{"id":1594,"date":"2012-02-28T19:18:38","date_gmt":"2012-02-28T19:18:38","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1594"},"modified":"2012-02-28T19:18:38","modified_gmt":"2012-02-28T19:18:38","slug":"a-novela-beira-rio-ganha-mais-um-capitulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1594","title":{"rendered":"A novela Beira-Rio ganha mais um cap\u00edtulo"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/assinaag 001.jpg\" title=\"Os colorados arranjaram at\u00e9 canetas para a construtora assinar. Mas parece que falta mesmo \u00e9 grana... - Foto:arenavermelha.blogspot.com\" alt=\"Os colorados arranjaram at\u00e9 canetas para a construtora assinar. Mas parece que falta mesmo \u00e9 grana... - Foto:arenavermelha.blogspot.com\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Os colorados arranjaram at\u00e9 canetas para a construtora assinar. Mas parece que falta mesmo \u00e9 grana&#8230;<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:arenavermelha.blogspot.com<\/small><\/figure>\n<p><em>28 de fevereiro de 2012 &ndash; Anderson Santos (editor), Dijair Brilhantes e Bruno Lima Rocha<\/em><\/p>\n<p>No &uacute;ltimo final de semana a novela envolvendo Internacional, Andrade Gutierrez e Banrisul ganhou um importante cap&iacute;tulo. S&oacute; que, ao contr&aacute;rio das tramas globais, est&aacute; longe de ser o sonhado final feliz.<\/p>\n<p>Em nota oficial, a construtora culpou o Banrisul por ainda n&atilde;o ter assinado o contrato com o Internacional para as reformas do Est&aacute;dio Beira-Rio. O Banco do Estado do Rio Grande do Sul (estatal, mas com 49% de capital aberto em a&ccedil;&otilde;es preferenciais) se defendeu, ao anunciar que n&atilde;o recebeu garantias suficientes para fazer o empr&eacute;stimo.<\/p>\n<p>Enquanto nada se acerta, a Copa pode estar saindo do Rio Grande, ou mudando de endere&ccedil;o, se Gr&ecirc;mio Empreendimentos e OAS Construtora ajeitarem algumas coisas.<\/p>\n<p>Voltando &agrave; orla do Gua&iacute;ba, por mais f&aacute;cil que pudesse parecer em seu in&iacute;cio, j&aacute; que seria uma reforma or&ccedil;ada na casa dos R$ 100 milh&otilde;es, a utiliza&ccedil;&atilde;o do Beira-Rio para a Copa do Mundo ganhou ares de drama.<\/p>\n<p>Primeiro, o que seria feito com recursos pr&oacute;prios, acabou indo para uma &ldquo;parceria&rdquo; com o dobro do valor imaginado. H&aacute; quem diga que teria sido imposi&ccedil;&atilde;o da FIFA para atender ao seu seleto grupo de empreiteiras&#8230;<\/p>\n<p>Depois, quando toda a parte inferior de um peda&ccedil;o de arquibancada j&aacute; estava derrubada, houve a imensa demora do Conselho Deliberativo colorado em aprovar o contrato. Algo que s&oacute; ocorreu, ap&oacute;s muitas idas e vindas de papeis entre advogados, em dezembro de 2011, no dia em que os conselheiros tiveram 15 minutos cada para ler a minuta. Porque ser&aacute;? Porque um contrato sigiloso?<\/p>\n<p>Apesar disso, a obra continua parada. J&aacute; s&atilde;o 250 dias! H&aacute; mais de dois meses que a empreiteira busca &ldquo;parceiros&rdquo; para bancar a reformula&ccedil;&atilde;o, mas estaria encontrando dificuldades. J&aacute; at&eacute; se sondou que fundos previdenci&aacute;rios de empresas estatais bancariam cerca de 75% das obras, mas nada foi oficializado.<\/p>\n<p>Menos mal neste caso, porque empatar dinheiro p&uacute;blico ou de fundos p&uacute;blicos para obra privada &ndash; embora seja o padr&atilde;o da CBF com os governos Lula e, agora, Dilma &ndash; n&atilde;o muda em nada a triste correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as. No Brasil se promove um bismarkismo futeboleiro, al&eacute;m de um bismarkismo coronelista e por a&iacute; vai. Os pe&otilde;es de Rond&ocirc;nia assim como os obreiros da OAS no bairro Humait&aacute; em Porto Alegre que o digam!<\/p>\n<p>Para piorar, a negativa do Banrisul &eacute; mais uma ducha de &aacute;gua gelada &ndash; mesmo que estejamos no ver&atilde;o, o clima dessa obra &eacute; do Polo Norte. O governador do Estado, Tarso Genro, defendeu o banco estatal ao dizer que n&atilde;o era justo que o mesmo assumisse todos os riscos da construtora, que ficaria com a utiliza&ccedil;&atilde;o do est&aacute;dio para outros fins.<\/p>\n<p>Segundo o vice-presidente do Banrisul, Fl&aacute;vio Sommel, a opera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o est&aacute; bem estruturada, faltariam garantias. Caso a construtora n&atilde;o esteja satisfeita com as exig&ecirc;ncias, ela deveria procurar outra institui&ccedil;&atilde;o financeira para tentar o empr&eacute;stimo. &Eacute;, parece que ainda h&aacute; quem n&atilde;o se dobre&#8230;<\/p>\n<p><strong>Torcida chegou a protestar<\/strong><\/p>\n<p>No in&iacute;cio de fevereiro, um grupo de torcedores colorados inconformados com a demora da construtora para assinar o contrato com o Internacional, levaram centenas de canetas ao Beira Rio antes do jogo da Libertadores contra o Juan Aurich &#8211; clube de uma pa&iacute;s em que os jogadores realizam greve para que paguem os sal&aacute;rios atrasados.<\/p>\n<p>O protesto tamb&eacute;m teve ades&atilde;o nas redes sociais. A campanha era feita atrav&eacute;s da hashtag #AssinaAG. Apesar disso, n&atilde;o parece que incomodou.<\/p>\n<p><strong>Imprensa tamb&eacute;m resolveu pressionar<\/strong><\/p>\n<p>Depois da nota enviada a todos os grandes jornais do Rio Grande do Sul, a imprensa resolveu cobrar publicamente a construtora. Muitos especialistas emitiram coment&aacute;rios contra a empresa. Cabe o debate: &eacute; papel da m&iacute;dia cobrar uma empresa privada por n&atilde;o estar fazendo a obra de um espa&ccedil;o tamb&eacute;m privado?<\/p>\n<p>A imprensa deve sim fazer cobran&ccedil;as (e como &eacute; bom quando o fazem sem jab&aacute;), mas n&atilde;o apenas da empresa, tamb&eacute;m das autoridades que escolheram a sede e se comprometeram em deix&aacute;-la pronta para o mundial de 2014.<\/p>\n<p>Falando nisso, como v&atilde;o as obras que &ldquo;ficar&atilde;o&rdquo; ap&oacute;s o evento, como as de infraestrutura, melhoria de transporte p&uacute;blico e aerovi&aacute;rio &ndash; com fiscaliza&ccedil;&atilde;o sobre as recentes privatiza&ccedil;&otilde;es no setor &ndash; e como est&atilde;o tratando as pessoas que moram em volta de obras?<\/p>\n<p>Para al&eacute;m desse evento espec&iacute;fico, porque n&atilde;o analisar quais os tipos de rela&ccedil;&otilde;es que se deram em torno desta empreiteira, de entender o porqu&ecirc; o Inter n&atilde;o mais reformar por conta pr&oacute;pria, e de analisar a participa&ccedil;&atilde;o do Banrisul no futebol ga&uacute;cho, para o bem e\/ou para o mal?<\/p>\n<p>Se a gente torna a an&aacute;lise mais complexa, a&iacute; o futebol serve de escola para a interpreta&ccedil;&atilde;o dos fatos em sociedade. Do contr&aacute;rio, restar&aacute; pouca poesia no p&atilde;o e circo onde abundam de baixarias de &ldquo;guerreiros&rdquo; que demonstram valentia fechando bord&eacute;is ou batendo em mulheres no meio da madrugada.<\/p>\n<p><strong>O risco de perder a Copa<\/strong><\/p>\n<p>Os ga&uacute;chos correm sim o risco de perder a sede do mundial, assim como ocorreu com a Copa das Confedera&ccedil;&otilde;es. Em visita ao Estado no inicio do m&ecirc;s o ministro do Esporte Aldo Rebelo (PCdoB\/SP) disse estar tranquilo com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sede ga&uacute;cha, mas parece &oacute;bvio que isso n&atilde;o passa de discurso pol&iacute;tico. A pr&oacute;pria visita deve ter servido como forma de cobran&ccedil;a.<\/p>\n<p>O ministro tamb&eacute;m garantiu que n&atilde;o existe plano B, ou ser&aacute; no Beira Rio ou n&atilde;o haver&aacute; jogos da Copa do Mundo FIFA 2014 em Porto Alegre. As autoridades ga&uacute;chas defendem o est&aacute;dio colorado porque todo o planejamento da cidade para a Copa foi feito tendo ele como meta. As obras para a mobilidade urbana estariam direcionadas para a zona sul &ndash; embora pouco j&aacute; tenha sido feito.<\/p>\n<p>Para variar, quebraram Plano Diretor, rasgaram c&oacute;digos e leis ambientais, aproveitaram o embalo da Copa para chamar de Lago um estu&aacute;rio conhecido como Rio (e assim mudar a margem de defeso, diminuindo a &aacute;rea protegida de vegeta&ccedil;&atilde;o nativa), dentre outras proezas em nome da &ldquo;paix&atilde;o da dupla Gre-Nal&rdquo;.<\/p>\n<p>O desespero fica a cargo do deputado estadual Paulo Odone (PPS\/RS), o homem a colocar, curiosamente, o n&uacute;mero do seu partido na camisa do rec&eacute;m-chegado Vanderlei Luxemburgo &#8211; deu 23 nas costas do Luxa!, em plena entrevista coletiva de apresenta&ccedil;&atilde;o&#8230; queremos ver na hora que o ex-lateral do Inter de 1978 mandar a fatura do alfaiate! Odone sonha em levar o mundial para a Arena do Gr&ecirc;mio, que est&aacute; sendo constru&iacute;da em ritmo acelerado no bairro Humait&aacute;.<\/p>\n<p>Este seria o Plano B, mas em princ&iacute;pio nem mesmo isso poder&aacute; ser considerado como hip&oacute;tese. A construtora OAS e a diretoria gremista se reuniram e decidiram criar um fosso para dividir a torcida e o campo de jogo, em detrimento das placas de acr&iacute;lico usadas em boa parte dos est&aacute;dios &ndash; talvez com o medo de que volte a ocorrer a quebra sob forte press&atilde;o, como se deu em Caxias, quando os tricolores visitaram o Juventude.<\/p>\n<p>Por mais que isso n&atilde;o signifique recuo, que prejudique a vis&atilde;o do torcedor, a FIFA pro&iacute;be que est&aacute;dios utilizem desse artif&iacute;cio por conta dos graves problemas para uma poss&iacute;vel evacua&ccedil;&atilde;o &ndash; algo que lembra a &ldquo;cl&aacute;ssica&rdquo; final da Copa Jo&atilde;o Havelange, quando os torcedores do Vasco eram expulsos por Eurico Miranda de dentro do gramado ap&oacute;s a queda das grades por superlota&ccedil;&atilde;o&#8230;<\/p>\n<p><strong>Enquanto isso&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>J&aacute; falamos muito da discuss&atilde;o sobre a Lei Geral da Copa. A promessa de vot&aacute;-la em janeiro foi por &aacute;gua abaixo. Como bem reclamou o deputado federal Rom&aacute;rio (PSB\/RJ), os congressistas s&oacute; come&ccedil;am o ano mesmo depois do carnaval (e mais uns dias chorados), independente de press&atilde;o de FIFA ou quem quer que seja.<\/p>\n<p>Ah, para &ldquo;burlar&rdquo; a meia-entrada, j&aacute; parecem ter descoberto uma alternativa: v&atilde;o dobrar o valor do setor 4, para US$ 50, e o ingresso para estudantes e idosos fica segundo as contas da FIFA, US$ 25. Esperteza &eacute; outra coisa&#8230;<\/p>\n<p>Mas, ao menos, boa parte dos est&aacute;dios do pa&iacute;s est&aacute; se encaminhando, mesmo que a trancos e barrancos &#8211; alguns at&eacute; mais trancados, casos de Natal e Curitiba.<\/p>\n<p>No caso ga&uacute;cho, a Andrade Gutierrez parece querer desistir da obra e busca um culpado. Atado por se tratar de uma negocia&ccedil;&atilde;o entre entes privados, o governo rio-grandense assiste a novela, torcendo para que a gangue denunciada por Andrew Jennings n&atilde;o venha a sediar partidas do esporte bret&atilde;o na casa hoje comandada pelo ex-l&iacute;der da tropa de choque de Ant&ocirc;nio Britto na Assembleia Legislativa do Rio Grande. No final das contas, os ga&uacute;chos podem ficar sem jogos da Copa.<\/p>\n<p>(Entre em contato com a coluna e ajude-nos a desvendar os bastidores e as estruturas de poder do futebol profissional e dos manda-chuvas da pr&oacute;xima sede de Copa do Mundo, com 8 ou 12 est&aacute;dios. Escreva, colabore, critique, sugira, participe atrav&eacute;s dos e-mails andderson.santos@gmail.com e dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os colorados arranjaram at\u00e9 canetas para a construtora assinar. 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