{"id":1567,"date":"2011-12-22T10:29:36","date_gmt":"2011-12-22T10:29:36","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1567"},"modified":"2011-12-22T10:29:36","modified_gmt":"2011-12-22T10:29:36","slug":"a-midia-globalizada-como-base-cultural-da-plutonomia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1567","title":{"rendered":"A m\u00eddia globalizada como base cultural da plutonomia"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/22_12_2011_10_29_10.jpg\" title=\"O capital em sua forma financeira tem natureza especulativa e \u00e9 incapaz de gerar valor real em escala societ\u00e1ria. Poucos ganham com isso. Esses poucos integram uma elite pol\u00edtica, de influ\u00eancia direta ou indireta nos governos de turno, conhecida por plutocracia, a hegemonia dos ricos. A m\u00eddia como entretenimento e desinforma\u00e7\u00e3o estrutural contribui com a materializa\u00e7\u00e3o da plutonomia como forma contempor\u00e2nea de domina\u00e7\u00e3o capitalista. - Foto:Wikimedia\" alt=\"O capital em sua forma financeira tem natureza especulativa e \u00e9 incapaz de gerar valor real em escala societ\u00e1ria. Poucos ganham com isso. Esses poucos integram uma elite pol\u00edtica, de influ\u00eancia direta ou indireta nos governos de turno, conhecida por plutocracia, a hegemonia dos ricos. A m\u00eddia como entretenimento e desinforma\u00e7\u00e3o estrutural contribui com a materializa\u00e7\u00e3o da plutonomia como forma contempor\u00e2nea de domina\u00e7\u00e3o capitalista. - Foto:Wikimedia\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">O capital em sua forma financeira tem natureza especulativa e \u00e9 incapaz de gerar valor real em escala societ\u00e1ria. Poucos ganham com isso. Esses poucos integram uma elite pol\u00edtica, de influ\u00eancia direta ou indireta nos governos de turno, conhecida por plutocracia, a hegemonia dos ricos. A m\u00eddia como entretenimento e desinforma\u00e7\u00e3o estrutural contribui com a materializa\u00e7\u00e3o da plutonomia como forma contempor\u00e2nea de domina\u00e7\u00e3o capitalista.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:Wikimedia<\/small><\/figure>\n<p>22 de dezembro de 2011, da Vila Setembrina, <em>Bruno Lima Rocha<br \/>\n<\/em><br \/>\nVez por outra o alto n&iacute;vel decis&oacute;rio dos financistas globais se encarrega de um momento sincero. O Citigoup Research, uma subdivis&atilde;o da Citigroup Global Markets (este por sua vez um bra&ccedil;o do Citigroup), gerou um conceito chamado de Plutonomy (plutonomia, um neologismo para plutocracia, mando e governo dos ricos). Tais documentos ganharam difus&atilde;o mundial atrav&eacute;s do filme de Michael Moore (Capitalismo, uma hist&oacute;ria de amor, 2009) e para nossa pesquisa serve como fonte original.<\/p>\n<p>A defini&ccedil;&atilde;o dos consultores da gigante financeira &eacute; de um mundo que tende a naturalizar a concentra&ccedil;&atilde;o de renda e aumentar a capilaridade das marcas e h&aacute;bitos do consumo de luxo. Ao contr&aacute;rio do que se difunde no senso comum, isso n&atilde;o seria um &ldquo;desequil&iacute;brio societ&aacute;rio ou ecol&oacute;gico&rdquo;, mas sua pr&oacute;pria natureza.<\/p>\n<p>Segundo os analistas Ajay Kapur, Niall Macleod e Narendra Singh (ver este documento em <a href=\"http:\/\/theparagraph.com\/files\/docs\/CitigroupPlutonomyRept2_200603.pdf\">http:\/\/theparagraph.com\/files\/docs\/CitigroupPlutonomyRept2_200603.pdf<\/a>), a globaliza&ccedil;&atilde;o transnacional tamb&eacute;m opera refor&ccedil;ando sua ades&atilde;o, fertiliza cora&ccedil;&otilde;es e mentes atrav&eacute;s das tecnologias de dissemina&ccedil;&atilde;o de novas m&iacute;dias como downloads de internet, TV a cabo e sat&eacute;lite. Essas vias v&ecirc;m aumentando as audi&ecirc;ncias desproporcionalmente, e por consequ&ecirc;ncia geram ades&atilde;o para a cultura das celebridades, com estrelas midiatiz&aacute;veis tais como: jogadores de golfe e futebol, pilotos de corrida, protagonistas da ind&uacute;stria do entretenimento, supermodelos, desenhistas, os chefes de cozinha das celebridades, etc.<\/p>\n<p>Tais &iacute;cones do capitalismo t&ecirc;m provedores contentes com esta ascens&atilde;o, como os controladores das vias de distribui&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es e dados bin&aacute;rios em escala mundial (como o Sistema Swift de compensa&ccedil;&atilde;o interbanc&aacute;ria e as transnacionais das redes f&iacute;sicas da internet), os advogados de transnacionais e banqueiros que intermedeiam globaliza&ccedil;&atilde;o e produtividade, os CEOs em que conduzem o processo de converg&ecirc;ncia globalizada com tecnologia, gerando assim um aumento da produtividade. Dessa forma, aumenta a economia com a remunera&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a de trabalho, logo transformando em ganhos diretos (via empresas), ou indiretos, via repasses de recursos coletivos, atrav&eacute;s do Estado. Assim, a m&iacute;dia como entretenimento e desinforma&ccedil;&atilde;o estrutural, contribui para a materializa&ccedil;&atilde;o da plutonomia como forma contempor&acirc;nea de domina&ccedil;&atilde;o capitalista.<\/p>\n<p>Fica dif&iacute;cil entender um golpe quando s&oacute; o que se sente &eacute; o impacto, e n&atilde;o &eacute; percept&iacute;vel a autoria do ataque. Essas empresas pouco ou nada se constrangem diante de institui&ccedil;&otilde;es da modernidade republicana. Para al&eacute;m da acumula&ccedil;&atilde;o de tipo selvagem, obedecendo a uma l&oacute;gica rentista que, por vezes, prescinde do emprego direto para existir, o capital em sua forma financeira opera por dentro do aparelho de Estado (como nos Bancos Centrais e a defesa de sua &ldquo;independ&ecirc;ncia&rdquo; e &ldquo;tecnicidade&rdquo;), faz trafegar seus bens simb&oacute;licos (d&iacute;gitos bin&aacute;rios representando algum valor ou a expectativa deste) e difunde sentido em escala de massas atrav&eacute;s de m&iacute;dia generalista e especializada. Essa forma de empreendimento e neg&oacute;cio do capitalismo &eacute;, por defini&ccedil;&atilde;o, aparentemente fict&iacute;cia, tem natureza especulativa e &eacute; incapaz de gerar valor real em escala societ&aacute;ria.<\/p>\n<p>O fato &eacute; que os cidad&atilde;os do planeta se veem diante de um paradoxo dominante. De um lado, os mecanismos fundamentais para explicar racionalmente o modelo capitalista de civiliza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o localizados em institui&ccedil;&otilde;es formativas, como nas organiza&ccedil;&otilde;es empresariais de m&iacute;dia ou mesmo nas institui&ccedil;&otilde;es de ensino. De outro, a dimens&atilde;o cultural que essa domin&acirc;ncia toma, compreendendo cultura tanto como norma (ser e dever ser) e representa&ccedil;&atilde;o (narrativas, est&eacute;ticas, comunica&ccedil;&atilde;o no sentido amplo), &eacute; retroalimentada pela superexposi&ccedil;&atilde;o a marcas e valores t&iacute;picos do modus vivendi do topo da pir&acirc;mide social e de seus novos her&oacute;is, a classe mundial gerencialista.<\/p>\n<p>Esses s&atilde;o a nova classe dominante no mundo das sociedades an&ocirc;nimas (S.A.), onde a propriedade acion&aacute;ria se pulveriza, e as economias se atravessam por fundos de investimento (boa parte deles oriundos da poupan&ccedil;a da for&ccedil;a de trabalho, como os fundos de pens&atilde;o) e a rela&ccedil;&atilde;o com o Estado em alto n&iacute;vel decis&oacute;rio &eacute; visceral. Haja vista, no Brasil, o p&acirc;nico no andar de cima gerado pela Opera&ccedil;&atilde;o Satiagraha, quando a Pol&iacute;cia Federal por pouco n&atilde;o exp&ocirc;s ao pa&iacute;s a penetra&ccedil;&atilde;o de um grupo de investimento de risco, no caso o Opportunity, por dentro das elites dirigentes e das fra&ccedil;&otilde;es de classe dominante.<\/p>\n<p>O mesmo se d&aacute; em escala planet&aacute;ria, quando os estadunidenses cunham dois termos conceitualmente perfeitos. Too big to fail and too big to jail! &ndash; ou seja, &ldquo;Grande demais para falir e grande demais para ir preso!&rdquo;. Os operadores de bancos de investimentos, empresas de seguros, consultorias financeiras, megacorretoras e bancos hipotec&aacute;rios Merril Lynch, Lehman Brothers, Fannie Mae, Freddie Mac, AIG, todos sem exce&ccedil;&atilde;o foram alvos de investiga&ccedil;&otilde;es federais nos EUA, tiveram fal&ecirc;ncias declaradas sendo depois salvos ou incorporados, sempre com aos recursos oriundos do Tesouro dos EUA. At&eacute; o presente momento ningu&eacute;m foi punido, estes dirigentes empresariais e financeiros seguem empregados em universidades de ponta, no governo do Imp&eacute;rio ou em outras megacorpora&ccedil;&otilde;es (sempre com b&ocirc;nus de &ldquo;produtividade&rdquo;). O resultado foi um empobrecimento, o alastramento da bolha imobili&aacute;ria fraudulenta (golpe da pir&acirc;mide) levando a insolv&ecirc;ncia para os bancos europeus (que tamb&eacute;m entraram na jogatina) e aumentando o endividamento p&uacute;blico dos Estados Unidos. J&aacute; esta d&iacute;vida opera como lastro das reservas dos pa&iacute;ses do planeta, com China, Jap&atilde;o, Reino Unido, os pa&iacute;ses da OPEP e o Brasil entre os cinco maiores detentores de t&iacute;tulos do tesouro do Imp&eacute;rio (dados de 2011, Serasa Experian).<br \/>\n<em><br \/>\nEste artigo foi originalmente publicado no portal IHU Online.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O capital em sua forma financeira tem natureza especulativa e \u00e9 incapaz de gerar valor real em escala societ\u00e1ria. Poucos ganham com isso. Esses poucos integram uma elite pol\u00edtica, de influ\u00eancia direta ou indireta nos governos de turno, conhecida por plutocracia, a hegemonia dos ricos. 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