{"id":1551,"date":"2011-11-19T15:19:40","date_gmt":"2011-11-19T15:19:40","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1551"},"modified":"2011-11-19T15:19:40","modified_gmt":"2011-11-19T15:19:40","slug":"periferia-e-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1551","title":{"rendered":"Periferia e pobreza"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/fundao5.jpg\" title=\"A luta contra as desigualdades sociais do Brasil tamb\u00e9m passa por a\u00e7\u00f5es no campo da educa\u00e7\u00e3o, como a alfabetiza\u00e7\u00e3o de jovens e adultos. - Foto:carlayedieneuneb.blogspot \" alt=\"A luta contra as desigualdades sociais do Brasil tamb\u00e9m passa por a\u00e7\u00f5es no campo da educa\u00e7\u00e3o, como a alfabetiza\u00e7\u00e3o de jovens e adultos. - Foto:carlayedieneuneb.blogspot \" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A luta contra as desigualdades sociais do Brasil tamb\u00e9m passa por a\u00e7\u00f5es no campo da educa\u00e7\u00e3o, como a alfabetiza\u00e7\u00e3o de jovens e adultos.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:carlayedieneuneb.blogspot <\/small><\/figure>\n<p>19 de novembro de 2011, do Rio de Janeiro, <em>Alejandro Rubio<\/em><\/p>\n<p>Estou entrando na metr&oacute;pole. Costumo dizer que ela &eacute; igual a todas as outras, possuindo uma coroa cinza de polui&ccedil;&atilde;o, ar pesado, tr&acirc;nsito lento, barulho, favelas, viol&ecirc;ncia e muita pobreza. Fa&ccedil;o uma reflex&atilde;o: por que ser&aacute; que ainda existe tanta pobreza se o ser humano, a cada dia que passa, consegue produzir mais e mais riqueza? Ali&aacute;s, segundo a economia, quanto mais produzimos, mais achamos que precisamos para existir. O pobre de hoje tem condi&ccedil;&otilde;es de vida da mesma forma que um nobre tinha h&aacute; 300 anos. Mas minha reflex&atilde;o anda por outros caminhos&#8230; Ser&aacute; que antigamente eles tinham uma vida melhor?<\/p>\n<p>Falando das metr&oacute;poles latino-americanas, por que ser&aacute; que esta Am&eacute;rica t&atilde;o rica tem filhos pobres? Antes da revolu&ccedil;&atilde;o industrial, a vida de cada fam&iacute;lia era de subsist&ecirc;ncia, onde cada grupo produzia seus alimentos, moradia, roupa e apenas fazia escambo do excedente, surgindo algumas profiss&otilde;es como sapateiro, m&eacute;dico, dentista, parteira, roupeiro e v&aacute;rias outras. Nada disso as deixava livres da fome, do frio e das injusti&ccedil;as muito comuns naquela &eacute;poca.<\/p>\n<p>Na revolu&ccedil;&atilde;o industrial, as crian&ccedil;as a partir de seis anos eram colocadas para trabalhar em p&eacute;ssimas condi&ccedil;&otilde;es, chegando a completar turnos de 18 horas por dia nos sete dias da semana. O capital aparece e justifica as teses de Marx, o prolet&aacute;rio deve se unir contra o dem&ocirc;nio capitalista. Ao inv&eacute;s de termos benef&iacute;cios com o emprego, o capital aumentou a diferen&ccedil;a entres as classes sociais. A desagrega&ccedil;&atilde;o familiar foi outra consequ&ecirc;ncia; muitas pessoas come&ccedil;aram a migrar sem sua fam&iacute;lia, visto que a ind&uacute;stria apenas oferecia alojamento para o trabalhador, deixando a fam&iacute;lia de fora. O &ecirc;xodo cresceu de tal maneira que as cidades come&ccedil;aram a inchar desproporcionalmente, tornando-se o que conhecemos hoje.<\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida de que devemos impedir o avan&ccedil;o do capital em nome da gan&acirc;ncia de poucos que chegaram ao poder por meios escusos. Todo tipo de injusti&ccedil;a se justifica, do trabalho escravo a manobras para deixar o pobre mais pobre. O arsenal da pessoa endinheirada passa pela manipula&ccedil;&atilde;o das bolsas (onde o pobre coloca sua poupan&ccedil;a na ilus&atilde;o de ganhar um pouco, quando na realidade ela &eacute; usada pelos grandes para fins inconfess&aacute;veis), na explora&ccedil;&atilde;o do trabalho escravo, a corrup&ccedil;&atilde;o governamental e a imposi&ccedil;&atilde;o de regras de jogo que s&oacute; beneficiam o grande capital.<\/p>\n<p>Mas como o ser humano conseguiu diminuir a desigualdade? As profiss&otilde;es n&atilde;o diminu&iacute;ram a pobreza, o emprego industrial menos ainda; o sindicalismo &eacute; uma mera c&oacute;pia do capitalismo, no qual o sindicalista para de ajudar seus colegas por montanhas de dinheiro; e as revolu&ccedil;&otilde;es de esquerda mudaram o foco para o totalitarismo ou para a destrui&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica das fontes de produ&ccedil;&atilde;o. A grande resposta para essa pergunta &eacute; simples: estudo, capacita&ccedil;&atilde;o, aprendizado.<\/p>\n<p>Na idade m&eacute;dia, apenas os nobres, os altos funcion&aacute;rios p&uacute;blicos e os religiosos aprendiam a ler. Ap&oacute;s o descobrimento de Am&eacute;rica e com a inven&ccedil;&atilde;o de imprensa por Gutemberg, os livros passaram a ser mais difundidos, mas ainda muito caros e poucos os podiam ler. O povo n&atilde;o sabia ler!<\/p>\n<p>Na alvorada do s&eacute;culo 20, quando chegamos <em>per fare l`America<\/em>, encontramos casa, comida e educa&ccedil;&atilde;o, ainda que muito prec&aacute;ria, mas em uma base mais firme da que se tinha na Europa faminta. Por aqui n&atilde;o vemos o problema que eles possuem at&eacute; hoje: falta de espa&ccedil;o para crescer e plantar. Esfor&ccedil;os gigantescos foram feitos, baseados na teoria aprovada por Dom Pedro I de que governar &eacute; povoar, e que o imigrante trazia sua experi&ecirc;ncia em trabalho, sua vontade de progredir e um componente importante: muitos deles j&aacute; eram na sua terra professores e vieram para aqui ensinando o que j&aacute; sabiam, adaptando o seu conhecimento &agrave; nova p&aacute;tria.<\/p>\n<p>O livro que ainda era raro por aqui come&ccedil;ou a ser produzido em escala industrial. Foram criadas bibliotecas p&uacute;blicas, foi dado incentivo ao plantio de &aacute;rvores para a produ&ccedil;&atilde;o de papel e a importa&ccedil;&atilde;o de maquin&aacute;rios para ind&uacute;stria gr&aacute;fica foi desonerada. E o mais importante: com poucos recursos, foi iniciada a tarefa da forma&ccedil;&atilde;o de professores, que tanto benef&iacute;cios trouxe a todos. O conhecimento liberta e a leitura &eacute; a fonte do conhecimento.<\/p>\n<p>Nenhum povo sem preparo e sem cultura consegue aprimorar sua vida. Na minha juventude, o terceiro mundo era composto pela Am&eacute;rica Latina, &Aacute;sia e &Aacute;frica. Sabemos que os asi&aacute;ticos investiram pesadamente em educa&ccedil;&atilde;o e hoje est&atilde;o no primeiro mundo.<\/p>\n<p>O que ser&aacute; que nos falta por aqui?<\/p>\n<p>\n*<em> Alejandro Rubio ama os livros e trabalha em um <a href=\"http:\/\/www.livronauta.com.br\">Sebo<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A luta contra as desigualdades sociais do Brasil tamb\u00e9m passa por a\u00e7\u00f5es no campo da educa\u00e7\u00e3o, como a alfabetiza\u00e7\u00e3o de jovens e adultos. Foto:carlayedieneuneb.blogspot 19 de novembro de 2011, do Rio de Janeiro, Alejandro Rubio Estou entrando na metr&oacute;pole. 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