{"id":1522,"date":"2011-09-21T11:39:28","date_gmt":"2011-09-21T11:39:28","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1522"},"modified":"2011-09-21T11:39:28","modified_gmt":"2011-09-21T11:39:28","slug":"o-jornalismo-economico-como-porta-voz-do-capital-financeiro-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1522","title":{"rendered":"O jornalismo econ\u00f4mico como porta-voz do capital financeiro"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/thewallstreetfoxjournal.jpg\" title=\"A maior parte dos grandes ve\u00edculos, estando na forma de propriedade cruzada ou composi\u00e7\u00e3o acion\u00e1ria, al\u00e9m de liderar o respectivo oligop\u00f3lio de m\u00eddia em seus pa\u00edses ou regi\u00f5es, tamb\u00e9m s\u00e3o subsidi\u00e1rios diretos ou indiretos de conglomerados com elevados investimentos de risco na ciranda financeira.  - Foto:\u00c9poca Neg\u00f3cios\" alt=\"A maior parte dos grandes ve\u00edculos, estando na forma de propriedade cruzada ou composi\u00e7\u00e3o acion\u00e1ria, al\u00e9m de liderar o respectivo oligop\u00f3lio de m\u00eddia em seus pa\u00edses ou regi\u00f5es, tamb\u00e9m s\u00e3o subsidi\u00e1rios diretos ou indiretos de conglomerados com elevados investimentos de risco na ciranda financeira.  - Foto:\u00c9poca Neg\u00f3cios\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A maior parte dos grandes ve\u00edculos, estando na forma de propriedade cruzada ou composi\u00e7\u00e3o acion\u00e1ria, al\u00e9m de liderar o respectivo oligop\u00f3lio de m\u00eddia em seus pa\u00edses ou regi\u00f5es, tamb\u00e9m s\u00e3o subsidi\u00e1rios diretos ou indiretos de conglomerados com elevados investimentos de risco na ciranda financeira. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:\u00c9poca Neg\u00f3cios<\/small><\/figure>\n<p><em>21 de setembro, a oito m&atilde;os de S&atilde;o Leopoldo a Macei&oacute;, Bruno Lima Rocha, Ana Maria Rosa, Alexon Gabriel e Rafael Cavalcanti <\/em><\/p>\n<p>Este trabalho desenvolve a an&aacute;lise da rela&ccedil;&atilde;o entre a suposta crise da Zona do Euro e a cobertura midi&aacute;tica que a precede e acompanha. Verifica que o jornalismo econ&ocirc;mico participa dos interesses n&atilde;o apenas das empresas de m&iacute;dia, mas tamb&eacute;m dos agentes econ&ocirc;micos mundiais que participam dessa e de outras constru&ccedil;&otilde;es premeditadas. Dessa forma, argumenta-se que a aus&ecirc;ncia da &eacute;tica iluminista e republicana do jornalismo &eacute; a balizadora ao rev&eacute;s dessas a&ccedil;&otilde;es, j&aacute; que a profiss&atilde;o de trabalhar com a informa&ccedil;&atilde;o &eacute; facilitadora das rela&ccedil;&otilde;es assim&eacute;tricas, prejudicando assim os direitos da cidadania e da democracia mesmo em sua forma burguesa e representativa. A cobertura especializada torna-se, portanto, um porta-voz oficioso de a&ccedil;&otilde;es premeditadas, delinquindo dentro das regras do sistema e transferindo renda dos Estados para os operadores financeiros em uma escala planet&aacute;ria. <\/p>\n<p>O artigo foi publicado na <strong>Revista de Economia Pol&iacute;tica das Tecnologias da Informa&ccedil;&atilde;o e da Comunica&ccedil;&atilde;o<\/strong> (<a href=\"http:\/\/www.eptic.com.br\">Eptic<\/a>), Vol XIII, n.1, Ene. &ndash; Abril de 2011.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold;\">Introdu&ccedil;&atilde;o<\/span><\/p>\n<p>Criticar a cobertura midi&aacute;tica supostamente especializada da economia n&atilde;o &eacute; um debate novo. O tema &eacute; algo redundante, justamente em fun&ccedil;&atilde;o disso mostrando-se relevante para os investigadores da comunica&ccedil;&atilde;o social. Tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; novidade o uso de eufemismos e do emprego do jarg&atilde;o &ldquo;t&eacute;cnico&rdquo; como forma de mascaramento de situa&ccedil;&otilde;es factuais dos agentes econ&ocirc;micos. <\/p>\n<p>Em se tratando de grandes investidores de base especulativa, comprando, vendendo e repassando produtos financeiros, muitas das vezes aquilo que &eacute; midiatizado encobre a ocorr&ecirc;ncia de atos criminosos. Neste texto, &eacute; abordado esse cruzamento, quando a produ&ccedil;&atilde;o de sentido gerada atrav&eacute;s do notici&aacute;rio de economia naturaliza, mascara ou alivia a letalidade dos atos de especuladores de distintas ordens de grandeza e os efeitos que causam no cotidiano de popula&ccedil;&otilde;es inteiras, tal &eacute; o caso hoje dos mais de 10 milh&otilde;es de cidad&atilde;os gregos dentre outras economias europ&eacute;ias. <\/p>\n<p>Como hip&oacute;tese, aponta-se que a maior parte da cobertura jornal&iacute;stica em economia oficia mais como porta-voz do capital financeiro do que como int&eacute;rprete de seu acionar. E, por optar pela angula&ccedil;&atilde;o da cumplicidade, os especialistas, colunistas e fontes da ind&uacute;stria da comunica&ccedil;&atilde;o quase nunca explicitam quest&otilde;es que seriam indiscutivelmente importantes para a compreens&atilde;o, por parte da popula&ccedil;&atilde;o em geral, dos bastidores de lutas por poder e capital articulados em larga escala.<\/p>\n<p>A contrapartida &eacute; desigual. Por vezes, a teoria da brecha jornal&iacute;stica se evidencia nas exce&ccedil;&otilde;es. &Eacute; quando especialistas que trabalham atrav&eacute;s da angula&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica exp&otilde;em seus pontos de vista, denunciando atrav&eacute;s de uma base factual irrefut&aacute;vel, a a&ccedil;&atilde;o dos agentes econ&ocirc;mico-financeiros &ndash; que, apesar de implicar no desenvolvimento global das sociedades humanas &#8211; &eacute; baseada em quest&otilde;es individualistas.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold;\">Capitalismo, especula&ccedil;&atilde;o e m&iacute;dia<\/span><\/p>\n<p>Em tese, o ato de especular deriva das informa&ccedil;&otilde;es fragmentadas e do risco. Desse modo, um gerente de opera&ccedil;&otilde;es de um Fundo de Investimento (hedge fund) teria a capacidade de antecipa&ccedil;&atilde;o, vendendo t&iacute;tulos e a&ccedil;&otilde;es na alta e comprando-os na baixa. Nesse jogo, a aleatoriedade &eacute; a regra para evitar as fraudes. Logo, o acionar fraudulento &eacute; a combina&ccedil;&atilde;o de vendas e compras em conjunto, manipulando o chamado comportamento de manada, quando, em tese, todos os investidores se moveriam na mesma dire&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Al&eacute;m da conspira&ccedil;&atilde;o, h&aacute; outras formas t&iacute;picas de burlar as regras, tais como: obter informa&ccedil;&atilde;o privilegiada (inside information), antecipando-se aos demais especuladores; &ldquo;maquiar&rdquo; balan&ccedil;os de modo a elevar a aprecia&ccedil;&atilde;o dos pap&eacute;is; rebaixar propositadamente os t&iacute;tulos de um pa&iacute;s de maneira que custe mais caro para o Estado financiar sua d&iacute;vida de curto prazo; negociar de forma &ldquo;exposta&rdquo;, quando a capacidade de pagamentos est&aacute; comprometida a ponto de n&atilde;o realizar-se. Todas estas &ldquo;t&eacute;cnicas&rdquo; de enriquecimento il&iacute;cito s&atilde;o amplamente praticadas e, por sua vez, quase nada midiatizadas. Em contrapartida, o tipo-ideal de democracia advogado pelas m&iacute;dias, &eacute; outro:   <\/p>\n<p><span style=\"font-style: italic;\">Normativamente, no contexto dos modelos deliberativo e participativo de democracia, os cidad&atilde;os devem dispor de informa&ccedil;&otilde;es abrangentes e aprofundadas sobre as pol&iacute;ticas advogadas pelos diversos setores da sociedade para que sejam capazes de formar opini&otilde;es refletidas, sem as quais n&atilde;o estar&atilde;o aptos &agrave;s fun&ccedil;&otilde;es que deles se exigem nas esferas de participa&ccedil;&atilde;o e delibera&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Esta cren&ccedil;a constr&oacute;i-se em oposi&ccedil;&atilde;o aos modelos procedimental e competitivo de democracia. (ROTHBERG, 2008, p. 1047).<\/span><\/p>\n<p>Surge, pois um paradoxo. &Eacute; interessante avaliarmos que a inten&ccedil;&atilde;o do jornalista, ao divulgar informa&ccedil;&otilde;es do contexto econ&ocirc;mico mundial, pode ser tanto cidad&atilde; quanto ilus&oacute;ria, no sentido de dar as informa&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para que o grande p&uacute;blico alcance o significado do que est&aacute; sendo tratado ou n&atilde;o. Atrav&eacute;s das discuss&otilde;es sobre objetividade, muitas vezes a imprensa se esconde de seu papel de transformadora social. Conforme colocado por KUCINSKI (2007, p. 174), <\/p>\n<p><span style=\"font-style: italic;\">O jornalista tornou-se um dos principais agentes da democracia, cabendo a ele revelar segredos do poder, informar, educar e esclarecer a popula&ccedil;&atilde;o e, portanto, contribuir para a constru&ccedil;&atilde;o da cidadania e do exerc&iacute;cio dos direitos civis. [&#8230;] A ades&atilde;o a essa &eacute;tica pode se dar de v&aacute;rios modos [&#8230;]. N&atilde;o &eacute; preciso acreditar numa virtuosidade suprema da democracia liberal como sistema pol&iacute;tico para aderir com sinceridade &agrave; &eacute;tica do jornalismo liberal, pois basta acreditar na virtuosidade do processo de luta pela justi&ccedil;a e pela cidadania, que se d&aacute; no marco das democracias. Nesse processo, o jornalismo &eacute; uma atividade nobre e essencial. <\/span><\/p>\n<p>A busca desta virtude passa por tanto, pelo explicitar de processos complexos, justo o oposto do que vem se dando na cobertura da &ldquo;crise&rdquo;. Para quem n&atilde;o se recorda, a primeira crise do Euro tem sua origem no acionar fraudulento das vendas e revendas, em escala mundial (LIMA ROCHA, 2010c) dos ativos t&oacute;xicos ou sub-primes. Estes &ldquo;produtos&rdquo; financeiros nada mais s&atilde;o do que carteiras de hipotecas cujos titulares est&atilde;o inadimplentes e n&atilde;o poderiam pagar. As duplicatas destas carteiras sem lastro, empacotadas como &ldquo;produtos de risco&rdquo;, foram (e s&atilde;o) comercializadas mundialmente, e quase sem nenhum controle. Ora, se na base n&atilde;o h&aacute; lastro, logo n&atilde;o h&aacute; dinheiro para remunerar. Isso &eacute; classicamente conhecido como Esquema Ponzi (LIMA ROCHA, 2010b), e tamb&eacute;m chamado nos termos contempor&acirc;neos de pir&acirc;mide ou corrente. <\/p>\n<p>A hip&oacute;tese de ato criminoso levando ao &ldquo;estouro&rdquo; da bolha imobili&aacute;ria que levara &agrave; crise do capitalismo em geral, da economia estadunidense primeiro e hoje da Zona do Euro, &eacute; compartilhada por diversos especialistas. Houve dezenas de profissionais difundindo essa angula&ccedil;&atilde;o, o que poderia haver rendido centenas de reportagens investigativas caso houvesse interesse. Estes seriam textos de primazia exemplar, como as mat&eacute;rias cl&aacute;ssicas dos jornalistas americanos Bob Woodward e Carl Bernstein na cobertura do esc&acirc;ndalo do edif&iacute;cio Watergate (HARRY RAMSON CENTER). <\/p>\n<p>Novamente questiona-se: por que os diversos ve&iacute;culos, espalhados por todos os rinc&otilde;es do mundo, n&atilde;o efetivaram uma cobertura que estava t&atilde;o aparente diante de si? Para que se compreenda o funcionamento da cobertura da economia mundial pela m&iacute;dia, &eacute; preciso que se avalie que a m&iacute;dia &eacute; tamb&eacute;m um sistema que recobre o planeta, com liga&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e econ&ocirc;micas tecendo uma rede de trocas entre as diversas empresas que atuam nesse campo. Enumerando apenas o topo dos problemas que emergem dessa rede de rela&ccedil;&otilde;es, pode-se dizer que os principais assuntos vinculados &agrave; cobertura econ&ocirc;mica s&atilde;o tratados quase que exclusivamente pelas ag&ecirc;ncias internacionais. E como se sabe:<\/p>\n<p><span style=\"font-style: italic;\">[&#8230;] a hist&oacute;ria das grandes ag&ecirc;ncias coincide com a pr&oacute;pria hist&oacute;ria dos imp&eacute;rios econ&ocirc;micos. Seus canais eram os mesmos canais dos imperialismos. Foram bra&ccedil;os importantes de informa&ccedil;&atilde;o desses imp&eacute;rios. A Reuters fez durante muito tempo espionagem para o Imp&eacute;rio Brit&acirc;nico e recebeu da Coroa Brit&acirc;nica o privil&eacute;gio de acesso a toda a correspond&ecirc;ncia entre a chancelaria e a sua possess&atilde;o na &Iacute;ndia. Hoje, cada grande ag&ecirc;ncia forma um sistema industrial avan&ccedil;ado que recobre e reproduz no campo das comunica&ccedil;&otilde;es a multinacionaliza&ccedil;&atilde;o e a concentra&ccedil;&atilde;o de capital caracter&iacute;sticas da expans&atilde;o das multinacionais. Reproduzem, tamb&eacute;m, a rela&ccedil;&atilde;o assim&eacute;trica centro-periferia e disseminam padr&otilde;es de pensamento, valores culturais e codifica&ccedil;&otilde;es ou formas de representa&ccedil;&atilde;o da realidade. (KUCINSKI, op.cit., p. 160).<\/span><\/p>\n<p>Qualquer operador ou analista sabe que, quando h&aacute; informa&ccedil;&atilde;o perfeita, n&atilde;o pode haver equ&iacute;voco no erro e sim premedita&ccedil;&atilde;o. Por isto discordamos da denomina&ccedil;&atilde;o de &ldquo;crise&rdquo; para a mega estafa oriunda do estouro da &ldquo;bolha&rdquo; dos sub-primes, tamb&eacute;m chamados de ativos t&oacute;xicos, resultado de carteira de hipotecas de bens imobili&aacute;rios residenciais e que, supostamente, estariam securitizadas. Esta tese &eacute; corroborada pelo franc&ecirc;s Jean-Fran&ccedil;ois Gayraud (LIMA ROCHA, 2010a), comiss&aacute;rio divisional para crimes financeiros (equivale ao posto de coronel) da Direction de La Surveillance Du Territoire (DST), a ag&ecirc;ncia de contra-espionagem da Fran&ccedil;a. Gayraud sustenta que a &ldquo;crise&rdquo; da bolha estadunidense foi um ato criminoso de empresas especuladoras (LA CONTRA, 2008).<\/p>\n<p>Assim a poss&iacute;vel fonte explicativa para investigar e denunciar mundialmente o crime da maior transfer&ecirc;ncia de renda coletiva para cofres privados foi enunciada num conglomerado midi&aacute;tico e, logo ap&oacute;s, posta ao l&eacute;u, no limbo das pautas inconclusas. &Eacute; a pr&oacute;pria ind&uacute;stria da m&iacute;dia que amortece a poss&iacute;vel ira popular diante da a&ccedil;&atilde;o c&uacute;mplice, entre mandantes de governos em fun&ccedil;&atilde;o-chave e criminosos de colarinho branco operando com a especula&ccedil;&atilde;o fraudulenta.  <\/p>\n<p>A chamada crise do Euro, como moeda da Comunidade Europ&eacute;ia unificada e cujas bases de funcionamento s&atilde;o interdependentes, n&atilde;o foi fruto de uma marcha inexor&aacute;vel da economia, nem ciclos de crise e recomposi&ccedil;&atilde;o e tampouco de nenhuma outra pressuposi&ccedil;&atilde;o determinista. Os fatos geradores dessa a&ccedil;&atilde;o de crime contra as estruturas societ&aacute;rias (NAVARRO, 2010) da Gr&eacute;cia, Portugal, Espanha, Irlanda e Isl&acirc;ndia, dentre outros pa&iacute;ses que ainda est&atilde;o por vir, foi o acionar premeditado de mega-investidores, sua legitima&ccedil;&atilde;o pela m&iacute;dia que os acoberta e a &ldquo;moldura&rdquo; de aprecia&ccedil;&atilde;o mentirosa de empresas de auditoria e an&aacute;lise de risco (SANTINI 2010). <\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold;\">Informa&ccedil;&atilde;o reservada e informa&ccedil;&atilde;o para as maiorias<\/span><\/p>\n<p>&Eacute; importante para os cientistas da Comunica&ccedil;&atilde;o que avaliem o quanto respons&aacute;vel tamb&eacute;m &eacute; a cobertura midi&aacute;tica, no sentido de omitir, desinformar, n&atilde;o informar, confundir, criar narrativas de tipo est&oacute;ria-cobertura, desconectando rela&ccedil;&otilde;es de for&ccedil;a de extrema import&acirc;ncia, fundamentais para a compreens&atilde;o das quest&otilde;es-chave dos mecanismos de domina&ccedil;&atilde;o capitalista em sua etapa financeira &agrave; margem do conhecimento da maioria da popula&ccedil;&atilde;o mundial. A aus&ecirc;ncia de not&iacute;cias esclarecedoras impede que a sociedade tome por reais eventos que lhe s&atilde;o pertinentes em virtude da invisibilidade midi&aacute;tica, prejudicando assim a din&acirc;mica social.<\/p>\n<p>De acordo com Bola&ntilde;o, pode-se afirmar que as contradi&ccedil;&otilde;es inerentes &agrave; forma capitalista da informa&ccedil;&atilde;o se condensam sob o bin&ocirc;mio informa&ccedil;&atilde;o reservada\/informa&ccedil;&atilde;o para a massa, utilizado como instrumento de domina&ccedil;&atilde;o no sentido t&eacute;cnico do termo. <\/p>\n<p><span style=\"font-style: italic;\">Do ponto de vista do capital, o primeiro lado engloba tanto a informa&ccedil;&atilde;o diretamente relacionada ao processo de produ&ccedil;&atilde;o quanto a voltada para as estrat&eacute;gias do capital individual perante os demais capitais individuais no que se refere ao dom&iacute;nio do conhecimento t&eacute;cnico e do conhecimento sobre as condi&ccedil;&otilde;es conjunturais gerais que afetam a produ&ccedil;&atilde;o capitalista, incluindo-se a&iacute; a troca da mercadoria informa&ccedil;&atilde;o e todas as informa&ccedil;&otilde;es ligadas aos atos de interc&acirc;mbio entre os diferentes capitais industriais, comerciais ou financeiros. O segundo lado do bin&ocirc;mio, ainda do ponto de vista do capital, &eacute; definido pela forma publicidade de propaganda (BOLA&Ntilde;O, 2000, p. 58).<\/span><\/p>\n<p>No entanto, h&aacute; que se ressalvar que com a ampla circula&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es de todo o tipo atrav&eacute;s da rede mundial de computadores, a internet, os cidad&atilde;os que desejem informar-se e estar a par de todo o tipo de conte&uacute;dos, reais ou fict&iacute;cios, verdadeiros ou mentirosos, podem contar tamb&eacute;m com essa fonte. O problema s&atilde;o os chamados custos de informa&ccedil;&atilde;o, tornando-se elevados em fun&ccedil;&atilde;o da sobrecarga e do esfor&ccedil;o necess&aacute;rio e subseq&uuml;ente de reinterpretar os c&oacute;digos de especialistas, tornando-os outra vez comunica&ccedil;&atilde;o mediada, dessa vez difundida atrav&eacute;s de redes alternativas de pequeno ou m&eacute;dio alcance. Para os n&atilde;o-especialistas, o eixo de compreens&atilde;o do capitalismo contempor&acirc;neo ainda passa pela recep&ccedil;&atilde;o e consumo de informa&ccedil;&atilde;o, pouco ou nada interpretada, emitida atrav&eacute;s dos l&iacute;deres dos oligop&oacute;lios midi&aacute;ticos em escala nacional, continental ou planet&aacute;ria. De toda forma, a credibilidade (ou a falta desta) dos ve&iacute;culos tradicionais os coloca &agrave; frente na possibilidade de alertar e fomentar o debate sobre determinados assuntos, inclusive os econ&ocirc;micos.<\/p>\n<p><span style=\"font-style: italic;\">O que impede a livre e irrestrita divulga&ccedil;&atilde;o de pensamento dos diversos segmentos sociais s&atilde;o os interesses econ&ocirc;micos e\/ou pol&iacute;ticos das empresas jornal&iacute;sticas e dos monop&oacute;lios da ind&uacute;stria cultural. No cen&aacute;rio das pr&aacute;ticas de democracia participativa, o jornalismo deve ser entendido como um lugar de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimentos singulares sobre a din&acirc;mica imediata da realidade social e um campo de media&ccedil;&atilde;o discursiva dos interesses, conflitos e opini&otilde;es que disputam o acesso &agrave; esfera p&uacute;blica nas sociedades democr&aacute;ticas. Para que tal cen&aacute;rio se efetive, a forma&ccedil;&atilde;o desses profissionais deve atentar para a emerg&ecirc;ncia de novas cartografias, nas quais os projetos n&atilde;o se realizam apenas como inser&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento na carreira, mas principalmente com implica&ccedil;&atilde;o e envolvimento nas quest&otilde;es que permeiam as pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o. (DIB, AGUIAR e BARRETO, 2010, p. 14).<\/span><\/p>\n<p>Quando a aus&ecirc;ncia normativa da democracia participativa se encontra com a premedita&ccedil;&atilde;o, eis a enuncia&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas econ&ocirc;micas dos fatos previamente consumados. No caso, segue-se a m&aacute;xima da conservadora inglesa Margareth Thatcher; ao assumir o governo do reino em 1979 a mesma afirmou que no quesito da pol&iacute;tica econ&ocirc;mica, por fora do receitu&aacute;rio neocl&aacute;ssico implantado: &ldquo;N&atilde;o h&aacute; alternativa!&rdquo; (PEREIRA, 2010). Quando h&aacute; pouca margem de manobra para os governos de turno, as pol&iacute;ticas distributivas balan&ccedil;am ainda mais r&aacute;pidas. As regras da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia s&atilde;o r&iacute;gidas para as pol&iacute;ticas econ&ocirc;micas dos Estados. Prev&ecirc;-se como &ldquo;acordo&rdquo;, m&aacute;ximo 3% de d&eacute;ficit p&uacute;blico e 60% de endividamento (VARGAS, 2010). Diante deste constrangimento, o pragmatismo dos aderentes do modelo burgu&ecirc;s de democracia indireta sempre tende a preferir o mal menor. Este mal &eacute; o atirar-se nos &ldquo;bra&ccedil;os demon&iacute;acos&rdquo; do capital financeiro.  <\/p>\n<p>Tanto especuladores quanto o pr&oacute;prio Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI) atuam para dar liquidez &agrave; economia de Estados cujo caixa foi sendo esvaziado justamente por socorrer ao sistema financeiro quando atos de gerentes de mesas de opera&ccedil;&otilde;es deram seq&uuml;&ecirc;ncia &agrave; compra e venda de carteiras de pap&eacute;is sem lastro algum. <\/p>\n<p>A conta que j&aacute; foi paga em 2008 vem em dobro: juros causam d&eacute;ficit nos cofres p&uacute;blicos, abalando fortemente as pol&iacute;ticas sociais que deram sustenta&ccedil;&atilde;o &agrave; Europa no p&oacute;s 2&ordf; Guerra. A resist&ecirc;ncia contra investidas anteriores de restaura&ccedil;&atilde;o conservadora dera-se pela combatividade (literal) da esquerda social e suas alas extremas, tendo que disputar nas ruas e contra as pol&iacute;ticas de atrelamento e subordina&ccedil;&atilde;o de vontades pol&iacute;ticas vindas da social-democracia europ&eacute;ia. <\/p>\n<p>&Eacute; bom refor&ccedil;ar esta aprecia&ccedil;&atilde;o realista; os direitos sociais dos trabalhadores europeus mantiveram-se assegurados at&eacute; ent&atilde;o apesar de todo o esfor&ccedil;o entreguista e de abandono de posi&ccedil;&otilde;es por parte da suposta &ldquo;ex-esquerda&rdquo; reformista e melhorista que disputa os governos de turno do capitalismo europeu. Diante da &ldquo;crise&rdquo;, o modelo de pol&iacute;tica entra em crise. Assim, ao menos a luta social em sua forma classista ganha a dianteira das negocia&ccedil;&otilde;es indiretas, onde a trai&ccedil;&atilde;o de eleitores &eacute; a norma, subordinando os poderes constitu&iacute;dos pelas rela&ccedil;&otilde;es de fato, caracterizando os Parlamentos em um espa&ccedil;o de insulamento para pol&iacute;ticos profissionais atrelarem sua interven&ccedil;&atilde;o aos des&iacute;gnios de banqueiros e executivos de conglomerados e fundos de investimento. Se observarmos as decis&otilde;es do Parlamento grego, e o acordo dos &ldquo;socialistas&rdquo; (Movimento Socialista Pan-Hel&ecirc;nico &ndash; PASOK &#8211; liderado por Giorgos Papandreu) do partido ortodoxo de extrema-direita (Alian&ccedil;a Popular Ortodoxa &ndash; LAOS) e da direita representada pelo partido Nova Democracia &#8211; ND, nota-se a materializa&ccedil;&atilde;o do conceito narrado acima (PALAISTIDIS &amp; P&Eacute;REZ, 2010). <\/p>\n<p>H&aacute; no contexto atual a id&eacute;ia de mercado livre, onde a concorr&ecirc;ncia entre os capitais atuaria como justi&ccedil;a social. Dentro desse contexto, o papel do Estado fica minimizado, garantindo a liberdade das transa&ccedil;&otilde;es dos capitais, que, sem a regula&ccedil;&atilde;o de &oacute;rg&atilde;o algum, seria a balizadora da democracia.<\/p>\n<p><span style=\"font-style: italic;\">Para os entusiastas do mercado livre, a uni&atilde;o do capitalismo avan&ccedil;ado com a democracia de massas n&atilde;o apresentou qualquer problema, visto terem definido a boa sociedade como aquela que aumentou a liberdade de escolha pessoal e terem visto o mecanismo de mercado como aquele que melhor garante a informa&ccedil;&atilde;o, o debate aberto e a diversidade de id&eacute;ias e argumentos exigidos pela delibera&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica nas democracias de massa. (MURDOCK, 2006, p. 16).<\/span><\/p>\n<p>Para os estudiosos da Economia Pol&iacute;tica da Comunica&ccedil;&atilde;o fica n&iacute;tido, no entanto, que n&atilde;o h&aacute; possibilidade de que seja gerada uma concorr&ecirc;ncia perfeita. Al&eacute;m disso, entende-se que o mercado por si mesmo &eacute; uma for&ccedil;a agindo contra a democracia, como pode ser visto no caso das empresas de m&iacute;dia que corroboram com esquemas de negocia&ccedil;&atilde;o que al&eacute;m de n&atilde;o beneficiarem a maioria da popula&ccedil;&atilde;o envolvida ainda fazem parte de a&ccedil;&otilde;es que poderiam ser julgadas como criminosas tanto dentro dos preceitos &eacute;ticos da humanidade como na maior parte da legisla&ccedil;&atilde;o vigente dentro do pr&oacute;prio capitalismo. Por serem respons&aacute;veis por informar ou manter desinformada a grande massa humana mundial, deve-se atentar ao poder das empresas de m&iacute;dia especialmente em rela&ccedil;&atilde;o ao simb&oacute;lico, j&aacute; que perpetuam comportamentos, indicando a agenda de assuntos que devem ser considerados importantes pelos espectadores. Seguindo esse pensamento, Murdock coloca:<\/p>\n<p><span style=\"font-style: italic;\">Em contrapartida, os economistas pol&iacute;ticos cr&iacute;ticos identificam a incompatibilidade entre o capitalismo e a democracia como fundamental e estrutural. Para eles, o fato dos servi&ccedil;os culturais e de comunica&ccedil;&atilde;o centrais &ndash; jornais, est&uacute;dios de cinema e grava&ccedil;&atilde;o, editoras de livros, canais de televis&atilde;o &ndash; serem propriedade privada de acionistas, cujo maior interesse &eacute; aumentar o rendimento do seu investimento ao desenvolver as suas ambi&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas ou pol&iacute;ticas, privilegia necessariamente os interesses pessoais em detrimento dos interesses p&uacute;blicos. (MURDOCK, op. cit., p.17).<\/span><\/p>\n<p>Conforme denuncia Murdock, as inten&ccedil;&otilde;es das empresas de comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o vazias, mas sim comprometidas com determinados &acirc;ngulos de vis&atilde;o, determinados poderes sociais estabelecidos. Voltando &agrave; quest&atilde;o do jornalismo econ&ocirc;mico propriamente dito, pode-se observar que as dificuldades da cobertura de fatos dessa ordem n&atilde;o est&atilde;o somente vinculadas &agrave;s dificuldades de compreens&atilde;o do cidad&atilde;o comum, com pouco conhecimento da &aacute;rea. Baseiam-se, principalmente, na vontade dos jornalistas desse campo em manter sua &aacute;rea de atua&ccedil;&atilde;o em &ldquo;elevado&rdquo; conceito, no sentido de atender principalmente &agrave;s elites constitu&iacute;das:<\/p>\n<p><span style=\"font-style: italic;\">No jornalismo dedicado &agrave; economia, um dos principais problemas de linguagem est&aacute; no fato de ele se dirigir a pelo menos dois p&uacute;blicos bem diferenciados, que se comunicam por c&oacute;digos pr&oacute;prios: de um lado, especialistas, grandes empres&aacute;rios e profissionais do mercado; de outro, o grande p&uacute;blico e os pequenos empres&aacute;rios. O grande p&uacute;blico e os pequenos empres&aacute;rios sentem-se permanentemente agredidos pela linguagem t&eacute;cnica inevitavelmente usada no jornalismo econ&ocirc;mico. Os mecanismos principais da economia n&atilde;o s&atilde;o necessariamente complexos numa primeira aproxima&ccedil;&atilde;o, mas h&aacute; detalhes, &agrave;s vezes importantes, de explica&ccedil;&atilde;o dif&iacute;cil. Freq&uuml;entemente as pr&oacute;prias fontes do mercado alimentam uma aura de mist&eacute;rio em torno de suas transa&ccedil;&otilde;es, disseminando express&otilde;es ex&oacute;ticas. (KUCINSKI, op.cit., p. 168).<\/span><\/p>\n<p>Como exemplo disso, a Gr&eacute;cia teve seus informes financeiros co-controlados tanto pelos tecnocratas do Estado como pelos &ldquo;t&eacute;cnicos&rdquo; do Banco Goldman Sachs. Este banco &eacute; um dos maiores operadores da suposta crise financeira, na verdade um grande golpe de especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria que levou a maior transfer&ecirc;ncia de renda dos cofres dos Estados do Centro do capitalismo para saldar as d&iacute;vidas e rombos das empresas golpistas (ESTRADA, 2010). <\/p>\n<p>Para complicar, n&atilde;o vem sendo &ldquo;apenas e t&atilde;o somente&rdquo; as assessorias financeiras as respons&aacute;veis pela fraude de informa&ccedil;&atilde;o e transfer&ecirc;ncia de riquezas para os bancos e fundos de investimento. O mascaramento de realidades, a mentira factual pura e simples assim como a invers&atilde;o do &acirc;ngulo de an&aacute;lise s&atilde;o tamb&eacute;m obra e gra&ccedil;a da m&iacute;dia profissional, tanto a generalista (alimentada por TVs e ag&ecirc;ncias informativas) como os de maior cumplicidade, promovida pelos supostos especialistas em economia. Vejamos dois exemplos dessas assertivas. <\/p>\n<p>Um exemplo gritante da abordagem midi&aacute;tica &eacute; a repercuss&atilde;o acr&iacute;tica da aprecia&ccedil;&atilde;o das empresas de an&aacute;lise de risco, que rebaixam ou aumentam a &ldquo;confiabilidade&rdquo; dos pap&eacute;is (t&iacute;tulos da d&iacute;vida p&uacute;blica dos pa&iacute;ses, em formato digital) emitidos pelos Estados. Quando a ag&ecirc;ncia de classifica&ccedil;&atilde;o de risco Moody&rsquo;s avisara que iria, dentro de um curto prazo (poucos dias, em algumas semanas) rebaixar a aprecia&ccedil;&atilde;o dos pap&eacute;is da d&iacute;vida grega e portuguesa (EL PA&Iacute;S, 2010), esse enunciado ganha ares de verdade, passando a ecoar como factual. Quando contrapomos as &ldquo;supostas&rdquo; verdades das ag&ecirc;ncias de risco, nos deparamos que s&atilde;o as mesmas, ou quase as mesmas empresas que operam como parte da engrenagem das fraudes financeiras em escala mundial. <\/p>\n<p>Mas a cr&iacute;tica da abordagem midi&aacute;tica vai al&eacute;m do desmascaramento de uma fonte n&atilde;o cr&iacute;vel. O tema do flagelo dos gregos, e a her&oacute;ica resist&ecirc;ncia que est&aacute; nas ruas, n&atilde;o foram provocados por Zeus nem pelos deuses do Olimpo, mas por homens e mulheres que operam com informa&ccedil;&atilde;o privilegiada e por dentro dos sistemas financeiros oficiais e oficiosos. Existe uma prova cabal de cumplicidade midi&aacute;tica e a&ccedil;&atilde;o orquestrada dos mega-especuladores, planificando a quebra da Gr&eacute;cia e a deprecia&ccedil;&atilde;o da moeda da Zona Euro. &Eacute; a demonstra&ccedil;&atilde;o de que n&atilde;o se trata de uma crise inexor&aacute;vel, mas sim um ato premeditado por indiv&iacute;duos daquilo que nos EUA se chama de Assassinos Econ&ocirc;micos e alguns cr&iacute;ticos europeus d&atilde;o o nome de Delinq&uuml;entes Financeiros (PERKINS, 2005). <\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold;\">A grande conspira&ccedil;&atilde;o evidenciada<\/span><\/p>\n<p>Imaginemos um t&iacute;tulo do artigo assinado que fala por si: &ldquo;O neg&oacute;cio de quebrar um pa&iacute;s&rdquo;, assinado pela colunista e co-editora de Economia do Di&aacute;rio P&uacute;blico, Amparo Estrada (ESTRADA, 2010), editado em Madri, que cobre a Espanha e a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia. Trata-se de uma publica&ccedil;&atilde;o (impressa e digital), de tipo comercial (n&atilde;o &eacute; m&iacute;dia alternativa ou sindical), mas que trabalha com informa&ccedil;&atilde;o precisa e com pouco &iacute;ndice de censura. A colunista de economia, por sua ep&iacute;grafe e abordagem citando a John Kenneth Galbraith, n&atilde;o &eacute; uma autogestion&aacute;ria e sim uma keynesiana. Ou seja, trata-se de informa&ccedil;&atilde;o provinda vinda de conhecedores dos ambientes internos do aparelho de Estado a servi&ccedil;o do capital financeiro e n&atilde;o nas barricadas que o combatem.<\/p>\n<p>O resumo &eacute; simples. Estrada nos conta que no dia 8 de fevereiro, no endere&ccedil;o localizado no n&uacute;mero 767 da 3&ordf; Avenida, em plena Nova Iorque, houve uma reuni&atilde;o de not&aacute;veis &ldquo;jogadores vorazes&rdquo; do mercado de capitais. Ali se combinou de comum acordo, desvalorizar o euro e romper o que restara da coluna vertebral da Gr&eacute;cia. Neste epis&oacute;dio, cujo local f&iacute;sico era a sede da Monness, Crespi e Hardt (www.mchny.com; empresa que opera atrav&eacute;s de uma subsidi&aacute;ria da Goldman Sachs) estavam presentes, dentre outros operadores financeiros em escala planet&aacute;ria: Aaron Cowen, representante da SAC Capital Advisors, empresa fundada por Steven A. Cohen e que maneja 16.000 bilh&otilde;es de d&oacute;lares em fundos de investimento; David Einhorn, da Greenlight Capital, participante do ataque derradeiro a Lehman Brothers ocorrido no outono de 2008; Donald Morgan, da Brigade Capital, cuja mensagem organizacional ressalta que, dentre seus produtos incluem-se ativos t&oacute;xicos ou pap&eacute;is podres (BRIGADE CAPITAL, 2010); al&eacute;m de, obviamente, um representante do Fundo Soros. Nos diz a colunista do Di&aacute;rio P&uacute;blico que, fora nesta noite do inverno na Am&eacute;rica do Norte quando se combinou, de forma orquestrada, um ataque aos pap&eacute;is gregos.  <\/p>\n<p>Tamb&eacute;m assegura a especialista que n&atilde;o se trata de evento aleat&oacute;rio e menos ainda de teoria conspirat&oacute;ria. O que de fato ocorre s&atilde;o reuni&otilde;es peri&oacute;dicas, desta envergadura, incluindo uma reuni&atilde;o semelhante, datada em plena quebradeira fraudulenta do segundo semestre de 2008. O lado de acobertamento midi&aacute;tico d&aacute;-se pela cobertura de publica&ccedil;&otilde;es &ldquo;especializadas&rdquo;. O Wall Street Journal dera uma relev&acirc;ncia normal e apagada ao evento, e isto em sua edi&ccedil;&atilde;o de 26 de fevereiro de 2010 (PULLIAM, KELLY &amp; MOLLENKAMP, 2010). Ou seja, em plena era digital da comunica&ccedil;&atilde;o instant&acirc;nea, o portal de economia de Rupert Murdoch (controlador do conglomerado NEWS CORP, 2010) tarda 18 dias para dar uma informa&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica para o futuro de mais de 10 milh&otilde;es de cidad&atilde;os gregos. <\/p>\n<p>Afirmamos que houve a evid&ecirc;ncia da a&ccedil;&atilde;o criminosa premeditada e a correspondente cobertura c&uacute;mplice e irrespons&aacute;vel no sentido c&iacute;vico do jornalismo, mesmo que sob preceitos liberais. Quando, do esc&acirc;ndalo de Watergate (ver o portal j&aacute; citado a respeito do tema), os cinco operadores do Partido Republicano foram pegos espionando a sede dos Democratas em plena capital dos EUA, o caso passou ao largo e caiu no esquecimento dos leitores. Se n&atilde;o fosse a a&ccedil;&atilde;o dos rep&oacute;rteres e do ve&iacute;culo que os empregava, o jornal Washington Post, nada teria acontecido. <\/p>\n<p>Trinta e tr&ecirc;s anos depois, quando no segundo semestre de 2007 a especula&ccedil;&atilde;o financeira com carteiras imobili&aacute;rias come&ccedil;a a dar sinais de fraude, nenhuma grande m&iacute;dia foi &agrave; ca&ccedil;a sistem&aacute;tica dos autores do crime contra o interesse p&uacute;blico (DOWBOR, 2010). O quadro &eacute; mais agudo. Tr&ecirc;s d&eacute;cadas e meia ap&oacute;s, a maior parte dos grandes ve&iacute;culos, estando na forma de propriedade cruzada ou composi&ccedil;&atilde;o acion&aacute;ria, al&eacute;m de liderar o respectivo oligop&oacute;lio de m&iacute;dia em seus pa&iacute;ses ou regi&otilde;es, tamb&eacute;m s&atilde;o subsidi&aacute;rios diretos ou indiretos de conglomerados com elevados investimentos de risco na ciranda financeira. A conjun&ccedil;&atilde;o de interesses econ&ocirc;mico-financeiros, te&oacute;rico-ideol&oacute;gicos, e pol&iacute;tico-jur&iacute;dicos, &eacute; emitida em formatos de m&uacute;ltiplos produtos comunicacionais e circulam com linguagem de atenuantes da a&ccedil;&atilde;o premeditada.<\/p>\n<p>No caso da recente &ldquo;crise grega&rdquo;, como ponta de lan&ccedil;a da zona euro, houve premedita&ccedil;&atilde;o e ocultamento da informa&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Interessante anexarmos a isso o pensamento de que a m&iacute;dia age em parceria com seus financiadores, mas a sociedade sente-se impedida de impor &agrave;s empresas de comunica&ccedil;&atilde;o regras e valores que est&atilde;o baseados na &eacute;tica. Nesse sentido, Rothberg coloca que dois dos caminhos poss&iacute;veis seriam as empresas de comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blicas e a regula&ccedil;&atilde;o sobre as empresas privadas:<\/p>\n<p><span style=\"font-style: italic;\">Naturalmente, nos sistemas democr&aacute;ticos atuais n&atilde;o se admitem interven&ccedil;&otilde;es nas m&iacute;dias comerciais impressas para impor rumos ou valores. Assim, a resposta encontrada pelas sociedades democr&aacute;ticas para a provis&atilde;o de subs&iacute;dios para a cidadania informada tem vindo dos sistemas p&uacute;blicos de radiodifus&atilde;o, ou seja, atrav&eacute;s da a&ccedil;&atilde;o do Estado, de duas maneiras: primeiramente, na regula&ccedil;&atilde;o transparente da atua&ccedil;&atilde;o das emissoras comerciais que exploram concess&otilde;es p&uacute;blicas, para que elas atendam princ&iacute;pios da informa&ccedil;&atilde;o como subs&iacute;dio ao engajamento pol&iacute;tico; em segundo lugar, na forma da constru&ccedil;&atilde;o e da manuten&ccedil;&atilde;o de emissoras p&uacute;blicas, atadas &agrave;s exig&ecirc;ncias da cidadania informada. (ROTHBERG, op.cit., p. 1059).<\/span><\/p>\n<p>Apesar da observa&ccedil;&atilde;o do autor citado, salienta-se que mesmo espa&ccedil;os de m&iacute;dia privilegiados, como os canais p&uacute;blicos de televis&atilde;o, diversas for&ccedil;as sociais est&atilde;o em jogo, o que nem sempre permite que conte&uacute;dos que n&atilde;o s&atilde;o tratados em espa&ccedil;os comerciais ganhem evid&ecirc;ncia nesses espa&ccedil;os, quase que alternativos. A maioria dos governos, sejam eles de pa&iacute;ses, estados ou munic&iacute;pios, tem rela&ccedil;&otilde;es estreitas com os diversos espa&ccedil;os de comunica&ccedil;&atilde;o social, mantendo uma &ldquo;salutar e prudente&rdquo; dist&acirc;ncia de temas que possam interferir nessa proximidade, como &eacute; o caso, muitas vezes, das principais quest&otilde;es econ&ocirc;micas.<br \/>\n<br style=\"font-weight: bold;\" \/><br \/>\n<span style=\"font-weight: bold;\">Considera&ccedil;&otilde;es Finais<\/span><\/p>\n<p>A maior parte dos grandes ve&iacute;culos, estando na forma de propriedade cruzada ou composi&ccedil;&atilde;o acion&aacute;ria, al&eacute;m de liderar o respectivo oligop&oacute;lio de m&iacute;dia em seus pa&iacute;ses ou regi&otilde;es, tamb&eacute;m s&atilde;o subsidi&aacute;rios diretos ou indiretos de conglomerados com elevados investimentos de risco na ciranda financeira. A conjun&ccedil;&atilde;o de interesses econ&ocirc;mico-financeiros, te&oacute;rico-ideol&oacute;gicos, e pol&iacute;tico-jur&iacute;dicos, &eacute; emitida em formatos de m&uacute;ltiplos produtos comunicacionais e circulam com linguagem de atenuantes da a&ccedil;&atilde;o premeditada.<\/p>\n<p>Diante desse quadro de horror societ&aacute;rio onde se justifica o comportamento de predadores, cabe uma resultante anal&iacute;tica. Quando as decis&otilde;es fundamentais das sociedades passam por conspira&ccedil;&otilde;es de elites financeiras e com o acobertamento c&uacute;mplice da ind&uacute;stria midi&aacute;tica, a balan&ccedil;a &eacute; virada com a for&ccedil;a das ruas. Nesse sentido, o povo grego vem dando nos &uacute;ltimos anos, uma li&ccedil;&atilde;o para todo o mundo.<\/p>\n<p>* Bruno Lima Rocha &eacute; professor no Curso de Comunica&ccedil;&atilde;o Social da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), pesquisador do Grupo de Pesquisa CEPOS (apoiado pela Ford Foundation), doutor em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e vogal do Cap&iacute;tulo Brasil da Uni&atilde;o Latina de Economia Pol&iacute;tica da Informa&ccedil;&atilde;o, da Comunica&ccedil;&atilde;o e da Cultura (ULEPICC-BR). <\/p>\n<p>** Ana Maria Rosa &eacute; Mestre em comunica&ccedil;&atilde;o pela Unisinos, jornalista graduada pela UFRGS, membro do Grupo Cepos. <\/p>\n<p>*** Alexon Gabriel &eacute; Mestre em comunica&ccedil;&atilde;o pela Unisinos, jornalista graduado pela Unisinos e membro do Grupo Cepos. <\/p>\n<p>**** Rafael Cavalcanti &eacute; jornalista e editor-assistente do portal Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise e membro do Grupo Cepos. <\/p>\n<p>\n<span style=\"font-weight: bold;\">Refer&ecirc;ncias<\/span><\/p>\n<p>BOLA&Ntilde;O, C&eacute;sar. Ind&uacute;stria Cultural, Informa&ccedil;&atilde;o e Capitalismo. S&atilde;o Paulo: Hucitec\/Polis, 2000.<\/p>\n<p>BRIGADE CAPITAL. Brigade Capital; publicado em: http:\/\/brigadecapital.com\/index.html; arquivo consultado em 07 de julho de 2010.<\/p>\n<p>DIB, Sandra Korman; AGUIAR, Leonel Azevedo de; BARRETO, Ivana. Economia Pol&iacute;tica das cartografias profissionais: a forma&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica para o jornalismo. n: XIX Encontro Anual da COMP&Oacute;S, 2010, Rio de Janeiro. Dispon&iacute;vel em: &lt; http:\/\/www.compos.org.br\/data\/biblioteca_1493.doc &gt;. Acesso em 24 jun. 2010.<\/p>\n<p>DOWBOR, Ladislau. A crise financeira sem mist&eacute;rios; publicado em: http:\/\/dowbor.org\/crise\/09crisesemmist8.doc ; arquivo consultado em 07 de julho de 2010.<\/p>\n<p>EL PA&Iacute;S. Moody&rsquo;s avisa de una pronta rebaja a la deuda griega y portuguesa ; publicado em: http:\/\/www.elpais.com\/articulo\/economia\/Moody\/s\/avisa\/pronta\/rebaja\/deuda\/griega\/portuguesa\/elpepueco\/20100511elpepieco_6\/Tes ; arquivo consultado em 07 de julio de 2010. <\/p>\n<p>ESTRADA, Amparo. El negocio de hundir un pa&iacute;s; publicado em:  http:\/\/blogs.publico.es\/multiplicateporcero\/149\/el-negocio-de-hundir-un-pais\/ ; arquivo consultado em 07 de julho de 2010<\/p>\n<p>HARRY RAMSON CENTER. The Woodward and Bernstein Papers; publicado em http:\/\/www.hrc.utexas.edu\/exhibitions\/web\/woodstein\/; arquivo eletr&ocirc;nico consultado em 07 de julho de 2010 <\/p>\n<p>KUCINSKI, Bernardo. Jornalismo Econ&ocirc;mico. S&atilde;o Paulo: Editora da Universidade de s&atilde;o Paulo, 2007.<\/p>\n<p>LA CONTRA. La Vanguardia, Catalunha, 25\/09\/2008.  <\/p>\n<p>LIMA ROCHA, Bruno (a). 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Comprender lo incomprensible; publicado em http:\/\/www.estrategiaeanalise.com.br\/ler02.php?idsecao=c41fd8bdf2b7d02de4781eba911ea105&amp;&amp;idtitulo=b02755ffbfe06ee3a164f7b43a704520 ; arquivo eletr&ocirc;nico consultado em 07 de julho de 2010<\/p>\n<p>MONNESS, CRESPI E HARDT. http:\/\/www.mchny.com\/aboutus; arquivo consultado em 07 de julho de 2010<\/p>\n<p>MURDOCK, Graham. Transforma&ccedil;&otilde;es continentais: capitalismo, comunica&ccedil;&atilde;o e mudan&ccedil;a na Europa. In: SOUSA, Helena (Org.). Comunica&ccedil;&atilde;o, Economia e Poder. Porto: Porto Editora, 2006. <\/p>\n<p>NAVARRO,  Vincen. Lucha de clases en la UE; publicado em: http:\/\/www.vnavarro.org\/?p=4389#more-4389; arquivo eletr&ocirc;nico consultado em 07 de julho de 2010<\/p>\n<p>NEWS CORP. News &amp; Information Services; publicado em: http:\/\/www.newscorp.com\/operations\/newspapers.html ; arquivo consultado em 07 de julho de 2010.<\/p>\n<p>PALAISTIDIS, Dinos. P&Eacute;REZ, Angel. Textos de la conferencia de los compa&ntilde;eros griegos de ESE en las jornadas de CGT; publicado em: http:\/\/www.alasbarricadas.org\/noticias\/?q=node\/14333; arquivo eletr&ocirc;nico consultado em 07 de julho de 2010<\/p>\n<p>PEREIRA, Bresser. O fim da Era Thatcher; publicado em: http:\/\/www.bresserpereira.org.br\/view.asp?cod=3091 ; arquivo consultado em 07 de julho de 2010 <\/p>\n<p>PERKINS, John. Confiss&otilde;es de um assassino econ&ocirc;mico. S&atilde;o Paulo, Cultrix, 2005.<\/p>\n<p>PULLIAM, Susan; KELLY, Kate e MOLLENKAMP, Carrick. Hedge Funds Try &rsquo;Career Trade&rsquo; Against Euro; publicado em: http:\/\/online.wsj.com\/article\/SB10001424052748703795004575087741848074392.html ; arquivo consultado em 07 de julho de 2010<\/p>\n<p>ROTHBERG, Danilo . Informa&ccedil;&atilde;o e economia pol&iacute;tica da comunica&ccedil;&atilde;o no contexto da cidadania informada. 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Para evitar la bancarrota, los miembros del club mediterrann&eacute;e requieren un enorme pr&eacute;stamo; publicado em: http:\/\/www.nacion.com\/2010-06-16\/Opinion\/PaginaQuince\/Opinion2410492.aspx ; arquivo consultado em 07 de julio de 2010<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A maior parte dos grandes ve\u00edculos, estando na forma de propriedade cruzada ou composi\u00e7\u00e3o acion\u00e1ria, al\u00e9m de liderar o respectivo oligop\u00f3lio de m\u00eddia em seus pa\u00edses ou regi\u00f5es, tamb\u00e9m s\u00e3o subsidi\u00e1rios diretos ou indiretos de conglomerados com elevados investimentos de risco na ciranda financeira. 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