{"id":1571,"date":"2011-12-27T19:07:32","date_gmt":"2011-12-27T19:07:32","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1571"},"modified":"2011-12-27T19:07:32","modified_gmt":"2011-12-27T19:07:32","slug":"policia-x-futebol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1571","title":{"rendered":"Pol\u00edcia X Futebol"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/allejo.com.br.jpg\" title=\"Cenas assim s\u00e3o mais comuns do que se pensa. A regra seria bater primeiro e perguntar depois? - Foto:allejo.com.br\" alt=\"Cenas assim s\u00e3o mais comuns do que se pensa. A regra seria bater primeiro e perguntar depois? - Foto:allejo.com.br\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Cenas assim s\u00e3o mais comuns do que se pensa. A regra seria bater primeiro e perguntar depois?<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:allejo.com.br<\/small><\/figure>\n<p>27 de dezembro de 2011, de S&atilde;o Leopoldo, <em>Anderson Santos (editor) e Dijair Brilhantes<\/em><\/p>\n<p>Na teoria, o Brasil &eacute; um pa&iacute;s democr&aacute;tico, onde todos t&ecirc;m o direito &agrave; liberdade de express&atilde;o. Nos est&aacute;dios de futebol tudo &eacute; diferente, nem mesmo o Estatuto do Torcedor, aprovado em 2003, que entende o torcedor como consumidor, s&oacute; assim um possuidor de direitos, &eacute; respeitado.<\/p>\n<p>A seguran&ccedil;a p&uacute;blica prefere tomar suas pr&oacute;prias decis&otilde;es, tendo total respaldo do Estado. Assim, a vida do cidad&atilde;o fica na m&atilde;o de policiais despreparados &ndash; e mal remunerados. Estamos &agrave;s v&eacute;speras de sediar o maior evento esportivo do mundo e queremos saber como ser&atilde;o tratados os torcedores turistas:  privilegiados ou como marginais, semelhante ao que ocorre com os brasileiros?<\/p>\n<style type=\"text\/css\">p { margin-bottom: 0.21cm; }a:link {  }<\/style>\n<p><strong>Pol&iacute;cia opressora <\/strong><\/p>\n<p>Os articulistas da Al&eacute;m das Quatro Linhas j&aacute; frequentaram diversos est&aacute;dios do Brasil, e em (quase) todos as cenas se repetem: a pol&iacute;cia tenta oprimir o que entende ser desrespeitoso, ou contra a lei. O problema &eacute; para n&oacute;s, simples torcedores, sabermos o que os policiais entendem por isso.<\/p>\n<p>No in&iacute;cio deste ano, a PM carioca impediu a torcida do Fluminense de entrar no est&aacute;dio com uma faixa que dizia &ldquo;Muricy amarel&atilde;o&rdquo; &#8211; o t&eacute;cnico abandonou o clube alegando falta de estrutura em meio a Libertadores.<\/p>\n<p>Em agosto, as torcidas de todo o Brasil organizaram um protesto contra o presidente da CBF, Ricardo Teixeira. A rodada foi batizada como o dia do &ldquo;Fora Teixeira&rdquo;. Em alguns Estados a Pol&iacute;cia Militar proibiu a entrada de faixas e cartazes alegando que atrapalharia a visibilidade do jogo, ou que o material das faixas era t&oacute;xico, o que poderia causar um inc&ecirc;ndio.<\/p>\n<p>Em outubro, a torcida do Gr&ecirc;mio preparava uma grande manifesta&ccedil;&atilde;o contra Ronaldinho (Ex-)Ga&uacute;cho no jogo Gr&ecirc;mio X Flamengo. A Brigada Militar proibiu a entrada de faixas contra o R-10, alegando ser um ato hostil e que em nada contribuiria para o espet&aacute;culo (?).<\/p>\n<p>Torcedores do Gr&ecirc;mio foram diversas vezes agredidos pela Brigada Militar quando faziam protestos pac&iacute;ficos contra o presidente do clube, Paulo Odone. Detalhe: o agora mecenas Odone &ndash; afinal, pagar R$ 500 mil s&oacute; a um jogador&#8230; &ndash; &eacute; deputado estadual pelo PPS do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>A &ldquo;seguran&ccedil;a p&uacute;blica&rdquo; parece ser contra qualquer tipo de manifesta&ccedil;&atilde;o popular.<\/p>\n<p><strong>Acusado tem dia de Pop Star<\/strong><\/p>\n<p>No in&iacute;cio do m&ecirc;s de dezembro o est&aacute;dio Beira-Rio foi o palco de um jogo beneficente. A partida marcava a despedida do ex-jogador Fabiano, &iacute;dolo do Internacional no final da d&eacute;cada de 90. Uma briga entre torcidas organizadas do pr&oacute;prio clube (!!!) deixou quatro pessoas feridas.<\/p>\n<p>A briga foi fruto de uma confus&atilde;o com um dos l&iacute;deres de uma das fac&ccedil;&otilde;es no cl&aacute;ssico Gre-Nal, pela &uacute;ltima rodada do Brasileir&atilde;o 2011, semanas antes. As ofensas continuaram via redes sociais e acabou terminando no jogo festivo.<\/p>\n<p>A falta de seguran&ccedil;a foi not&oacute;ria, j&aacute; que um torcedor estava armado com uma faca nas depend&ecirc;ncias do Beira-Rio &ndash; que ser&aacute; sede da Copa do Mundo FIFA 2014, &ldquo;gra&ccedil;as&rdquo; &agrave; leitura por 15 minutos de cada conselheiro colorado do contrato da Andrade Gutierrez.<\/p>\n<p>Na &uacute;ltima sexta-feira, o jornal Zero Hora (Grupo RBS) optou por fazer uma entrevista exclusiva com um dos acusados, que n&atilde;o merece ter seu nome citado neste espa&ccedil;o. Este j&aacute; alcan&ccedil;ou o objetivo, ter seu dia de Pop Star.<\/p>\n<p>Curiosamente, a maioria dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, com raras exce&ccedil;&otilde;es, optam por mostrar as torcidas organizadas como grupos de v&acirc;ndalos, sem querer adentrar a quest&otilde;es importantes que cercam a rela&ccedil;&atilde;o entre clubes, atletas, TOs e torcedores &ndash; veja <font color=\"#000080\"><span lang=\"zxx\"><u><a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=HHYVWukRivM\"><font face=\"Times New Roman, serif\"><font size=\"3\"><span style=\"font-weight: normal;\">aqui<\/span><\/font><\/font><\/a><\/u><\/span><\/font>  um dos raros casos, da estatal TV Brasil. Ir al&eacute;m dos fatos, seguir o rastro, fazer jornalismo, &#8230; &eacute; dif&iacute;cil de se fazer?<\/p>\n<p><strong>Triste realidade  <\/strong><\/p>\n<p>Vivemos uma triste realidade sobre o que diz respeito &agrave; seguran&ccedil;a p&uacute;blica, por vezes chegamos a duvidar se ela existe ou, no m&iacute;nimo, para quem ela existe.<\/p>\n<p>Todas as vezes que vimos brigas entre torcidas, dentro ou fora dos est&aacute;dios &ndash; cada vez mais fora, refletindo a falta de seguran&ccedil;a geral &ndash;, quando a pol&iacute;cia chegou a viol&ecirc;ncia aumentou ainda mais. Parece-nos que ao inv&eacute;s de tentar manter a ordem, opta-se por esperar a desordem ocorrer e combat&ecirc;-la, primeiro batendo e s&oacute; depois querer saber quem eram os culpados.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; raro ver no meio da torcida a pol&iacute;cia batendo em senhores de idade, em pais que tentam proteger seus filhos ou espalhando spray de pimenta para tudo o que &eacute; lado. Na pr&aacute;tica, isso pouco serve para punir quem merecia.<\/p>\n<p>O Estatuto do Torcedor, renovado ano passado, propunha que o torcedor preso n&atilde;o entrasse mais nos est&aacute;dios, mas pouco &eacute; visto ou ouvido de algo de pr&aacute;tico, para al&eacute;m das puni&ccedil;&otilde;es a entrar no est&aacute;dio com s&iacute;mbolos das organizadas ou extin&ccedil;&atilde;o das mesmas. Como se a faixa sa&iacute;sse batendo em todo mundo&#8230; Dificilmente algu&eacute;m &eacute; preso ou punido mesmo nos casos mais graves &ndash; como a da Supercopa de juniores de 1995, entre S&atilde;o Paulo e Palmeiras.<\/p>\n<p>Quando as empresas de m&iacute;dia fazem campanhas para as fam&iacute;lias irem aos est&aacute;dios, a n&oacute;s fica a d&uacute;vida de quem lhes dar&aacute; seguran&ccedil;a, principalmente fora das arenas, em que mal temos isto no cotidiano.<\/p>\n<p><strong>Nada de &ldquo;torcidas&rdquo; e de &ldquo;pol&iacute;cias&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p>Na Inglaterra, os t&atilde;o famosos hooligans foram respons&aacute;veis pela &ldquo;limpeza&rdquo; dos est&aacute;dios do Reino Unido, por mais que continuem existindo para os cl&aacute;ssicos mais ferrenhos. O mundo n&atilde;o os v&ecirc; mais, por&eacute;m n&atilde;o v&ecirc; tamb&eacute;m torcidas de futebol e sim receptores de espet&aacute;culos teatrais, que s&oacute; gritam e aplaudem quando &ldquo;autorizados&rdquo;.<\/p>\n<p>Para o bem do futebol, a exclus&atilde;o dos &ldquo;torcedores&rdquo; que iam aos campos n&atilde;o para ver as partidas e apoiar os seus times, mas para xingar a &ldquo;torcida&rdquo; do rival &ndash; por mais que o jogo n&atilde;o envolva os dois clubes &ndash; e para praticar atos de vandalismo, poderia ser uma boa alternativa. Mas ser&aacute; que o problema &eacute; s&oacute; esse?<\/p>\n<p>Ser&aacute; que a Pol&iacute;cia, no caso brasileiro, contentaria-se a ter que trabalhar em pleno domingo, sem receber nada a mais para isso &ndash; a n&atilde;o ser, de vez em quando, um lanche &ndash;, para ficar s&oacute; olhando a torcida vibrar, gritar e xingar, quando necess&aacute;rio? H&aacute; prepara&ccedil;&atilde;o dos funcion&aacute;rios desta institui&ccedil;&atilde;o, em qualquer parte do pa&iacute;s, para saber tratar os torcedores, identificar quem come&ccedil;ou uma confus&atilde;o e que efetivamente merece puni&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p>Querer &ldquo;p&uacute;blico teatral&rdquo; &eacute; tirar, mais uma vez, o futebol do povo, aumentar o valor dos ingressos, &ldquo;elitizar&rdquo; os receptores das partidas e acabar com o incentivo dos torcedores. O que &eacute; outra quest&atilde;o ainda mais problem&aacute;tica.<\/p>\n<p>Nada, nada mesmo, vale a pena se modifica o que o futebol tem de melhor: que &eacute; a possibilidade da paix&atilde;o ser aflorada naqueles 90 minutos, sem que voc&ecirc; tenha que receber um serm&atilde;o do patr&atilde;o ou de qualquer entidade repressiva. Nem viol&ecirc;ncia entre torcidas, nem viol&ecirc;ncia da pol&iacute;cia, mas tamb&eacute;m muito menos um comportamento teatral.<\/p>\n<p>Se futebol &eacute; um espet&aacute;culo tamb&eacute;m &eacute; gra&ccedil;as a n&oacute;s torcedores, que estamos ali para aplaudir, apoiar, criticar, xingar, construir a sonoridade e a visualidade da partida. Mas tamb&eacute;m que pagamos ingressos, impostos &ndash; inclusive para as pol&iacute;cias nos darem seguran&ccedil;a e n&atilde;o medo &ndash;, geramos todo um mercado atrav&eacute;s do marketing e da transmiss&atilde;o pela Ind&uacute;stria Cultural.<\/p>\n<p>Enfim, j&aacute; passou da hora de as entidades que organizam o futebol, o Estado e os clubes entenderem que as estrelas s&atilde;o os torcedores.<\/p>\n<p><strong>Pausa<\/strong><\/p>\n<p>Continuando com esta premissa de atua&ccedil;&atilde;o no escrever sobre o esporte que j&aacute; foi bret&atilde;o, brasileiro e agora parece ser catal&atilde;o, que esta coluna se despede d@s noss@s leitor@s em 2011. Desejando um 2012 muito melhor para o futebol aqui no Brasil, especialmente &ldquo;Al&eacute;m das Quatro Linhas&rdquo;. Paramos por algumas semanas. At&eacute; o in&iacute;cio dos Estaduais!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cenas assim s\u00e3o mais comuns do que se pensa. 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