30,00, e os realizadores abririam m&atilde;o dos direitos autorais j&aacute; em contrato, sendo que o ganho com a venda serviria para cobrir os gastos e se houvesse sobra, entraria para o investimento do mesmo festival no ano seguinte. Com a venda de 1370 exemplares do pacote com os tr&ecirc;s DVDs, estaria coberta toda a m&atilde;o de obra. Ousamos dizer, de forma otimista, que caso sejam vendidos 2000 estojos com o conjunto dos curtas, conseguindo o valor de R$ 60.000,00 e todo o investimento no festival, incluindo o material de divulga&ccedil;&atilde;o, as estruturas f&iacute;sicas, transporte e estadia do j&uacute;ri estariam cobertos. A exce&ccedil;&atilde;o do valor inclu&iacute;do &eacute; a compra dos projetores, fator esse que, como j&aacute; mencionado, deve ser visto como investimento e o custo maior reside apenas na fase inicial. Isto porque o festival &eacute; um mote, j&aacute; a exibi&ccedil;&atilde;o regular de filmografia regional, brasileira e latino-americana &eacute; a atividade permanente. <\/p>\n<p>&Eacute; importante ressaltar que o gargalo da viabilidade imediata &eacute; a distribui&ccedil;&atilde;o. Mas, ainda que uma atividade como esta n&atilde;o seja superavit&aacute;ria num primeiro momento, no largo prazo ela &eacute; vi&aacute;vel, tanto financeiramente como para o desenvolvimento da cidadania. O valor agregado com a cultura geral de um cidad&atilde;o &eacute; incalcul&aacute;vel. At&eacute; que se ponha &agrave; prova, &eacute; um preconceito afirmar que o brasileiro tem pregui&ccedil;a de ler ou contenta-se &ldquo;naturalmente&rdquo; com a mediocridade dos enlatados. O que falta &eacute; o h&aacute;bito incorporado ao consumo de bens culturais mais sofisticados, aqueles que falam de n&oacute;s mesmos e ampliam horizontes. Qualquer administra&ccedil;&atilde;o municipal que tenha um m&iacute;nimo de intelig&ecirc;ncia aplicada no bem comum ficar&aacute; atenta para id&eacute;ias de baixo custo e grande impacto. Mas infelizmente os dados da realidade contradizem esta premissa. Ou seja, poucas s&atilde;o as prefeituras que v&ecirc;em a cultura de sua popula&ccedil;&atilde;o como um valor. E mais, para o mau pol&iacute;tico, a ignor&acirc;ncia e a banalidade est&eacute;tica s&atilde;o benef&iacute;cios.<\/p>\n<p><strong>c)  O gargalo da distribui&ccedil;&atilde;o e o papel da educomunica&ccedil;&atilde;o <\/strong><\/p>\n<p>Retornando ao &uacute;ltimo aspecto do debate aqui proposto, o gargalo est&aacute; na viabilidade da dis-tribui&ccedil;&atilde;o dos v&iacute;deos e realiza&ccedil;&otilde;es audiovisuais. Distribuir e financiar s&atilde;o problemas estruturais de toda a produ&ccedil;&atilde;o brasileira e latino-americana. Recordamos que a proposta de um poss&iacute;vel festival ou mostra n&atilde;o competitiva serviria como motiva&ccedil;&atilde;o para construir uma linguagem audiovisual no &acirc;mbito de governo mais b&aacute;sico do pa&iacute;s. Pelos c&aacute;lculos feitos, para uma cidade com cerca de 200 mil habitantes, haveria 60 escolas municipais, podendo ter em cada uma destas institui&ccedil;&otilde;es uma m&eacute;dia de 1 oficineiro orientando a 25 pessoas iniciadas na realiza&ccedil;&atilde;o audiovisual. O produto deste esfor&ccedil;o seria um pacote de curtas de 5&rsquo;, 10&rsquo; ou 15&rsquo;, cujo montante poderia chegar a 300 obras &ndash; indo das mais b&aacute;sicas e experimentais at&eacute; as semi-profissionais. Este conjunto de obras sairia a um custo de R$30,00 nos tr&ecirc;s DVDs, visando &agrave; venda de 1370 pacotes, cobrindo, assim, os custos com m&atilde;o de obra. Se a venda atingisse os 2.000 exemplares a R$30,00 o pacote, o faturamento bruto de R$ 60.000,00 cobriria todos os custos do evento. <\/p>\n<p>Pode-se intuir que &eacute; arriscado imaginar a garantia de venda de 2.000 exemplares de pacote de 3 DVDs com curtas experimentais. Isto porque, como as obras t&ecirc;m origem experimental, e n&atilde;o contando com forte m&iacute;dia de difus&atilde;o publicit&aacute;ria, &eacute; certo que circular&atilde;o pouco se forem contar apenas com &ldquo;a m&atilde;o invis&iacute;vel do mercado&rdquo;. Mas &eacute; importante enfatizar que esta premissa &eacute; falsa, porque n&atilde;o existe &ldquo;m&atilde;o de mercado&rdquo;, a n&atilde;o ser em um n&iacute;vel de economia ainda concorrencial e de baixo custo, como venda de lanches, por exemplo (STIGLITZ, 2002). A m&atilde;o aqui envolvida, n&atilde;o &eacute; &ldquo;de mercado&rdquo; e &eacute; bem vis&iacute;vel. Parte-se deste ponto de vista para afirmar que este tipo de realiza&ccedil;&atilde;o s&oacute; &eacute; vi&aacute;vel se for enquadrado como pol&iacute;tica p&uacute;blica. Em uma rubrica or&ccedil;ament&aacute;ria e n&atilde;o somente como produto de leis de incentivo &agrave; evas&atilde;o fiscal ou manobras semelhantes para esvaziar o caixa do Estado. <\/p>\n<p>A Constitui&ccedil;&atilde;o prev&ecirc; que 18% do or&ccedil;amento federal t&ecirc;m de ser aplicado para a educa&ccedil;&atilde;o. E, para estados e munic&iacute;pios, o valor chega a 25% do bruto (LEMOS, 2006). Ou seja, ao inv&eacute;s da &ldquo;m&atilde;o invis&iacute;vel que n&atilde;o existe&rdquo;, entendemos que a rubrica devida deva ser a da educa&ccedil;&atilde;o. Produzir cultura n&atilde;o &eacute; algo secund&aacute;rio e cada vez mais a capacidade de fazer e criticar a m&iacute;dia s&atilde;o uma necessidade da civiliza&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea. Uma forma de entrar na disputa pela circula&ccedil;&atilde;o de produtos audiovisuais &eacute; considerar a produ&ccedil;&atilde;o como material did&aacute;tico, admitir a necessidade de promover a chamada educomunica&ccedil;&atilde;o e retomar o incentivo &agrave;s culturas populares no ensino da rede p&uacute;blica. Tudo isto sem gerar muitos gastos. <\/p>\n<p>Tomamos como base de c&aacute;lculo para esta viabilidade o mapa pol&iacute;tico do Rio Grande do Sul. Faremos uma conta aproximada, considerando uma das 25 associa&ccedil;&otilde;es regionais de munic&iacute;pios afiliadas na Federa&ccedil;&atilde;o de Associa&ccedil;&otilde;es de Munic&iacute;pios do Rio Grande do Sul (FAMURS) (8) . Supondo, sem contas de rigor, a realidade da Associa&ccedil;&atilde;o dos Munic&iacute;pios da Regi&atilde;o Sudoeste do Estado (ASSUDOESTE), onde constam os munic&iacute;pios de Bag&eacute;, Ca&ccedil;apava do Sul, Candiota, Hulha Negra, Lavras do Sul, Acegu&aacute; e Dom Pedrito, num total de sete. Supondo tamb&eacute;m que estas administra&ccedil;&otilde;es tenham um total de 120 escolas municipais, dentre urbanas e rurais, o que resulta em um volume razo&aacute;vel. Se e caso uma cidade n&atilde;o tenha condi&ccedil;&otilde;es log&iacute;sticas de realizar uma mostra, esta pode ser constru&iacute;da dentro de sua associa&ccedil;&atilde;o regional de munic&iacute;pios. E, para troca e compra de produtos, dentro da rubrica do or&ccedil;amento da educa&ccedil;&atilde;o, a distribui&ccedil;&atilde;o e a viabilidade tamb&eacute;m podem dar-se atrav&eacute;s de outras associa&ccedil;&otilde;es regionais. <\/p>\n<p>Um exemplo est&aacute; na associa&ccedil;&atilde;o mais pr&oacute;xima da ASSUDOESTE. Uma das entidades vizinhas desta, da microrregi&atilde;o do sudoeste rio-grandense &eacute; a Associa&ccedil;&atilde;o dos Munic&iacute;pios da Fronteira Oeste (AMFRO). Nesta constam os munic&iacute;pios de Alegrete, Itaqui, Manoel Viana, Ros&aacute;rio do Sul, Santana do Livramento, S&atilde;o Gabriel, Barra do Quara&iacute;, Ma&ccedil;ambar&aacute;, Quara&iacute;, Santa Margarida do Sul, S&atilde;o Borja e Uruguaiana, num total de 12. Uma base poss&iacute;vel de conta &eacute; dividir os custos de compra na rubrica de material did&aacute;tico dos DVDs entre os munic&iacute;pios da associa&ccedil;&atilde;o vizinha. Assim, entre estas 12 administra&ccedil;&otilde;es da AMFRO, estaria o rateio de R$60.000,00 dos custos de produtos de uma mostra, saindo por R$5.000,00 por cada administra&ccedil;&atilde;o. O valor total pode ser adquirido pela associa&ccedil;&atilde;o e o custo rateado de acordo com o n&uacute;mero de escolas municipais e aparelhos culturais de cada cidade. <\/p>\n<p>Ampliando a proposta, a distribui&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m poderia ser feita por dentro do municipalismo brasileiro, comprometendo-se com a compra por pelo menos uma associa&ccedil;&atilde;o regional de munic&iacute;pios por estado brasileiro. Supondo que uma entidade deste porte tenha 12 administra&ccedil;&otilde;es, como a AMFRO. Ent&atilde;o, bastaria que outras quatro associa&ccedil;&otilde;es de munic&iacute;pios, uma por cada regi&atilde;o (norte, sudeste, centro-oeste e nordeste), al&eacute;m da regi&atilde;o sul (j&aacute; contemplada) rateassem a compra e estariam cobertos os gastos. Os custos seriam divididos em R$ 12.000 por associa&ccedil;&atilde;o de munic&iacute;pios, onerando em aproximadamente R$ 1000 por administra&ccedil;&atilde;o, se tom&aacute;ssemos como base o exemplo aqui desenvolvido. Este valor, dentro da rubrica anual de educa&ccedil;&atilde;o, &eacute; simplesmente irris&oacute;rio.<\/p>\n<p><strong>Considera&ccedil;&otilde;es Finais<\/strong><\/p>\n<p>O mecanismo proposto pode se reeditar em outras &aacute;reas e ainda dentro da ICC (informa&ccedil;&atilde;o, comunica&ccedil;&atilde;o e cultura), viabilizando a produ&ccedil;&atilde;o cultural, midi&aacute;tica, a leitura cr&iacute;tica da m&iacute;dia comercial, os ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o social locais e a educa&ccedil;&atilde;o pela m&iacute;dia (educomunica&ccedil;&atilde;o). A constru&ccedil;&atilde;o horizontal dessa rede e teia de produ&ccedil;&atilde;o nacional pode ser uma das bases do desenvolvimento do munic&iacute;pio. A valoriza&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica da identidade coletiva e a produ&ccedil;&atilde;o de discursos projetam o local para outros patamares. A rela&ccedil;&atilde;o direta entre munic&iacute;pios proporciona uma cadeia que atende &agrave;s necessidades urgentes para fixar as fam&iacute;lias em locais distantes dos grandes centros metropolitanos. Como j&aacute; dito antes, o &ldquo;valor agregado&rdquo; de uma iniciativa como essa &eacute; incalcul&aacute;vel, tanto no &acirc;mbito da cultura e da educa&ccedil;&atilde;o, quanto no &acirc;mbito pol&iacute;tico, seja este midi&aacute;tico ou institucional.<\/p>\n<p>* Bruno Lima Rocha &eacute; jornalista graduado pela UFRJ; mestre e doutorando em ci&ecirc;ncia pol&iacute;ti-ca pela UFRGS. Editor do portal de an&aacute;lise pol&iacute;tica Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise (www.estrategiaeanalise.com.br) e membro do coletivo de forma&ccedil;&atilde;o da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Radiodifus&atilde;o Comunit&aacute;ria (ABRA&Ccedil;O). Editor do jornal Rep&oacute;rter Popular, colabora na constru&ccedil;&atilde;o de uma rede de comunica&ccedil;&atilde;o popular atrav&eacute;s do coletivo de mesmo nome e &eacute; membro do Grupo de Pesquisa em Comunica&ccedil;&atilde;o, Economia, Pol&iacute;tica e Sociedade (CE-POS\/UNISINOS).<\/p>\n<p>** Rodrigo Jacobus &eacute; jornalista graduado pela UFRGS; profissional da &aacute;rea de Tecnologia da Informa&ccedil;&atilde;o e mestrando pelo Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Comunica&ccedil;&atilde;o e Informa&ccedil;&atilde;o pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGCOM\/FABICO\/UFRGS). Editor do jornal Rep&oacute;rter Popular, colabora na constru&ccedil;&atilde;o de uma rede de comunica&ccedil;&atilde;o popular atrav&eacute;s do coletivo de mesmo nome e &eacute; membro do Grupo de Pesquisa em Comunica&ccedil;&atilde;o, Economia, Pol&iacute;tica e Sociedade (CEPOS\/UNISINOS).<\/p>\n<p>\n<strong>Notas<\/strong><\/p>\n<p>1 Popularmente conhecidos como MP3 ou MP4 Players.<\/p>\n<p>2 Dois bons exemplos s&atilde;o respectivamente o software ZS4 Video Editor (http:\/\/www.zs4.net) e o YouTube (http:\/\/br.youtube.com).<\/p>\n<p>3 capitais regionais, segundo o IBGE.<\/p>\n<p>4 O Brasil, segundo S&eacute;rgio de Azevedo, consultor do Minist&eacute;rio das Cidades, tem 30 Regi&otilde;es Metropolitanas que abrigam a cerca de 50% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira. (ASSEMBL&Eacute;IA LE-GISLATIVA DO ESTADO DE MINAS GERAIS, 2005)<\/p>\n<p>5 &Eacute; importante ressaltar que esta iniciativa dialoga diretamente com o mercado, tendo recebido o &ldquo;apoio&rdquo; da Vivo Celular, empresa subsidi&aacute;ria da Telef&oacute;nica do Brasil S\/A, filial brasileira da transnacional espanhola de capital misto, a Telef&oacute;nica S\/A, com presen&ccedil;a direta em 46 pa&iacute;ses, sendo que 19 na Am&eacute;rica Latina. Ver http:\/\/www.vivo.com.br\/institutovivo\/telinha_no_cinema.php e http:\/\/www.telefonica.com.br\/sobre\/grupo_telefonica.htm.<\/p>\n<p>6 A Federa&ccedil;&atilde;o da Associa&ccedil;&atilde;o de Munic&iacute;pios do Rio Grande do Sul representa a cada um dos 496 munic&iacute;pios ga&uacute;chos organizados em suas 25 associa&ccedil;&otilde;es regionais. Para saber mais sobre as Associa&ccedil;&otilde;es dos Munic&iacute;pios, ver mapa das associa&ccedil;&otilde;es de munic&iacute;pios na p&aacute;gina oficial da FAMURS em http:\/\/www.famurs.com.br\/.<\/p>\n<p>\n<strong>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas<\/strong><\/p>\n<p>ANDERSON, Cris. A cauda longa: do mercado de massa para o mercado de nicho. Trad. Afonso Celso da Cunha Serra. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006.<\/p>\n<p>BAQUERO, Marcello; CREMONESE, Dejalma (org.). Capital Social, teoria e pr&aacute;tica. Iju&iacute;: Uniju&iacute;, 2006.<\/p>\n<p>BRASIL. Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es &ndash; ANATEL. Dados de Acessos M&oacute;veis em Opera&ccedil;&atilde;o e Densidade, por Unidade da Federa&ccedil;&atilde;o, do Servi&ccedil;o M&oacute;vel Pessoal. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/www.anatel.gov.br\/Portal\/verificaDocumentos\/documento.asp?numeroPublicacao=218583&amp;assuntoPublicacao=Dados%20de%20Acessos%20M&oacute;veis%20do%20SMP%20&amp;caminhoRel=Cidadao-Telefonia%20M&oacute;vel-Dados%20do%20SMP&amp;filtro=1&amp;documentoPath=218583.pdf&gt;. Acesso em: 16 novembro 2008.<\/p>\n<p>____. Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica &ndash; IBGE. Diretoria de Geoci&ecirc;ncias. S&iacute;ntese das informa&ccedil;&otilde;es disponibilizadas pelo IBGE. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/www.ibge.gov.br\/brasil_em_sintese&gt;. Acesso em: 16 novembro 2008.<\/p>\n<p>CONSELHO NACIONAL DE CINECLUBES. Estatutos do Conselho Nacional dos Cineclubes Brasileiros. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/cnc.utopia.com.br\/tiki\/tiki-index.php?page=ESTATUTOS+DO+CONSELHO+NACIONAL+DE+CINECLUBES+BRASILEIROS&gt;. Acesso em: 16 novembro 2008.<\/p>\n<p>COUFFIGNAL, Georges. 2000. O poder civil na Am&eacute;rica Latina: um modelo de demo-cracia? In: Semin&aacute;rio Internacional dos 40 Anos da Universidade Federal de Santa Maria &ndash; A Am&eacute;rica Latina no Alvorecer do Novo Mil&ecirc;nio, 2000, Santa Maria. Palestra apresentada dias 13\/09\/2000 e 14\/09\/2000.<\/p>\n<p>DIAS, Leila. Telinha de Cinema. In: Instituto Arte na Escola &ndash; IAE. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/www.artenaescola.org.br\/sala_relatos_artigo.php?id=426&gt;. Acesso em: 16 novembro 2008.<\/p>\n<p>FEDERA&Ccedil;&Atilde;O DA ASSOCIA&Ccedil;&Atilde;O DE MUNIC&Iacute;PIOS DO RIO GRANDE DO SUL &ndash; FAMURS. Dispon&iacute;vel em &lt;http:\/\/www.famurs.com.br&gt;. Acesso em: 16 novembro 2008.<\/p>\n<p>F&Oacute;RUM SOCIAL MUNDIAL. A comunica&ccedil;&atilde;o aliada &agrave; educa&ccedil;&atilde;o. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/www.forumsocialmundial.org.br\/dinamic.php?pagina=rel_educom_2005_po&gt;. Acesso em: 16 novembro 2008.<\/p>\n<p>IDG NOW!. Reda&ccedil;&atilde;o do IDG Now!. Brasil ter&aacute; 141 milh&otilde;es de celulares em 2008, prev&ecirc; Teleco. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/idgnow.uol.com.br\/telecom\/2008\/01\/23\/brasil-tera-141-milhoes-de-celulares-em-2008-preve-teleco&gt;. Acesso em: 16 novembro 2008.<\/p>\n<p>LEMOS, Jos&eacute;. Projeto amplia investimentos na educa&ccedil;&atilde;o. In: C&acirc;mara Municipal de Curiti-ba. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/www.cmc.pr.gov.br\/ass_det.php?not=6964&gt;. Acesso em: 16 no-vembro 2008.<\/p>\n<p>MINAS GERAIS. Assembl&eacute;ia Legislativa do Estado de Minas Gerais &ndash; ALMG. Assessoria de Comunica&ccedil;&atilde;o. Brasil tem 30 regi&otilde;es metropolitanas, Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/www.almg.gov.br\/not\/bancodenoticias\/not520428.asp&gt;. Acesso em: 16 novembro 2008.<\/p>\n<p>PIPER, James. Realiza&ccedil;&atilde;o em Super 8. Adapta&ccedil;&atilde;o: Abr&atilde;o Berman. Trad. Aydano Arruda. Summus: S&atilde;o Paulo,1977.<\/p>\n<p>STIGLITZ, Joseph E. There is no invisible hand. Londres: The Guardian Comment, 20 de-zembro 2002. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/www.guardian.co.uk\/education\/2002\/dec\/20\/highereducation.uk1&gt;. Acesso em: 16 novembro 2008.<\/p>\n<p>THOMPSON, John B. A m&iacute;dia e a modernidade: uma teoria social da m&iacute;dia. Trad. Wagner de Oliveira. Petr&oacute;polis: Vozes, 1998.<\/p>\n<p>VIAM&Atilde;O. Dados Geogr&aacute;ficos. Aspectos F&iacute;sicos e Geogr&aacute;ficos de Viam&atilde;o. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/www.viamao.rs.gov.br\/geografia.htm&gt;. Acesso em: 16 novembro 2008.<\/p>\n<p>____. Secretaria da Educa&ccedil;&atilde;o. Escolas Municipais Urbanas, Infantis e Rurais. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/www.viamao.rs.gov.br\/educacao01.htm&gt;. Acesso em: 16 novembro 2008.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Produtos midi\u00e1ticos de baixo custo podem aumentar significativamente a carga cultural, a refer\u00eancia identit\u00e1ria coletiva e a capacidade cognitiva dos cidad\u00e3os de munic\u00edpios mais pobres, sejam interioranos ou perif\u00e9ricos. Foto:fazendomedia 21 de setembro, de Porto Alegre, Bruno Lima Rocha e Rodrigo Jacobus Pode-se pensar a pol&iacute;tica como sendo a s&iacute;ntese de id&eacute;ias, vontades, necessidades, rela&ccedil;&otilde;es [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1519","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1519","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1519"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1519\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1519"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1519"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1519"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}