{"id":1557,"date":"2011-11-29T08:24:44","date_gmt":"2011-11-29T08:24:44","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1557"},"modified":"2011-11-29T08:24:44","modified_gmt":"2011-11-29T08:24:44","slug":"arqueologia-de-ideias-a-ancestralidade-recente-do-nieg","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1557","title":{"rendered":"Arqueologia de ideias: a ancestralidade recente do NIEG"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/NOTIC_20111019145050bolsa_japao.jpg&#038;w=336&#038;h=245&#038;c=S\" title=\"NIEG trabalha com as rela\u00e7\u00f5es entre comunica\u00e7\u00e3o e capital financeiro. Em outras palavras, estuda a alma do capitalismo econ\u00f4mico e tudo aquilo que a grande m\u00eddia n\u00e3o se dar\u00e1 o trabalho de explicar ao cidad\u00e3o comum.  - Foto:economiasc\" alt=\"NIEG trabalha com as rela\u00e7\u00f5es entre comunica\u00e7\u00e3o e capital financeiro. Em outras palavras, estuda a alma do capitalismo econ\u00f4mico e tudo aquilo que a grande m\u00eddia n\u00e3o se dar\u00e1 o trabalho de explicar ao cidad\u00e3o comum.  - Foto:economiasc\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">NIEG trabalha com as rela\u00e7\u00f5es entre comunica\u00e7\u00e3o e capital financeiro. Em outras palavras, estuda a alma do capitalismo econ\u00f4mico e tudo aquilo que a grande m\u00eddia n\u00e3o se dar\u00e1 o trabalho de explicar ao cidad\u00e3o comum. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:economiasc<\/small><\/figure>\n<p>29 de novembro, da Vila Setembrina, <em>Bruno Lima Rocha<\/em><\/p>\n<p>Este texto &eacute; um ensaio a respeito de uma ancestralidade recente, a cria&ccedil;&atilde;o de uma fonte de cr&iacute;tica te&oacute;rica e ativismo pol&iacute;tico, indo de encontro &agrave; hegemonia do capital financeiro dentro do pensamento econ&ocirc;mico vinculado ao status quo. A hist&oacute;ria &eacute; relativamente simples. Em mar&ccedil;o do corrente ano, o Grupo Cepos me delegou a tarefa de construir uma proposta ousada, germinada em Semin&aacute;rio Internacional que realizamos com o Grupo coirm&atilde;o Tecmer&iacute;n, localizado na Universidade Carlos III, no campus de Getafe, Comuna de Madri (Espanha) em janeiro &uacute;ltimo. Na ocasi&atilde;o, ao ser questionado a que tema me dedicava como pesquisador, afirmei que gostaria de analisar as rela&ccedil;&otilde;es cruzadas entre m&iacute;dia hegem&ocirc;nica (corporate media) e a financeiriza&ccedil;&atilde;o da economia capitalista, reproduzindo a naturaliza&ccedil;&atilde;o do capital na sua forma de bem simb&oacute;lico. Tr&ecirc;s meses depois e a ideia que surgira por evid&ecirc;ncias emp&iacute;ricas e urg&ecirc;ncias te&oacute;ricas e pol&iacute;ticas toma a forma de um N&uacute;cleo de Estudos dentro de um consagrado grupo de pesquisa.<\/p>\n<p>A origem dessa preocupa&ccedil;&atilde;o localiza-se na rela&ccedil;&atilde;o propagandista que os grupos de m&iacute;dia do Rio Grande do Sul tiveram ao dar suporte ao contrato de empr&eacute;stimo que o estado fizera junto ao Grupo Banco Mundial. Naquele momento, corria o m&ecirc;s de novembro de 2007 e publiquei um artigo de opini&atilde;o afirmando o absurdo do alargue da d&iacute;vida interna, entre dois n&iacute;veis de governo (Uni&atilde;o e RS), servir de cabe&ccedil;a de ponte para a internacionaliza&ccedil;&atilde;o de tal endividamento e a perda da soberania do governo estadual sobre os fundos captados mediante taxa&ccedil;&atilde;o impositiva. Para minha alegria, deparei-me com outro cidad&atilde;o &ndash; este sim um especialista na mat&eacute;ria &ndash; empunhando a lan&ccedil;a da raz&atilde;o contra os moinhos do sil&ecirc;ncio midi&aacute;tico. Trata-se do fiscal de tributos aposentado, Jo&atilde;o Pedro Casarotto, hoje um dos maiores especialistas em d&iacute;vida interna do Brasil e &agrave; &eacute;poca um paladino quase solit&aacute;rio.<\/p>\n<p>O dirigente sindical do fisco fez uma representa&ccedil;&atilde;o explicando todos os motivos e raz&otilde;es para ser adverso ao contrato e enviou o estudo para &oacute;rg&atilde;os de Estado e ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o. Dos primeiros, n&atilde;o recebera resposta e da ind&uacute;stria da m&iacute;dia, o retorno foi o sil&ecirc;ncio. Ap&oacute;s esse epis&oacute;dio, verifiquei um padr&atilde;o quando o tema em pauta &eacute; o capital financeiro. Os poderes constitu&iacute;dos legalmente n&atilde;o debatem a fundo o modelo de endividamento e as empresas de comunica&ccedil;&atilde;o silenciam, desinformam e desviam quanto as mais simples rela&ccedil;&otilde;es causais por onde os recursos oriundos da materialidade produtiva simplesmente se tornam rarefeitos, passando a existir apenas como d&iacute;gitos ou certificados de compromisso (como nos t&iacute;tulos da d&iacute;vida p&uacute;blica). Estudar essas rela&ccedil;&otilde;es impl&iacute;citas, mas evidentes para especialistas, transformou a indigna&ccedil;&atilde;o em vontade de fazer ci&ecirc;ncia social comprometida, dentro e fora da academia.<\/p>\n<p>O projeto de nuclear a pesquisa em torno do problema central do capitalismo contempor&acirc;neo (reconfigurado pela tecnoci&ecirc;ncia e subordinado aos controladores do capital financeiro outrora fict&iacute;cio) veio ao encontro de um objeto maior do que o escandaloso volume do endividamento brasileiro. Enquanto o or&ccedil;amento consolidado do Sistema Integrado de Administra&ccedil;&atilde;o Financeira do Governo Federal &#8211; SIAFI aponta que o or&ccedil;amento da Uni&atilde;o, em 2010, teve o total de 1,414 trilh&atilde;o de reais, o volume de recursos gastos na rolagem e amortiza&ccedil;&atilde;o da d&iacute;vida foi de 44,93%, equivalentes a 635 bilh&otilde;es de reais. J&aacute; a dimens&atilde;o dos derivativos de balc&atilde;o, os produtos ex&oacute;ticos que representam contratos muitas vezes inexistentes, f&oacute;rmulas de apostas puramente especulativas que escapam da defini&ccedil;&atilde;o de seus criadores, &eacute; assustadoramente maior. De acordo com a Associa&ccedil;&atilde;o Internacional de Swaps e Derivativos, o valor de face destes, em escala planet&aacute;ria, subiu de 866 bilh&otilde;es de d&oacute;lares, em 1987, para 454 trilh&otilde;es em 2007. Em vinte anos, uma vers&atilde;o de capital simb&oacute;lico sem lastro e nem resgate poss&iacute;vel tem a dimens&atilde;o de &ldquo;valor&rdquo; equivalente a mais de 32 vezes o Produto Interno Bruto dos EUA, ainda o maior do mundo!<\/p>\n<p>Aumenta o objeto, cresce o tamanho do problema e segue o padr&atilde;o de dom&iacute;nio. As empresas de m&iacute;dia brasileiras &ndash; e uma boa parte das que estudamos, n&oacute;s ou colegas da economia pol&iacute;tica da comunica&ccedil;&atilde;o em termos globais &ndash; silenciam quanto aos fatores causais da &ldquo;fraude com nome de crise&rdquo;, como dizem os manifestantes espanh&oacute;is do movimento Democracia Real J&aacute;! N&atilde;o por acaso, compreendemos estas companhias &ndash; algumas de capital aberto e a&ccedil;&otilde;es em bolsa &ndash; como pilares do modus vivendi atual: voltado para o mercado, consumo suntuoso e endividamento em todos os n&iacute;veis.<\/p>\n<p>Em termos de infraestrutura, o padr&atilde;o se assemelha. As mesmas plataformas que permitem a comunica&ccedil;&atilde;o digital em banda larga foram, antes, desenvolvidas pelas redes interbanc&aacute;rias, possibilitando a compensa&ccedil;&atilde;o e transfer&ecirc;ncia de recursos em escala global; incluindo a evas&atilde;o de divisas com origem duvidosa e destino sigiloso, todas devidamente asseguradas nos &ldquo;para&iacute;sos fiscais&rdquo;. O tr&aacute;fego de dados bin&aacute;rios pode implicar na circula&ccedil;&atilde;o acelerada tanto de bens simb&oacute;licos na forma comunicacional (produtos midi&aacute;ticos) como representa&ccedil;&otilde;es de valor na forma simb&oacute;lica (capital financeiro). Diz-se que no auge das transa&ccedil;&otilde;es de derivativos &ndash; na verdade, um Esquema Ponzi de pir&acirc;mides em n&iacute;vel global &ndash; a cada 4 segundos um operador negociava um pacote de t&iacute;tulos representando uma casa j&aacute; mais de dez vezes hipotecada.<\/p>\n<p>Diante de tanta evid&ecirc;ncia foi inevit&aacute;vel nos debru&ccedil;armos sobre o fen&ocirc;meno que gerara a maior transfer&ecirc;ncia de renda da hist&oacute;ria da humanidade. Eis a ancestralidade e as bases de motiva&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica e pol&iacute;tica para criar o N&uacute;cleo de Estudos da Globaliza&ccedil;&atilde;o Transnacional Corporativa e da Cultura do Capitalismo &#8211; NIEG.<\/p>\n<p><em>Este artigo foi originalmente publicado na Revista IHU.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NIEG trabalha com as rela\u00e7\u00f5es entre comunica\u00e7\u00e3o e capital financeiro. 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