{"id":1600,"date":"2012-03-21T00:14:32","date_gmt":"2012-03-21T00:14:32","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1600"},"modified":"2012-03-21T00:14:32","modified_gmt":"2012-03-21T00:14:32","slug":"futebol-sem-democracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1600","title":{"rendered":"Futebol sem democracia"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/resenhatricolor.com.br.jpeg\" title=\"Marcelo Guimar\u00e3es Filho representa, para al\u00e9m do nome do pai, um passado ainda presente no futebol brasileiro - Foto:resenhatricolor.com.br\" alt=\"Marcelo Guimar\u00e3es Filho representa, para al\u00e9m do nome do pai, um passado ainda presente no futebol brasileiro - Foto:resenhatricolor.com.br\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Marcelo Guimar\u00e3es Filho representa, para al\u00e9m do nome do pai, um passado ainda presente no futebol brasileiro<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:resenhatricolor.com.br<\/small><\/figure>\n<p><em>21 de mar&ccedil;o de 2012, Anderson Santos (editor), Dijair Brilhantes &amp; Bruno Lima Rocha.<\/em><\/p>\n<p>O tema desta coluna poderia referir-se a uma dezena de clubes do futebol brasileiro. Mas est&aacute; direcionado ao Esporte Clube Bahia, um dos times com maior m&eacute;dia de p&uacute;blico do pa&iacute;s, mesmo ap&oacute;s o desastre da Fonte Nova, em 2007. Como todos sabem, o futebol na boa terra atrai multid&otilde;es, literalmente.<\/p>\n<p>Desde dezembro do ano passado, o clube passa por uma forte crise pol&iacute;tica (e n&atilde;o &eacute; a primeira, vale lembrar da era de Paulo Maracaj&aacute; como presidente &#8211; que retorna agora com outro cargo). O atual presidente, Marcelo Guimar&atilde;es Filho, foi reeleito atrav&eacute;s do Conselho Deliberativo, descumprindo a promessa de voto direto dos s&oacute;cios. A oposi&ccedil;&atilde;o entrou com o pedido na Justi&ccedil;a e conseguiu cancelar a elei&ccedil;&atilde;o de dezembro do ano passado, sendo nomeado um interventor, &agrave;s v&eacute;speras de um Ba-Vi.<\/p>\n<p>Marcelo Guimar&atilde;es Filho foi deputado federal pelo PMDB da Bahia de 2007 a 2010 e &eacute; filho do ex-presidente Marcelo Guimar&atilde;es, cuja proeza foi dirigir o time nos rebaixamentos para a S&eacute;rie B, em 2004, e para a S&eacute;rie C, em 2006. &ldquo;Marcelinho&rdquo;, em meio a uma crise pol&iacute;tica, assumiu o comando do clube sob desconfian&ccedil;a, conseguindo recoloc&aacute;-lo no cen&aacute;rio nacional.<\/p>\n<p>Uma das medidas mais controversas da sua gest&atilde;o foi empregar Paulo Carneiro, ex-presidente do rival Vit&oacute;ria de 1988 a 2005, enquanto diretor de futebol do Bahia, algo que durou de dezembro de 2008 a setembro de 2009.<\/p>\n<p>Reeleito em dezembro de 2011 para mais tr&ecirc;s anos de mandato ap&oacute;s reerguer o clube no cen&aacute;rio nacional, Marcelo Guimar&atilde;es Filho e toda a diretoria foram destitu&iacute;dos do cargo, pela segunda vez, por ordem judicial no dia 13 deste m&ecirc;s justamente pela falta da lista de s&oacute;cios. O advogado Carlos R&aacute;tis foi nomeado interventor do clube, com um sal&aacute;rio de R$ 60 mil mensais ou proporcional a isso, caso n&atilde;o completasse um m&ecirc;s.<\/p>\n<p>R&aacute;tis s&oacute; encontrou uma funcion&aacute;ria e um monitor, sem o gabinete com a CPU, na sede do clube, o que o impossibilitaria de entrar em contato com os s&oacute;cios e conselheiros do Bahia. Os computadores que continham a lista dos 323 conselheiros que participaram da elei&ccedil;&atilde;o sumiram. A alternativa foi convocar via imprensa uma audi&ecirc;ncia extraordin&aacute;ria.<\/p>\n<p><strong>Dirigente fez piada<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto isso, Marcelo Guimar&atilde;es Filho culpava a decis&atilde;o judicial por qualquer resultado negativo no cl&aacute;ssico. Inclusive, um jogador contratado pela diretoria, o lateral boliviano Luis Guti&eacute;rrez, s&oacute; estava esperando que a situa&ccedil;&atilde;o no clube se resolvesse para poder atuar.<\/p>\n<p>Na sexta-feira, 16 de mar&ccedil;o, o desembargador Gesivaldo Brito concedeu um efeito suspensivo &agrave; diretoria afastada. Guimar&atilde;es Filho encontrou disposi&ccedil;&atilde;o para fazer piada no Twitter: &ldquo;&ocirc;oooo  o tricolor voltou&#8230;, a CPU voltou&#8230;&rdquo;, em refer&ecirc;ncia a CPU que n&atilde;o havia sido encontrada pela justi&ccedil;a. Logo depois escreveu &ldquo;a justi&ccedil;a foi feita&rdquo; e que o &ldquo;sumi&ccedil;o&rdquo; da CPU deveria gerar uma CPI, mas n&atilde;o ocorreria &ndash; como ex-deputado, ele sabe como as coisas (n&atilde;o) funcionam.<\/p>\n<p>Com a liminar obtida pela diretoria do Bahia atrav&eacute;s da Justi&ccedil;a, foi suspensa a audi&ecirc;ncia p&uacute;blica onde os s&oacute;cios decidiriam o futuro do clube &ndash; e que provavelmente recolocaria o presidente no cargo. A liminar deu validade &agrave; elei&ccedil;&atilde;o realizada no final de 2011, com um Bahia nada democr&aacute;tico, em que os torcedores clamam por elei&ccedil;&otilde;es diretas e querem entender como um dos clubes com maior p&uacute;blico em jogos oficiais no Brasil n&atilde;o faz uma campanha para adquirir mais s&oacute;cios. Eis a soma absurda de burrice com prepot&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s uma s&eacute;rie de jogos sem perder, sob o comando do ex-colorado &ndash; e ainda angustiado com os dirigentes do Internacional &ndash; Falc&atilde;o, o Bahia foi derrotado pelo Vit&oacute;ria comandado por Toninho Cerezo por 3 a 2 no Barrad&atilde;o, com todos os gols saindo num movimentado primeiro tempo. A diferen&ccedil;a na lideran&ccedil;a caiu para 4 pontos.<\/p>\n<p><strong>Falta o passo &agrave; frente<\/strong><\/p>\n<p>Pois bem, para quem imagina que a sa&iacute;da de Ricardo Teixeira poderia ser a deixa para os clubes conseguirem uma independ&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; CBF, o caso do Bahia neste momento &eacute; emblem&aacute;tico.<\/p>\n<p>Clubes nada democr&aacute;ticos, esta &eacute; a situa&ccedil;&atilde;o do futebol tupiniquim. As agremia&ccedil;&otilde;es s&atilde;o &ndash; em escala menor &ndash; uma esp&eacute;cie de espelho da CBF e das federa&ccedil;&otilde;es estaduais. Bastava contar com o voto universal dos s&oacute;cios, assim como o voto direto dos clubes com pesos distintos diante da posi&ccedil;&atilde;o nas s&eacute;ries do Brasileiro, e o volume de recursos e torcida. Mas, at&eacute; agora, nem sinal disso, apenas o enterro anunciado do Clube dos 13!<\/p>\n<p>Mesmo com diversos progressos conquistados ao longo dos anos dentro do pa&iacute;s, os clubes ficam presos a poderes de fam&iacute;lias que comandam o futebol h&aacute; d&eacute;cadas. O poder passa de pai para filho, de um irm&atilde;o para outro, &agrave;s vezes para amigos do mesmo grupo social e pol&iacute;tico, deixando o torcedor ref&eacute;m e de m&atilde;os atadas.<\/p>\n<p><strong>O fim da novela? N&atilde;o, de um cap&iacute;tulo<\/strong><\/p>\n<p>N&atilde;o poder&iacute;amos deixar de falar na coluna desta semana do poss&iacute;vel final da novela entre Internacional e Andrade Guti&eacute;rrez. Depois de mais de 260 dias, finalmente o contrato para a reforma do Est&aacute;dio Beira-Rio foi assinado na segunda-feira. A assinatura teve direito a festa de t&iacute;tulo, tel&atilde;o, abra&ccedil;os e promessas. At&eacute; o governador Tarso Genro, que havia discutido asperamente ao vivo com representantes da AG, compareceu sorridente &agrave; cerim&ocirc;nia.<\/p>\n<p>Antes disso, a mesma imprensa que caiu no golpe do jogador criado pela torcida, resolveu se antecipar e &ldquo;furar&rdquo; o acordo. A r&aacute;dio do oligop&oacute;lio ga&uacute;cho &ldquo;l&iacute;der&rdquo; de audi&ecirc;ncia interrompeu seu correspondente de not&iacute;cias para anunciar na quinta-feira, dia 15, que o contrato havia sido assinado. Horas depois teve que desmentir a informa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Uma imensa quantidade de cr&iacute;ticas surgiu para a construtora especialmente nos &uacute;ltimos dias, com direito &agrave; defini&ccedil;&atilde;o do prefeito da capital para que isso ocorresse at&eacute; o final de mar&ccedil;o. Parece que deu certo.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s a assinatura do contrato, os elogios voltaram pelas mesmas pessoas e ve&iacute;culos que haviam feito cr&iacute;ticas na semana anterior. O que havia mudado? A AG. Passou a ser uma das melhores construtoras do mundo no fim de semana, como foi dito na r&aacute;dio j&aacute; citada. A m&iacute;dia local parece desconhecer a palavra coer&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Pelo menos, agora se espera que os torcedores e dirigentes da capital esque&ccedil;am o confronto para saber &ldquo;quem tem mais obreiros trabalhando&rdquo; e passem a se concentrar dentro de campo, com os dif&iacute;ceis desafios da Copa Libertadores de Am&eacute;rica (a mesma que o banco espanhol insiste em batizar) e da Copa do Brasil. Basta de Gre-Nal de cartolas e de oba oba da m&iacute;dia de ocasi&atilde;o. Por que n&atilde;o continuar olhar para fora do campo, mas nos setores dirigentes do futebol brasileiro?<\/p>\n<p>(Para quem quiser sugerir um nome que pudesse ser uma real alternativa para comandar o futebol no Brasil, ou achar que escrevemos muita besteira, entre em contato atrav&eacute;s dos e-mails andderson.santos@gmail.com e dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcelo Guimar\u00e3es Filho representa, para al\u00e9m do nome do pai, um passado ainda presente no futebol brasileiro Foto:resenhatricolor.com.br 21 de mar&ccedil;o de 2012, Anderson Santos (editor), Dijair Brilhantes &amp; Bruno Lima Rocha. O tema desta coluna poderia referir-se a uma dezena de clubes do futebol brasileiro. 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