{"id":1521,"date":"2011-09-21T11:30:47","date_gmt":"2011-09-21T11:30:47","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1521"},"modified":"2011-09-21T11:30:47","modified_gmt":"2011-09-21T11:30:47","slug":"capital-informacao-e-economia-digital-as-multiplas-faces-constitutivas-da-globalizacao-corporativa-do-capitalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1521","title":{"rendered":"Capital, informa\u00e7\u00e3o e economia digital: as m\u00faltiplas faces constitutivas da globaliza\u00e7\u00e3o corporativa do capitalismo"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/roda_tv600.jpg\" title=\"A roda da ind\u00fastria cultural continuar\u00e1 a girar, e ao mesmo tempo, amplia-se o circuito por fora dos agentes l\u00edderes dos respectivos oligop\u00f3lios. - Foto:blogdatvdatvrecord.blogspot\" alt=\"A roda da ind\u00fastria cultural continuar\u00e1 a girar, e ao mesmo tempo, amplia-se o circuito por fora dos agentes l\u00edderes dos respectivos oligop\u00f3lios. - Foto:blogdatvdatvrecord.blogspot\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A roda da ind\u00fastria cultural continuar\u00e1 a girar, e ao mesmo tempo, amplia-se o circuito por fora dos agentes l\u00edderes dos respectivos oligop\u00f3lios.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:blogdatvdatvrecord.blogspot<\/small><\/figure>\n<p><em>21 de setembro, de S&atilde;o Leopoldo, Bruno Lima Rocha, M&aacute;rcia Turchiello Andres e Ana Maria Oliveira Rosa<\/em><\/p>\n<p>O artigo descreve diversas etapas do capitalismo, buscando compreender que as atuais mudan&ccedil;as tecnol&oacute;gicas e suas conseq&uuml;&ecirc;ncias s&oacute;cio-pol&iacute;ticas n&atilde;o se tratam de uma ruptura do sistema em si, mas sim estariam apenas fazendo parte de mais uma re-acomoda&ccedil;&atilde;o deste, como modelo de civiliza&ccedil;&atilde;o sistema. Al&eacute;m disso, o artigo tamb&eacute;m demonstra que a for&ccedil;a de trabalho, ressaltadamente a especializada, em seus diversos engendramentos, continua submissa e, al&eacute;m disso, apresenta-se individualizada e, dentro destes par&acirc;metros, sem perspectivas de tornar-se efetiva resist&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>O trabalho foi publicado na <strong>Revista de Economia Pol&iacute;tica das Tecnologias da Informa&ccedil;&atilde;o e da Comunica&ccedil;&atilde;o<\/strong> (<a href=\"http:\/\/www.eptic.com.br\">Eptic<\/a>), Vol XII, n.2, Ene. &ndash; Maio a Agosto de 2010.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold;\">Introdu&ccedil;&atilde;o<\/span><\/p>\n<p>O sistema capitalista vem sendo marcado por grandes transforma&ccedil;&otilde;es no decorrer dos &uacute;ltimos dois s&eacute;culos; no entanto, estas altera&ccedil;&otilde;es n&atilde;o o fazem perder sua coer&ecirc;ncia interna de busca permanente por expans&atilde;o, acumula&ccedil;&atilde;o, concentra&ccedil;&atilde;o e modeliza&ccedil;&atilde;o societ&aacute;ria. No intuito de evitar uma periodiza&ccedil;&atilde;o for&ccedil;ada, &eacute; preciso refor&ccedil;ar que o esgotamento do ciclo de desenvolvimento anterior, dando in&iacute;cio &agrave; outra fase do pr&oacute;prio sistema, n&atilde;o significa &ndash; ou melhor, nunca significa &#8211; a supera&ccedil;&atilde;o total do per&iacute;odo precedente. As mudan&ccedil;as ocorridas nos modos de produ&ccedil;&atilde;o n&atilde;o apagam as caracter&iacute;sticas essenciais do modelo, havendo sim, a incorpora&ccedil;&atilde;o de novas pr&aacute;ticas ou at&eacute; mesmo a &ldquo;ruptura&rdquo; de determinados princ&iacute;pios a favor de outros. <\/p>\n<p>Entende-se que a &ldquo;ruptura&rdquo; com o sistema capitalista &eacute; completamente diferente e infinitamente mais complexa do que as caracter&iacute;sticas dessas transforma&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o comentadas e propagadas nos &uacute;ltimos anos. Tratando-se de um marco civilizat&oacute;rio, compondo um sistema de domina&ccedil;&atilde;o, o capitalismo se re-funcionaliza a todo o momento, tornando-se cognitivo e informacional (1) . <\/p>\n<p>Dentro desse contexto &eacute; poss&iacute;vel entender de forma espec&iacute;fica o funcionamento do sistema diante das recentes mudan&ccedil;as tecnol&oacute;gicas. Adaptando-se aos distintos momentos da propaga&ccedil;&atilde;o da tecnologia dentro do sistema produtivo, o capitalismo permite n&atilde;o apenas que as mudan&ccedil;as possam fazer parte das habituais muta&ccedil;&otilde;es &agrave;s quais est&aacute; exposto, mas tamb&eacute;m que o impacto dessas mudan&ccedil;as em &aacute;reas como a comunica&ccedil;&atilde;o social reforcem c&oacute;digos de conduta e comportamento inclu&iacute;dos na propaga&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica que mant&eacute;m o pr&oacute;prio capitalismo como hegem&ocirc;nico. <\/p>\n<p>Um exemplo atual desta conjun&ccedil;&atilde;o da cultura como norma representada na individua&ccedil;&atilde;o se materializa no tipo de conduta que faz refer&ecirc;ncia &agrave; est&eacute;tica universalizada dos trabalhadores de n&iacute;vel superior: esse grupo vende (ou pretende vender) sua for&ccedil;a de trabalho para empresas transnacionais, de capitais mistos ou estatais, e sequer se v&ecirc; enquanto classe. <\/p>\n<p>Essa normatiza&ccedil;&atilde;o social atrav&eacute;s do comportamento individual atomizado, tamb&eacute;m se verifica na cultura da carreira profissional, onde se sup&otilde;e que a mesma se baseia em risco e oportunidade, popularizando assim uma vers&atilde;o vulgar do individualismo metodol&oacute;gico, baseado em c&aacute;lculos tipificados como de escolha &ldquo;racional&rdquo;. Como contraponto, gerar outra base normativa de comportamento &eacute; complementar e essencial para dar apoio societ&aacute;rio a outros formatos midi&aacute;ticos que operam nas margens das ind&uacute;strias culturais, embora muitas vezes de forma complementar aos agentes econ&ocirc;micos l&iacute;deres de oligop&oacute;lio nos mercados de comunica&ccedil;&atilde;o e de telecomunica&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p>Diante desse contexto, e de acordo com os preceitos da Economia Pol&iacute;tica da Comunica&ccedil;&atilde;o, &eacute; importante observar os processos atuais no intuito tanto de desmistificar uma poss&iacute;vel ruptura do sistema com base na evolu&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica como de promover pr&aacute;ticas sociais alavancadoras de mudan&ccedil;as que possam construir, ao longo do tempo e na velocidade que lhes &eacute; determinada pelas idas e vindas da conjuntura s&oacute;cio-pol&iacute;tica e dos agentes a&iacute; imbricados, caminhos poss&iacute;veis como alternativas &agrave;s propostas j&aacute; naturalizadas. <\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold;\">Apontando uma periodiza&ccedil;&atilde;o complexa e n&atilde;o determinista  <\/span><\/p>\n<p>A decad&ecirc;ncia do sistema feudal no s&eacute;culo XVI, concomitante a forma&ccedil;&atilde;o das pra&ccedil;as banc&aacute;rias (coexistindo com os primeiros parques gr&aacute;ficos atrav&eacute;s de impressoras de tipos m&oacute;veis), deu in&iacute;cio &agrave; forma&ccedil;&atilde;o do que viria a ser o embri&atilde;o da globaliza&ccedil;&atilde;o capitalista, aprofundada nos dois s&eacute;culos posteriores pela constitui&ccedil;&atilde;o de empresas de capital misto (as Companhias das &Iacute;ndias) e o aumento de circula&ccedil;&atilde;o de moeda proveniente da cunhagem oriunda dos saques de metais preciosos ent&atilde;o ainda abundantes no Novo Mundo. Sendo uma economia de mercado, o capitalismo &eacute; fruto da forma&ccedil;&atilde;o e expans&atilde;o de um mercado em escala mundial, resultante das opera&ccedil;&otilde;es de intelig&ecirc;ncia de Estado e empreendedorismo misto, conhecidas como as Grandes Navega&ccedil;&otilde;es (2).  <\/p>\n<p>O capitalismo manufatureiro, resultado da penetra&ccedil;&atilde;o do capital na produ&ccedil;&atilde;o e da circula&ccedil;&atilde;o de t&iacute;tulos como representa&ccedil;&atilde;o de valor e compromissos p&uacute;blicos (cujo fiador era o sistema banc&aacute;rios estatal em gesta&ccedil;&atilde;o), vai se desenvolver at&eacute; o s&eacute;culo XVIII. O aumento da produtividade devido &agrave; produ&ccedil;&atilde;o em grande escala, atrav&eacute;s de uma divis&atilde;o t&eacute;cnica do trabalho, vai ser uma das novas caracter&iacute;sticas do sistema:<\/p>\n<p><span style=\"font-style: italic;\">O capitalismo manufatureiro foi capaz de explorar, em certa medida, a possibilidade de aumentar a produtividade mediante a produ&ccedil;&atilde;o em grande escala. Reunindo numerosos trabalhadores sob o mesmo teto, o capitalista manufatureiro p&ocirc;de criar uma divis&atilde;o t&eacute;cnica de trabalho dentro da manufatura, o que lhe permitiu alcan&ccedil;ar maior produtividade do trabalho. Em lugar de cada trabalhador realizar todas as opera&ccedil;&otilde;es, cada opera&ccedil;&atilde;o passava a ser tarefa de um grupo espec&iacute;fico de trabalhadores (3)<\/span>. <\/p>\n<p>O desenvolvimento do capitalismo industrial em sua primeira fase concorrencial tem por base a Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial, cujo in&iacute;cio remete ao final do s&eacute;culo XVIII. O trabalho bra&ccedil;al foi acelerado e parcialmente substitu&iacute;do pela m&aacute;quina, reduzindo os custos da produ&ccedil;&atilde;o e, conseq&uuml;entemente, aumentando as vantagens do dono do capital. De acordo com Singer, o capitalismo industrial vai diferir do manufatureiro, na medida em que este &uacute;ltimo ancorava suas estrat&eacute;gias de expans&atilde;o na unifica&ccedil;&atilde;o de um mercado nacional, necessitando da interven&ccedil;&atilde;o do Estado ainda sob o regime absolutista. J&aacute; o capitalismo industrial, com o surgimento de uma nova e vitoriosa fra&ccedil;&atilde;o de classe dominante sem direitos de nobiliarquia, vai inspirar-se no liberalismo, requerendo a unifica&ccedil;&atilde;o de todos os mercados, tanto locais, quanto nacionais, rejeitando a interven&ccedil;&atilde;o do Estado nos mercados internos (regulando as tens&otilde;es pol&iacute;ticas mediante o voto censit&aacute;rio e uma democracia entre os igualmente dominantes) e dando direito &agrave; livre competi&ccedil;&atilde;o (4) . Eis que surge o mito da concorr&ecirc;ncia perfeita e do equil&iacute;brio de mercado como balan&ccedil;o de desenvolvimento de uma sociedade. <\/p>\n<p>No &uacute;ltimo quarto do s&eacute;culo XIX inicia-se a transi&ccedil;&atilde;o da &uacute;ltima parcela de fase concorrencial, entrando o centro do sistema atrav&eacute;s de seus agentes econ&ocirc;micos e seus poderes consolidados nas institui&ccedil;&otilde;es estatais, para a etapa monopolista (posteriormente fordista) do capitalismo nos pa&iacute;ses desenvolvidos. Esse processo foi conseq&uuml;&ecirc;ncia da crise de 1873 a 1896 (a primeira Grande Depress&atilde;o), e atinge seu apogeu em meados do s&eacute;culo XX, principalmente no per&iacute;odo posterior &agrave; Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Conforme Beaud, esse momento vai ser marcado pelo desenvolvimento de uma nova gera&ccedil;&atilde;o de ind&uacute;strias e t&eacute;cnicas industriais, pela afirma&ccedil;&atilde;o do movimento oper&aacute;rio (com suas conseq&uuml;entes expectativas de emancipa&ccedil;&atilde;o mediante a viol&ecirc;ncia de classe) e concentra&ccedil;&atilde;o do capital, assim como o surgimento de uma nova etapa de expans&atilde;o do capital financeiro e, por &uacute;ltimo, pela nova onda de coloniza&ccedil;&atilde;o e de expans&atilde;o em escala mundial (5).  <\/p>\n<p>Entre as caracter&iacute;sticas da etapa monopolista est&aacute; o surgimento de grandes corpora&ccedil;&otilde;es, bem como a presen&ccedil;a do Estado na vida social (at&eacute; como contrabalan&ccedil;o da press&atilde;o por direitos sociais atrav&eacute;s da a&ccedil;&atilde;o coletiva), interferindo nos contratos empresariais e passando a controlar um maior n&uacute;mero de empresas. No que diz respeito das produ&ccedil;&otilde;es est&eacute;ticas em larga escala, a cultura de massas, em escala industrial, passou a ser transformada em mercadoria e as ind&uacute;strias culturais desempenham um papel mais relevante na sociedade, na medida em que serviram de alicerce para solidificar o sistema. Durante o P&oacute;s-2&ordf; Guerra at&eacute; o advento do computador pessoal e da telefonia m&oacute;vel, pode-se afirmar que a radiodifus&atilde;o audiovisual baliza parte das formas de sociabilidade e de agendamento destas gera&ccedil;&otilde;es, materializando o conceito de cultura de massa e, ao final da d&eacute;cada de 80, apontando, via multiculturalismo, a cultura segmentada que estaria por vir.<\/p>\n<p>A partir da d&eacute;cada de 70 do s&eacute;culo XX, desencadeia-se o processo de transforma&ccedil;&atilde;o que levou a reconfigura&ccedil;&atilde;o capitalista (p&oacute;s-fordismo). Essa fase marca o in&iacute;cio de uma nova expans&atilde;o transnacional de companhias, abre o caminho para o rearranjo da atua&ccedil;&atilde;o do Estado, assim como as privatiza&ccedil;&otilde;es e desregulamenta&ccedil;&otilde;es, levando &agrave; acelera&ccedil;&atilde;o das tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o e da comunica&ccedil;&atilde;o, que tamb&eacute;m impulsionaram esse processo de reestrutura&ccedil;&atilde;o. Podemos destacar como marcos desta nova fase na d&eacute;cada, a implanta&ccedil;&atilde;o do Sistema Swift de compensa&ccedil;&atilde;o interbanc&aacute;ria transnacional, as vit&oacute;rias pol&iacute;ticas do neoliberalismo no Chile (1973) e depois da Inglaterra (1974), e a fundamental quebra do padr&atilde;o d&oacute;lar-ouro de forma unilateral por parte dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Pode-se dizer que entre os fatores causadores da transi&ccedil;&atilde;o de uma etapa a outra do capitalismo est&aacute; o esgotamento do ciclo de desenvolvimento anterior, oriundo tamb&eacute;m de rombo fiscal, sendo este derivado da queda da correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as no pacto de P&oacute;s-guerra &ndash; com a subseq&uuml;ente derrota das for&ccedil;as representantes do mundo do trabalho no centro do capitalismo. A mudan&ccedil;a da etapa, contudo, n&atilde;o significa que caracter&iacute;sticas vigentes na fase precedente sejam completamente substitu&iacute;das por outras. H&aacute; que se destacar que a ruptura de um sistema de domina&ccedil;&atilde;o &eacute; diferente da id&eacute;ia de &ldquo;supera&ccedil;&atilde;o&rdquo;. N&atilde;o h&aacute; l&oacute;gica intr&iacute;nseca de autodestrui&ccedil;&atilde;o de uma domina&ccedil;&atilde;o sistematizada. N&atilde;o &eacute; porque o modelo anal&iacute;tico e o pacto social que garantiram a expans&atilde;o da etapa do capitalismo fordista no P&oacute;s-Guerra mudaram que o capitalismo em sua ess&ecirc;ncia mudara. <\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; pela mudan&ccedil;a no modo de produ&ccedil;&atilde;o (de fordista para p&oacute;s-fordista) que o sistema capitalista &ldquo;se supera&rdquo;. O modo de produ&ccedil;&atilde;o &eacute; um dos pilares de um marco civilizat&oacute;rio chamado capitalismo e tem suas vari&aacute;veis, como no regime pol&iacute;tico, mas seus teoremas fundamentais permanecem. Existe uma rela&ccedil;&atilde;o entre inclus&atilde;o e exclus&atilde;o; m&atilde;o-de-obra ocupada e ex&eacute;rcito de reserva; rela&ccedil;&otilde;es assim&eacute;tricas entre os agentes coletivos e o Estado capitalista; Estados-l&iacute;deres e Estados subalternos; rela&ccedil;&otilde;es internacionais igualmente assim&eacute;tricas e pautadas pelo interesse mercadol&oacute;gico e transnacionaliza&ccedil;&atilde;o dos agentes econ&ocirc;micos mais fortes. <\/p>\n<p>Al&eacute;m do mais, nenhum modelo de &ldquo;desenvolvimento&rdquo; capitalista se globaliza de maneira uniforme. No per&iacute;odo do P&oacute;s-Guerra, o pacto do Estado de Bem Estar Social da Europa beneficiada pelo Plano Marshall &eacute; reinventado na Am&eacute;rica Latina com os Estados Nacional-Desenvolvimentistas. A mesma reinven&ccedil;&atilde;o e re-acomoda&ccedil;&atilde;o ocorrem na etapa atual. Desse modo, apesar da pr&aacute;tica neoliberal ser corriqueira no mundo contempor&acirc;neo, se diferencia entre os diversos pa&iacute;ses, como na Am&eacute;rica Latina em que atualmente (a partir dos dois primeiros anos do s&eacute;culo XXI) se disseminam novas for&ccedil;as pol&iacute;ticas de orienta&ccedil;&atilde;o de esquerda.  Conforme Tremblay (6) , assim como o fordismo assumiu formas diversificadas entre os pa&iacute;ses, o gatecismo (termo cunhado para referenciar o capitalismo do desenvolvimento da inform&aacute;tica) tamb&eacute;m n&atilde;o se trata de um modelo homog&ecirc;neo, uma vez que condi&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas e estruturais levam a caracter&iacute;sticas nacionais, regionais ou locais implicando em mais de um tipo de gatecismo (7).  <\/p>\n<p>Mesmo havendo a mudan&ccedil;a na forma de acumula&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o foi alterada a l&oacute;gica da acumula&ccedil;&atilde;o do sistema capitalista, tampouco o Estado capitalista deixa de ser Estado &ndash; e n&atilde;o uma associa&ccedil;&atilde;o de livres produtores de bens simb&oacute;licos &ndash; e trasnacionalizado. A vincula&ccedil;&atilde;o em postos-chave entre Estados e companhias, est&aacute; no embri&atilde;o deste sistema ainda em sua etapa mercantil, como foi o caso da Inglaterra com a Companhia Brit&acirc;nica das &Iacute;ndias Ocidentais e a Holanda com a Companhia Holandesa das &Iacute;ndias Ocidentais; isto na fase do nascimento do sistema especulativo, dos Bancos Centrais e dos t&iacute;tulos e na forma de acumula&ccedil;&atilde;o de tipo selvagem nos dom&iacute;nios ultramarinos. <\/p>\n<p>O problema atual do capitalismo e a raz&atilde;o da bolha do mercado imobili&aacute;rio dos EUA &ndash; antes atingido pela fraude generalizada dos balan&ccedil;os p&uacute;blicos das maiores empresas do pa&iacute;s, como a Enron (8) , e antes ainda atacado pela bolha das empresas Pontocom (9)  &ndash; &eacute; a falta de lastro. A apropria&ccedil;&atilde;o do valor social atrav&eacute;s da l&oacute;gica rentista (como um grande locat&aacute;rio jogando com as expectativas coletivas, a tal &ldquo;confian&ccedil;a&rdquo;) implica em ter, ainda que de propor&ccedil;&atilde;o &iacute;nfima, uma remunera&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica em dinheiro circulante, e a partir da&iacute;, criar pap&eacute;is derivados (derivativos) onde s&atilde;o criadas carteiras e especula&ccedil;&atilde;o. Na aus&ecirc;ncia de lastro, n&atilde;o h&aacute; sobre o que especular. O capital financeiro &eacute; fict&iacute;cio, mas &eacute; capital, portanto, precisa da apropria&ccedil;&atilde;o privada do saber e do trabalho coletivos. Se h&aacute; alguma essencialidade do capitalismo, esta &eacute; a apropria&ccedil;&atilde;o do saber coletivo pelo capital e a fus&atilde;o de interesses e proje&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas nas formas institucionais de controle.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold;\">Capital, inova&ccedil;&atilde;o e informa&ccedil;&atilde;o<\/span><\/p>\n<p>O desenvolvimento das tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o foi essencial para as sociedades capitalistas, uma vez que foram respons&aacute;veis pelo aumento dos fluxos de informa&ccedil;&atilde;o, tornando-se fundamentais para a dissemina&ccedil;&atilde;o de produtos e servi&ccedil;os, atrav&eacute;s da publicidade. Da mesma forma, os meios de comunica&ccedil;&atilde;o se beneficiaram dos investimentos trazidos pelo mercado, se desenvolvendo em termos t&eacute;cnicos e de servi&ccedil;os. De acordo com Tremblay, os profetas da Sociedade da Informa&ccedil;&atilde;o (SI) afirmam que &ldquo;se debe concebir a la sociedad o a econom&iacute;a esencialmente en t&eacute;rminos de producci&oacute;n y de circulaci&oacute;n de la informaci&oacute;n. La informaci&oacute;n se habr&iacute;a convertido en el factor de producci&oacute;n y el producto m&aacute;s importante de la vida econ&oacute;mica&rdquo; (10).  A informa&ccedil;&atilde;o seria a ferramenta principal para o desenvolvimento das sociedades, levando a crer, inicialmente, que a Sociedade da Informa&ccedil;&atilde;o foi um mecanismo de supera&ccedil;&atilde;o da Sociedade Industrial:<\/p>\n<p><span style=\"font-style: italic;\">A pesar que los logros de productividad no pueden medirse con precisi&oacute;n matem&aacute;tica, es un hecho innegable que las TIC introducen cambios en el proceso de producci&oacute;n. Pero, &iquest;estos cambios conducen a un nuevo modo de desarrollo? &iquest;Se trata de una ruptura o de una continuidad con el modelo de desarrollo industrial fundado en la innovaci&oacute;n cient&iacute;fica y tecnol&oacute;gica que caracteriza al capitalismo de los pa&iacute;ses desarrollados desde finales del siglo XIX? La respuesta positiva no es evidente y remite por el momento m&aacute;s a los a priori te&oacute;ricos, que al an&aacute;lisis de datos concretos (11).  <\/span><\/p>\n<p>Na etapa atual, do capital fict&iacute;cio (imaterial e financeiro), a informa&ccedil;&atilde;o &eacute; uma das mat&eacute;rias-primas para acumula&ccedil;&atilde;o, tanto de lucro como de poder nas rela&ccedil;&otilde;es assim&eacute;tricas. O controle social &eacute; um ativo t&atilde;o relevante na Sociedade da Informa&ccedil;&atilde;o como o controle das rotinas produtivas: <\/p>\n<p><span style=\"font-style: italic;\">Mi punto de vista personal es que la SI es sobre todo una ideolog&iacute;a que, como cualquier otra, proporciona una lectura selectiva, deformada, de la realidad, del cambio y del desarrollo social. Y esta ideolog&iacute;a est&aacute; fundada en el determinismo tecnol&oacute;gico. Mi an&aacute;lisis llega a la conclusi&oacute;n que la SI no constituye una ruptura radical con el sistema capitalista, sino que debe entenderse como otra etapa en la evoluci&oacute;n del mismo. La nueva econom&iacute;a, o mejor dicho la econom&iacute;a digital o la digitalizaci&oacute;n de la econom&iacute;a, a pesar de sus dificultades recientes, parece una realidad m&aacute;s concreta que las promesas salvadoras de la SI (12).  <\/span><\/p>\n<p>Herscovici (13)  se refere &agrave; l&oacute;gica rentista, a qual tem rela&ccedil;&atilde;o com o modo de funcionamento do mercado de capitais como na explora&ccedil;&atilde;o dos direitos de propriedade intelectual. Herscovici contesta o arcabou&ccedil;o e a base moral do sistema de autor-obra, ao que ele define como rentista &#8211; explora&ccedil;&atilde;o privada de algo que &eacute; ou pode ser coletivizado:<\/p>\n<p><span style=\"font-style: italic;\">[&#8230;] cultura, conhecimento e t&eacute;cnicas s&atilde;o processos intrinsecamente cumulativos, cuja din&acirc;mica est&aacute; ligada ao fato de diversas civiliza&ccedil;&otilde;es colocarem em comum suas contribui&ccedil;&otilde;es respectivas. Qualquer restri&ccedil;&atilde;o no que concerne &agrave;s modalidades de apropria&ccedil;&atilde;o deste patrim&ocirc;nio comum tende a prejudicar a din&acirc;mica do sistema. Por outro lado, este tipo de din&acirc;mica cultural, cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica, permite questionar a legitimidade do conceito de autoria: &agrave; medida que a cria&ccedil;&atilde;o prov&eacute;m da heran&ccedil;a do passado e das contribui&ccedil;&otilde;es dos outros criadores, em fun&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria cultural e da antropologia, &eacute; praticamente imposs&iacute;vel determinar qual &eacute; a contribui&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica de cada cultura e de cada criador (14).<\/span> <\/p>\n<p>O mesmo se d&aacute; com as patentes cient&iacute;ficas, cuja base de explora&ccedil;&atilde;o &eacute; o licenciamento sobre o sistema de inova&ccedil;&atilde;o. A a&ccedil;&atilde;o do capital se d&aacute; na apropria&ccedil;&atilde;o privada (as patentes, os licenciamentos, a cobran&ccedil;a de royalties) do saber coletivo (a inova&ccedil;&atilde;o constru&iacute;da de forma colaborativa). No capitalismo re-configurado um exemplo &eacute; a participa&ccedil;&atilde;o de empresas transnacionais nas rotinas produtivas da cadeia alimentar, onde s&atilde;o cobrados royalties sobre a semente transg&ecirc;nica no ato da compra da mat&eacute;ria-prima para a produ&ccedil;&atilde;o e no ato da venda, via exporta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>H&aacute; elementos fundantes que n&atilde;o foram alterados pelo advento da Sociedade da Informa&ccedil;&atilde;o; um deles &eacute; a l&oacute;gica rentista, aplicada pela taxa&ccedil;&atilde;o impositiva do Estado na moeda circulante, taxando consumo e sal&aacute;rio, onerando o trabalho e desonerando o capital. Al&eacute;m disso, transferindo riqueza material para o formato digital e transnacionalizando esta riqueza atrav&eacute;s do Sistema Swift (15)  e pela compra e venda de pap&eacute;is de d&iacute;vidas p&uacute;blicas, ancorando a produ&ccedil;&atilde;o do mundo em carteiras de a&ccedil;&otilde;es, muitas delas sem valor. N&atilde;o se trata de uma ferramenta nova, pois o mecanismo de compensa&ccedil;&atilde;o satelital, Sistema Swift (16) , data de 1973, institu&iacute;do pelas 10 maiores corpora&ccedil;&otilde;es banc&aacute;rias. O termo capitalismo telem&aacute;tico &eacute; literal, pois se trata dos servi&ccedil;os de inform&aacute;tica do sistema. <\/p>\n<p>A l&oacute;gica rentista e de natureza especulativa est&aacute; na raiz do sistema antes mesmo da sua fase mercantil, quando a expans&atilde;o europ&eacute;ia &eacute; financiada por corpora&ccedil;&otilde;es de banqueiros. O que pode ser visto como novo e em conflito com a l&oacute;gica do capitalismo &eacute; saber que h&aacute; uma multiplicidade de produtores de bens simb&oacute;licos e que o volume &eacute; tamanho que pode ultrapassar a moenda da ind&uacute;stria cultural, que segue vigente. <\/p>\n<p>A constru&ccedil;&atilde;o do conhecimento de forma colaborativa &eacute; uma das caracter&iacute;sticas da chamada nova economia, onde a busca pela inova&ccedil;&atilde;o pode ser &ndash; atrav&eacute;s de digress&atilde;o &ndash; comparada com a guerra de patentes do final do s&eacute;culo XIX e in&iacute;cio do XX. O sistema apresenta, aparentemente, uma falsa contradi&ccedil;&atilde;o. Em tese a inova&ccedil;&atilde;o &eacute; sin&ocirc;nimo de livre fluxo, de informa&ccedil;&atilde;o circulante, interc&acirc;mbio entre cientistas e redes de colabora&ccedil;&atilde;o globalizadas. Isso se a atividade-fim (a inova&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica) fosse acompanhada de uma atividade-meio (a pesquisa colaborativa) dotada de coer&ecirc;ncia discursiva. <\/p>\n<p>O conjunto das potencialidades tecnol&oacute;gicas, dentro do capitalismo, sempre est&aacute; sujeito ao peso relativo dos agentes econ&ocirc;micos com as melhores posi&ccedil;&otilde;es em seus respectivos oligop&oacute;lios e das rela&ccedil;&otilde;es assim&eacute;tricas dentro das inst&acirc;ncias decis&oacute;rias de um Estado. Pela l&oacute;gica da &ldquo;supera&ccedil;&atilde;o&rdquo;, o avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico seria absoluto; mas pelo modus operandi do controle dos processos criativos (com a apropria&ccedil;&atilde;o privada do saber coletivo), o avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico tem de se ajustar &agrave;s margens de constrangimento estrutural das rela&ccedil;&otilde;es de for&ccedil;a vigentes no processo de inova&ccedil;&atilde;o. Processo tecnol&oacute;gico por si s&oacute; n&atilde;o afeta nenhuma sociedade. &Eacute; a diferen&ccedil;a de t&eacute;cnica para tecnologia. Um exemplo digressivo pode ser a observa&ccedil;&atilde;o do uso do cavalo pelas tropas dos conquistadores nos antigos imp&eacute;rios Inca, Maia e Azteca e a domestica&ccedil;&atilde;o do cavalo pelos povos origin&aacute;rios charruas e guaicurus.<\/p>\n<p>Um exemplo destas possibilidades est&aacute; na hipot&eacute;tica universaliza&ccedil;&atilde;o ao acesso da internet de banda larga no Brasil entra como estrutura &ldquo;produtiva&rdquo;, e a supera&ccedil;&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o produtiva anterior, ao menos nas cadeias de produ&ccedil;&atilde;o de bens simb&oacute;licos e informacionais. O tema da autoriza&ccedil;&atilde;o de internet por rede el&eacute;trica, cuja cobertura atinge a praticamente todo o solo urbano brasileiro, sem d&uacute;vida &eacute; um avan&ccedil;o no acesso e na inclus&atilde;o. A diferencia&ccedil;&atilde;o se d&aacute; na base cognitiva das pessoas, da maioria dos brasileiros, em compreender e assimilar conte&uacute;dos mais complexos, al&eacute;m de seu cotidiano e dos c&oacute;digos que domina. O diferencial ainda assim reside a&iacute;. <\/p>\n<p>Mesmo ao se imaginar o acesso &ldquo;universal&rdquo; da internet de banda larga, tem-se ainda momentos de supera&ccedil;&atilde;o para o acesso universal no sentido da produ&ccedil;&atilde;o colaborativa. Isto &eacute;: n&atilde;o se pode pressupor que as pessoas conectadas ser&atilde;o autodidatas conceituais, que v&atilde;o absorver informa&ccedil;&atilde;o e poder process&aacute;-la se n&atilde;o tiverem conceitos anal&iacute;ticos para isso. Um jornal de alguma complexidade, como a Folha de S&atilde;o Paulo e o O Globo j&aacute; se tornam quase inintelig&iacute;veis, imagine a blogosfera alternativa. Ainda assim, entende-se que, para aumentar a velocidade de circula&ccedil;&atilde;o do conhecimento no Brasil, &eacute; fundamental o Estado intervir, gerando a infra-estrutura b&aacute;sica para isso, como &eacute; a habilita&ccedil;&atilde;o da internet por banda larga, e como seria a implanta&ccedil;&atilde;o da cobertura da banda larga sem fio pelas antenas de Wimax (sinal com alcance de at&eacute; 50 quil&ocirc;metros).<\/p>\n<p>Este &eacute; um caso t&iacute;pico de subordina&ccedil;&atilde;o parcial do ente decis&oacute;rio, dentro de um Estado capitalista regido pelas rela&ccedil;&otilde;es assim&eacute;tricas dos agentes econ&ocirc;micos nos mecanismos de regula&ccedil;&atilde;o dos mercados. Pela base tecnol&oacute;gica, j&aacute; h&aacute; desenvolvimento suficiente para aumentar a velocidade da banda, universalizar o acesso (e n&atilde;o o uso, a&iacute; entramos no problema do d&eacute;ficit cognitivo) e possibilitar os uploads mais pesados. Isso n&atilde;o ocorre n&atilde;o por barreiras &ldquo;t&eacute;cnicas&rdquo;, mas por recursos de tecnicismos usados para garantir as posi&ccedil;&otilde;es de l&iacute;deres de oligop&oacute;lios em momentos de fragilidade (de mudan&ccedil;a de padr&atilde;o tecnol&oacute;gico e abertura para novas possibilidades e agentes).<\/p>\n<p>Se h&aacute; uma ess&ecirc;ncia no capitalismo e se ela permanece inalterada, ent&atilde;o n&atilde;o &eacute; a circula&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o que por si vai transform&aacute;-la. Nas duras regras dos sistemas de domina&ccedil;&atilde;o, aprende-se logo que sistema algum se autodestr&oacute;i e nem mesmo um governo comete suic&iacute;dio pol&iacute;tico. Uma das partes constitutivas do capitalismo &eacute; sua mediatiza&ccedil;&atilde;o, e a necessidade de fabricar consentimento na forma de consensos de maiorias supostamente silenciosas. Talvez seja este o aspecto mais vantajoso da atual revolu&ccedil;&atilde;o tecnocient&iacute;fica, da microeletr&ocirc;nica e dos semicondutores. <\/p>\n<p>Na sociedade em que se vive, aumentam as propor&ccedil;&otilde;es de se produzir bens simb&oacute;licos, conte&uacute;dos midi&aacute;ticos e o conjunto de narrativas est&eacute;ticas que podem ganhar forma mercadoria. Mas isso por si s&oacute; n&atilde;o altera a classe de mercado dos oligop&oacute;lios (como na internet, com Google, Yahoo e MSN) e nem muda a natureza do capital (apropria&ccedil;&atilde;o privada de bem coletivo; apropria&ccedil;&atilde;o privada de saber social circulante; extra&ccedil;&atilde;o da capacidade criativa dos produtores\/trabalhadores; controle fechado de rotinas produtivas, dentre outras) e muito menos do Estado capitalista e das rela&ccedil;&otilde;es assim&eacute;tricas que o regem.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold;\">Economia do conhecimento e economia digital<\/span><\/p>\n<p>No s&eacute;culo XXI as comunica&ccedil;&otilde;es v&atilde;o ser marcadas pela Fase da Multiplicidade da Oferta (17) , representada pela abertura de novos mercados e, consequentemente, maior n&uacute;mero de canais ao p&uacute;blico receptor. Nesse per&iacute;odo, amplia-se o fluxo de informa&ccedil;&atilde;o, assim como as possibilidades de disseminar conhecimento pelas in&uacute;meras ferramentas de comunica&ccedil;&atilde;o oferecidas pela Web, impactando, inclusive, o processo de constru&ccedil;&atilde;o do conhecimento de forma colaborativa, que, nada mais &eacute; do que um espa&ccedil;o onde a circula&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o se d&aacute; entre pares ou assemelhados. A possibilidade de trabalho criativo de forma colaborativa sempre houve, mas talvez n&atilde;o na escala atual:<\/p>\n<p><span style=\"font-style: italic;\">A delimita&ccedil;&atilde;o de pap&eacute;is do universo impresso encontra-se agora transfigurada pelo meio electr&oacute;nico, o qual permite uma dilui&ccedil;&atilde;o de fun&ccedil;&otilde;es, cujas consequ&ecirc;ncias s&atilde;o, ainda, imprevis&iacute;veis, mas que aceleram o processo de desadequa&ccedil;&atilde;o dos princ&iacute;pios convencionais aos novos princ&iacute;pios. Ao imbuir-se a tecnologia no processo de comunica&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia, transformam-se as formas convencionais (de comunica&ccedil;&atilde;o, por exemplo), e criam-se novas formas (de colabora&ccedil;&atilde;o, por exemplo), que usufruem do derrube de fronteiras e da amplia&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o-tempo que a tecnologia proporciona (18).  <\/span><\/p>\n<p>No entanto, as barreiras permanecem semelhantes das existentes no per&iacute;odo anal&oacute;gico. Conservam-se, talvez em propor&ccedil;&otilde;es diferenciadas, as regras de controle e de mercado, como patentes, licen&ccedil;as e defini&ccedil;&otilde;es de que tal &aacute;rea &eacute; sens&iacute;vel e, portanto, implica em seguran&ccedil;a nacional (como c&oacute;digos fonte de super processadores ou tecnologias que barateiam o uso de energia):<\/p>\n<p><span style=\"font-style: italic;\">Uma caracter&iacute;stica que subjaz a todas as licen&ccedil;as &eacute; a do entendimento de que a criatividade humana n&atilde;o deve ser cerceada por utiliza&ccedil;&atilde;o limitada dos trabalhos dos autores. A utiliza&ccedil;&atilde;o de uma obra n&atilde;o a desgasta, como acontece com a propriedade convencional, antes a amplia e faz ecoar para todo um conjunto de utilizadores. As licen&ccedil;as Science Commons (SC), tal como as licen&ccedil;as CC onde s&atilde;o baseadas, procuram exprimir as inten&ccedil;&otilde;es do autor: os autores acad&eacute;micos escrevem para que o seu trabalho seja reconhecido pelos pares, sem ter em mente qualquer contrapartida financeira directa, o que os distingue de todos aqueles que se encontram no circuito comercial. Procuram &eacute; maximizar o impacto, parcialmente reflectido pelo n&uacute;mero de cita&ccedil;&otilde;es que recebem, o que significa que, ao existirem obst&aacute;culos ao acesso, tal impacto pode ser afectado (19).  <\/span><\/p>\n<p>O Creative Commons (CC) &eacute; um pr&eacute;-licenciamento, onde se desoneram as partes de conversarem mediante representantes legais. O problema do licenciamento fica mais complexo quando a inova&ccedil;&atilde;o tem ambiente na internet, sabendo que o ciberespa&ccedil;o &eacute; globalizado por sua natureza. A barreira de idioma tampouco existe em n&iacute;vel cient&iacute;fico, reconhecendo-se que o ingl&ecirc;s &eacute; l&iacute;ngua franca para os acad&ecirc;micos produtores de ci&ecirc;ncia: <\/p>\n<p><span style=\"font-style: italic;\">Uma licen&ccedil;a CC define o modo como os utilizadores podem usar o trabalho sujeito a copyright, para al&eacute;m do chamado fair use. O fair use define um conjunto de regras que permite o uso de um trabalho procurando estabelecer um equil&iacute;brio entre os direitos do autor e o interesse p&uacute;blico (para fins de investiga&ccedil;&atilde;o, educa&ccedil;&atilde;o e uso privado (20).<\/span>  <\/p>\n<p>O CC, al&eacute;m de diminuir custos, tamb&eacute;m vai ao encontro do ambiente que tende a ser mais colaborativo, at&eacute; porque a base dos produtos digitais &eacute; serem reproduzidos atrav&eacute;s de c&oacute;pias, e n&atilde;o de reprodu&ccedil;&atilde;o individual, como um produto anal&oacute;gico. A tens&atilde;o est&aacute; na legisla&ccedil;&atilde;o, pois nenhuma norma do direito internacional se sobrep&otilde;e aos c&oacute;digos de direito de um Estado, implicando na necessidade de grandes acordos de patentes e licen&ccedil;as. A complexidade da engrenagem est&aacute; no conhecimento sens&iacute;vel, que deve a todo custo ser protegido. A&iacute; entram em cena escrit&oacute;rios jur&iacute;dicos operando no cen&aacute;rio mundial, acordos de governo para governo e dentro de blocos pol&iacute;tico-comerciais. <\/p>\n<p>Uma cr&iacute;tica dos ativistas de comunica&ccedil;&atilde;o na Venezuela, por exemplo, &eacute; que o governo Ch&aacute;vez n&atilde;o criou bases digitais para tentar, ao menos dentro dos pa&iacute;ses de governos aliados (como Equador e Bol&iacute;via), oferecer alternativas para o conte&uacute;do digital produzido em larga escala pelos comunicadores populares. <\/p>\n<p>Retomando o tema do licenciamento, existe uma oposi&ccedil;&atilde;o no funcionamento de Creative Commons (CC) e Science Commons (SC), ou melhor, uma diferen&ccedil;a entre uma produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica na forma de narrativa e na produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento hoje considerado sens&iacute;vel como simula&ccedil;&atilde;o de um fen&ocirc;meno a ser controlado. Em pesquisas que envolvem temas como a quebra de uma cadeia de DNA ou cadeia gen&eacute;tica de interesse estrat&eacute;gico; ou mesmo um cons&oacute;rcio cient&iacute;fico para fabricar a vacina contra o v&iacute;rus HIV ou o c&acirc;ncer, h&aacute; uma comunidade cient&iacute;fica envolvida no tema, al&eacute;m do interesse material direto, das correla&ccedil;&otilde;es entre ser uma autoridade cient&iacute;fica e a ocupa&ccedil;&atilde;o de postos-chave no meio acad&ecirc;mico ou nas grandes funda&ccedil;&otilde;es de financiamento. Nesse caso, por mais colaborativa que seja uma comunidade cient&iacute;fica, se for pesquisa aplicada, a patente caber&aacute; aos patrocinadores diretos ou indiretos do projeto. Este seria um limite da criatividade dentro do capitalismo, incluindo desafios tecnol&oacute;gicos que, pelas regras de funcionamento atuais, ainda n&atilde;o foram superados, como o c&acirc;ncer.<\/p>\n<p>&Eacute; dentro dessa l&oacute;gica que os Direitos de Propriedade Intelectual (DPI) e as patentes operam. Os Estados mais fortes, onde se incluem os pa&iacute;ses do G7 e do G20, tendem a proteger seus interesses (que se sobrep&otilde;em aos dos agentes de oligop&oacute;lios e os respectivos capitais cruzados), atraindo para suas &ldquo;comunidades&rdquo; uma abund&acirc;ncia de m&atilde;o-de-obra barata para desenvolvimento de novos produtos (como os engenheiros de sistemas e programadores indianos trabalhando nos EUA).<\/p>\n<p>O diferencial &eacute; a exig&ecirc;ncia da qualifica&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica da m&atilde;o-de-obra, incluindo o 4&ordm; setor o da inova&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica (na verdade voltado para a inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica e da pesquisa aplicada), onde o peso relativo das ditas ci&ecirc;ncias duras deforma o campo, impondo regras universais de &ldquo;produtividade&rdquo; para aqueles que produzem ci&ecirc;ncias &ldquo;humanas&rdquo;, &ldquo;duras&rdquo; ou biom&eacute;dicas. Como a carga de informa&ccedil;&atilde;o &eacute; cada vez maior em qualquer processo produtivo e a corrida pela inova&ccedil;&atilde;o condiciona a forma&ccedil;&atilde;o de m&atilde;o-de-obra em larga escala, se pulveriza os processos de cria&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, se banalizam os diplomas e as p&oacute;s-gradua&ccedil;&otilde;es, e se barateia o custo desta mesma m&atilde;o-de-obra, tamb&eacute;m precarizada.<\/p>\n<p>Vale observar que a constru&ccedil;&atilde;o de conhecimento &eacute; imaterial no que diz respeito ao seu trabalho essencialmente abstrato. Este conhecimento &ldquo;se materializa&rdquo; depois em distintas maneiras, desde uma nova mercadoria, outras formas de cadeia de valor (como o com&eacute;rcio B2B eletr&ocirc;nico) e mesmo no &ldquo;mercado de id&eacute;ias&rdquo;, construindo, atrav&eacute;s da linguagem, conceitos operacionais que impedem as contesta&ccedil;&otilde;es sist&ecirc;micas do pr&oacute;prio capitalismo. <\/p>\n<p>A economia digital est&aacute; baseada em algumas cadeias produtivas. &Eacute; o caso da rela&ccedil;&atilde;o quartzo, microchip, somado com uma m&atilde;o-de-obra especializada, fruto de mais de uma d&eacute;cada de investimento. A analogia da matriz energ&eacute;tica pode ser aplicada, j&aacute; que hoje se vivencia n&atilde;o a &ldquo;supera&ccedil;&atilde;o&rdquo; do combust&iacute;vel f&oacute;ssil, mas o seu auge e por consequ&ecirc;ncia, o antecipar de sua supera&ccedil;&atilde;o. Isto vai extinguir o petr&oacute;leo como matriz energ&eacute;tica? N&atilde;o, mas vai relativizar seu peso nos processos de funcionamento deste marco civilizat&oacute;rio que &eacute; a sociedade capitalista.<\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; economia sem materialidade, por mais que a carga informacional sobre uma mercadoria seja enorme, por vezes sendo quase imposs&iacute;vel de quantificar. Ao mesmo tempo em que dificulta pensar categorias estanques &ndash; como trabalhador bra&ccedil;al e trabalhador intelectual &ndash; se torna poss&iacute;vel e identific&aacute;vel o 4&ordm; setor. &Eacute; a tecnifica&ccedil;&atilde;o do saber profissional criando uma nova classe de produtores: baseada na criatividade do trabalhador polivalente como forma de extrair a for&ccedil;a de trabalho fazendo, por exemplo, quatro ou mais fun&ccedil;&otilde;es, al&eacute;m daquela para o qual formalmente foi contratado; e n&atilde;o controlando tanto os tempos e movimentos (base da linha fordista), mas dando &ldquo;liberdade&rdquo; de produzir em ambientes interativos e onde a criatividade pode ser exercitada &ldquo;em qualquer das 24 horas de um dia corrente&rdquo;.<\/p>\n<p>Sobre o papel do Estado no redimensionamento da ind&uacute;stria do audiovisual no Brasil defende-se que um parque cinematogr&aacute;fico &eacute; tanto um importante mercado, uma cadeia de valor relevante, como &eacute; portador de ideologia e elemento de difus&atilde;o do pa&iacute;s no mundo globalizado. Um Estado latino-americano deve ser um dos pilares do desenvolvimento de uma ind&uacute;stria cinematogr&aacute;fica aut&oacute;ctone, ou o mais nacionaliz&aacute;vel poss&iacute;vel. E, estas barreiras de custos ca&iacute;ram enormemente com o advento da tecnologia digital. <\/p>\n<p>Apesar da capacidade de realiza&ccedil;&atilde;o e da postura est&oacute;ica dos Cineclubes no Brasil, n&atilde;o se pode aceitar como &ldquo;norma&rdquo; (ou seja, como normal), que a exibi&ccedil;&atilde;o das realiza&ccedil;&otilde;es brasileiras circule de forma marginal dentro do pr&oacute;prio pa&iacute;s. Algumas formas s&atilde;o simples de executar e muito dif&iacute;ceis de alcan&ccedil;ar. Por exemplo, a cota de exibi&ccedil;&atilde;o nacional nas salas de cinema; os curta-metragens brasileiros antes dos blockbusters transnacionais; a cria&ccedil;&atilde;o n&atilde;o de uma ag&ecirc;ncia &ldquo;reguladora&rdquo;, mas sim uma ag&ecirc;ncia de fomento, com linhas de financiamento e recursos diretos do Tesouro Nacional; e a regionaliza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o audiovisual. Hoje, para construir uma identidade, &eacute; t&atilde;o relevante o audiovisual quanto &eacute; a literatura. As maiores editoras do mundo latino sobrevivem de compras de governo, e o mesmo poderia acontecer com a realiza&ccedil;&atilde;o audiovisual de alto n&iacute;vel nos distintos g&ecirc;neros de forma estadualizada. <\/p>\n<p>A Sociedade da Informa&ccedil;&atilde;o &eacute; an&aacute;loga a atual Revolu&ccedil;&atilde;o Tecno-Cient&iacute;fica, onde o individualismo metodol&oacute;gico fragmenta a identidade coletiva das for&ccedil;as de trabalho e onde a for&ccedil;a motriz da inova&ccedil;&atilde;o tem como base a tecnologia de microeletr&ocirc;nica e semicondutores. As bases tecno-cient&iacute;ficas do capitalismo s&atilde;o cumulativas, seguindo a existir, de forma residual, as formas anteriores dentro da atual.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold;\">Considera&ccedil;&otilde;es Conclusivas<\/span><br style=\"font-weight: bold;\" \/><br \/>\n<br \/>\nA roda da ind&uacute;stria cultural continuar&aacute; a girar, e ao mesmo tempo, amplia-se o circuito por fora dos agentes l&iacute;deres dos respectivos oligop&oacute;lios. Al&eacute;m disso, a globaliza&ccedil;&atilde;o de capitais cruzados e a cultura unificada pelos c&oacute;digos de comportamento de profissionais liberais operando como for&ccedil;a de trabalho criativa dentro de transnacionais tamb&eacute;m tem na integra&ccedil;&atilde;o Sul-Sul, periferia-periferia e por fora dos pa&iacute;ses centrais ou dos dom&iacute;nios de enclave no interior dos pa&iacute;ses l&iacute;deres do G20 (Brasil inclusive), a dose do veneno contr&aacute;rio para gerar seu pr&oacute;prio ant&iacute;doto. Ainda assim, reconfigurado ou n&atilde;o, as leis de funcionamento do capitalismo seguem v&aacute;lidas. <\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; pela abund&acirc;ncia de trabalho imaterial que deixa de existir trabalho e extra&ccedil;&atilde;o de mais-valia por parte do capital. N&atilde;o &eacute; pela complexifica&ccedil;&atilde;o das classes sociais que deixa de existir classe e luta de classes. N&atilde;o &eacute; pela multiplicidade de representa&ccedil;&otilde;es e interesses dos debaixo que deixa de existir a possibilidade de insurg&ecirc;ncia ou organiza&ccedil;&atilde;o dos atingidos pela din&acirc;mica do capitalismo. A complexidade do modelo n&atilde;o anula o teorema desse sistema de domina&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&Eacute; interessante notar que as novas formas e novas m&iacute;dias, em especial a tecnologia digital, permitem a multiplicidade da oferta e amplia os agentes da cadeia de valor do audiovisual. Por outro lado, mesmo de forma fragmentada, os l&iacute;deres do oligop&oacute;lio se posicionam bem nessa entrada. O caso de Spike Lee (21) , que j&aacute; ocupou posi&ccedil;&atilde;o de &ldquo;maldito&rdquo; pelo mainstream dos Estados Unidos, se associar com a transnacional Nokia (cuja base de estrutura de telecomunica&ccedil;&otilde;es forma joint venture com a Siemens e, assim, se posiciona em terceiro no mercado mundial de infra-estrutura de telecomunica&ccedil;&otilde;es) demonstra esses rearranjos. Assim, ao mesmo tempo em que as novas possibilidades multiplicam o fazer audiovisual, seus produtores se associam com l&iacute;deres de oligop&oacute;lios (de suporte, de exibi&ccedil;&atilde;o, de distribui&ccedil;&atilde;o) para fomentar a produ&ccedil;&atilde;o que supostamente se subentende que deveria ser desconcentrada. <\/p>\n<p>&Eacute; interessante notar que a base de funcionamento do capitalismo pode ser percebida nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas ou na aus&ecirc;ncia delas. No caso brasileiro, e especificamente no governo de Luiz In&aacute;cio Lula da Silva, os dados comprovam o conceito. Modestamente considera-se a gest&atilde;o &agrave; frente do Minist&eacute;rio da Cultura como inovadora e not&aacute;vel, um diferencial dentro do padr&atilde;o do Governo. Mas, ainda assim, a diferen&ccedil;a de escala de investimentos &eacute; gritante: sabe-se que a capacidade cognitiva &eacute; t&atilde;o importante hoje como a sa&uacute;de f&iacute;sica que habilite para a for&ccedil;a de trabalho bra&ccedil;al. <\/p>\n<p>O que pode ser feito, dentro de um sistema de domina&ccedil;&atilde;o capitalista, cuja hegemonia chega a impor um marco civilizat&oacute;rio, &eacute; como um ato de sabotagem numa linha fabril. Sem o ludismo, n&atilde;o haveria a quebra de m&aacute;quinas e nem a tomada dos meios de produ&ccedil;&atilde;o. O processo atual ocorre de modo semelhante: quebrar a est&eacute;tica do oligop&oacute;lio &eacute; fazer girar a roda da ind&uacute;stria cultural (inventando para ser absorvido), mas tamb&eacute;m criar para revirar os c&oacute;digos que a hegemonia imp&otilde;e de forma inclusive subliminar. Neste caso, o audiovisual pode ser impactante, e &eacute; necess&aacute;rio que o mesmo fa&ccedil;a parte de uma alfabetiza&ccedil;&atilde;o inclusiva a partir de plataformas digitais, de prefer&ecirc;ncia de dom&iacute;nio e uso p&uacute;blicos.<\/p>\n<p>\n* Bruno Lima Rocha &eacute; professor no Curso de Comunica&ccedil;&atilde;o Social da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), pesquisador do Grupo de Pesquisa CEPOS (apoiado pela Ford Foundation), doutor em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e vogal do Cap&iacute;tulo Brasil da Uni&atilde;o Latina de Economia Pol&iacute;tica da Informa&ccedil;&atilde;o, da Comunica&ccedil;&atilde;o e da Cultura (ULEPICC-BR). <\/p>\n<p>**M&aacute;rcia Turchiello Andres &eacute; Mestre em Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), graduada em Comunica&ccedil;&atilde;o Social &ndash; Jornalismo pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJU&Iacute;).<\/p>\n<p>***Ana Maria Rosa &eacute; Mestre em Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), graduada em Comunica&ccedil;&atilde;o Social &ndash; Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).<\/p>\n<p>\n<span style=\"font-weight: bold;\">Notas<\/span><\/p>\n<p>\n1 LIMA ROCHA, Bruno. A Interdepend&ecirc;ncia Estrutural das Esferas: ancestralidade e atualidade da constru&ccedil;&atilde;o e origem desta teoria Cap&iacute;tulo 3 de A Interdepend&ecirc;ncia Estrutural das Tr&ecirc;s Esferas: uma an&aacute;lise libert&aacute;ria da Organiza&ccedil;&atilde;o Pol&iacute;tica para o processo de radicaliza&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica (tese de doutoramento em ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica); Porto Alegre, UFRGS\/PPGPol, mar&ccedil;o 2009<\/p>\n<p>2 SINGER, Paul. O capitalismo: sua evolu&ccedil;&atilde;o, sua l&oacute;gica e sua din&acirc;mica.  S&atilde;o Paulo: Moderna, 1987. p. 14.<\/p>\n<p>3 SINGER, Paul, op. cit., p. 16.<\/p>\n<p>4 Ibid., p. 18-19.<\/p>\n<p>5 BEAUD, Michel. Hist&oacute;ria do capitalismo: de 1500 aos nossos dias. 4&ordf; ed. S&atilde;o Paulo: Brasiliense, 1994. p. 195. <\/p>\n<p>6 TREMBLAY, Ga&euml;tan. La sociedad de la informaci&oacute;n y la nueva econom&iacute;a: promesas, realidades y faltas de un modelo ideol&oacute;gico. In: MARQUES DE MELO, J.; SATHLER, L. Direitos &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o na Sociedade da Informa&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o Bernardo do Campo: Umesp, 2005.<\/p>\n<p>7 Ibid., p. 58.<\/p>\n<p>8 A Enron, companhia americana de servi&ccedil;os p&uacute;blicos de energia, considerada l&iacute;der mundial em distribui&ccedil;&atilde;o de energia, foi protagonista em dezembro de 2001 da maior concordata da hist&oacute;ria dos Estados Unidos, envolvendo den&uacute;ncias de fraudes fiscais e cont&aacute;beis. <\/p>\n<p>9 Empresas que comercializam produtos ou servi&ccedil;os pela internet. Em maio de 2001, a bolha da internet, isto &eacute;, a supervaloriza&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es de empresas virtuais estourou, levando a fal&ecirc;ncia de muitas pequenas empresas virtuais.<\/p>\n<p>10 TREMBLAY, Ga&euml;tan, op. cit., p. 51-52.<\/p>\n<p>11 Ibid., p. 55.<\/p>\n<p>12 Ibid., p. 51.<\/p>\n<p>13 HERSCOVICI, Alain. Conhecimento, capitalismo imaterial e trabalho: alguns elementos de an&aacute;lise. UNIrevista, S&atilde;o Leopoldo, v. 3, n. 1, jul. 2006. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/www.unirevista.unisinos.br\/_pdf\/UNIrev_Herscovici.PDF&gt;. Acesso em: 6 mai. 2010.<br \/>\n14 Ibid. p. 10.<\/p>\n<p>15 Sistema de comunica&ccedil;&atilde;o interbanc&aacute;ria.<\/p>\n<p>16 Veja o que um especialista em circula&ccedil;&atilde;o de dinheiro digital fala sobre o tema:<br \/>\n&ldquo;Em 1973, as dez maiores institui&ccedil;&otilde;es banc&aacute;rias do mundo criaram a Swift, um sistema de telem&aacute;tica [conjunto de servi&ccedil;os de inform&aacute;tica fornecidos atrav&eacute;s de uma rede de telecomunica&ccedil;&otilde;es] que cobre 99,9% das institui&ccedil;&otilde;es banc&aacute;rias existentes no mundo e &eacute; um prestador de servi&ccedil;os respons&aacute;vel por todas as compensa&ccedil;&otilde;es e movimenta&ccedil;&otilde;es banc&aacute;rias. &Eacute; a rede de sustenta&ccedil;&atilde;o dos bancos. Evidentemente, por ela circula parte dos referidos 500 bilh&otilde;es de d&oacute;lares. N&atilde;o que isso aconte&ccedil;a com a coniv&ecirc;ncia da Swift, mas n&atilde;o h&aacute; nenhum mecanismo de controle, fiscaliza&ccedil;&atilde;o.&rdquo;  MAIEROVITCH, W&aacute;lter Fanganiello. Neg&oacute;cio (I)l&iacute;cito. In: Portal SESC SP. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/www.sescsp.org.br\/sesc\/revistas\/revistas_link.cfm?Edicao_Id=237&amp;Artigo_ID=3726&amp;IDCategoria=4093&amp;reftype=2&gt;. Acesso em: 14 nov. 2009.<\/p>\n<p>17 BRITTOS, Val&eacute;rio Cruz (Org.). Comunica&ccedil;&atilde;o na Fase da Multiplicidade da Oferta. Porto Alegre: Nova Prova, 2006. <\/p>\n<p>18  BORGES, Maria Manuel.  A Propriedade Intelectual: do Direito Privado ao Bem P&uacute;blico. Observatorio (OBS*) Journal, 5 (2008). p. 225-244. p. 234.<\/p>\n<p>19 BORGES, Maria Manuel, op. cit., 231.<\/p>\n<p>20 Ibid., p. 228.<\/p>\n<p>21 Cineasta estadunidense, considerado um diretor pol&ecirc;mico.<\/p>\n<p>\n<span style=\"font-weight: bold;\">Refer&ecirc;ncias<\/span><\/p>\n<p>\nBEAUD, Michel. Hist&oacute;ria do capitalismo: de 1500 aos nossos dias. 4&ordf; ed. S&atilde;o Paulo: Brasiliense, 1994.  <\/p>\n<p>BORGES, Maria Manuel.  A Propriedade Intelectual: do Direito Privado ao Bem P&uacute;blico. Observatorio (OBS*) Journal, 5 (2008). p. 225-244.<\/p>\n<p>BRITTOS, Val&eacute;rio Cruz (Org.). Comunica&ccedil;&atilde;o na Fase da Multiplicidade da Oferta. Porto Alegre: Nova Prova, 2006. <\/p>\n<p>HERSCOVICI, Alain. Conhecimento, capitalismo imaterial e trabalho: alguns elementos de an&aacute;lise. UNIrevista, S&atilde;o Leopoldo, v. 3, n. 1, jul. 2006. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/www.unirevista.unisinos.br\/_pdf\/UNIrev_Herscovici.PDF&gt;. Acesso em: 6 mai. 2010.<\/p>\n<p>LIMA ROCHA, Bruno. A Interdepend&ecirc;ncia Estrutural das Esferas: ancestralidade e atualidade da constru&ccedil;&atilde;o e origem desta teoria Cap&iacute;tulo 3 de A Interdepend&ecirc;ncia Estrutural das Tr&ecirc;s Esferas: uma an&aacute;lise libert&aacute;ria da Organiza&ccedil;&atilde;o Pol&iacute;tica para o processo de radicaliza&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica (tese de doutoramento em ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica); Porto Alegre, UFRGS\/PPGPol, mar&ccedil;o 2009<\/p>\n<p>MAIEROVITCH, W&aacute;lter Fanganiello. Neg&oacute;cio (I)l&iacute;cito. In: Portal SESC SP. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/www.sescsp.org.br\/sesc\/revistas\/revistas_link.cfm?Edicao_Id=237&amp;Artigo_ID=3726&amp; IDCategoria=4093&amp;reftype=2&gt;. Acesso em: 14 nov. 2009. <\/p>\n<p>SINGER, Paul. O capitalismo: sua evolu&ccedil;&atilde;o, sua l&oacute;gica e sua din&acirc;mica.  S&atilde;o Paulo: Moderna, 1987.<\/p>\n<p>TREMBLAY, Ga&euml;tan. La sociedad de la informaci&oacute;n y la nueva econom&iacute;a: promesas, realidades y faltas de un modelo ideol&oacute;gico. In: MARQUES DE MELO, J.; SATHLER, L. Direitos &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o na Sociedade da Informa&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o Bernardo do Campo: Umesp, 2005.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A roda da ind\u00fastria cultural continuar\u00e1 a girar, e ao mesmo tempo, amplia-se o circuito por fora dos agentes l\u00edderes dos respectivos oligop\u00f3lios. Foto:blogdatvdatvrecord.blogspot 21 de setembro, de S&atilde;o Leopoldo, Bruno Lima Rocha, M&aacute;rcia Turchiello Andres e Ana Maria Oliveira Rosa O artigo descreve diversas etapas do capitalismo, buscando compreender que as atuais mudan&ccedil;as tecnol&oacute;gicas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1521","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1521","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1521"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1521\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1521"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1521"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1521"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}