{"id":1596,"date":"2012-03-07T20:11:45","date_gmt":"2012-03-07T20:11:45","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1596"},"modified":"2012-03-07T20:11:45","modified_gmt":"2012-03-07T20:11:45","slug":"obras-privadas-mas-com-dinheiro-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1596","title":{"rendered":"Obras privadas, mas com dinheiro p\u00fablico"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/423156_365048040184677_134672973222186_1184701_2106828059_n.jpg\" title=\"Governo brasileiro versus FIFA? Ser\u00e1 que isso realmente ocorre com a organiza\u00e7\u00e3o para 2014? - Foto:\" alt=\"Governo brasileiro versus FIFA? Ser\u00e1 que isso realmente ocorre com a organiza\u00e7\u00e3o para 2014? - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Governo brasileiro versus FIFA? Ser\u00e1 que isso realmente ocorre com a organiza\u00e7\u00e3o para 2014?<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p><em>07 de mar&ccedil;o de 2012 &ndash; Anderson Santos (editor), Dijair Brilhantes <\/em><\/p>\n<p>A pauta desta semana da coluna surgiu ap&oacute;s uma discuss&atilde;o atrav&eacute;s de uma rede social. Embora tenham sido feitos coment&aacute;rios um pouco demasiados sobre o assunto, chegou-se ao consenso que o governo est&aacute; interferindo diretamente em algumas obras de est&aacute;dios privados para a Copa do Mundo FIFA 2014.<\/p>\n<p>A discuss&atilde;o posterior sobre o &ldquo;chute no traseiro&rdquo; proposto pelo secret&aacute;rio-geral da FIFA J&eacute;r&ocirc;me Valcke, e o consequente pedido para que a entidade mudasse o intermedi&aacute;rio com o Governo brasileiro, s&oacute; aumenta a d&uacute;vida: quais os limites do privado &ndash; inclu&iacute;do o paraestatal &ndash; e o p&uacute;blico quando o assunto &eacute; a Copa?<\/p>\n<p>No in&iacute;cio, o Governo federal veio com o discurso de que a iniciativa privada seria muito importante para o Brasil durante o processo de reforma e constru&ccedil;&atilde;o de novas arenas esportivas. Ricardo Teixeira e Orlando Silva, ent&atilde;o ministro do Esporte, afirmavam que n&atilde;o seria gasto um centavo do dinheiro p&uacute;blico.<\/p>\n<p>Logo depois, quando os projetos come&ccedil;aram a sair do papel, o governo passou a prometer o pagamento de apenas 25% das obras, que deveriam ter os gastos focados para a infraestrutura do pa&iacute;s, o que &ldquo;fica&rdquo; ap&oacute;s o mundial. Quanto &agrave;s arenas particulares, caso de clubes como S&atilde;o Paulo (ou Corinthians), Internacional e Atl&eacute;tico-PR, nenhum investimento adviria dos cofres p&uacute;blicos.<\/p>\n<p><strong>Tudo mudou<\/strong><\/p>\n<p>A justificativa do governo federal &eacute; de que a iniciativa privada demonstrou at&eacute; agora pouco interesse nas obras. Mesmo com a libera&ccedil;&atilde;o de empr&eacute;stimos do BNDES para todos os doze est&aacute;dios previstos &ndash; inclusive para os prov&aacute;veis futuros elefantes brancos &ndash;, poucos conseguiram parcerias efetivas, onde os dois lados perdem e ganham.<\/p>\n<p>Os or&ccedil;amentos das obras, muitos baseados em projetos com v&aacute;rias falhas, aumentam dia ap&oacute;s dia, mesmo que sejam oferecidas fr&aacute;geis condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, como indicam as peri&oacute;dicas greves de obreiros Brasil a dentro.<\/p>\n<p>Em termos locais, opta-se por f&oacute;rmulas alternativas, como aconteceu com a prefeitura de S&atilde;o Paulo, chefiada pelo &ldquo;nem direita, nem esquerda, nem centro&rdquo; Gilberto Kassab (PSD). A C&acirc;mara Municipal da capital paulista aprovou um projeto de lei dando mais de R$ 400 milh&otilde;es de isen&ccedil;&atilde;o de impostos para que fosse constru&iacute;do o &ldquo;Itaquer&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>As prefeituras e os Estados oferecem, portanto, v&aacute;rios &ldquo;confortos&rdquo;, como isen&ccedil;&atilde;o  de impostos e carta para descont&aacute;-los quando a nova arena estiver de  p&eacute;. Ainda assim, muitos acabam correndo para que a Uni&atilde;o resolva os  problemas.<\/p>\n<p>Para abrir os cofres quando h&aacute; forte interesse do capital &ndash; seja das  multinacionais ou das patrocinadoras do evento &ndash; o governo sempre  encontra uma maneira, e n&atilde;o foi diferente no que diz respeito aos  est&aacute;dios particulares.<\/p>\n<p>Como o pr&oacute;prio ex-presidente do Corinthians afirma, o ex-presidente Lula (PT) foi fundamental para agir nos bastidores e garantir o &ldquo;sonho&rdquo; corintiano &ndash; do mesmo n&iacute;vel de uma conquista da Libertadores. Lula atuou muito bem nos bastidores para que o est&aacute;dio finalmente sa&iacute;sse do papel. Gra&ccedil;as &agrave; &ldquo;amizade&rdquo; com Ricardo Teixeira, e &agrave;s brigas de Juvenal Juv&ecirc;ncio com quase todos, ainda ganhou a amplia&ccedil;&atilde;o do local, com direito a sediar a abertura da Copa do Mundo FIFA 2014.<\/p>\n<p>Com isso, aquele papo de que as empresas colocariam dinheiro e financiariam as reformas &ndash; como j&aacute; ocorrera com os Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007 &ndash; vai correndo rio abaixo. Em alguns casos, os de est&aacute;dios privados, ainda h&aacute; a venda dos nomes dos est&aacute;dios, que, por&eacute;m, ficaria com a construtora e\/ou clube respons&aacute;vel pela obra.<\/p>\n<p><strong>A novela Beira-Rio e a poss&iacute;vel canetada da presidenta<\/strong><\/p>\n<p>Mas parece que n&atilde;o s&oacute; o presidente Lula teria agido pela emo&ccedil;&atilde;o. Em meio a uma briga de quase um ano entre Internacional, Andrade Gutierrez e Banrisul, com o BNDES &agrave; espera de garantiasfinanceiras, a presidenta Dilma Rousseff teria entrado em campo para dar um ultimato &agrave; Andrade Gutierrez.<\/p>\n<p>Depois de toda a novela, que foi brevemente relatada na coluna passada, parece que estamos perto de ter a decis&atilde;o final &ndash; nem que seja com o prazo dado pela prefeitura de Porto Alegre, at&eacute; o fim de mar&ccedil;o, para passar a adotar um Plano G (a Arena do Gr&ecirc;mio).<\/p>\n<p>Algumas d&uacute;vidas ainda pairam no ar: O que teria feito a presidenta para fazer a AG mudar da noite para o dia?  Qual artificio foi usado pelo Governo federal para resolver um problema que se arrasta por mais de meio ano? E por que esperaram Porto Alegre perder a Copa das Confedera&ccedil;&otilde;es para agirem?<\/p>\n<p>Parte do Rio Grande do Sul acredita que Dilma agiu com a emo&ccedil;&atilde;o, para n&atilde;o deixar  o est&aacute;dio do seu clube de cora&ccedil;&atilde;o fora da Copa. H&aacute; diverg&ecirc;ncias sobre o assunto at&eacute; mesmo entre os autores desta coluna. Afinal, a presidenta n&atilde;o &eacute; t&atilde;o fan&aacute;tica por futebol quanto o seu antecessor. Al&eacute;m do que, as rela&ccedil;&otilde;es entre empreiteiras e obras, p&uacute;blicas ou n&atilde;o, no Brasil mereceriam mais livros do n&iacute;vel do &ldquo;Privataria tucana&rdquo; (Amaury Ribeiro J&uacute;nior).<\/p>\n<p>As d&uacute;vidas de sempre, agora no lado pol&iacute;tico, sempre surgem: Por que sempre o oligop&oacute;lio de empreiteiras se revezam nas obras p&uacute;blicas desde muitos anos? Algu&eacute;m explica o porqu&ecirc; de o Inter ter sido &ldquo;convencido&rdquo; a n&atilde;o tocar a obra por conta pr&oacute;pria? Por que n&atilde;o formar o pool de construtoras ga&uacute;chas para uma simples reforma?<\/p>\n<p><strong><em>Kicking the ass<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Enquanto isso, em Bras&iacute;lia, a Comiss&atilde;o de Esportes aprovou a Lei Geral da Copa com bebidas nos est&aacute;dios e tudo o mais. O caminho ainda &eacute; longo para a san&ccedil;&atilde;o da presidenta.<\/p>\n<p>O grande problema dela &eacute; que o acordo assinado com a FIFA em 2007 parece que n&atilde;o foi lido direito, afinal todos os prov&aacute;veis problemas com meia-entrada, vendida de bebidas nos est&aacute;dios e tudo o mais estavam no caderno de encargos quando da candidatura &uacute;nica para o evento.<\/p>\n<p>A entrevista raivosa de Jer&ocirc;me Valcke para a imprensa europeia falou o que &eacute; verdade e uma realidade brasileira de muito tempo: arrasto para construir ou reformar, demora para a aprova&ccedil;&atilde;o de leis, etc. O problema foi como ele disse isso.<\/p>\n<p>Primeiro ele falou que o Brasil deveria levar um chute no traseiro para come&ccedil;ar a fazer as coisas &#8211; e como uma express&atilde;o em franc&ecirc;s pode ter sido mal traduzida se a frase foi falada em ingl&ecirc;s?<\/p>\n<p>Depois, falou que o pa&iacute;s parecia muito mais interessado em ganhar a Copa que em fazer uma &ndash; repetimos a piada de dezenas de outros, ele n&atilde;o v&ecirc; o time que o Mano Menezes coloca em campo para acreditar em tamanha leviandade!<\/p>\n<p>Aldo Rebelo (PCdoB\/SP), o deputado que prop&ocirc;s um projeto de lei para acabar com os estrangeirismos na L&iacute;ngua Portuguesa aplicada no Brasil, respondeu ao gringo como, finalmente!, deveriam ter feito no Governo federal h&aacute; algum tempo: &ldquo;n&atilde;o dialogaremos mais com este sujeito&rdquo;.<\/p>\n<p>Falamos que isso deveria ter ocorrido h&aacute; mais tempo, porque Valcke &eacute; o &uacute;nico homem que gerou uma d&iacute;vida para a empresa em que trabalha, ap&oacute;s uma negociata para que a Visa assumisse o lugar da Master Card como patrocinadora dos eventos-FIFA &ndash; com direito a quebra de contrato e perda judicial &ndash; e, logo em seguida, foi promovido! Tem-se como confiar em algu&eacute;m assim?<\/p>\n<p>Por&eacute;m, ap&oacute;s pedidos de desculpas p&uacute;blicos vindos de Zurique &#8211; e n&atilde;o de  Lousanne, para onde a resposta do Minist&eacute;rio do Esporte foi inicialmente  &#8211; talvez isso mude.<\/p>\n<p>H&aacute; quem j&aacute; deixe no ar a possibilidade de a Copa do Mundo n&atilde;o ser realizada no Brasil, mas repassada &agrave; Inglaterra, como uma forma de diminuir as cr&iacute;ticas da imprensa local pelo fato de o pa&iacute;s ter perdido para a R&uacute;ssia e o Catar (!!!) a sede dos mundiais seguintes. Inoc&ecirc;ncia &agrave; parte, como diria o brit&acirc;nico Andrew Jennings, a FIFA n&atilde;o teria essa coragem toda para realizar tal ato.<\/p>\n<p>Basta lembrar o tamanho do Brasil, e da paix&atilde;o dos seus torcedores &ndash; Neymar que nos salve! &ndash;, para entender o potencial para este evento ocorrer aqui e, principalmente, se conseguirem tir&aacute;-lo daqui. Bastaria um est&iacute;mulo da Rede Globo, por mais parceira que seja da entidade internacional, para as pessoas irem &agrave;s ruas &ldquo;em defesa do futebol brasileiro!&rdquo;.<\/p>\n<p>Tudo bem. Ricardo Teixeira queimou todas as suas possibilidades para assumir o lugar de Blatter quando ajudou na campanha passada o rival do su&iacute;&ccedil;o, Bin Hamman, mas n&atilde;o cremos que se chegaria a tanto&#8230;<\/p>\n<p>Como diz o ditado, at&eacute; 2014 muita &aacute;gua ainda vai passar por debaixo da ponte. Espera-se que o futebol e o bolso dos brasileiros sobreviva at&eacute; l&aacute;!<\/p>\n<p>(Para quem quiser nos ajudar respondendo algumas das perguntas feitas aqui, ou criticar e\/ou sugerir assuntos, entre em contato atrav&eacute;s dos e-mails andderson.santos@gmail.com e dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Governo brasileiro versus FIFA? Ser\u00e1 que isso realmente ocorre com a organiza\u00e7\u00e3o para 2014? 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