{"id":1581,"date":"2012-02-02T11:02:58","date_gmt":"2012-02-02T11:02:58","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1581"},"modified":"2012-02-02T11:02:58","modified_gmt":"2012-02-02T11:02:58","slug":"a-metafora-da-cartolagem-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1581","title":{"rendered":"A met\u00e1fora da cartolagem brasileira (?)"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/marin_sucessor.jpg\" title=\" Jos\u00e9 Mar\u00eda Mar\u00edn estava cotado para substituir Ricardo Teixeira, abrindo uma cunha entre este e Andr\u00e9s S\u00e1nchez, possibilitando que a velha guarda da cartolagem se veja representada diante de um trator empresarial e produtor de pol\u00eamicas como Andr\u00e9s. Ser\u00e1 que depois do epis\u00f3dio da medalha no bolso o velho arenista segue sendo uma alternativa para o reinado Teixeira? - Foto:Arivaldo Maia \" alt=\" Jos\u00e9 Mar\u00eda Mar\u00edn estava cotado para substituir Ricardo Teixeira, abrindo uma cunha entre este e Andr\u00e9s S\u00e1nchez, possibilitando que a velha guarda da cartolagem se veja representada diante de um trator empresarial e produtor de pol\u00eamicas como Andr\u00e9s. Ser\u00e1 que depois do epis\u00f3dio da medalha no bolso o velho arenista segue sendo uma alternativa para o reinado Teixeira? - Foto:Arivaldo Maia \" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\"> Jos\u00e9 Mar\u00eda Mar\u00edn estava cotado para substituir Ricardo Teixeira, abrindo uma cunha entre este e Andr\u00e9s S\u00e1nchez, possibilitando que a velha guarda da cartolagem se veja representada diante de um trator empresarial e produtor de pol\u00eamicas como Andr\u00e9s. Ser\u00e1 que depois do epis\u00f3dio da medalha no bolso o velho arenista segue sendo uma alternativa para o reinado Teixeira?<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:Arivaldo Maia <\/small><\/figure>\n<p>02 de fevereiro de 2012 &ndash; <em>Anderson Santos<\/em> (editor), <em>Dijair Brilhantes<\/em> e <em>Bruno Lima Rocha <\/em><\/p>\n<p>At&eacute; pouco tempo, a cartolagem brasileira era marcada pela malandragem que nossos jogadores apresentam dentro de campo: drible de corpo e gingas suficientes para se manterem no poder e, &ldquo;ningu&eacute;m&rdquo; sabe como, para conseguir sair com mais dinheiro do que entrou, mesmo se tratando de trabalho &ldquo;para o bem dos clubes&rdquo; e do futebol. Cara de pau, cinismo, v&iacute;nculos nada justific&aacute;veis, mas um tom meio cafona e cantinflesco, o cartola era a alma g&ecirc;mea do banqueiro do bicho e do coronel da pol&iacute;tica, isto quando a pessoa f&iacute;sica n&atilde;o se mesclava entre estes tr&ecirc;s personagens, criando a s&iacute;ntese do &ldquo;atraso&rdquo;, fazendo com que os poucos cr&iacute;ticos de nosso futebol afirmassem ser necess&aacute;rio um choque de capitalismo! Idos tempos&#8230;<\/p>\n<p>Ser&aacute; que era s&oacute; malandragem? No dia 25, final da Copa S&atilde;o Paulo sub-18 e todas as c&acirc;meras flagram o vice-presidente da CBF para a Regi&atilde;o Sudeste colocando uma medalha no bolso. Come&ccedil;ou &ldquo;bem&rdquo; o ano para o futebol brasileiro. Como se fala na g&iacute;ria dos boleiros: jogador n&atilde;o deve atuar fora de suas caracter&iacute;sticas&#8230;<\/p>\n<p>Todo come&ccedil;o do ano &eacute; do mesmo jeito. Enquanto os grandes clubes retornam das f&eacute;rias, as &ldquo;promessas de craque&rdquo; entram em campo no maior torneio de base do pa&iacute;s: a Copa S&atilde;o Paulo. Cada vez mais inchado, o torneio foi transformado em &ldquo;celeiro para empres&aacute;rios&rdquo;, com 96 clubes de quase todo o Brasil &ndash; menos Roraima que mal consegue fazer torneios profissionais, imagina amadores. Vale registrar que a Copinha j&aacute; foi algo de encher os olhos, sem equipes montadas &agrave;s pressas por intermedi&aacute;rios querendo vender guris mal sa&iacute;dos da adolesc&ecirc;ncia para qualquer time que eles tenham de tirar passaporte. <\/p>\n<p>No &uacute;ltimo dia 25 (de janeiro), data do anivers&aacute;rio da cidade de S&atilde;o Paulo de Piratininga, os maiores campe&otilde;es da Copinha entraram em campo para a decis&atilde;o. Corinthians e Fluminense protagonizaram um bom jogo, vencido pelos paulistas com dois gols de cabe&ccedil;a do zagueiro\/capit&atilde;o Ant&ocirc;nio Carlos, de virada, por 2&#215;1. <\/p>\n<p>O &ldquo;Tim&atilde;ozinho&rdquo; fez uma campanha perfeita, vencendo os 8 jogos disputados, apesar de o pr&oacute;prio (agora) ex-presidente corintiano, Andr&eacute;s S&aacute;nchez, ter dito que n&atilde;o investiu tanto na base. Em setembro, a revista Placar &ndash; que d&aacute; lampejos dos seus &aacute;ureos tempos &ndash; fez mat&eacute;ria destrinchando a falta de investimento no setor, especialmente ap&oacute;s as obras para o est&aacute;dio do clube, no local em que a base treinava.<\/p>\n<p>O goleiro corintiano Matheus deu provas da ra&ccedil;a do clube ao ficar v&aacute;rios minutos machucado em campo, ap&oacute;s choque com jogador advers&aacute;rio. Na hora da comemora&ccedil;&atilde;o, ele seria o &uacute;ltimo a receber a medalha, carregado por algu&eacute;m da comiss&atilde;o t&eacute;cnica, mas n&atilde;o havia mais medalha&#8230;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold;\">Como a medalha desapareceu?<\/span><\/p>\n<p>Minutos depois, a ex-Miss Brasil e jornalista Renata Fan (ai, ai,ai&#8230;.os efeitos que Fan e cia. Fazem nas salas de aula das faculdades de comunica&ccedil;&atilde;o s&atilde;o inenarr&aacute;veis; pululando a cabe&ccedil;a das promessas de coleguinhas mais atraentes, &eacute; o efeito F&aacute;tima-Patr&iacute;cia na bola), e seus comentaristas do programa da tarde na Band, mostravam onde ela sumiu. Como o futebol brasileiro n&atilde;o pode ficar somente dentro das quatro linhas, eis que ressurge um &ldquo;personagem vil&atilde;o&rdquo;: Jos&eacute; Maria Mar&iacute;n resolveu premiar-se e colocou uma das medalhas no bolso. <\/p>\n<p>J&aacute; t&iacute;nhamos visto colocar o jogo no bolso, malas pretas e brancas circulando, amea&ccedil;as de roubo, mas nunca, nunca mesmo, de forma literal e real. Uma imagem captada pela TV Bandeirantes mostra quando o presidente em exerc&iacute;cio da CBF faz isso.<\/p>\n<p>A Federa&ccedil;&atilde;o Paulista de Futebol reparou o &ldquo;erro&rdquo; e enviou outra medalha ao goleiro corintiano Matheus. Em nota, a FPF nega o roubo e diz que houve um erro na contagem das medalhas, mas n&atilde;o explica o porqu&ecirc; Mar&iacute;n ficar com uma delas. Ser&aacute; que ele sofre de cleptomania?<\/p>\n<p>Depois, ele explicou que a FPF teria dado uma das medalhas de campe&atilde;o e ele teria pego naquela hora para n&atilde;o causa estranheza (?!). J&aacute; vimos medalhas para &aacute;rbitros em finais de torneios importantes, mas para dirigentes? Por que o presidente da Federa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pegou a sua ent&atilde;o? Se a competi&ccedil;&atilde;o dos cartolas for outra, como por exemplo, &iacute;ndices de esc&acirc;ndalos com proje&ccedil;&atilde;o internacional, o Brasil seria sempre campe&atilde;o do mundo! <\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold;\">Quem &eacute; Jos&eacute; Mar&iacute;a Mar&iacute;n?<\/span><\/p>\n<p>Jos&eacute; Mar&iacute;a Mar&iacute;n &eacute; formado em direito (e pela USP!), foi deputado estadual e vereador, al&eacute;m de governador do estado de S&atilde;o Paulo por dez meses na d&eacute;cada 80, substituindo Paulo Salim Maluf. Ambos eram (e s&atilde;o arenistas de carteirinha, t&iacute;picos representantes de S&atilde;o Paulo, reproduzindo a mentalidade do vale tudo pol&iacute;tico-empresarial) que sa&iacute;ra do Pal&aacute;cio dos Bandeirantes para concorrer ao nobre cargo de deputado federal pelo PDS (nome dado para a Arena ap&oacute;s a reorganiza&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria promovida por Golbery na Casa Civil de Figueiredo). Por ironia da hist&oacute;ria &ndash; e tristeza do povo brasileiro &ndash; Maluf segue deputado e Mar&iacute;n ocupa cargo relevante na cartolagem brasileira.<\/p>\n<p>Antes, Jos&eacute; Maria fora jogador de futebol do S&atilde;o Paulo, na d&eacute;cada de 1950, clube que viria presidir d&eacute;cadas depois. Ap&oacute;s o fim da ditadura militar, sua carreira pol&iacute;tica foi perdendo espa&ccedil;o, candidatou-se ao senado pelo PFL em 1986, mas conseguiu apenas o quarto lugar. Atualmente &eacute; filiado ao PTB (partido base do governo, assim como um ter&ccedil;o da Arena hist&oacute;rica, hoje PP, e outro ter&ccedil;o em cima do muro, o PSD).<\/p>\n<p>Como a carreira pol&iacute;tica n&atilde;o ia bem, Mar&iacute;n resolveu investir na pol&iacute;tica esportiva. Presidiu a Federa&ccedil;&atilde;o Paulista nos anos 80 e foi chefe da delega&ccedil;&atilde;o que disputou a Copa do Mundo de 1986, no M&eacute;xico &ndash; a mesma que Oct&aacute;vio Pinto Magalh&atilde;es admitiu ter pago dirigentes e at&eacute; suas esposas para assistirem. Naquela Copa, o pa&iacute;s do gigante adormecido apresenta ao universo um personagem &ldquo;amigo&rdquo; de Marin, Nabi Abi Chedid (este &uacute;ltimo teve a proeza de ser deputado estadual pela legenda de Pl&iacute;nio Salgado &ndash; PRP -, passando ap&oacute;s para a Arena, sempre a Arena). Mar&iacute;n tem estirpe, e &eacute; essa que estamos narrando&#8230;<\/p>\n<p>Ele ressuscita, reorienta-se, aproximando-se do cl&atilde; Havelange-Teixeira. O cartola de 79 anos substituiu recentemente Ricardo Teixeira na presid&ecirc;ncia da CBF, quando este resolveu tirar uma licen&ccedil;a do cargo por 45 dias, ap&oacute;s um ano de 2011 bem movimentado, com v&aacute;rias amea&ccedil;as e boatos at&eacute; de sua retirada em definitivo do cargo.<\/p>\n<p>Como se pode perceber pelo seu recente substituto, parece que precisamos ainda mais para mudar o futebol brasileiro, n&atilde;o bastando que Teixeira saia do cargo que ocupa &ndash; afinal, algu&eacute;m acredita que o tirar&atilde;o? &#8211; h&aacute; mais de 22 anos.<\/p>\n<p>(Entre em contato com a coluna e ajude-nos a desvendar os bastidores e as estruturas de poder do futebol profissional e dos manda-chuvas do Brasil Ol&iacute;mpico que n&atilde;o tem esporte de base. Escreva, colabore, critique, sugira, participe atrav&eacute;s dos e-mails <span style=\"font-style: italic;\">andderson.santos@gmail.com<\/span> e <span style=\"font-style: italic;\">dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com<\/span>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Mar\u00eda Mar\u00edn estava cotado para substituir Ricardo Teixeira, abrindo uma cunha entre este e Andr\u00e9s S\u00e1nchez, possibilitando que a velha guarda da cartolagem se veja representada diante de um trator empresarial e produtor de pol\u00eamicas como Andr\u00e9s. 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