{"id":1524,"date":"2011-09-22T16:31:23","date_gmt":"2011-09-22T16:31:23","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1524"},"modified":"2011-09-22T16:31:23","modified_gmt":"2011-09-22T16:31:23","slug":"os-99-que-ocuparam-wall-street","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1524","title":{"rendered":"Os 99% que ocuparam Wall Street"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/wallstreet.jpg\" title=\"Manifestantes protestam contra especula\u00e7\u00e3o financeira promovida por Wall Street, centro da economia mundial.  - Foto:Indymedia\" alt=\"Manifestantes protestam contra especula\u00e7\u00e3o financeira promovida por Wall Street, centro da economia mundial.  - Foto:Indymedia\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Manifestantes protestam contra especula\u00e7\u00e3o financeira promovida por Wall Street, centro da economia mundial. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:Indymedia<\/small><\/figure>\n<p><em>Amy Goodman<\/em><\/p>\n<p>Se dois mil ativistas do movimento conservador Tea party se manifestaram em Wall Street, provavelmente haveria a mesma quantidade de jornalistas cobrindo o acontecimento. Duas mil pessoas ocuparam de fato Wall Street no s&aacute;bado. N&atilde;o levavam cartazes do Tea party, nem a bandeira de Gadsden com a serpente em espiral junto &agrave; amea&ccedil;a &ldquo;N&atilde;o te metas comigo&rdquo;. Mas sua mensagem era clara: &ldquo;Somos os 99% da popula&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o toleram mais a cobi&ccedil;a e a corrup&ccedil;&atilde;o do 1% restante&rdquo;, diziam. Ali estava uma maioria de jovens protestando contra a especula&ccedil;&atilde;o praticamente incontrol&aacute;vel de Wall Street, que provocou a crise financeira mundial.<\/p>\n<p>Um dos multimilion&aacute;rios mais conhecidos de Nova York, o prefeito Michael Bloomberg, comentou sobre o momento que vivemos: &ldquo;Muitos jovens saem da universidade e n&atilde;o encontram trabalho. Foi isso que aconteceu no Cairo e em Madrid. N&atilde;o queremos este tipo de dist&uacute;rbio aqui&rdquo;. Dist&uacute;rbio? A Primavera &Aacute;rabe e os protestos na Europa se trataram disso?<\/p>\n<p>&Eacute; prov&aacute;vel que, para desilus&atilde;o do prefeito Bloomberg, o que aconteceu no Egito e na Europa seja justamente o que inspirou muitas pessoas a ocupar Wall Street. Em comunicado recente, a coaliz&atilde;o de organiza&ccedil;&otilde;es que protestam em Nova York informou: &ldquo;No s&aacute;bado, realizamos uma assembl&eacute;ia geral com duas mil pessoas. Na segunda-feira, &agrave;s 20h, ainda est&aacute;vamos ocupando a pra&ccedil;a, apesar da presen&ccedil;a policial constante. Estamos construindo o mundo que queremos, tomando por base a necessidade humana e a sustentabilidade, no lugar da cobi&ccedil;a das empresas&rdquo;.<\/p>\n<p>Falando de Tea Party, o governador do Texas, Rick Perry, tem provocado pol&ecirc;mica durante os debates presidenciais republicanos com sua declara&ccedil;&atilde;o de que o elogiado sistema de previd&ecirc;ncia social dos Estados Unidos &eacute; &ldquo;uma estafa do tipo Ponzi&rdquo;. Charles Ponzi se dedicou a fraudar milhares de pessoas em 1920 com a promessa enganosa de que receberiam enormes ganhos a partir de investimentos. Uma t&iacute;pica estafa Ponzi consiste em tomar o dinheiro de v&aacute;rio investidores e os pagar com o dinheiro de novos investidores, em vez de pagar a partir de ganhos reais. O sistema de previd&ecirc;ncia social dos Estados Unidos &eacute; de fato s&eacute;rio: tem um fundo confi&aacute;vel de mais de 2,6 bilh&otilde;es de d&oacute;lares. A verdadeira estafa que amea&ccedil;a o povo estadunidense &eacute; a insaci&aacute;vel gan&acirc;ncia dos bancos de Wall Street.<\/p>\n<p>Entrevistei um dos organizadores do protesto Ocupemos Wall Street. David Graeber &eacute; professor em Goldsmiths, Universidade de Londres, e &eacute; autor de v&aacute;rios livros. Sua obra mais recente &eacute; D&iacute;vida: os primeiros 5.000 anos. Graeber assinala que, em meio &agrave; crise financeira de 2008, renegociaram-se d&iacute;vidas enormes de bancos. No entanto, pouqu&iacute;ssimas hipotecas receberam o mesmo tratamento. Graeber disse: &ldquo;As d&iacute;vidas entre os mais ricos ou entre governos sempre podem ser renegociadas e, de fato, sempre foi assim na hist&oacute;ria mundial. N&atilde;o est&atilde;o gravadas em pedras. Em termos gerais, quando os pobres t&ecirc;m d&iacute;vidas com os ricos, automaticamente as d&iacute;vidas se convertem em uma obriga&ccedil;&atilde;o sagrada, mais importante do que qualquer outra coisa. A id&eacute;ia de renegoci&aacute;-las &eacute; impens&aacute;vel&rdquo;. <\/p>\n<p>O presidente Barack Obama recentemente prop&ocirc;s um plano de cria&ccedil;&atilde;o de emprego e maiores esfor&ccedil;os para reduzir o d&eacute;ficit p&uacute;blico. Uma das propostas &eacute; o chamado &ldquo;imposto aos milion&aacute;rios&rdquo;, que conta com o apoio do multimilion&aacute;rio e partid&aacute;rio de Obama Warren Buffet. Os republicanos denominaram o imposto de &ldquo;guerra de classes&rdquo;.<\/p>\n<p>Graeber explica: &ldquo;Durante os &uacute;ltimos 30 anos vimos os mais ricos de nossa sociedade liderarem uma guerra pol&iacute;tica contra todos os demais, e esta &eacute; considerada a mais recente disputa, uma medida totalmente disfuncional do ponto de vista pol&iacute;tico e econ&ocirc;mico. Esse &eacute; o motivo pelo qual os jovens simplesmente abandonaram qualquer id&eacute;ia de recorrer aos pol&iacute;ticos. Todos sabemos o que acontecer&aacute;. Os impostos de Obama s&atilde;o uma esp&eacute;cie de simula&ccedil;&atilde;o com car&aacute;ter populista, que todos sabem que ser&aacute; recha&ccedil;ado. Na realidade, o que provavelmente vai acontecer &eacute; que haver&aacute; mais cortes nos servi&ccedil;os sociais&rdquo;.<\/p>\n<p>L&aacute; fora, na manh&atilde; fria de quarta-feira, os manifestantes iniciaram o quarto dia de protestos com uma marcha em meio &agrave; forte presen&ccedil;a policial. Fizeram soar a campanhia de abertura da &ldquo;bolsa do povo&rdquo; &agrave;s 9h30, exatamente na mesma hora que soa a campanhia da Bolsa de Nova York. Enquanto os banqueiros continuam seguros dentro de seus bancos resgatados, l&aacute; fora, a pol&iacute;cia prende manifestantes. Em um mundo justo, com uma economia justa, caberia perguntar: quem deveria estar passando frio l&aacute; fora? Quem deveria ser preso?<\/p>\n<p>\n______________________<\/p>\n<p>Denis Moynihan colaborou na produ&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica desta coluna. <br \/>\n@2010 Amy Goodman <\/p>\n<p>Texto em ingl&ecirc;s traduzido por Mercedes Camps y <a href=\"mailto:spanish@democracynow.org \">Democracy Now! em espanhol<\/a>. <\/p>\n<p>Esta vers&atilde;o &eacute; exclusiva de Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise para o portugu&ecirc;s. O texto em espanhol traduzido para o portugu&ecirc;s por Rafael Cavalcanti Barreto, e revisado por Bruno Lima Rocha. As opini&otilde;es adjuntas ao texto s&atilde;o de exclusiva responsabilidade dos editores de Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise. <\/p>\n<p>Amy Goodman &eacute; &acirc;ncora do <a href=\"http:\/\/www.democracynow.org\/\">Democracy Now!<\/a>, um notici&aacute;rio internacional que emite conte&uacute;do di&aacute;rio para mais de 650 emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o em ingl&ecirc;s, e mais de 250 em espanhol. &Eacute; co-autora do livro &ldquo;Os que lutam contra o sistema: Her&oacute;is ordin&aacute;rios em tempos extraordin&aacute;rios nos Estados Unidos&rdquo;, editado pelo Le Monde Diplomatique do Cone Sul.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manifestantes protestam contra especula\u00e7\u00e3o financeira promovida por Wall Street, centro da economia mundial. 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