{"id":1603,"date":"2012-03-29T00:14:42","date_gmt":"2012-03-29T00:14:42","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1603"},"modified":"2012-03-29T00:14:42","modified_gmt":"2012-03-29T00:14:42","slug":"e-a-medida-que-o-caixao-descia-para-sempre-44-anos-do-assassinato-de-edson-luis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1603","title":{"rendered":"E \u00e0 medida que o caix\u00e3o descia para sempre&#8230; 44 anos do assassinato de \u00c9dson Lu\u00eds"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/edsonluis.jpg\" title=\"Popula\u00e7\u00e3o foi \u00e0s ruas protestar contra o assassinato do estudante v\u00edtima da ditadura militar h\u00e1 mais de quarenta anos. Edson Lu\u00eds se tornou um s\u00edmbolo de como a juventude sucumbe \u00e0 viol\u00eancia do Estado, principalmente quando se trata de jovens da periferia. - Foto:Resist\u00eancia Popular Alagoas\" alt=\"Popula\u00e7\u00e3o foi \u00e0s ruas protestar contra o assassinato do estudante v\u00edtima da ditadura militar h\u00e1 mais de quarenta anos. Edson Lu\u00eds se tornou um s\u00edmbolo de como a juventude sucumbe \u00e0 viol\u00eancia do Estado, principalmente quando se trata de jovens da periferia. - Foto:Resist\u00eancia Popular Alagoas\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Popula\u00e7\u00e3o foi \u00e0s ruas protestar contra o assassinato do estudante v\u00edtima da ditadura militar h\u00e1 mais de quarenta anos. Edson Lu\u00eds se tornou um s\u00edmbolo de como a juventude sucumbe \u00e0 viol\u00eancia do Estado, principalmente quando se trata de jovens da periferia.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:Resist\u00eancia Popular Alagoas<\/small><\/figure>\n<p><em>28 de mar&ccedil;o de 2012, da Zona Sul, periferia de Macei&oacute;, Henrique Bezerra<\/em><\/p>\n<p>No fim da tarde do dia 28 de mar&ccedil;o de 1968, por volta das 18h, foi assassinado o jovem paraense, estudante secundarista, que rec&eacute;m completara 18 anos, Edson Lu&iacute;s de Lima Souto. O estudante jantava momentos antes de mais uma manifesta&ccedil;&atilde;o da Frente Unida dos Estudantes do Calabou&ccedil;o (FUEC), no restaurante Calabou&ccedil;o, cidade do Rio de Janeiro. Os estudantes protestavam simplesmente contra o aumento do pre&ccedil;o da refei&ccedil;&atilde;o, que consideraram abusivo, e pela conclus&atilde;o das obras do restaurante.  <\/p>\n<p>Um protesto &ldquo;simples&rdquo;, considerando suas reivindica&ccedil;&otilde;es e por ser uma a&ccedil;&atilde;o corriqueira naquele espa&ccedil;o, por&eacute;m, realizado num momento de tens&atilde;o pol&iacute;tica e social, em pleno ano de 1968. O Calabou&ccedil;o funcionava em outro local e acabou demolido sem explica&ccedil;&atilde;o confessa. Por&eacute;m, acredita-se que a demoli&ccedil;&atilde;o ocorrera em virtude dos preparativos para uma reuni&atilde;o do Fundo Monet&aacute;rio Internacional, no Museu de Arte Moderna, pr&oacute;ximo do antigo restaurante.<\/p>\n<p>Para alguns, o emblem&aacute;tico ano come&ccedil;ou com esse acontecimento. A partir daquele dia, foram in&uacute;meras manifesta&ccedil;&otilde;es de rua, aglutinando diversas categorias sociais. Com o Ato Institucional n&ordm; 5 (AI-5), boa parte dos estudantes &ndash; respons&aacute;veis por expressiva participa&ccedil;&atilde;o na resist&ecirc;ncia pol&iacute;tica &ndash; avaliou que j&aacute; n&atilde;o havia mais possibilidade de mobiliza&ccedil;&otilde;es como at&eacute; ent&atilde;o eram desenvolvidas.  Partiram assim para a clandestinidade que exige a luta armada. O assassinato de &Eacute;dson Lu&iacute;s tomou propor&ccedil;&otilde;es gigantes, devido, principalmente, ao car&aacute;ter expl&iacute;cito e covarde de tal ato. <\/p>\n<p>N&atilde;o se tratava de mais uma pessoa que &ldquo;fora suicidada&rdquo; (justificativa bastante utilizada pelos torturadores &ndash; como no caso do assassinato do jornalista Vladimir Herzog, o Vlado) ou ent&atilde;o &ldquo;apenas&rdquo; mais um caso de &ldquo;desaparecimento&rdquo; (outra justificativa exaustivamente utilizada pelos partid&aacute;rios do Golpe). Tratava-se, isto sim, de um assassinato! Aos olhos de todos e todas que se faziam presentes naquele restaurante ou ao seu redor, a exemplo dos jornalistas Ziraldo e Zuenir Ventura, que estavam na reda&ccedil;&atilde;o de uma revista que tinha sede pr&oacute;xima ao Calabou&ccedil;o.<\/p>\n<p>Com um tiro no peito, caiu morto &ldquo;um jovem que poderia ser seu filho&rdquo; &ndash; frase que se tornou uma consigna nas grandes manifesta&ccedil;&otilde;es do enterro, das missas de &Eacute;dson Lu&iacute;s e at&eacute; na passeata dos 100 mil. Na tentativa, frustrada e rid&iacute;cula, de justificar o assassinato, o General Osvaldo Niemeyer Lisboa, superintendente da Pol&iacute;cia Executiva, afirmou que &ldquo;a pol&iacute;cia estava inferiorizada em poder de fogo&rdquo; (Poerner, 1979). Aqueles estudantes &ndash; e desconhe&ccedil;o relatos que afirmem o contr&aacute;rio &ndash; estavam &ldquo;armados&rdquo; com paus, pedras, garfos, facas, pratos&#8230;&ldquo;Armas&rdquo; encontradas em qualquer restaurante ou rua ontem e hoje. Mesmo assim, esse militar tenta justificar com tal argumento. <\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, a edi&ccedil;&atilde;o do jornal estudantil O Metropolitano, de abril de 1968, ao falar sobre a brutalidade da viol&ecirc;ncia policial, ressalta que a prova de tal brutalidade residia n&atilde;o apenas no assassinato do estudante, mas, tamb&eacute;m, nas &ldquo;diversas perfura&ccedil;&otilde;es a poucos cent&iacute;metros do ch&atilde;o, nas paredes do restaurante. Pelo menos seis dessas perfura&ccedil;&otilde;es se encontravam a metro e meio do solo&rdquo;. (in Valle, 1998). Ou seja, atiraram para matar, de fato!<\/p>\n<p>Frente ao ocorrido, o jornal que fazia oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; ditadura civil-militar no Brasil, Correio da manh&atilde;, no editorial do dia seguinte (29 de mar&ccedil;o de 1968), posiciona-se sem a farsa da imparcialidade:<\/p>\n<p><em>&ldquo;Estudantes reuniram-se ontem, no Calabou&ccedil;o, para protestar contra as prec&aacute;rias condi&ccedil;&otilde;es de higiene do seu restaurante. Protesto justo e correto. (&#8230;) Apesar da legitimidade do protesto estudantil, a Pol&iacute;cia Militar decidiu intervir. E o fez &agrave; bala. (&#8230;) N&atilde;o agiu a Pol&iacute;cia Militar como For&ccedil;a P&uacute;blica. Agiu como bando de assassinos. Diante dessa evid&ecirc;ncia cessa toda discuss&atilde;o sobre se os estudantes tinham ou n&atilde;o raz&atilde;o &#8211; e tinham. E cessam os debates porque fomos colocados ante uma cena de selvageria que s&oacute; pela sua pr&oacute;pria brutalidade se explica. Atirando contra jovens desarmados, atirando a esmo, ensandecida pelo desejo de oferecer &agrave; cidade mais um festival de sangue e morte, a Pol&iacute;cia Militar conseguiu coroar, com esse assassinato coletivo, a sua a&ccedil;&atilde;o, inspirada na viol&ecirc;ncia e s&oacute; na viol&ecirc;ncia. Barb&aacute;rie e covardia foram a t&ocirc;nica bestial de sua a&ccedil;&atilde;o, ontem. O ato de depreda&ccedil;&atilde;o dos restaurante pelos policiais, ap&oacute;s a fuzilaria e a chacina, &eacute; o atestado que a Pol&iacute;cia Militar passou a si pr&oacute;pria, de que sua interven&ccedil;&atilde;o n&atilde;o obedeceu a outro prop&oacute;sito sen&atilde;o o de implantar o terror na Guanabara. Diante de tudo isso, depois de tudo isso, &eacute; poss&iacute;vel ainda discutir alguma coisa? N&atilde;o, e n&atilde;o. A Guanabara, cidade civilizada e centro cultural do Brasil, n&atilde;o perdoar&aacute; os assassinos&rdquo;. (in Valle, 1998).<\/em><\/p>\n<p>Com as ruas escuras, as luzes dos postes apagadas, mesmo j&aacute; sendo &agrave; noite, as &ldquo;autoridades da ditadura&rdquo; efetuavam mais uma tentativa frustrada de &ldquo;abafar&rdquo; o que estava acontecendo, inclusive para que a popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o lesse os diversos cartazes empunhados pelas que participavam do cortejo f&uacute;nebre. E, &agrave; medida que o caix&atilde;o de &Eacute;dson Lu&iacute;s de Lima Souto descia para sempre, em v&aacute;rias partes do cemit&eacute;rio de S&atilde;o Jo&atilde;o Batista, na capital fluminense, ali e em v&aacute;rias partes do Brasil, o juramento era feito e compartilhado: &ldquo;neste luto come&ccedil;a a luta!&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Pelo direito &agrave; Mem&oacute;ria&#8230; Pela necessidade da luta!<\/strong><\/p>\n<p>Passaram-se 44 anos daquele fim de tarde. Mais de quatro d&eacute;cadas e a viol&ecirc;ncia de Estado continua presente como sempre esteve. Em breve, no dia 1&ordm; de abril (considero essa data, mesmo sabendo que alguns defendem que o &ldquo;anivers&aacute;rio&rdquo; do golpe seja em 31 de mar&ccedil;o), completa-se 48 anos do golpe civil-militar de 1964. S&atilde;o 48 anos de impunidade, de &ldquo;verdade velada&rdquo; (e n&atilde;o revelada). <\/p>\n<p>Mesmo com uma presidenta e v&aacute;rios parlamentares que sofreram na pele as consequ&ecirc;ncias do golpe, a maior parte dos arquivos da ditadura (ou, ao menos, aqueles que ainda n&atilde;o foram destru&iacute;dos &ndash; pr&aacute;tica comum entre os partid&aacute;rios do regime militar) continua guardada por diversas chaves e sob os olhares atentos dos generais que hoje, no lugar da puni&ccedil;&atilde;o por seus atos, vivem confortavelmente e desfilam como s&iacute;mbolos vivos de um pa&iacute;s que n&atilde;o se importa nem mesmo com sua Hist&oacute;ria. A Comiss&atilde;o da Verdade continua &ldquo;no papel&rdquo;. Um engodo que, ao que parece, no m&aacute;ximo, produzir&aacute; alguns novos documentos com informa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o t&atilde;o novas assim. E pronto. <\/p>\n<p>Baseados na argumenta&ccedil;&atilde;o de que a Lei da Anistia sela a concilia&ccedil;&atilde;o nacional, torturadores e demais partid&aacute;rios do sil&ecirc;ncio que deriva do medo, continuam impunes. E diversas mortes (seja a de &Eacute;dson Lu&iacute;s, Vlado ou o alagoano Manuel Fiel Filho &#8211; para citar apenas alguns nomes entre tantos &ldquo;suicidados&rdquo; e &ldquo;desaparecidos&rdquo; conhecidos e an&ocirc;nimos) sejam tratadas como meras &ldquo;fatalidades&rdquo;. De acordo com o que foi afirmado pelo cientista social Bruno Lima Rocha:<\/p>\n<p><em>Negar que o Estado brasileiro deliberadamente torturou, matou, cometeu desapari&ccedil;&atilde;o for&ccedil;ada, violentou, liberou seus chacais para saque e botim de bens de opositores &eacute; negar a hist&oacute;ria do pa&iacute;s. [&#8230;] Infelizmente esta mesma nega&ccedil;&atilde;o do &oacute;bvio faz com que tenhamos aprovado a Anistia para criminosos oficiais e, ao contr&aacute;rio, das demais democracias do ConeSul, sermos o pa&iacute;s que menos puniu a seus antigos algozes. (2012)<\/em><\/p>\n<p>Hoje, de forma expl&iacute;cita ou &ldquo;legal&rdquo;, a exemplo da m&aacute;quina de exterm&iacute;nio permitida por lei que recebe o significativo nome de Caveir&atilde;o; ou de meios mais sofisticados, v&aacute;rios jovens como &Eacute;dson Lu&iacute;s de Lima Souto continuam sendo silenciados e\/ou assassinados diariamente, em especial, nas periferias das cidades. Crimes de intoler&acirc;ncia parecem ser cada vez mais tolerados pelos quatro poderes (Executivo, Legislativo, Judici&aacute;rio e Midi&aacute;tico). Aqui e acol&aacute;, crimes de &oacute;dio &agrave;s diferen&ccedil;as tornam-se comuns. Por outro lado, as manifesta&ccedil;&otilde;es &ldquo;por paz&rdquo; parecem tentativas de conforto pessoal e, de t&atilde;o est&eacute;reis, soam ir&ocirc;nicas. As feridas no t&atilde;o surrado Direitos Humanos continuam abertas. E assim continuar&atilde;o at&eacute; a dignidade ser um sentimento\/a&ccedil;&atilde;o de rebeldia.<\/p>\n<p><em>* Henrique Bezerra &eacute; concluinte do curso de Ci&ecirc;ncias Sociais da Universidade Federal de Alagoas e militante de organiza&ccedil;&atilde;o popular aut&ocirc;noma.<\/em><\/p>\n<p><strong>Refer&ecirc;ncias:<\/strong><\/p>\n<p>MARTINS FILHO, Jo&atilde;o Roberto. Rebeli&atilde;o estudantil: 1968 &ndash; M&eacute;xico, Fran&ccedil;a e Brasil. Campinas, SP: Mercado das Letras, 1996.<\/p>\n<p>POERNER, Artur Jos&eacute;. O poder jovem: hist&oacute;ria da participa&ccedil;&atilde;o dos estudantes brasileiros. 2&ordf; edi&ccedil;&atilde;o: revistada, ilustrada e ampliada. Rio de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira, 1979.<\/p>\n<p>ROCHA, Bruno Lima. A comiss&atilde;o da verdade e o sil&ecirc;ncio dos culpados. Mar&ccedil;o de 2012. Artigo visualizado em 28 Mar&ccedil;o de 2012. No portal: http:\/\/www.estrategiaeanalise.com.br<\/p>\n<p>VENTURA, Zuenir. 1968: O ano que n&atilde;o terminou. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Popula\u00e7\u00e3o foi \u00e0s ruas protestar contra o assassinato do estudante v\u00edtima da ditadura militar h\u00e1 mais de quarenta anos. Edson Lu\u00eds se tornou um s\u00edmbolo de como a juventude sucumbe \u00e0 viol\u00eancia do Estado, principalmente quando se trata de jovens da periferia. 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